quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A educação salva



“A humanidade é 90% formada por imbecis e o paraíso deles é a internet”. A afirmação contundente é de Ziraldo, 78 anos, criador de um universo de personagens que marcaram o imaginário brasileiro, entre eles o Pererê, A Supermãe, Mineirinho e Jeremias, o bom. No entanto, o mais emblemático, que atravessa gerações é o Menino Maluquinho, que rendeu duas adaptações cinematográficas de sucesso, a primeira de Helvécio Ratton, em 1994; a segunda, em 1999, por Fernando Meirelles e Fabrizia Pinto.

Dele derivou o livro ilustrado Uma professora muito maluquinha (Melhoramentos), que acaba de ganhar reedição especial, motivada pela versão para o cinema está em cartaz. Dirigida por André Alves Pinto (sobrinho de Ziraldo) e César Rodrigues, a produção da Diler & Associados (responsável por filmes de Renato Aragão e Xuxa) remete ao espírito dos filmes antigos, aqueles que trazem mensagens construtivas, transmitidas pela emoção. No caso, a de que a escola pode ser um ambiente bem melhor para alunos e professores. Com Paola Oliveira no papel principal e participação especial do próprio Ziraldo, o filme é sobre como essa relação pode ser mais saudável.

“Enquanto o problema da educação não se resolver, vamos continuar batendo de frente”, disse Ziraldo, em palestra no último Festival de Brasília. A afirmação pode parecer óbvia, mas tão urgente quanto o problema da fome. “A escrita é o nosso sexto sentido. Temos que estabelecer o compromisso de que, a partir de hoje, não cresçam mais crianças analfabetas no país”.

Para ele, o mau uso da internet pode ser corrigido pela educação, pela palavra impressa. “A educação precisa ser pelo livro. Não adianta colocar internet na mão da criança. A palavra gravada mudou o mundo. Em 1500, o ser humano andava de charrete. 500 anos depois de Gutemberg, ele pisa na Lua. Não pode ser coincidência”.

Mas por que ambientar a história nos anos 1940? “Foram os anos em que cresci”, disse o escritor, em conversa com o Diario. “É uma década esquecida pelas artes. Os 1950 foram os anos dourados e os 1960, da revolução. Os 1940 ficaram de lado, marcados pela guerra”. E é uma boa forma de constatar que pouco se avançou em termos de educação.

Antes de tudo, o autor enxerga o filme como uma pequena história de amor para a família. “Somos filhos dos nossos pais, mas só ficamos prontos depois de passar pela professora. Escrevi o livro para levantar o amor próprio da professora brasileira. Para ela se perguntar ‘se eu posso ser isso, por que não sou’?”

(Diario de Pernambuco, 12/10/2011)

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