sábado, 23 de maio de 2009

Histórias preciosas contadas na feira



Todos os sábados, a feira livre de Condado se torna ponto de encontro da pequena cidade da Zona da Mata Norte pernambucana. Na manhã de hoje, além do usual comércio de frutas, roupas e pequenos utilitários, a "freguesia" terá à disposição imagens e sons produzidos nos últimos três meses da residência artística Retrato: substantivo feminino.

Trata-se de uma exposição interativa, da qual faz parte uma pequena caixa de papelão colorido que exibe em vídeo o processo de trabalho de 12 mulheres integrantes do Viva Pareia!, Ponto de Cultura que reúne o Cavalo-marinho Estrela de Ouro, do Mestre Biu Alexandre, e Estrela Brilhante, do Mestre Antonio Teles. Além disso, fotografias e banners foram afixados em diferentes pontos da cidade, numa atividade de divulgação iniciada na última terça-feira, e que inclui um carro de som a convocar o público através do canto gravado durante as atividades.

A ideia é que o público experimente parte da metodologia praticada com o grupo. Durante a feira, as pessoas serão convidadas para que contem histórias particulares, e depois a expressarem através de imagens. Outro exercício, batizado 3x4, propõe a convivência não-verbal entre a pessoa e a lente da câmera, durante três minutos de filmagem.

Incentivo - Retrato: substantivo feminino foi contemplado com R$ 15 mil pela Funarte, através do Prêmio Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura. "Não é um trabalho sobre o cavalo-marinho, mas passa por ele", diz a produtora paulista Laura Tamiana que, ao lado da artista carioca Tatiana Devos, convidou esposas e filhas de brincantes, mulheres que geralmente não recebem tanta atenção quanto os mestres, músicos e "figuras" do cavalo-marinho.

"Todo mundo tem uma história preciosa para contar, mesmo que às vezes ela esteja empoeirada", disse. É o caso de Dona Benedita, 77 anos, que fotografou o marido, Mestre Antonio Teles, os filhos, e até mesmo o retrato do pai, já falecido.

Dona Preta foi além: câmera digital em punho, perguntou, para o constrangimento do marido com quem vive há 44 anos, se ele ainda a amava. Não bastasse, ela ensinou "modinhas" para as outras, que passaram a encerrar cada encontro cantando juntas. Até Dona Benedita, a mais tímida de todas, soltou a voz.

Tamiana explica que a exposição encerra o projeto, mas não o processo vivido pelas participantes. O verdadeiro objetivo do trabalho não é ensinar a técnica de fotografia e vídeo, mas sim levar a cada mulher a se assumir enquanto "caixinha de preciosidades".

Um comentário:

Lidianne Andrade disse...

muito legal a matéria! parabens!