segunda-feira, 2 de março de 2009

Cobertura // Arnaldo Antunes no UK Pub


Foto: Gleysom Ramos

Em entrevista por telefone na sexta-feira, Arnaldo Antunes falou sobre a vesatilidade do show que trabalha nos últimos dois anos. Uma turnê que passou por espaços de diferentes dimensões, e da qual fez parte nossa praça pública mais importante, o Marco Zero. Na noite de sábado, a afirmação do poeta, cantor e compositor paulista foi colocada à prova no UK Pub, onde ele e banda (três ótimos músicos) tocaram em um palco com cerca de cinco metros de largura por três de profundidade, e um teto que devia ultrapassar por pouco os 2 metros.

Ao redor, o público (faixa etária entre 25 e 40 anos) pouco se importava com o aperto e o consequente calor. Todos queriam estar perto do artista, cantar junto com sua voz de café coado, olhar de perto sua performance teatral. Segundo a assessoria de imprensa do UK, foi superada a lotação máxima de 400 pessoas, e ainda ficou muita gente pra fora. O que leva a refletir se não era o caso de reduzir ainda mais o número de pagantes, para garantir as mínimas condições de conforto - e isso inclui a qualidade do atendimento no balcão.

Antunes entrou em cena discretamente, antes das luzes se acenderem. O show começou com a regojizante Fim do dia, música de 1997, incluida no repertório do projeto Ao vivo no estúdio, e seguiu com Hotel fraternité, e a romântica Se tudo pode acontecer. Um clima etéreo que só se rompeu com o funk O que?, clássico dos 80 em versão light e direito a infame trocadilho com o nome da casa (O que = UK), e a inconformista Não vou me adaptar, entoada em coro com certa imprudência, já que cantada em local onde o cardápio oferece 300 ml de cerveja por até R$ 50.

Tudo parecia seguir um roteiro até que, durante a música Luzes, Ortinho espontaneamente se candidatou a cantar junto com o novo parceiro (ele participa do novo disco de Antunes, Iê Iê Iê, a ser lançado mês que vem). Por motivos etílicos, ele se perdeu mais de uma vez. Uma tentativa de improviso salvou a situação, que quase colocou Antunes em situação constrangedora.

Por sinal, tolerância não faltou ao artista, já que a mesa de som vacilou em quase todas as músicas, que ganharam um elemento a mais: a microfonia. Entre goles de Stela Artois, ele preferiu se deleitar com a calorosa resposta da platéia, que acompanhou em voz alta todas suas canções - palavra por palavra.

Merece registro o trabalho do instrumentista Marcelo Jeneci que, apesar de apresentado como tecladista, deu um show à parte nos efeitos sonoros e no acordeon, que tornou a música O silêncio um forrozinho de primeira.

publicado no Diario de Pernambuco

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