domingo, 11 de maio de 2008

Arte da capa de Combat Samba, novo CD da Mundo Livre



Taí a capa do novo CD da Mundo Livre, Combat Samba. A arte é autoria do casal Jorge duPeixe e Valentina Trajano, responsáveis pelo visual de outros disquinhos pernambucanos.

Trata-se de uma coletânea com apenas uma canção inédita, produzida por Carlos Eduardo Miranda. A parceria remonta ao primeiro álbum do grupo, Samba Esquema Noise, de 1993.

O nome do disco é uma paródia de Combat Rock, clássico oitentista do grupo punk britânico The Clash, forte influência para Zeroquatro e companhia.

Para conhecer outras capas bacanas da recente safra made in Pernambuco, leia matéria minha na revista Continente Multicultural deste mês.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Watchmen - o filme vem aí



Aproveitando a sacada de Evan Shaner (no post abaixo), o Quadro Mágico informa que Watchmen, o filme, tem estréia marcada para março de 2009.

A adaptação será dirigida Zack Snyder, o mesmo que trouxe para o cinema Os 300 de Esparta de Frank Miller. E realiza algo há décadas desejado - e temido - pelos leitores de quadrinhos.

No elenco não há super-astros: Malin Akerman como Laurie Juspeczyk (Silk Spectre); Billy Crudup como Jon Osterman (Dr. Manhattan); Matthew Goode como Adrian Veidt (Ozymandias); Jackie Earle Haley como Walter Kovacs (Rorschach); Jeffrey Dean Morgan como Edward Blake (O Comediante); e Patrick Wilson como Dan Dreiberg (Nite Owl).

Criado na década de 1980 por Alan Moore com desenhos de David Gibbons, Watchmen é, ao mesmo tempo, uma crítica ferrenha à política belicista norte-americana e ao universo alienante dos super-heróis.

Bem ao gosto de Moore, os personagens são paródias melhoradas dos super-famosos Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Capitão América, etc. Todos eles são construidos com problemas psicológicos e familiares, tudo bem longe da perfeição divina desenhada, por exemplo, por Alex Ross.

Ao que parece, e a julgar pelas fotos de Clay Enos, a obsessão de Znyder em clonar quadro-a-quadro histórias de papel para a película continua firme e forte. Se isso é uma qualidade louvável ou desastrosa (como foi em 300), só o tempo dirá.













Peanuts meets the Watchmen



Que tal o universo de Watchmen através do ponto de vista do cartunista Charles M. Schulz (1922-2000)?

Nele, Charlie Brown é Doutor Manhattan, Linus é o Comediante, Schroeder é Ozymandias, Lucy é Sally Juspeczyk, Chiqueirinho é Nigh Owl, e Snoopy é o perturbado Rorschach.

Claro que Schulz jamais faria isso com seus amados personagens.

Trata-se de uma brincadeira do jovem cartunista Evan T. Shaner, de Michigan.

Criado nos anos 1980 por Alan Moore com desenhos de Dave Gibbons, Watchmen é considerado um marco nas histórias em quadrinhos. Apesar de contar com um Comediante no grupo, seu enredo está bem longe do bom humor das tirinhas de Schulz. Veja a aparência original dos Wacthmen a seguir:

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Por Tutatis! Milo Manara arrasa Asterix e Obelix



A cena acima não é ilusão de ótica.

Uma beldade de Milo Manara deu mesmo uma surra em Asterix e Obelix.

Cansada de perder seus noivos romanos para a força incomum dos gauleses, ela vai acertar contas na pequena e irredutível aldeia.

Esta é uma amostra do mais novo álbum de Asterix, publicado no Brasil pela editora Record.



Asterix e seus amigos é, na verdade, uma homenagem aos 80 anos do artista Albert Uderzo, que ao lado de René Gosciny (falecido há 30 anos) criou uma das melhores séries em quadrinhos da história.

Do time de 34 desenhistas convidados, Manara é sem dúvida o autor mais notório entre o público brasileiro.

Entre outros personagens menos conhecidos, contracenam com Asterix e Obelix o caubói Lucky Luke (por Achdé & Gerra), e o Pato Donald (pelo chileno Vicar, que desde 1971 desenha histórias da patolândia para a Disney).

terça-feira, 29 de abril de 2008

Tem arte na capa da banda Anjo Gabriel



Esta é a capa do CD da Anjo Gabriel (Ripohlândia Records).

Banda da nova safra do rock pernambucano. Na formação, Marco da Lata (baixo e voz), Cristiano (guitarra e voz), André Sette (teclados), Junior da Jarra (bateria e percussão) e Ch Malves (bateria e percussão).

A arte é baseada nos cartazes do antológico Filmore East Festival.

Para conehecero som do grupo, basta encomendar um disquinho pelo telefone (81) 8885-0632 ou escrever um email para marcodalata@hotmail.com

Delivery Service of Corpse - cliente morto não paga??



Em uma universidade budista de Tókio, alunos com habilidades paranormais abrem a empresa KUROSAGI, em japonês, serviço de entrega de corpos.

Clientes não faltam: cadáveres com assuntos pendentes entre os vivos. Procura grande, concorrência zero.

Esse é o enredo de Delivery Service of Corpse, mangá de Eiji Ohtsuka e Housui Yamazaki lançado este mês pela Conrad.


UM DOS CLIENTES DA PROMISSORA EMPRESA

Se trata de uma série de suspense e terror, com toques de humor negro.

O segundo volume se encontra em pré-venda no site da editora, ao módico preço de R$ 12,90.

Quem disse que cliente morto não paga??

domingo, 27 de abril de 2008

Lalá, de volta ao RALmanaque



Lalá está de volta ao RALmanaque.

Desta vez, a pequena telespectadora critica a cobertura midiática em torno da morte da menina Isabela.

A personagem, baseada na netinha do cartunista RAL, foi criada no final do ano passado, quando seu site entrou no ar.

De lá pra cá, ela vem aparecendo esporadicamente, entre uploads de trabalhos anteriormente publicados em jornais e revistas.

Em 2007, o Quadro Mágico publicou uma entrevista com RAL. Para ler, clique aqui.

sábado, 26 de abril de 2008

Lançamento da revista Fusão #18



A equipe de editores da Fusão convida para o lançamento da Fusão #18.

Será hoje (26, sábado), às 19h, no Bar de Seu Biu, Rua do Sossego, 144, Boa Vista, Recife.

Evandro Q? faz o lounge sound, de acordo com ele, "pra todo mundo ficar bêbado ou ler a revista 245 vezes com muito xaxado kraftwerkiano".

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cavani Rosas lança nova HQ



Cinco histórias em quadrinhos desenhadas por Cavani Rosas são lançadas hoje (23 de abril), às 19h, em festa no bar Capitão Lima (Rua do Lima, 100, Santo Amaro), no Recife. O evento contará com a presença do autor.

As HQs formam o primeiro número da revista Argonauta (26 páginas + encarte), que será vendida por R$ 8 e R$ 15 (pacote com dois). Dentro dela, vem encartado o panfleto Alerta Geral, também com linguagem de quadrinhos, distribuído nas ruas do Recife em 1986, agora reeditado por causa de seu tema atual (a descaracterização urbana da cidade).

As histórias reunidas na Argonauta são Deixem Diana em Paz (com roteiro de Fred Navarro), Malassombrado (escrita por Bráulio Tavares), Amor à primeira vista (texto de Eddy Gomes) e Voyager (do próprio Cavani). Todos os desenhos são do artista, mas as histórias têm estilos e gêneros diferentes entre si.

Apesar de ser mais conhecido como artista plástico, Cavani começou a carreira na década de 1960 como ilustrador e quadrinista. Colaborou para publicações como Folha de São Paulo, Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio (PE), Continente Multicultural e Le Monde Diplomatique-Brasil.

Argonauta é uma publicação totalmente independente e foi impressa na Livrinho de Papel Finíssimo Editora.

sábado, 12 de abril de 2008

Shiko, de volta ao Recife



Shiko está de volta ao Recife.

Ano passado o promissor artista gráfico paraibano esteve na cidade a convite do Festival Internacional de Quadrinhos de Pernambuco. Na ocasião, ele fez uma palestra e deu uma oficina sobre experimentalismo na criação gráfica.

Desta vez, ele traz o que ficou faltando: uma exposição de seu trabalho.

Ah! Inferno Pra ter Cão - encantos e tentações de uma cidade tem abertura marcada para esta segunda-feira, 14.04, às 20h, no Bar Central (Rua Mamede Simões, 144 - Boa Vista). O momento inclui discotecagem de DJ Tales. Entrada franca. Mais informações pelo 8709-3905.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Arte para cartaz de divulgação do festival Abril Pro Okki



Fui raptado. Os terroristas deixaram o bilhete abaixo:
***
olá, humanidade

geladeira institucional orgulhosamente apresenta.

organização do reino das trevas: porrada hardcore satanico eletronico, besta fera 666: pazzuzu, canticos em lingua céltica neanderthal

grilówsky acústico: voz e violão, canções de amor chapação sexo alcool e rock n roll.

manu chauzinho do amparo: paulinho do amparo querendo agradar voces.

não vai ter show do geladeira metal.

maravilhosos dj´s nossos amigos:

catarina dee jah, evandro q?, fernandinho "viadagem" peres.

e grande performance do travesti das sobrancelhas loiras: cláudia cyss. acho que é tipo playback de madonna.

tudo isso quinta que vem, 17 de abril de 2008, 22:00hs
no bar virgulino, r. do sol, numero tal, olinda. bar do gran mestre okki osbourne.
lá tem sinuca e um clima underground que lembra o pocoloco.

fiz um lindo cartaz para que voces roubem e mostrem aos seus amigos.

beijos

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Tem arte na capa do CD da Orquestra Contemporânea de Olinda



Paulinho do Amparo aprontou mais uma. Desta vez é a arte da capa do CD de estréia da Orquestra Contemporâea de Olinda.

Paulinho é autor de alguns dos encartes mais bacanas da cidade. Tome como exemplo os trabalhos com a Mundo Livre, Shina-o-town, 3 Ets Records! e para o filme Baixio das Bestas, de Cláudio Assis.


CAPA PARA BEBADOGROOVE VOL 1. - MUNDO LIVRE

O álbum da Orquestra Contemporânea tem 11 faixas, e conta com a participação especial de Isaar de França, Maestro Ademir Araújo (da Orquestra Popular do Recife) e DJ Rossi Love.

O show de lançamento será no domingo, 27 de abril, no coreto da Praça do Carmo, em Olinda. Entrada franca.

Por enquanto, o disquinho será vendido somente duranto o show, ao preço de R$ 10. O motivo é que o grupo fechou contrato com a Som Livre, que fará a divulgação e distribuição nacionalmente.

Para uma prévia, basta acessar o MySpace da Orquestra, onde estão disponíveis seis das onze faixas do CD.

Retratos de Guerra - O Fotógrafo, de Didier Lefrève



A série francesa O Fotógrafo – uma história no Afeganistão, consagrada por trazer o testemunho sobre um país arrasado pela guerra, chega ao segundo volume de sua versão brasileira.

Seu valor não está somente nas fotografias que denunciam os absurdos belicistas, ou revelam as áridas paisagens do Afeganistão e a cultura de seu povo. Está na linguagem adotada para contar essa aventura de forma direta e fluida: a de história em quadrinhos.

O fotógrafo que dá título ao livro é o francês Didier Lefèvre.

Nos anos 80, ele acompanhou uma equipe da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em uma expedição de três meses ao Afeganistão. Com a guerra fria dominando o mundo, o País fora invadido por tropas soviéticas. Em rápida resposta, os Estados Unidos abasteceram os rebeldes com armas e suprimentos, o que alimentou uma guerra de nove anos (1979-1988).

Quinze anos depois, as fotos e depoimentos de Lefèvre serviram de matéria prima para Emmanuel Guibert e Fréderic Lemercier produzir uma história em quadrinhos diferente de qualquer outra.

Nela, os desenhos coloridos se intercalam com pequenas fotografias em seqüência, espalhadas pelas páginas, tecnicamente conhecidas como “copião”. Graças a ao “copião”, é possível eleger qual a melhor imagem e enquadramento para ampliação. É possível acompanhar esse processo ao ler o livro: as fotos marcadas com caneta vermelha indicam o trabalho de Lefèvre. Logo após, a fotografia ampliada dá a dimensão impactante de seu olhar.



Narrada em primeira pessoa por Lefèvre, O Fotógrafo chama a atenção para o corajoso trabalho das equipes da MSF, que muitas vezes arriscam entrar clandestinamente em países em conflito para cuidar de sua população.

Criada em 1971, a organização já atuou em dezenas de guerras, sendo o Afeganistão o primeiro país a receber um projeto de longo prazo. Atualmente, a MSF mantém 22 mil profissionais e em mais de 70países, inclusive o Brasil.

No primeiro livro, a caravana cruza infinitos vales e montanhas arenosas para oferecer serviços médicos às vitimas da guerra. Além das dificuldades enfrentadas, suas fotos em preto-e-branco registraram paisagens e costumes de um país predominantemente muçulmano.



Neste segundo volume, a expedição chega a seu destino: um precário casebre que servirá de hospital para toda a região de Zaragandara. No mesmo dia, pessoas surgem com diferentes problemas, de acidentes caseiros a ferimentos graves provocados pelo conflito armado. O dia a dia dos médicos não é fácil. A procura é grande, e as condições de trabalho são terrivelmente baixas.

Uma das melhores passagens do livro se dá quando o fotógrafo, impressionado com as baixas condições de higiene e a completa falta de estrutura do local, pergunta a um médico como é possível exercer a profissão em condições tão adversas como aquela.

“Gosto muito do progresso. Os scanners, os exames complementares... Ainda bem que eles existem! Mas, quando não existem, é preciso fazer sem eles. E aí você reaprende a ficar atento, a escutar um corpo, a interpretar um suor frio ou uma linha que está ficando azul. Você reaprende a essência da profissão”, responde o médico.

Ao contrário dos colegas médicos, esta foi a primeira visita de Lefèvre ao Afeganistão – ele retornaria ao País algumas vezes, inclusive durante a guerra provocada pelos atentados de 11 de setembro. Além disso, esteve em outros países acompanhando os MSF, como Libéria, Kosovo, Sri Lanka e Camboja. A atividade o tornou mundialmente conhecido.

Lefèvre morreu aos 49 anos, em janeiro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco. Algumas semanas antes, foi premiado pelo salão de Angoulême pelo terceiro e último volume de O Fotógrafo. Seu trabalho continua disponível na internet, através do site Digital Roads.

De acordo com a assessoria de imprensa da Conrad, O Fotógrafo Vol. 3 será lançado no Brasil ainda este ano.

FOTOJORNALISMO OU QUADRINHOS?
O Fotógrafo é um livro de fotojornalismo ou de quadrinhos? Por usar das duas linguagens de forma inédita, configura algo híbrido, quem sabe um novo produto de comunicação.

O jornalismo em quadrinhos é quase tão antigo quanto a imprensa. No Brasil do século 19, por exemplo, o pioneiro Ângelo Agostini denunciou abusos contra escravos através de desenhos legendados em seqüência nas páginas dos jornais.

Apesar da longevidade do gênero, reportagens em quadrinhos ganharam notoriedade a partir de 1992, quando Art Spiegelman, filho de judeus poloneses, ganhou o prêmio Pulitzer por Maus – relato de um sobrevivente.

O reconhecimento público trouxe à tona relatos de guerra em quadrinhos publicados anteriormente, como a série GEN Pés descalços¸ em que o japonês Keiji Nakazawa faz um emocionante relato sobre os absurdos da guerra e como sobreviveu à bomba de Hiroshima. E abriu caminho para uma nova geração, cujo maior representante é o jornalista e desenhista Joe Sacco. Entre seus livros estão Palestina – uma nação ocupada, Sarajevo e Área de Segurança: Gorazade, todos publicados no Brasil pela Conrad Editora, a mesma que agora traduz O Fotógrafo.

Por sua vez, a fotografia de guerra começa em 1854, na Guerra da Criméia, registrada pelo inglês Robert Fenton. A partir dos anos 1920, fotógrafos ganharam agilidade e mobilidade com as máquinas portáteis. Seu auge aconteceu no Vietnã – o maior exemplo é a imagem de uma garota correndo com o corpo queimado pelo napalm, que fez a opinião pública mundial voltar-se contra a ocupação norte-americana.



Ao contrário das atuais coberturas de guerra, em que notícias impessoais são produzidas à distância a partir de material de agências internacionais, o testemunho visualmente instigante de O Fotógrafo é mais uma prova de que os quadrinhos podem tratar temas complexos como a guerra com mais profundidade e humanismo do que na anestesiada grande mídia.

** originalmente publicado no Caderno B da Gazeta de Alagoas.

João Lin assina capa do CD de Tonino Arcoverde



Arte de João Lin para Chuva, novo álbum de Tonino Arcoverde.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Réquiem para um sonho: Epiléptico, de David B **



“Sonhar, contar. Eu nasci para isso”, confessa o artista francês David B. ao leitor de Epiléptico - Volume 2 (Conrad, R$ 44,90), livro que encerra a série originalmente publicada em seis volumes sob o nome de L'Ascension du Haut-Mal (em francês: A ascensão do grande mal). Agora, é possível acompanhar até o fim a viagem confessional de Pierre-François Beauchard – nome de batismo do desenhista – em torno da epilepsia de seu irmão mais velho, Jean-Christophe. Conviver com a incurável doença foi um verdadeiro pesadelo em família. Por sua vez, a angústia representada em desenhos rendeu uma das mais fascinantes histórias em quadrinhos já feitas.

No primeiro volume, David B. encontra na própria imaginação um refúgio para a alma. As inúmeras crises do irmão mobilizam a família no que virou uma eterna busca da cura. Ao longo dos anos, peregrinaram atrás de qualquer possibilidade de tratamento ou até mesmo alívio: medicina convencional, homeopatia, macrobiótica, terapias alternativas, filosofia, religiões e curandeirismo.



Agora, entre a adolescência e vida adulta, Jean-Christophe se apega à doença para garantir a segurança e o afeto familiar. Cada vez mais próximo do ostracismo, se incentivado a procurar novos tratamentos, Jean-Christophe transforma sua fixação pelo nazismo em perigosos acessos de raiva e violência.

Enquanto enfrenta as amarguras de lidar com o irmão, Pierre François se define enquanto profissional do lápis e papel. Assim como era quando criança, David continua a preferir os fantasmas de sua “floresta imaginária” a encarar monstros bastante reais como a epilepsia do irmão (brilhantemente representada por uma mistura de serpente e dragão chinês), e toda a sorte de médicos, especialistas e gurus que se propuseram a cuidar da doença. Adota o nome David (por afeição à cultura judaica) e, no lugar das batalhas históricas que tanto o fascinaram na infância, passa a desenhar seres oníricos, inspirados na literatura fantástica e nas ciências ocultas. Pouco tempo depois, David passa estudar publicidade em Paris, dando início à sua trajetória profissional.



O sentimento e frustração e impotência por não curar o irmão isolou David em seu próprio mundo, onde imaginava vestir uma armadura medieval. Foi sua forma de se proteger e seguir em frente. Quando Epiléptico foi publicado, até mesmo sua família se surpreendeu com suas histórias, guardadas por tantos anos, somente confidenciadas a seus leitores. Sorte nossa. Se tivesse recorrido à psicanálise para exorcizar seus fantasmas, não faria um livro tão impressionante, e assustadoramente humano.



DAVID B., MONSTROS E FANTASMAS
Aos 50 anos, David B. figura no rol de desenhistas que expandiram a linguagem dos quadrinhos. Durante décadas, ele sonhou em salvar o irmão da epilepsia, assim como trazer da morte o avô materno. Sentimentos que refletiram na sua existência e influenciaram decididamente a sua expressão artística. Para ele, desenhar “é uma maneira de espantar a infelicidade. É uma mágica”, revela, nas páginas de Epiléptico. “Eu li um monte de histórias que me fizeram bem. Eu também gostaria de tocar as pessoas com os meus livros”, completa o autor.

Com excepcional liberdade de expressão, David B. extrapola o gênero autobiográfico ao acrescentar profundidade existencial à narrativa. Esta, fragmentada e hipnótica, é construída por referências filosóficas e citações poéticas, reminiscências infantis e representações gráficas de sentimentos. Além disso, há a metalinguagem. Este recurso que encontrou terreno fértil nas HQs, está presente de tal forma que fica impossível separar as desventuras da família Beauchard do processo criativo do autor.



Ao longo de duas décadas, David B. buscou formas de traduzir em imagens sua convivência íntima com a epilepsia. A gramática dos quadrinhos por ele adotada se mostrou não somente a melhor, mas a única maneira de comunicar essa experiência em sua totalidade. A literatura está lá, como elemento básico em sua formação pessoal. Assim como as artes plásticas – a solução encontrada para representar a epilepsia no corpo do irmão passa claramente pela estética cubista.

No final dos anos 1970, Will Eisner elevou o status das histórias em quadrinhos ao nível de arte, ao publicar uma série de álbuns sob o conceito de literatura gráfica, ou graphic novel. A partir de então, um debate se abriu em torno do tema: seriam os quadrinhos um subgênero literário ou uma arte em si? Com arroubos de genialidade, Epiléptico coloca ponto final na discussão.

** originalmente publicado no Caderno B, da Gazeta de Alagoas

sexta-feira, 28 de março de 2008

Coleção Olho de Bolso tem lançamento em São Paulo



A coleção Olho de bolso será lançada em São Paulo, será neste sábado, 29 de março, 19h30.

O evento será na HQ Mix Livraria - Praça Roosevelt, 142, Centro, telefone pra informações: (11) 3258-7740.

Abaixo, texto do release:

Entre os meses de agosto de 2007 e fevereiro de 2008 doze publicações autorais chegam às ruas, ou melhor... Às mãos, olhos e bolsos do Recife. Doze autores das mais variadas vertentes do trabalho imagético foram estimulados a criar um livreto de baixo custo e alta qualidade. Eram eles ilustradores, designers, grafiteiros, cartunistas, quadrinistas, artistas plásticos e um ator de teatro. Todos realizaram suas obras em tamanho A6 e no máximo 32 páginas. O resultado é uma fascinante coleção entre os mais variados universos visuais. Antes restrito ao circuito recifense e agora lançada em São Paulo.

Imagens em trânsito pela cidade. Coleção habitual e urgente. Pensamento icônico do viver e traduzir a experiência partilhada da criação, da recriação, da modificação das coisas do mundo pelo olhar do desenho e da escrita. As poéticas traçadamente desenhadas pelas mãos dos autores revelados, reunidos, religados pela sensação do olhar o mundo, o sonho, fazem desta coleção, já, uma raridade. Mas o que encontrar nessas páginas vindas do Recife?

O abrir do livro, do livreto, abre a imaginação, conduzindo-nos a novas letras, diálogos e outras tantas narrativas ilustrativas que confidenciam algo visual a nos tornar cúmplices, leitores. Há poesia, brincadeira e provocação, como é, sempre, na vida latente e periférica.

Idéia dos novos, muitos nomes e possibilidades de edições outras e variadas. Os de agora são: Laerte Silvino, Serjão, Rodrigo Braga, Maurício Castro, Galo, Greg, Moa, HKE, João Lin, Rosinha, Zaza e Mascaro. Publicação independente da capa a contracapa, pelo meio, mais para cima ou para baixo, no bolso da gente. Livros de qualidade autoral promovendo a parceria entre a Livrinho de Papel FinÍssimo Editora e a RagÚ zine, com apoio institucional da Associação Cultural e Musical da Barriguda e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Recife.

sábado, 8 de março de 2008

Novos títulos da editora Marca de Fantasia

A editora paraibana Marca de Fantasia acaba de lançar mais dois números da série Veredas, dedicada a estudos acadêmicos sobre comunicação e artes.



O primeiro título é O documentário paraibano no cinema brasileiro - Mito, reconstituição e ficção em Aruanda (R$ 10), organizado por Lúcio Vilar e Cecília Porto.

O livro reúne artigos dos críticos e cineastas João Batista de Brito, Wills Leal, Jean-Claude Bernardet, Sílvio Da-Rin e Amir Labaki, acerca do cultuado filme do paraibano Linduarte Noronha, que também é nome de festival.



O segundo, O príncipe lê jornais: cotidiano e poder no jornalismo impresso (R$ 14), tem organização do professor da UFPB Wellington Pereira, e é fruto de seus estudos com alunos sobre as mídias e sua relação com o cotidiano.

Os livros estão à venda somente no site da editora.

A Marca de Fantasia é uma editora independente, com base em João Pessoa, PB. Fundada há mais de 10 anos, seu objetivo é publicar e discutir quadrinhos, fanzines, e demais artes gráficas. Recentemente, este blog publicou um post a respeito, com uma longa entrevista com Magalhães.

Sua mais nova série se chama Biografix, dedicada a mestres da HQ e catuns brasileiros. A Caravela, de Nilson; Shima: HQs clássicas de um samurai dos quadrinhos, de Julio Shimamoto; e Você sabia?, de Edson Rontani são os lançamentos mais recentes.

Por email, Henrique Magalhães antecipa os próximos lançamentos:

"O próximo número do Top! Top! trará uma longa entrevista com Edgar Franco, realizada por Michelle Ramos, do sítio ZineBrasil, tratando das investigações desse autor no campo das histórias em quadrinhos eletrônicas e outras áreas de seus estudos. O número seguinte fará uma homenagem a Henfil".

Professor de comunicação, Henrique disse ao Quadro Mágico que está iminente a criação do Núcleo de Histórias em Quadrinhos na UFPB: "Agora que estamos implantando o Mestrado em Comunicação, ficará mais fácil montar um núcleo de pesquisa em histórias em quadrinhos. Estamos elaborando o projeto, que deve estar pronto neste semestre".

Curso de quadrinhos autorais no Recife



Estão abertas as inscrições do Curso Autoral de Quadrinhos. Ele acontece em Recife, de 15 de março a 28 de junho. Dez vagas disponíveis.

Quem promove o curso é o Centro Pernambucano de Design
. As aulas são aos sábados, de 9h às 13h, A mensalidade é de R$ 120, com material e apostila inclusos.

Os professores são Vítor Batista e Henrique Koblitz, artistas gráficos do coletivo editorial Livrinho de Papel Finíssimo.

Segundo eles, o objetivo do curso é a "formação de novos autores no universo da arte seqüencial, tendo como principal enfoque as histórias em quadrinhos e seus incontáveis gêneros difundidos ao redor do mundo. Métodos de trabalho, recursos narrativos, simbologia e lingüística, criação de personagem, aulas de desenho, mídia digital, produção independente e a potencialidade da livre informação serão alguns dos principais tópicos a seres explorados".

O Centro Pernambucano de Design fica no segundo andar da Casa da Cultura (Rua Floriano Peixoto, bairro de Santo Antônio). Informações e inscrições pelo telefone 3424-2158, ou direto com os artistas: Vitor Batista - 8634.4683 e Henrique Koblitz - 8830.0479.

sábado, 1 de março de 2008

Que teus olhos sejam atendidos: "Persépolis" em desenho animado



A HQ autobiográfica Persépolis, de Marjane Satrapi, expandiu um pouco mais o alcance dos quadrinhos confessionais e intimistas.

Persépolis também busca reconstituir um passado recente, vivido pelo povo iraniano. Para tanto, faz uso da memória coletiva acerca da "revolução" islâmica, cujo maior representante foi o Aiatolá Khomeini. Curiosamente, nao há sequer menção ao notório lider durante toda a narrativa de Satrapi.

Sua versão animada, dirigida por Vincent Paronnaud e a própria Marjane Satrapi, guarda forte semelhança com a HQ, tanto no eixo verbal quanto visual. O prêmio do júri do Festival de Cannes 2007 não é também um reconhecimento ao potencial dos quadrinhos como expressão audio-visual.

Vale salientar que o desenho fica longe de ser uma transposição doentia, quadro a quadro, da obra original. Pelo contrário, busca definir uma identidade própria, ciente de que faz parte de outra linguagem - a do cinema.

A história de Marjane está toda lá, condensada em certos momentos, estendida em outras passagens. Seqüências inteiras sumiram; outras, inéditas, saltam aos olhos.

O que garante identidade própria ao desenho animado é seu conceito visual, que preserva a proposta original criada pela artista, ao mesmo tempo em que incorpora som e movimento de forma bastante natural.

As vozes originais, entre elas, das atrizes Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni, estao naturalmente sincronizadas com a vida e o perfil de cada personagem. Os oportunos momentos musicais levam a questionar quando poderemos ler HQs com soundtrack.

Principalmente a parte em que Marji toca em alto volume uma fita cassete do Iron Maiden, comprada no mercado negro iraniano. A contagiante alegria da menina, desesperada para esquecer toda aquela guerra e preconceito ao redor, é um dos momentos altos do filme.

As cores surpreendem logo nos primeiros minutos. Elas simplesmente não existem na HQ, totalmente desenhada em preto e branco alto contraste, como em xilogravuas.



No desenho, o colorido surge como recurso para separar a vida adulta da protagonista (tempo atual), que hoje mora na França, das lembranças de quando viveu no Irã e na Austria. Além disso, tons de cinza estão em todo o longa, principalmente nos cenários, o que resultou num aspecto menos caricato e mais realista do que os personagens aparentam.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Lançamento: A Força da Vida, de Will Eisner



A Devir Livraria tem feito um belo trabalho em editar obras do mestre Will Einser no Brasil. Depois de Um contrato com deus e O sonhador, é a vez de A força da vida (152 páginas, R$ 38).

Inédita no Brasil, a história leva o leitor a um tempo-espaço essencial ao universo de Eisner: a New York dos anos 1930. Naquele tempo, os EUA amargavam a histórica depressão econômica, causada pela quebra da bolsa de valores, em outubro de 1929.

Mais especificamente, o livro é uma viagem à Avenida Dropsie, um tipo de cortiço situada no bairro do Bronx. Velha conhecido dos admiradores de Will Einser, é naquele endereço que residem os pobres e desconhecidos personagens criados pelo desenhista.




Judeus, negros, italianos, escoceses, todos em busca da sobrevivência, pouco importam seus nomes: Jacob, Willie, Weiss. Gente a qual não se prestava muito atenção.

Filho de imigrantes judeus, Eisner cresceu entre essa gente. Ao contrário da minoria abastada, e de seus próprios pares, o desenhista extrai brilho de cada pequena chantagem conjugal, de cada angustia da existência, do dia a dia de labuta na busca do pão, da imposição de regras religiosas, do encontro com a vida quando não há mais esperança.

Pioneiro na arte de traduzir o drama humano em quadrinhos, a sétima arte deve muito a Will Eisner. Com suas narrativas entrecruzadas e melancólicas, A Força da Vida é um de seus melhores momentos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Lundu nº3 traz galinha guiné, metalinguagem e autocrítica por Anaíra Mahin



Imagens da revista Lundu nº3.

Feita no melhor estilo do-it-yourself ("formatinho", xerox pb, independente, 26 páginas, R$ 3) por Anaíra Mahin.

Cresceu com relação aos números anteriores, que têm o formato de bolso.

A revista tem apenas uma história, protagonizada por Guiné, uma galinha de angola estudante de ciências sociais.



Foi criada durante a edição recifense do 24HCD, um concurso global cujo desafio é criar a melhor HQ de 24 páginas, em até 24 horas. Anaíra participou, mas sua história não convenceu o júri do evento. Mesmo assim, publicou seu trabalho por conta própria, na Lundu.

O sufoco para Anaíra cumprir o prazo do concurso foi tão grande que ela dividiu isso com o leitor.


METALINGUAGEM POUCA É BOBAGEM

Os acessos de autocrítica torna o todo ainda mais interessante:


Para comprar um exemplar, basta escrever para anaira.mahin@gmail.com .

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

No ar: Território Marginal



Muito bom o Território Marginal, blog de Vítor Batista, do coletivo Iraq.

Quadrinhos existencialistas, experiências de linguagem, reflexões e hai kai's gráficos.

Para conhecer, clique aqui.

Recife: João Lin promove Oficina de Ilustração Digital



O artista gráfico João Lin abriu nova turma para seu curso de ilustração digital, sediado na Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia.

As aulas começam em 11 de março. Vagas limitadas a oito alunos (um computador por pessoa).

A carga horária é de 18 horas-aula, das 19h às 22h.

Inscrições pelos fones 3224-5656 / 9667-0394 ou email joaolin@terra.com.br, ao valor de R$ 220. A Oi Kabum! fica à Rua do Bom Jesus, 147.

+ uma de Mascaro

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Marca de Fantasia – exemplo de qualidade e independência editorial



Durante boa parte do dia, Henrique Magalhães trabalha na Universidade Federal da Paraíba, onde dá aula de laboratório de pequenos meios para estudantes de comunicação. Nas horas livres, em vez de descansar, ele começa outro expediente, dedicado a fazer livros e revistas em quadrinhos. Henrique é dono da Marca de Fantasia, a editora independente e absolutamente não-comercial, que há mais de dez anos vem prestando grande serviço aos quadrinhos nacionais.

A Marca de Fantasia começou como fanzine, que circulava em João Pessoa nos idos de 1985. Após voltar da França, onde se pós-graduou no tema, Henrique decidiu ampliar seu trabalho para um projeto editorial mais abrangente, que contemplasse inclusive livros teóricos sobre quadrinhos, fanzines e artes afins.


A NOVA ONDA DOS FANZINES, DE HENRIQUE MAGALHÃES

Para um independente, o catálogo de Henrique impressiona. Dos 70 títulos já publicados, cerca de 50 estão disponíveis em seu catálogo virtual, vendidos ao preço máximo de R$ 15.

Essa fantástica fábrica de revistas em quadrinhos funciona no conforto de um apartamento, na beira mar de João Pessoa. O equipamento – um computador conectado a uma impressora laser, está montado num quarto simples e tranquilo, ideal para a atividade. Nas paredes, estantes revelam o estoque de edições disponíveis para envio imediato. Ao redor há algumas telas, algumas assinadas por Shiko, uma das melhores revelações dos quadrinhos autorais brasileiros dos últimos anos.


MARGINAL, COLETÂNEA DO TRABALHO DE SHIKO EM FANZINES

Além de Shiko, cujo trabalho está na coletânea Marginal, a Marca de Fantasia publicou praticamente todos os artistas paraibanos em atividade: Mike Deodato, Cristóvão Tadeu, Emir Ribeiro, e o próprio Henrique, que além de editor e pesquisador, cria seus próprios quadrinhos.


TOP! TOP! 23 APRESENTA ENTREVISTA INÉDITA COM O GAÚCHO EDGAR VASQUEZ

Semestralmente, o fanzine Top! Top! (o nome vem da onomatopéia feita pelas mãos do Fradinho, o mais sacana personagem de outro Henrique, o grande Henfil) traz uma seleção de quadrinhos que inclui material estrangeiro, além de entrevistas com artistas e estudiosos - as mais recentes são com o paulista Marcio Baraldi, o gaúcho Edgar Vasquez (criador do antológico Rango), o pernambucano Jô Oliveira e o pesquisador paulista Gazy Andraus.


RANGO, UMA DAS CRIAÇÕES DE VASQUEZ

Aliás, dois anos após a morte de Henfil, Magalhães o homenageou fundando a gibiteca Henfil, que veio antes da localizada no Centro Cultural Vergueiro, São Paulo. “Tudo bem, Henfil merece várias gibitecas”, brinca, na entrevista abaixo, concedida pessoalmente, direto de João Pessoa.

O encontro se deu no ano passado, na mesma época do lançamento da Coleção Biografix, dedicada a publicar mestres dos quadrinhos brasileiros. Henrique estava bastante satisfeito em informar que o livro de estréia seria Lugares In-Comuns, de Jaguar, um belo resgate de uma obra há décadas fora de catálogo. Dois dias depois, a decepção: o título deveria ser retirado de circulação, por razões contratuais entre o artista e a editora Desiderata, atual detentora dos direitos de publicação de sua obra. No post abaixo, entre outros assuntos, Henrique fala sobre este frustrante e desnecessário episódio.