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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Exposição marca mudança de Shiko para a Itália



De malas prontas para uma temporada de três anos na Europa, o artista paraibano Shiko reuniu trabalhos antigos e recentes para uma nova exposição. Dada a relação de parceria e admiração que mantém com a cena cultural do Recife, nada mais justo que o ´bota-fora` ser na cidade que já recebeu três individuais suas. A abertura será hoje, às 20h, no Bar Central (Boa Vista), suas obras permanecem à mostra até 20 de fevereiro.

Shiko e sua esposa vão morar na pequena cidade de Camerino, região central da Itália. A expectativa do artista em publicar seu trabalho na Europa é pertinente. ´Alguns colegas de lá dizem que o mercado editorial é bem mais amplo, não fica restrito a um só país`, diz. Fora isso, a ligação estética de seu trabalho com as artes gráficas do país de Milo Manara é mais do que evidente.

Antes mesmo de descobrir Manara, ele já admirava Tanino Liberatore e Andrea Pazienza, que foram publicados no Brasil dos anos 80 nas páginas da revista Animal. ´É também uma oportunidade de ficar isolado por um tempo para estudar e produzir. Fui autodidata a vida inteira`. Entre os trabalhos que vai terminar no Velho Continente está a adaptação gráfica do romance O quinze, de Rachel de Queiroz, para a editora Ática e a HQ autoral A boca quente. ´O trabalho que faço para o mercado nacional continua, já que a distância da Itália para o eixo Rio-São Paulo é a mesma que da Paraíba: uma conexão com a internet`.

Natural de Patos, Francisco José de Souto se estabeleceu em João Pessoa no fim dos anos 1990. Se tornou Shiko quando morou em Brasília. Lendo um mangá, ele aprendeu que a palavra define a área de alcance de uma espada samurai. Como já havia outro Chico no mercado de lá, adotou o codinome japonês.



Alguns trabalhos da exposição foram feitos sob encomenda, como as sete pin ups da cerveja Devassa. Algumas já foram utilizadas em campanhas, mas a maioria permanece inédita. Outra novidade é uma nova tela da série Olívia Palito, em versão femme fatale feita para a revista nórdica Fashion and Arts. Entre telas a óleo, aquarelas e desenhos originais, reproduções das suas obras mais conhecidas serão vendidas a R$ 50, autografadas.

Mais obras de Shiko no blog da produtora Cláudia Aires e no Flickr do artista.

Serviço
Exposição de Shiko
Quando: Hoje, às 20h
Onde: Bar Central (Rua Mamede Simões, 144 - Boa Vista)
Informações: 8175-7208

(Diario de Pernambuco, 17/01/2011)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lançamentos, bastidores, "eu indico" e ranking da semana

Lançamentos DVD



À distância - Uma garota complexada na Austrália e um melancólico senhor escondido num pequeno apartamento em Nova York vivem uma improvável e longeva amizade. Se começa aleatória, fisgada em catálogo telefônico, cresce à medida que solidão, sinceridade e paixão por chocolate movimentam as caixas de correio. Animação para adultos, a história transborda nostalgia não só por se passar há 30 anos, mas pela predileção do diretor por músicas e cenários à moda antiga. Com o filme, Elliot demonstra habilidade em abordar assuntos difíceis de forma leve e sem melodramas.
Mary & Max (Australia, 2009). De Adam Elliot. 92 minutos. Playarte.



Remake - Deuses do Olimpo, imperfeitos e vingativos, libertam um parente do Godzilla para ensinar humildade aos mortais. Mas Hades (Ralph Fiennes) não contava com a determinação de Perseu (Sam Worthington), filho de Zeus (Liam Neeson) com uma mortal, enfrentando escorpiões gigantes, bruxas e medusas para salvar a princesa Andrômeda (Alexa Davalos) e o resto do mundo. Como no original de 1981, o filme tem efeitos toscos e interpretações idem. Só pega bem se assistido sem compromisso, como sessão da tarde que é.
Fúria de Titãs (Clash of titans, EUA, 2010). De Louis Leterrier. 106 minutos. Warner.



Luto - Após a morte do companheiro, George (Colin Firth) procura conforto na amiga Charley (Juliane Moore), com quem, em noite chuvosa, divide drinks e músicas. Na ausência do amante, seu olhar transtornado busca, em vão, beleza nas mulheres ao redor e no desfile de garotos de 20. Indicado ao Oscar, Firth é a alma de um filme visualmente artificial, com espectro cromático entre o "lavado", quase preto-e-branco, e o ultracolorido. Sem ele, a estreia do estilista Tom Ford estaria mais para catálogo de moda que para uma história de amor e luto.
Direito de amar (A Single Man, 2009). De Tom Ford. 99 minutos. Paris.

Bastidores

Avenida Brasília Formosa, de Gabriel Mascaro e Pacific, de Marcelo Pedroso participam da 2ª Semana dos Realizadores, no Rio de Janeiro. Sob curadoria de Eduardo Valente, a programação 2010 abre com Desassossego (direção coletiva), em 9 de setembro e se encerra com O último romance de Balzac, de Geraldo Sarno, no dia 16. Outros filmes que instigam: Chantal Akerman, de cá, de Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira; Estrada para Ythaca, de Guto Parente, Pedro Diógenes, Luiz e Ricardo Pretti e A falta que me faz, de Marília Rocha.

Pacific, aliás, será o único pernambucano na programação da 29ª Bienal de São Paulo, que ocorre entre 25 de setembro e 12 de dezembro. O longa de Pedroso integra um dos dez programas de cinema do evento, que inclui filmes de Chantal Akerman, Apichatpong Weerasethakul, Eryk Rocha, Jonas Mekas, Eduardo Coutinho e Agnès Varda.

Hoje, às 15h, a 1ª Mostra Nacional Curta Sertão realiza sessão especial para selecionar os filmes de sua mostra competitiva. Será na Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso), em Olinda, com entrada aberta ao público. O evento será entre os dias 15 e 18 de setembro, nas aldeias indígenas dos Pipipã e dos Pankararu, município de Floresta. O curta Ave sangria - Sons de gaitas, violões e pés está entre os 24 candidatos. A lista completa está em www.sertaoitaparicamundo.blogspot.com.

A Aurora Filmes faz última chamada para curso gratuito de cinema digital para estudantes de 16 a 24 anos matriculados na Rede Pública de Ensino. Informações: 3091-9338.

Irandhir Santos (Olhos azuis) e Nanda Costa (Sonhos roubados) foram premiados no 14º Brazilian Film Festival, em Miami. Os dois estão no elenco de Febre do rato, novo filme de Cláudio Assis, que começa a ser rodado semana que vem, em Olinda. Mais premiados em Miami: Juliano Dornelles, por direção de arte em Recife frio, e Pedro Urano, por fotografia de Superbarroco

Eu indico



Recomendo Ichi the Killer (Japão, 2001), de Takashi Miike. Como Gomorra faz com a máfia italiana, o diretor desglamouriza a Yakuza. Mas é para estômagos fortes. Muito sadismo e jatos de sangue. A cena em que Ichi corta a própria língua e depois atende o celular é das melhores do gênero gângster.

Shiko, artista plástico

Mais alugados (download)

Sherlock Holmes (EUA, 2009), de Guy Ritchie
Idas e vindas do amor (Valentine's Day, EUA, 2010), Garry Marshall
Onde vivem os monstros (Where the Wild Things Are, EUA, 2009), de Spike Jonze
Os fantasmas de Scrooge (The Ghosts of Scrooge, EUA, 2009), de Robert Zemeckis
A proposta (The proposal, EUA, 2009), de Anne Fletcher
Um sonho possível (The blind side, EUA, 2010), de John Lee Hancock
Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel, França, 2009), de Christian Duguay
Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 2010), de Tim Burton
Invictus (EUA, 2009), de Clint Eastwood
Um faz de conta que acontece (Bedtime stories, EUA, 2008), de Adam Shankman

Fonte: www.saraiva.com.br

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Shiko inaugura exposição "Brega Francês"

Shiko inaugura hoje (sexta) nova exposição individual no Recife. Repleto de referências pop, Brega francês traz à cidade cerca de vinte novos trabalhos, uma amostra do bom momento vivido pelo artista paraibano. Entre eles estão os originais com a pin up Valentina Buzatti, a primeira garota ilustrada a participar em ensaio da revista Trip. Além das obras, Shiko prepara, ao longo do dia, um painel pintado em uma das paredes do Espaço Muda, que promove a exposição, com curadoria de Giovanna Simões. Na ocasião o Muda aproveita para inaugurar seu espaço gastronômico, o Bistrô Beco.

Há mais de uma década, Shiko desenvolve sua arte em diferentes linguagens (grafite, pintura, história em quadrinhos) e temáticas (erotismo, cultura underground, ficção científica). Segundo o próprio, a linha que "amarra" seus trabalhos é a relação direta com a música. Primeiro pelo jazz e blues, paixão traduzida com propriedade no álbum de quadrinhos Blue note, publicação independente à espera de editora disposta e ligada.

O rock'n'roll, outra constante, agora chega pelo fascínio das capas de discos de vinil - em uma das telas da exposição, uma garota desnuda manipula disco da Janis Joplin com famosa arte original de Robert Crumb. Uma série de três aquarelas foi utilizada para o encarte do novo CD da banda de rock instrumental Burro Morto, Batista virou máquina. A arte também serviu de storyboard para um filme realizado por Carlos Dowling e Bruno Salles. "O disco funciona como trilha sonora para o filme", diz Shiko.

A forte ligação com a cena cultural de João Pessoa não impediu Shiko de olhar e se influenciar pela do Recife - trabalhos anteriores trazem referências explícitas a grupos como Nação Zumbi e Mundo Livre e a filmes como Amarelo manga e Cinema, aspirinas e urubus. Brega francês é nome de música da Academia da Berlinda.

Uma das maiores telas da nova coleção é inspirada no novo álbum de Otto, Certa noite acordei de sonhos intranquilos. "Passei três dias ouvindo o disco e até pintei o nome dele na tela". O interesse pela tipografia está levando a incluir cada vez mais texto em suas composições, como na série O futuro já passou, em que um robô carrega um aparelho toca-discos. "Acho que a frase foi dita por Chico Science em uma entrevista".

Para compor este e outros ciborgues e cenários futuristas, Shiko busca referência nos escritores William Gibson, no pós-humano de Isaac Assimov e em filmes como Blade Runner (baseado em Phillip K. Dick). "Me interesso por essas imagens desde moleque, quando vi a capa do disco Somewhere in time, do Iron Maiden".

O fetiche por mulheres nuas culmina agora numa série de 13 telas protagonizadas por Valentina, assim batizada pelos editores da Trip como homenagem à esguia personagem de Guido Crepax, que, como Milo Manara, outro ícone dos quadrinhos eróticos italianos, há muitos anos foram devorados por Shiko. Hoje ele prefere o traço do francês Frédéric Boilet, autor de O espinafre de Yukiko. "Dele estou esperando coisas novas". Uma nova pintura da série Armário (o último serviu de capa de edição especial da Revista Zupi e a tela original foi vendida já no primeiro dia de exposição no Bar Central, no ano passado) completa a seleção.

Serviço
Brega francês, de Shiko
Quando: De hoje a 25 de março; abertura hoje, às 19h.
Onde: Espaço Muda (Rua do Lima, 280 - Santo Amaro)
Informações: 3032-1347

(Diario de Pernambuco, 25/02/2010)

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Shiko volta ao Recife para exposição "Brega Francês"



Com show da Bande Ciné

Quinta, 25 de fevereiro, Às 19h, no Espaço MUDA - Galeria.Teatro.Moda.Bistrô
Rua do Lima, 280, Santo Amaro 3032-1347

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Shiko cria pin up para a revista Trip



Valentina Buzatti é a primeira garota ilustrada a posar para a revista Trip.

Entre trompetes e discos de vinil, ela saiu da imaginação do artista paraibano Shiko. Mas facilmente entrará na sua.

Para ver o ensaio, clique aqui.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Shiko extrai sensualidade do ar



A presença marcante de pin ups no imaginário pop ganha fôlego com o trabalho de Shiko. Nos últimos anos, o artista paraibano vem criando uma coleção e tanto de mulheres fatais e de transbordante sensualidade. Tanto que a revista Zupi, especializada em design, o convidou para assinar a capa da Zupi Erotika, que será lançada nacionalmente hoje, em evento no Bar Central.

"Quentinha", define o texto de divulgação do projeto, que traz ilustrações, fotografias, quadrinhos e colagem. Até outubro, haverá festas de lançamento em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

No Recife, a festa começa às 20h, com discotecagem do DJ Ernesto. O evento também serve de mote para o Central inaugurar uma exposição com cinco telas e três quadros recentes do artista. Durante as atividades, reproduções de ilustrações de seu caderno serão vendidas em papel canson, numeradas e autografadas. A exposição segue até o final do mês de outubro e conta com a tela original da capa, que mede 1m x 1,50m. Ela faz parte da série estante, uma das mais conhecidas, ao lado da que acrescenta sensualidade à magreza da personagem de desenho animado Olivia Palito.

Autor de Blue note, um dos melhores álbuns de quadrinhos lançados em 2007, Shiko tem colecionado elogios na mídia especializada. Ele ocupa pelo menos 12 páginas da Zupi Erotika, que será vendida no local a R$ 14,90.

Parte do material é uma prévia de sua próxima HQ, intitulada A boca quente. Outra reproduz a tela Da mulher e suas circunstâncias, uma das aquarelas mais populares de seu Flickr, em que uma morena de corte channel segura uma arma enquanto urina na calçada:


Da mulher e suas circunstâncias

Em uma semana, esta é a segunda vez que Shiko vem ao Recife. Na última quarta-feira, ele grafitou um painel na inauguração de uma loja de moda esportiva no Shopping Plaza, em Casa Forte.

Serviço
Exposição de Shiko e lançamento da revista Zupi Erotika
Quando: Hoje, às 20h
Onde: Bar Central (Rua Mamede Simões, 144, Boa Vista, Fone: (81)3222-7622

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Zupi Erotika traz arte de Shiko



Que tal?

Capa da revista Zupi Erotika, com arte de Shiko, artista paraibano da melhor categoria, especialista em desenhar pin ups. É dele a famosa série Olívia Palito seminua no balcão de bar.

O lançamento no Recife será segunda, 21 de setembro, a partir das 20h, no Bar Central (Rua Mamede Simões, Boa Vista).

Mais uma, só pra dar água na boca.

sábado, 12 de abril de 2008

Shiko, de volta ao Recife



Shiko está de volta ao Recife.

Ano passado o promissor artista gráfico paraibano esteve na cidade a convite do Festival Internacional de Quadrinhos de Pernambuco. Na ocasião, ele fez uma palestra e deu uma oficina sobre experimentalismo na criação gráfica.

Desta vez, ele traz o que ficou faltando: uma exposição de seu trabalho.

Ah! Inferno Pra ter Cão - encantos e tentações de uma cidade tem abertura marcada para esta segunda-feira, 14.04, às 20h, no Bar Central (Rua Mamede Simões, 144 - Boa Vista). O momento inclui discotecagem de DJ Tales. Entrada franca. Mais informações pelo 8709-3905.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Marca de Fantasia – exemplo de qualidade e independência editorial



Durante boa parte do dia, Henrique Magalhães trabalha na Universidade Federal da Paraíba, onde dá aula de laboratório de pequenos meios para estudantes de comunicação. Nas horas livres, em vez de descansar, ele começa outro expediente, dedicado a fazer livros e revistas em quadrinhos. Henrique é dono da Marca de Fantasia, a editora independente e absolutamente não-comercial, que há mais de dez anos vem prestando grande serviço aos quadrinhos nacionais.

A Marca de Fantasia começou como fanzine, que circulava em João Pessoa nos idos de 1985. Após voltar da França, onde se pós-graduou no tema, Henrique decidiu ampliar seu trabalho para um projeto editorial mais abrangente, que contemplasse inclusive livros teóricos sobre quadrinhos, fanzines e artes afins.


A NOVA ONDA DOS FANZINES, DE HENRIQUE MAGALHÃES

Para um independente, o catálogo de Henrique impressiona. Dos 70 títulos já publicados, cerca de 50 estão disponíveis em seu catálogo virtual, vendidos ao preço máximo de R$ 15.

Essa fantástica fábrica de revistas em quadrinhos funciona no conforto de um apartamento, na beira mar de João Pessoa. O equipamento – um computador conectado a uma impressora laser, está montado num quarto simples e tranquilo, ideal para a atividade. Nas paredes, estantes revelam o estoque de edições disponíveis para envio imediato. Ao redor há algumas telas, algumas assinadas por Shiko, uma das melhores revelações dos quadrinhos autorais brasileiros dos últimos anos.


MARGINAL, COLETÂNEA DO TRABALHO DE SHIKO EM FANZINES

Além de Shiko, cujo trabalho está na coletânea Marginal, a Marca de Fantasia publicou praticamente todos os artistas paraibanos em atividade: Mike Deodato, Cristóvão Tadeu, Emir Ribeiro, e o próprio Henrique, que além de editor e pesquisador, cria seus próprios quadrinhos.


TOP! TOP! 23 APRESENTA ENTREVISTA INÉDITA COM O GAÚCHO EDGAR VASQUEZ

Semestralmente, o fanzine Top! Top! (o nome vem da onomatopéia feita pelas mãos do Fradinho, o mais sacana personagem de outro Henrique, o grande Henfil) traz uma seleção de quadrinhos que inclui material estrangeiro, além de entrevistas com artistas e estudiosos - as mais recentes são com o paulista Marcio Baraldi, o gaúcho Edgar Vasquez (criador do antológico Rango), o pernambucano Jô Oliveira e o pesquisador paulista Gazy Andraus.


RANGO, UMA DAS CRIAÇÕES DE VASQUEZ

Aliás, dois anos após a morte de Henfil, Magalhães o homenageou fundando a gibiteca Henfil, que veio antes da localizada no Centro Cultural Vergueiro, São Paulo. “Tudo bem, Henfil merece várias gibitecas”, brinca, na entrevista abaixo, concedida pessoalmente, direto de João Pessoa.

O encontro se deu no ano passado, na mesma época do lançamento da Coleção Biografix, dedicada a publicar mestres dos quadrinhos brasileiros. Henrique estava bastante satisfeito em informar que o livro de estréia seria Lugares In-Comuns, de Jaguar, um belo resgate de uma obra há décadas fora de catálogo. Dois dias depois, a decepção: o título deveria ser retirado de circulação, por razões contratuais entre o artista e a editora Desiderata, atual detentora dos direitos de publicação de sua obra. No post abaixo, entre outros assuntos, Henrique fala sobre este frustrante e desnecessário episódio.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Última semana de FIHQ 2007 - confira a programação


SÉRIE "IBICUS", DESENHADA POR PASCAL RABATÉ

Eis que, aos 44 minutos do segundo tempo, o Festival Internacional de Humor e Quadrinhos ganhou ainda mais fôlego. Este último final de semana do evento, que termina no domingo, se ilumina com a presença do ilustrador francês Pascal Rabaté. O artista faz palestra grátis neste sábado, às 15h, no auditório da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia (Rua do Bom Jesus, 147, Bairro do Recife).

Com formação pela Escola de Belas Artes de Angers, Rabaté possui mais de duas dezenas de obras publicadas. Seu trabalho mais conhecido é Ibicus, adaptação do romance de mesmo nome do escritor Aléxis Tolstoi, que narra aventuras ocultas durante a tomada da Rússia pelos revolução socialista, em 1917.

O FIHQ termina domingo, mas a festa de encerramento é hoje, no Burburinho Bar e Comedoria (Rua Tomazina - Recife Antigo). Começa às 22h, e terá jazz e do blues ao vivo com a banda El Mocambo. Haverá ainda mini-exposição, com trabalhos de alguns participantes do festival. Os ingressos custam R$ 3. Informações pelo telefone (81) 3224.5854.

As exposições seguem até o domingo na Torre Malakoff, com horário estendido das 15h às 22h. Além dos 194 trabalhos selecionados em cinco categorias pela mostra competitiva (veja os vencedores aqui), existem individuais de Ral (artista homenageado), dos gêmeos paulistanos Fábio Moon e Gabriel Bá, dos mineiros Nelson Cruz e Márcio Leite, do paraibano Shiko, do cartunista paulista Baptistão e do piauiense Jota A. A entrada é gratuita.

Confira agora a seleção que o Quadro Mágico fez dos trabalhos expostos:


ARIANO SUASSUNA, POR BAPTISTÃO


ILUSTRAÇÃO DE NELSON CRUZ PARA MOBY DICK


CARTUM DE JOTA A


CARTUM DE MÁRCIO LEITE


CARTUM DE RAL, SELECIONADO PELO SALÃO DE BERLIM 1975


CARTUM DE RAL PUBLICADO PELO PASQUIM


CARTUM DE LI XIAOANG (CHINA), MENÇÃO HONROSA NO FIHQ 2007

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Shiko participa do FIHQ 2007 a partir de hoje



O FIHQ recebe esta semana o artista paraibano Shiko. Ele participa da programação do evento trazendo sua experiência de pelo menos 10 anos de quadrinhos, fanzine, grafite e outras formas de arte.

Hoje (24), às 14h, começa sua oficina de experimentalismo em quadrinhos, somente para quem se inscreveu previamente. Às 19h, ele palestra sobre o assunto, com entrada franca.

Dois momentos em um mesmo local: as dependências da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia (Rua do Bom Jesus, 147 - Recife Antigo).

Saiba um pouco mais sobre Shiko e sua arte no post abaixo.

Shiko, o samurai dos quadrinhos



É difícil definir os desenhos e pinturas de Shiko. Sua arte desprovida de moral e bons costumes é imprevisível e prazeirosa como um solo de jazz.

A primeira vez que li sobre ele foi no site colaborativo Overmundo. Nas duas matérias (aqui e aqui) Desenhos que enchem os olhos e os textos quase reverentes, mais um acalorado e indiscreto debate nos comments, me levaram a crer que o cara deve ser mesmo uma figura.

Logo depois, minha amiga Leda me deu um toque sobre ele, elogiando bastante. Depois, outra amiga, a Rosana. A mesma coisa.

Pelo que disse naquelas matérias, ele não gosta de ser chamado de artista plástico. Mas o que dizer de quem cria com grafite, tatuagem, escultura, pintura em tela, fanzine, grafismos, animação e HQ??

Seu universo quase sempre auto-referente é um emaranhado de derivações sensoriais e perceptivas. Generalizando um pouco mais, Shiko não abre mão do sexo-drogas-rock’n’roll: amplia para jazz, literatura e cinema. Em seu fanzine, adapta contos de Albert Camus, Giovani Papinni e uma música da banda pernambucana Mundo Livre. Mulher Honesta, adaptação de um post do blog de Xico Sá, é seu projeto mais recente.

Um de seus temas conhecidos (e vendidos) é a série de telas a óleo com uma releitura erótica de Olívia Palito, a namorada de Popeye, seminua num balcão de bar.

Meses atrás Shiko publicou o que considero a melhor HQ nacional de 2007 (e olha que o ano nem terminou): Blue Note.



Projeto assinado em parceria com Biu (poeta e escitor), Blue Note conta a história de um rapaz que sai do interior paraibano (a pequena Rio Tinto, cidade natal de Biu), para se entregar à toda sorte de paixões.

Auto-proclamada "obra fonográfica", esta desconcertante "experiência emocional executada ao vivo" trata-se de uma narrativa não-linear, cuja carga poética é aditivada de referências do jazz, blues, rock e também do cinema – há cenas retiradas de Cinema, Aspirinas e Urubus.

Há também uma seqüência inteira de “Amarelo Manga, analisada com maestria pelo crítico Kléber Mendonça como "o plano detalhe do sexo feminino via saia levantada, imagem que filmada ou desenhada fecha as relações produtivamente promíscuas entre a imagem em movimento e aquela que sugere ação" (revista Continente Multicultural / setembro de 2007).

Natural de Patos, Francisco José de Souto atualmente mora em João Pessoa. Virou Shiko quando morava em Brasília trabalhando com publicidade. Lendo um mangá, ele aprendeu que shiko é a palavra que define a área de alcance de uma espada samurai. Como já havia outro Chico no mercado de lá, resolveu adotar o codinome japonês.



Na Paraíba, Shiko é talento reconhecido. Expõe em eventos de arte; teve seu Marginal Zine publicado como coletânea pela editora independente Marca de Fantasia; teve Blue Note patrocinado pelo Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, mantido pelo governo da Paraíba; e está desenvolvendo um videoclipe de animação para os parceiros da Chico Correia Eletronic Band.



Fora do estado ele ainda é uma novidade, e aos poucos vai ganhando terreno. Mês de julho, Flora recebeu o prêmio de melhor HQ no concurso Alfaiataria de Fanzines; no mesmo evento, Blue Note recebeu menção honrosa na categoria publicação independente.

A seguir, uma seleção de cenas de Blue Note.

Se, como dizem seus conterrâneos, Shiko está somente começando, o que está por vir realmente deve ser de outro mundo.








quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Inscrições abertas para oficinas do FIHQ 2007



Abertura da HQ "Flora", do artista paraibano Shiko - um dos oficineiros escalados pelo 9º FIHQ

Estão abertas as inscrições para as quatro oficinas que serão oferecidas pelo 9º Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco.

Este viés educativo do FIHQ é uma de suas prioridades. Investindo na formação, os artistas pernambucanos tem a oportunidade de se capacitar e se preparar melhor para o mercado.

São 20 vagas para cada oficina. A inscrição é gratuita. Para participar, basta enviar currículo e carta de intenção para o e-mail oficina@acape.org.br. Em caso de dúvida, é só ligar para (81) 3242.2330.

As inscrições se encerram na próxima sexta-feira (14/09). As oficinas se realizarão entre 19 de setembro e 03 de outubro, nas dependências da Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia (Rua do Bom Jesus, nº 147, Bairro do Recife).

Para o papel de oficineiros, foram escalados artistas como Nelson Cruz (MG), Shiko (PB), Fábio Moon e Gabriel Bá (SP), todos convidados especiais do FIHQ, além da editora pernambucana Livrinho de Papel Finíssimo.

A assessoria de imprensa do FIHQ, a Exclusiva Comunicação, esclarece que "não é necessário ser profissional, mas algumas das oficinas requerem pré-requisitos".

É o caso de "Contador de histórias, não de piadas", oficina ministrada pelos irmãos gêmeos Moon e Bá, e marcada para os dias 18 e 19 de setembro, das 14h às 18h.

Para se inscrever nela, é necessário ter conhecimento básico de quadrinhos.

A proposta é aprender as maneiras aliar desenho e texto para contar histórias de maneira eficiente, e incentivar o artista a encontrar o caminho dentro do seu trabalho. Por isso, trabalhos anteriores podem ser apresentados para análise dos gêmeos.

A oficina de "Fanzine", a cargo dos integrantes da Livrinho de Papel Finíssimo Editora está marcada para os dias 24, 25, 26 e 27 de setembro, entre 14h e 18h, e não necessitam de pré-requisito.

Nas mesmas datas e horários, o paraibano Shiko irá ministrar a oficina "Experimentação no Quadrinhos". Shiko é artista plástico e ilustrador e se dedica há mais de dez anos a telas e quadrinhos. Recentemente lançou, em parceria com o escritor Biu, o livro em quadrinhos Blue Note, uma das melhores publicações do ano.

Encerrando a programação, nos dias 01, 02 e 03 de outubro no turno da tarde, o pintor, ilustrador e caricaturista mineiro Nelson Cruz ministra a oficina “A Ilustração, O Livro e a propriedade artística e intelectual”.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Saiba quem são os convidados do FIHQ 2007



Os jornais do Recife hoje celebram a 9a. edição do "Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco", o FIHQ-PE, com as seguintes chamadas: "América do Sul é destaque na 9ª edição do FIHQ", assinada por Júlio Cavani no Diario de Pernambuco; e "FIHQ volta à agenda cultural firme e forte", escrita por Carol Almeida no Jornal do Commercio.

O motivo é que, junto com o edital que abre as inscrições para o salão do evento, os organizadores do evento revelaram quais serão os convidados a formar a comissão julgadora. Este ano, o FIHQ se realizará entre 16 de setembro e 7 de outubro, no Observatório Malakoff (Praça do Arsenal - Recife Antigo).

Diferente dos dois últimos anos, em que ficaram guardados a sete chaves até a semana que precede a abertura do festival, a lista dos convidados foi divulgada com 45 dias de antecedência, em coletiva de imprensa, na manhã de ontem, no Teatro Arraial (Boa Vista).

São eles: o caricaturista paulista Baptistão, o ilustrador mineiro Nelson Cruz, o chargista maranhense Jota A, o cartunista mineiro Márcio Leite, os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá, o artista plástico paraibano Shiko, e o caricaturista e artista plástico boliviano Alejandro Archondo (ou somente ARXONDO, do coletivo de quadrinhos sediado em La Paz, Viñetas com Altura).

O grande homenageado é lendário cartunista Romildo Araújo Lima, o RAL, que ganha uma exposição retrospectiva de sua carreira, que começou nos anos 60, marcando as gerações seguintes de artistas pernambucanos (quando trabalhou na imprensa recifense) e brasileiros (desde os anos 70, quando passou a colaborar com o Pasquim). É de RAL a arte do Boi Misterioso, que será a marca e o troféu do evento deste ano(desenho acima).

Esta comissão julgadora premiará com R$ 6 mil (R$ 2 mil a mais do que no ano passado), o primeiro colocado em cada uma das cinco categorias.

Todos os artistas convidados terão exposições individuais montadas na Torre Malakoff, e provavelmente em outros locais da cidade. Além da exposição dos bolivianos Viñetas con Altura, haverá uma mostra com trabalhos de artistas do Peru, Bolívia, Uruguai, Chile e México.

Em maio deste ano, o Quadro Mágico publicou uma matéria sobre as novidades reservadas para o evento, que vão além da mudança do calendário - as oito primeiras edições do FIHQ foram realizadas sempre entre abril e maio. Para ler, clique aqui.

O FIHQ 2007 é uma realização da Associação dos Cartunistas Pernambucanos - Acape, em parceria com a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco - Fundarpe (Governo do Estado), e apoio da Prefeitura do Recife e Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia.