Mostrando postagens com marcador lançamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador lançamento. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lançamentos, bastidores, "eu indico" e ranking da semana

Lançamentos DVD



À distância - Uma garota complexada na Austrália e um melancólico senhor escondido num pequeno apartamento em Nova York vivem uma improvável e longeva amizade. Se começa aleatória, fisgada em catálogo telefônico, cresce à medida que solidão, sinceridade e paixão por chocolate movimentam as caixas de correio. Animação para adultos, a história transborda nostalgia não só por se passar há 30 anos, mas pela predileção do diretor por músicas e cenários à moda antiga. Com o filme, Elliot demonstra habilidade em abordar assuntos difíceis de forma leve e sem melodramas.
Mary & Max (Australia, 2009). De Adam Elliot. 92 minutos. Playarte.



Remake - Deuses do Olimpo, imperfeitos e vingativos, libertam um parente do Godzilla para ensinar humildade aos mortais. Mas Hades (Ralph Fiennes) não contava com a determinação de Perseu (Sam Worthington), filho de Zeus (Liam Neeson) com uma mortal, enfrentando escorpiões gigantes, bruxas e medusas para salvar a princesa Andrômeda (Alexa Davalos) e o resto do mundo. Como no original de 1981, o filme tem efeitos toscos e interpretações idem. Só pega bem se assistido sem compromisso, como sessão da tarde que é.
Fúria de Titãs (Clash of titans, EUA, 2010). De Louis Leterrier. 106 minutos. Warner.



Luto - Após a morte do companheiro, George (Colin Firth) procura conforto na amiga Charley (Juliane Moore), com quem, em noite chuvosa, divide drinks e músicas. Na ausência do amante, seu olhar transtornado busca, em vão, beleza nas mulheres ao redor e no desfile de garotos de 20. Indicado ao Oscar, Firth é a alma de um filme visualmente artificial, com espectro cromático entre o "lavado", quase preto-e-branco, e o ultracolorido. Sem ele, a estreia do estilista Tom Ford estaria mais para catálogo de moda que para uma história de amor e luto.
Direito de amar (A Single Man, 2009). De Tom Ford. 99 minutos. Paris.

Bastidores

Avenida Brasília Formosa, de Gabriel Mascaro e Pacific, de Marcelo Pedroso participam da 2ª Semana dos Realizadores, no Rio de Janeiro. Sob curadoria de Eduardo Valente, a programação 2010 abre com Desassossego (direção coletiva), em 9 de setembro e se encerra com O último romance de Balzac, de Geraldo Sarno, no dia 16. Outros filmes que instigam: Chantal Akerman, de cá, de Gustavo Beck e Leonardo Luiz Ferreira; Estrada para Ythaca, de Guto Parente, Pedro Diógenes, Luiz e Ricardo Pretti e A falta que me faz, de Marília Rocha.

Pacific, aliás, será o único pernambucano na programação da 29ª Bienal de São Paulo, que ocorre entre 25 de setembro e 12 de dezembro. O longa de Pedroso integra um dos dez programas de cinema do evento, que inclui filmes de Chantal Akerman, Apichatpong Weerasethakul, Eryk Rocha, Jonas Mekas, Eduardo Coutinho e Agnès Varda.

Hoje, às 15h, a 1ª Mostra Nacional Curta Sertão realiza sessão especial para selecionar os filmes de sua mostra competitiva. Será na Faculdades Integradas Barros Melo (Aeso), em Olinda, com entrada aberta ao público. O evento será entre os dias 15 e 18 de setembro, nas aldeias indígenas dos Pipipã e dos Pankararu, município de Floresta. O curta Ave sangria - Sons de gaitas, violões e pés está entre os 24 candidatos. A lista completa está em www.sertaoitaparicamundo.blogspot.com.

A Aurora Filmes faz última chamada para curso gratuito de cinema digital para estudantes de 16 a 24 anos matriculados na Rede Pública de Ensino. Informações: 3091-9338.

Irandhir Santos (Olhos azuis) e Nanda Costa (Sonhos roubados) foram premiados no 14º Brazilian Film Festival, em Miami. Os dois estão no elenco de Febre do rato, novo filme de Cláudio Assis, que começa a ser rodado semana que vem, em Olinda. Mais premiados em Miami: Juliano Dornelles, por direção de arte em Recife frio, e Pedro Urano, por fotografia de Superbarroco

Eu indico



Recomendo Ichi the Killer (Japão, 2001), de Takashi Miike. Como Gomorra faz com a máfia italiana, o diretor desglamouriza a Yakuza. Mas é para estômagos fortes. Muito sadismo e jatos de sangue. A cena em que Ichi corta a própria língua e depois atende o celular é das melhores do gênero gângster.

Shiko, artista plástico

Mais alugados (download)

Sherlock Holmes (EUA, 2009), de Guy Ritchie
Idas e vindas do amor (Valentine's Day, EUA, 2010), Garry Marshall
Onde vivem os monstros (Where the Wild Things Are, EUA, 2009), de Spike Jonze
Os fantasmas de Scrooge (The Ghosts of Scrooge, EUA, 2009), de Robert Zemeckis
A proposta (The proposal, EUA, 2009), de Anne Fletcher
Um sonho possível (The blind side, EUA, 2010), de John Lee Hancock
Coco antes de Chanel (Coco avant Chanel, França, 2009), de Christian Duguay
Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 2010), de Tim Burton
Invictus (EUA, 2009), de Clint Eastwood
Um faz de conta que acontece (Bedtime stories, EUA, 2008), de Adam Shankman

Fonte: www.saraiva.com.br

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

"Balsa", de Marcelo Pedroso, é exibido em circuito alternativo



Após estrear na Semana dos Realizadores do Rio de Janeiro, o média-metragem Balsa, de Marcelo Pedroso, inicia um circuito de exibições seguidas de palestras no Recife.

Todas as sessões são gratuitas e abertas ao público.

Balsa é um documentário pouco convencional, que se reduz a movimentos mínimos e longos planos contemplativos e sem diálogos. Os sons e imagens estão lá, mas nenhuma palavra é emitida ao longo de seus 50 minutos.

O filme foi realizado inteiramente dentro de uma balsa que faz o trajeto Japaratinga - Porto de Pedras, no litoral norte de Alagoas. Supercoloridas, suas imagens foram feitas como se a balsa fosse uma câmera-olho, que registra objetos, pessoas e paisagens.

Não há trilha sonora, somente som direto, quase sempre ocupado pelo ruído do motor a diesel que impulsiona a balsa.

De hoje a quarta-feira, quatro escolas públicas da Região Metropolitana terão sessões de Balsa.

Na quinta-feira, haverá exibição na Faculdade Maurício de Nassau (Graças).

Na sexta-feira, às 11h, o filme vai até a Aeso - Faculdades Barros Melo (Olinda).

No sábado, às 14h, o filme entra na programação do Cineclube Dissenso, sediado no Cinema da Fundação (Derby). Durante o lançamento no Dissenso, DVDs da Balsa estarão à venda no Café Castigliani, a um preço simbólico.

Em uma terceira etapa, DVDs serão enviado aos cineclubes associados ao Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros. Também haverá distribuição em lojas, livrarias e locadoras de vídeo, além de versões digitais para download na internet.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Aú, O Capoeirista >> agenda de lançamento



Foi lançado hoje, em Salvador, o mais novo personagem da HQ nacional: Aú, o capoeirista. A estratégia de divulgação levará o cartunista Flávio Luiz, criador do personagem, a cinco outras capitais: Salvador, Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo.

No Recife, será no próximo dia 14, às 19h, na Livraria Cultura (Paço Alfândega - Recife Antigo). A programação conta com bate-papo de 30 minutos, seguido de sessão de autógrafos com Flávio Luiz e Laílson sobre quadrinho autoral e mercado nacional.

Abaixo, o release completo do projeto, com agenda dos lançamentos:

As histórias, ambientadas na capital baiana, são repletas de aventura, humor e consciência ecológica mostrando o cotidiano do capoeirista mirim Aú e seu inseparável amigo, o macaquinho Licurí. A edição de luxo, em capa dura, será lançada também em São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Por meio do site, o leitor saberá como adquirir a publicação e mais informações sobre os personagens e a história da capoeira no País.

Nascido em 1992, dos traços do premiado cartunista Flávio Luiz, Aú – cujo nome significa um conhecido movimento da capoeira -, começou com o esboço de um típico capoeirista baiano recepcionando uma francesa nas ruas do pelourinho e foi criado por ocasião da exposição Bandes Dessinée – quadrinhos franco-belgas, em parceria com a Aliança Francesa, em Salvador.

Nascia assim a idéia de criar um personagem com características do povo brasileiro. Anos mais tarde, Flávio Luiz desenhou um capoeirista mirim, na época com oito anos. Por meio de sucessivos estudos, esboços e aperfeiçoamento no traço, o personagem se consolidou, ganhou vida e atualmente tem 16 anos.

Segundo Flávio Luiz, o objetivo da publicação de Aú, o capoeirista, é conquistar um público leitor de histórias em quadrinhos carente de personagens tipicamente brasileiros, no cenário das HQ nacionais. “A hospitalidade, a alegria, a criatividade do povo baiano retratada nos personagens servirá para divulgar ainda mais os lugares, ritmos e as diferenças da nossa cultura, principalmente a cultura negra e seu sincretismo”, declara Flávio.

Flávio Luiz tem seus trabalhos reconhecidos no Brasil e no exterior (I Festival Internacional de Cartoon da Suécia, em Malmo com o tema ecologia). Foi ganhador de prêmios em vários salões de HQ, entre eles o importante Salão de Piracicaba (1994 e 2000). Em 2000 recebeu o Troféu HQMix – considerado o Oscar dos quadrinhos no País – com a revista independente Jayne Mastodonte Adventures #1.

A publicação de Aú, o capoeirista, viabilizada com recursos da Lei Rouanet de incentivo à Cultura, é fruto da árdua caminhada do desenhista que acreditou na construção de um personagem “heróico” representando a essência do povo brasileiro. “Aú é jovem, forte, educado, hospitaleiro e corajoso. Ele chegou para enfrentar o que for”, afirma, orgulhosamente, Flávio Luiz.

Serviço:

Aú, o capoeirista.

Álbum em edição de luxo, capa dura, 21,5 cm x 29 cm, papel couché.
Preço de capa: R$ 48,00

Salvador - 11 de outubro, às 10 horas.
Local: Livraria LDM
Rua Direita da Piedade, 20
Salvador - BA
TEL.: (71) 2101-8007

Recife – 14 de outubro, às 19h00.
Local: Livraria Cultura
Paço Alfândega
R. Madre de Deus, s/nº
Recife - PE
Tel.: (81) 2102-4033

Belo Horizonte – 16 de outubro, às 19h.
Local: Café da Travessa Livraria
Av. Getúlio Vargas, 1405 - Savassi
Belo Horizonte - MG
Tel.: (31) 3223 8092

Rio de Janeiro – 20 de outubro, às 19h.
Local: Livraria Letras & Expressões
Av. Ataulfo de Paiva, 1292 – Leblon
Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (21) 2511-5085

Curitiba: 21 de outubro, às 19h.
Local: Itiban Comic Shop
Av. Silva Jardim, 845.
Curitiba – PR
Tel.: (41) 3232-5367

São Paulo – 24 de outubro, às 19h30.
Local: HQMix Livraria
Praça Franklin Roosevelt, 142 – Centro.
São Paulo - SP
Tel.: (11) 3259 1528 / 3258 7740

sábado, 26 de abril de 2008

Lançamento da revista Fusão #18



A equipe de editores da Fusão convida para o lançamento da Fusão #18.

Será hoje (26, sábado), às 19h, no Bar de Seu Biu, Rua do Sossego, 144, Boa Vista, Recife.

Evandro Q? faz o lounge sound, de acordo com ele, "pra todo mundo ficar bêbado ou ler a revista 245 vezes com muito xaxado kraftwerkiano".

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cavani Rosas lança nova HQ



Cinco histórias em quadrinhos desenhadas por Cavani Rosas são lançadas hoje (23 de abril), às 19h, em festa no bar Capitão Lima (Rua do Lima, 100, Santo Amaro), no Recife. O evento contará com a presença do autor.

As HQs formam o primeiro número da revista Argonauta (26 páginas + encarte), que será vendida por R$ 8 e R$ 15 (pacote com dois). Dentro dela, vem encartado o panfleto Alerta Geral, também com linguagem de quadrinhos, distribuído nas ruas do Recife em 1986, agora reeditado por causa de seu tema atual (a descaracterização urbana da cidade).

As histórias reunidas na Argonauta são Deixem Diana em Paz (com roteiro de Fred Navarro), Malassombrado (escrita por Bráulio Tavares), Amor à primeira vista (texto de Eddy Gomes) e Voyager (do próprio Cavani). Todos os desenhos são do artista, mas as histórias têm estilos e gêneros diferentes entre si.

Apesar de ser mais conhecido como artista plástico, Cavani começou a carreira na década de 1960 como ilustrador e quadrinista. Colaborou para publicações como Folha de São Paulo, Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio (PE), Continente Multicultural e Le Monde Diplomatique-Brasil.

Argonauta é uma publicação totalmente independente e foi impressa na Livrinho de Papel Finíssimo Editora.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Retratos de Guerra - O Fotógrafo, de Didier Lefrève



A série francesa O Fotógrafo – uma história no Afeganistão, consagrada por trazer o testemunho sobre um país arrasado pela guerra, chega ao segundo volume de sua versão brasileira.

Seu valor não está somente nas fotografias que denunciam os absurdos belicistas, ou revelam as áridas paisagens do Afeganistão e a cultura de seu povo. Está na linguagem adotada para contar essa aventura de forma direta e fluida: a de história em quadrinhos.

O fotógrafo que dá título ao livro é o francês Didier Lefèvre.

Nos anos 80, ele acompanhou uma equipe da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em uma expedição de três meses ao Afeganistão. Com a guerra fria dominando o mundo, o País fora invadido por tropas soviéticas. Em rápida resposta, os Estados Unidos abasteceram os rebeldes com armas e suprimentos, o que alimentou uma guerra de nove anos (1979-1988).

Quinze anos depois, as fotos e depoimentos de Lefèvre serviram de matéria prima para Emmanuel Guibert e Fréderic Lemercier produzir uma história em quadrinhos diferente de qualquer outra.

Nela, os desenhos coloridos se intercalam com pequenas fotografias em seqüência, espalhadas pelas páginas, tecnicamente conhecidas como “copião”. Graças a ao “copião”, é possível eleger qual a melhor imagem e enquadramento para ampliação. É possível acompanhar esse processo ao ler o livro: as fotos marcadas com caneta vermelha indicam o trabalho de Lefèvre. Logo após, a fotografia ampliada dá a dimensão impactante de seu olhar.



Narrada em primeira pessoa por Lefèvre, O Fotógrafo chama a atenção para o corajoso trabalho das equipes da MSF, que muitas vezes arriscam entrar clandestinamente em países em conflito para cuidar de sua população.

Criada em 1971, a organização já atuou em dezenas de guerras, sendo o Afeganistão o primeiro país a receber um projeto de longo prazo. Atualmente, a MSF mantém 22 mil profissionais e em mais de 70países, inclusive o Brasil.

No primeiro livro, a caravana cruza infinitos vales e montanhas arenosas para oferecer serviços médicos às vitimas da guerra. Além das dificuldades enfrentadas, suas fotos em preto-e-branco registraram paisagens e costumes de um país predominantemente muçulmano.



Neste segundo volume, a expedição chega a seu destino: um precário casebre que servirá de hospital para toda a região de Zaragandara. No mesmo dia, pessoas surgem com diferentes problemas, de acidentes caseiros a ferimentos graves provocados pelo conflito armado. O dia a dia dos médicos não é fácil. A procura é grande, e as condições de trabalho são terrivelmente baixas.

Uma das melhores passagens do livro se dá quando o fotógrafo, impressionado com as baixas condições de higiene e a completa falta de estrutura do local, pergunta a um médico como é possível exercer a profissão em condições tão adversas como aquela.

“Gosto muito do progresso. Os scanners, os exames complementares... Ainda bem que eles existem! Mas, quando não existem, é preciso fazer sem eles. E aí você reaprende a ficar atento, a escutar um corpo, a interpretar um suor frio ou uma linha que está ficando azul. Você reaprende a essência da profissão”, responde o médico.

Ao contrário dos colegas médicos, esta foi a primeira visita de Lefèvre ao Afeganistão – ele retornaria ao País algumas vezes, inclusive durante a guerra provocada pelos atentados de 11 de setembro. Além disso, esteve em outros países acompanhando os MSF, como Libéria, Kosovo, Sri Lanka e Camboja. A atividade o tornou mundialmente conhecido.

Lefèvre morreu aos 49 anos, em janeiro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco. Algumas semanas antes, foi premiado pelo salão de Angoulême pelo terceiro e último volume de O Fotógrafo. Seu trabalho continua disponível na internet, através do site Digital Roads.

De acordo com a assessoria de imprensa da Conrad, O Fotógrafo Vol. 3 será lançado no Brasil ainda este ano.

FOTOJORNALISMO OU QUADRINHOS?
O Fotógrafo é um livro de fotojornalismo ou de quadrinhos? Por usar das duas linguagens de forma inédita, configura algo híbrido, quem sabe um novo produto de comunicação.

O jornalismo em quadrinhos é quase tão antigo quanto a imprensa. No Brasil do século 19, por exemplo, o pioneiro Ângelo Agostini denunciou abusos contra escravos através de desenhos legendados em seqüência nas páginas dos jornais.

Apesar da longevidade do gênero, reportagens em quadrinhos ganharam notoriedade a partir de 1992, quando Art Spiegelman, filho de judeus poloneses, ganhou o prêmio Pulitzer por Maus – relato de um sobrevivente.

O reconhecimento público trouxe à tona relatos de guerra em quadrinhos publicados anteriormente, como a série GEN Pés descalços¸ em que o japonês Keiji Nakazawa faz um emocionante relato sobre os absurdos da guerra e como sobreviveu à bomba de Hiroshima. E abriu caminho para uma nova geração, cujo maior representante é o jornalista e desenhista Joe Sacco. Entre seus livros estão Palestina – uma nação ocupada, Sarajevo e Área de Segurança: Gorazade, todos publicados no Brasil pela Conrad Editora, a mesma que agora traduz O Fotógrafo.

Por sua vez, a fotografia de guerra começa em 1854, na Guerra da Criméia, registrada pelo inglês Robert Fenton. A partir dos anos 1920, fotógrafos ganharam agilidade e mobilidade com as máquinas portáteis. Seu auge aconteceu no Vietnã – o maior exemplo é a imagem de uma garota correndo com o corpo queimado pelo napalm, que fez a opinião pública mundial voltar-se contra a ocupação norte-americana.



Ao contrário das atuais coberturas de guerra, em que notícias impessoais são produzidas à distância a partir de material de agências internacionais, o testemunho visualmente instigante de O Fotógrafo é mais uma prova de que os quadrinhos podem tratar temas complexos como a guerra com mais profundidade e humanismo do que na anestesiada grande mídia.

** originalmente publicado no Caderno B da Gazeta de Alagoas.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Réquiem para um sonho: Epiléptico, de David B **



“Sonhar, contar. Eu nasci para isso”, confessa o artista francês David B. ao leitor de Epiléptico - Volume 2 (Conrad, R$ 44,90), livro que encerra a série originalmente publicada em seis volumes sob o nome de L'Ascension du Haut-Mal (em francês: A ascensão do grande mal). Agora, é possível acompanhar até o fim a viagem confessional de Pierre-François Beauchard – nome de batismo do desenhista – em torno da epilepsia de seu irmão mais velho, Jean-Christophe. Conviver com a incurável doença foi um verdadeiro pesadelo em família. Por sua vez, a angústia representada em desenhos rendeu uma das mais fascinantes histórias em quadrinhos já feitas.

No primeiro volume, David B. encontra na própria imaginação um refúgio para a alma. As inúmeras crises do irmão mobilizam a família no que virou uma eterna busca da cura. Ao longo dos anos, peregrinaram atrás de qualquer possibilidade de tratamento ou até mesmo alívio: medicina convencional, homeopatia, macrobiótica, terapias alternativas, filosofia, religiões e curandeirismo.



Agora, entre a adolescência e vida adulta, Jean-Christophe se apega à doença para garantir a segurança e o afeto familiar. Cada vez mais próximo do ostracismo, se incentivado a procurar novos tratamentos, Jean-Christophe transforma sua fixação pelo nazismo em perigosos acessos de raiva e violência.

Enquanto enfrenta as amarguras de lidar com o irmão, Pierre François se define enquanto profissional do lápis e papel. Assim como era quando criança, David continua a preferir os fantasmas de sua “floresta imaginária” a encarar monstros bastante reais como a epilepsia do irmão (brilhantemente representada por uma mistura de serpente e dragão chinês), e toda a sorte de médicos, especialistas e gurus que se propuseram a cuidar da doença. Adota o nome David (por afeição à cultura judaica) e, no lugar das batalhas históricas que tanto o fascinaram na infância, passa a desenhar seres oníricos, inspirados na literatura fantástica e nas ciências ocultas. Pouco tempo depois, David passa estudar publicidade em Paris, dando início à sua trajetória profissional.



O sentimento e frustração e impotência por não curar o irmão isolou David em seu próprio mundo, onde imaginava vestir uma armadura medieval. Foi sua forma de se proteger e seguir em frente. Quando Epiléptico foi publicado, até mesmo sua família se surpreendeu com suas histórias, guardadas por tantos anos, somente confidenciadas a seus leitores. Sorte nossa. Se tivesse recorrido à psicanálise para exorcizar seus fantasmas, não faria um livro tão impressionante, e assustadoramente humano.



DAVID B., MONSTROS E FANTASMAS
Aos 50 anos, David B. figura no rol de desenhistas que expandiram a linguagem dos quadrinhos. Durante décadas, ele sonhou em salvar o irmão da epilepsia, assim como trazer da morte o avô materno. Sentimentos que refletiram na sua existência e influenciaram decididamente a sua expressão artística. Para ele, desenhar “é uma maneira de espantar a infelicidade. É uma mágica”, revela, nas páginas de Epiléptico. “Eu li um monte de histórias que me fizeram bem. Eu também gostaria de tocar as pessoas com os meus livros”, completa o autor.

Com excepcional liberdade de expressão, David B. extrapola o gênero autobiográfico ao acrescentar profundidade existencial à narrativa. Esta, fragmentada e hipnótica, é construída por referências filosóficas e citações poéticas, reminiscências infantis e representações gráficas de sentimentos. Além disso, há a metalinguagem. Este recurso que encontrou terreno fértil nas HQs, está presente de tal forma que fica impossível separar as desventuras da família Beauchard do processo criativo do autor.



Ao longo de duas décadas, David B. buscou formas de traduzir em imagens sua convivência íntima com a epilepsia. A gramática dos quadrinhos por ele adotada se mostrou não somente a melhor, mas a única maneira de comunicar essa experiência em sua totalidade. A literatura está lá, como elemento básico em sua formação pessoal. Assim como as artes plásticas – a solução encontrada para representar a epilepsia no corpo do irmão passa claramente pela estética cubista.

No final dos anos 1970, Will Eisner elevou o status das histórias em quadrinhos ao nível de arte, ao publicar uma série de álbuns sob o conceito de literatura gráfica, ou graphic novel. A partir de então, um debate se abriu em torno do tema: seriam os quadrinhos um subgênero literário ou uma arte em si? Com arroubos de genialidade, Epiléptico coloca ponto final na discussão.

** originalmente publicado no Caderno B, da Gazeta de Alagoas

sexta-feira, 28 de março de 2008

Coleção Olho de Bolso tem lançamento em São Paulo



A coleção Olho de bolso será lançada em São Paulo, será neste sábado, 29 de março, 19h30.

O evento será na HQ Mix Livraria - Praça Roosevelt, 142, Centro, telefone pra informações: (11) 3258-7740.

Abaixo, texto do release:

Entre os meses de agosto de 2007 e fevereiro de 2008 doze publicações autorais chegam às ruas, ou melhor... Às mãos, olhos e bolsos do Recife. Doze autores das mais variadas vertentes do trabalho imagético foram estimulados a criar um livreto de baixo custo e alta qualidade. Eram eles ilustradores, designers, grafiteiros, cartunistas, quadrinistas, artistas plásticos e um ator de teatro. Todos realizaram suas obras em tamanho A6 e no máximo 32 páginas. O resultado é uma fascinante coleção entre os mais variados universos visuais. Antes restrito ao circuito recifense e agora lançada em São Paulo.

Imagens em trânsito pela cidade. Coleção habitual e urgente. Pensamento icônico do viver e traduzir a experiência partilhada da criação, da recriação, da modificação das coisas do mundo pelo olhar do desenho e da escrita. As poéticas traçadamente desenhadas pelas mãos dos autores revelados, reunidos, religados pela sensação do olhar o mundo, o sonho, fazem desta coleção, já, uma raridade. Mas o que encontrar nessas páginas vindas do Recife?

O abrir do livro, do livreto, abre a imaginação, conduzindo-nos a novas letras, diálogos e outras tantas narrativas ilustrativas que confidenciam algo visual a nos tornar cúmplices, leitores. Há poesia, brincadeira e provocação, como é, sempre, na vida latente e periférica.

Idéia dos novos, muitos nomes e possibilidades de edições outras e variadas. Os de agora são: Laerte Silvino, Serjão, Rodrigo Braga, Maurício Castro, Galo, Greg, Moa, HKE, João Lin, Rosinha, Zaza e Mascaro. Publicação independente da capa a contracapa, pelo meio, mais para cima ou para baixo, no bolso da gente. Livros de qualidade autoral promovendo a parceria entre a Livrinho de Papel FinÍssimo Editora e a RagÚ zine, com apoio institucional da Associação Cultural e Musical da Barriguda e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Recife.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Lançamento: A Força da Vida, de Will Eisner



A Devir Livraria tem feito um belo trabalho em editar obras do mestre Will Einser no Brasil. Depois de Um contrato com deus e O sonhador, é a vez de A força da vida (152 páginas, R$ 38).

Inédita no Brasil, a história leva o leitor a um tempo-espaço essencial ao universo de Eisner: a New York dos anos 1930. Naquele tempo, os EUA amargavam a histórica depressão econômica, causada pela quebra da bolsa de valores, em outubro de 1929.

Mais especificamente, o livro é uma viagem à Avenida Dropsie, um tipo de cortiço situada no bairro do Bronx. Velha conhecido dos admiradores de Will Einser, é naquele endereço que residem os pobres e desconhecidos personagens criados pelo desenhista.




Judeus, negros, italianos, escoceses, todos em busca da sobrevivência, pouco importam seus nomes: Jacob, Willie, Weiss. Gente a qual não se prestava muito atenção.

Filho de imigrantes judeus, Eisner cresceu entre essa gente. Ao contrário da minoria abastada, e de seus próprios pares, o desenhista extrai brilho de cada pequena chantagem conjugal, de cada angustia da existência, do dia a dia de labuta na busca do pão, da imposição de regras religiosas, do encontro com a vida quando não há mais esperança.

Pioneiro na arte de traduzir o drama humano em quadrinhos, a sétima arte deve muito a Will Eisner. Com suas narrativas entrecruzadas e melancólicas, A Força da Vida é um de seus melhores momentos.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Coleção Olho de Bolso - os quatro últimos



Sábado (16), a partir das 14h, tem Quatro últimas gotas, festa de lançamento dos quatro últimos títulos da coleção Olho de Bolso. para tanto, quatro DJs colocam som no Museu Murillo LaGrecca(rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366 - embaixo do viaduto Torre-Parnamirim, Recife). Entrada franca. Os títulos custam entre R$ 2 e R$ 3. Informações: (81) 9189.7991 (Diogo Todé) | (81) 8892.5798 (Nicole Cosh) ou livrinhoeditora@gmail.com

Abaixo, uma apresentação dos próprioa artistas, livrinho por livrinho:

Gregotins (de Greg)
Greg é ilustrador e designer. Ele é o cara que inventou a "Livrinho". Traz em seu novo livro um passeio sobre todas as vertentes de sua produção gráfica. Juntou uma pilha de desenhos feitos ao longo de 2007 e compilou tudo nesta obra de expressões variadas.

Você me ama? (de Artur e Rosinha Campos)
Rosinha Campos ilustra a cômica relação com seu, agora famoso, filho Artur. Ele, para certificar-se que é amado, cria situações onde a mãe deve provar que o ama.

Maripozel (de Zaza Zignal)
Zaza é premiado. Premiado ator... Sim... Ator e autor. Ele possui um traço que expressa dignamente o universo escabroso que cria em suas histórias. Mariposel é um ser dotado. O resto a imaginação segue com olhos arregalados.

O trono do Tamburete (de HKE)
Henrique Koblitz é peça fundamental da "Livrinho". Suas histórias e trabalho fazem parte da editora desde o surgimento dela. Agora ele mostra uma lição imagética sobre o trabalho. Uma poética visão da exploração humana.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Devir lança "O Sonhador", de Will Eisner



A Devir Livaria acaba de lançar O sonhador (56 páginas, R$ 22), de Will Eisner.

Inédita no país, O sonhador conta a história de um rapaz idealista que sonha em trabalhar no que mais gosta: desenhar quadrinhos. Ele enfrenta várias dificuldades, pois tudo se passa entre 1937 e 1939, um pouco antes da Segunda Guerra ser deflagrada. Naquele período, a indústria dos comics norte-americanos ainda engatinhava, e o livro conta um pouco sobre esses primórdios, do qual o próprio Eisner fez parte.


1941 - WILL EISNER EM SEU ESTÚDIO, EM MANHATTAN

"O Sonhador, embora tenha sifo inicialmente elaborado como uma obra de ficção, no fim tomou uma forma de um relato histórico. Tudo isso saiu do armário desordenado onde guardo lembranças amareladas da minha experiência", diz Eisner, no prefácio original, escrito por ocasião de seu lançamento nos EUA, em 1986. Na época, o criador de Spirit e precusor do conceito de graphic novel já era um nome consagrado no universo dos quadrinhos.

Altamente recomendado.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Um pouco mais sobre "Cartuns Filosóficos", de Silvino



CAPA E CONTRACAPA DE "CARTUNS FILOSÓFICOS", DE LAERTE SILVINO, COM LANÇAMENTO NESTE SÁBADO

O Quadro Mágico mostra hoje a arte de Laerte Silvino, que neste sábado (01/08) lança o seu "Cartuns Filosóficos", editado pela Livrinho de Papel Finíssimo Editora como o primeiro número da série Olho de Bolso. Será às 19h, no Bar do Biu (Rua do Sossego, 144 - Boa Vista). A publicação estará à venda no local, por R$ 5.

A série vem sendo desenvolvida há pelo menos um ano, somente com textos de Confúcio. Até então, ela estava sendo publicada num blog criado por Silvino. Segundo ele, para a publicação em papel, foram modificados ou adaptados alguns desenhos, e substituída a capa original, reproduzida abaixo.



Silvino adianta que seu projeto autoral continuará com adaptações de textos do escritor alemão Johann Wolfgang von Goethe e do filósofo grego Platão. Abaixo, um exemplo desta primeira leva baseada em Confúcio.



O segundo número da coleção Olho de Bolso terá lançamento no mesmo evento, intitulado "Encontro com o Criador". Trata-se de um apanhado do trabalho do grafiteiro Serjão, "uma forma do leitor adentrar no seu mundo gráfico, também chamado de Jaboreia. Livre, solto, leve, em contraste com a rudeza das ruas do Recife", diz o texto da editora.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Recife: Livrinho de Papel Finíssimo lança dois novos títulos neste sábado (01/09)





A Livrinho de Papel Finíssimo editora apresenta dois novos projetos neste fim de semana. São revistas lançadas com festa, "2 bandas, 2 DJs, e 2 notas de 2". Na programação estão as bandas Subversivos e Le Bustier En Decadence, e os DJs Moa e Evandro Q?. Tudo acontece neste sábado (01 de setembro). O lançamento, batizado "Encontro com o Criador", está marcado para às 19h, no Bar do Biu (Rua do Sossego, 144 - Boa Vista). Já a festa, começa a partir das 22h, na sede da editora (auto-proclamada Iraq), na Rua do Sossego, 179, Boa Vista.

O primeiro projeto se chama ZI.PE, uma revista "formatinho", de 20 páginas em preto e branco, feito em parceria com a Associação dos Cartunistas Pernambucanos (Acape). Se trata de uma coletãnea de seis autores da Acape, que objetiva dar vazão a uma nova geração de quadrinhos autorais pernambucanos.

O segundo é a Coleção Olho de Bolso, cuja proposta é lançar artistas das mais diversas linguagens, e mixar o cartum, ilustração, quadrinhos, grafite e artes plásticas, em diferentes técnicas de impressão: carimbo, clichê, litogravura e digital. Estão previstos 12 títulos, de 200 exemplares cada.

Entre os artistas estão Rodrigo Braga, Maurício Castro, Galo, Greg, Moacir Lago, João Lin, Rosinha Campos, Henrique (Hke), Mascaro e Záza Zignal. Os dois primeiros trazem trabalhos de Laerte Silvino (cartuns filosóficos com textos de Confúcio) e do grafiteiro Serjão.

As revistas também terão lançamento durante o Festival Internacional de Humor e Quadrinhos - FIHQ, que inicia próximo dia 16 de setembro

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Conrad oferece preview de "Laertevisão"



A editora Cornad Livros está oferecendo a partir de hoje um preview de "Laertevisão - Coisas Que Nunca Esqueci", de Laerte Coutinho.

Entre desenhos e fotografias do tempo da infância do desenhista, há quadrinhos e tirinhas inéditas como a mostrada acima.

Para ler um trecho, basta clicar aqui.

Devir lança "Clube da Lulu"



"Clube da Lulu" é o novo volume de histórias em quadrinhos da Luluzinha e sua turma.

As histórias deste livro foram organizadas nos EUA pela Dark Horse, editada no Brasil pela Devir Livraria, são as primeiras a ser criadas pela dupla de artistas John Stanley (roteiro e desenhos) e Irving Tripp (arte final).

Para quem está acostumado com os quadrinhos lançados no começo dos anos 80, alguns inclusive desenhados por artistas brasileiros, vai perceber que o traço das primeiras histórias é bem diferente, mais duro e econômico. Sem falar na personalidade das crianças, variante entre a inocência e a perversão.

Personagens criados por Marjorie Henderson Buell, e que marcaram várias gerações desde 1935, quando começou a ser publicada nos jornais em forma de tirinhas diárias, até 1984, quando as revistas em quadrinhos pararam de chegar às bancas do mundo inteiro.

Enquanto Buell trabalhava nas charges e tirinhas originais, as HQ's ficaram por conta da dupla Stanley / Tripp. Fizeram o que, como outros já devem ter esctrito por aí, um clássico para todas as idades.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Conrad lança em setembro "Laertevisão - Coisas Que Não Esqueci"



Em setembro tem mais Laerte na área. Diferente da antologia noticiada no post abaixo, "Laertevisão - Coisas Que Não Esqueci", trata-se de material inédito de Laerte Coutinho, baseado nas memórias de infância do cartunista nascido em São Paulo, no ano de 1951.

No começo, era uma TV preto-e-branco valvulada e meia dúzia de programas: Rin Tin Tin, Aventura Submarina, Lassie - e a Copa do Mundo de 1966. Tempo de guerra de mamona e bola de gude. Uma infância evocada com fotografias, desenhos e recortes de revistas, dispostos lado a lado com tirinhas novas, se bem que no clima de "túnel do tempo".

"Laertevisão - Coisas Que Não Esqueci" será lançado em 5 de setembro, e está em pré-venda no site da Conrad por R$ 46 (frete grátis).

terça-feira, 21 de agosto de 2007

"Piratas do Tietê" em edição definitiva



FEIOS, SUJOS E MALVADOS: OS PIRATAS VOLTAM EM GRANDE ESTILO

Os Piratas do Tietê estão de volta, em antologia de luxo produzida pela joint venture das editoras Devir Livraria e Jacarandá. A trupe alucinada respondem pelos personagens mais populares do paulista Laerte Coutinho, um dos melhores desenhistas e roteiristas de humor do Brasil. Se é que existe receita em seu trabalho, ela está em juntar elementos (personagens ou situações) absurdos num pano de fundo que retrata a realidade cotidiana de São Paulo, o que resulta em pérolas do nonsense gráfico.

"Piratas do Tietê - a saga completa" (R$ 52), chega às lojas em três volumes capa dura. A edição e projeto gráfico é de Toninho Mendes, também responsável pela reedição da Antologia Chiclete Com Banana.



O lançamento em São Paulo está marcado para 31 de agosto, sexta-feira, às 18h30, na Livraria Cultura (Conjunto Nacional - Av Paulista, 2073). Desde o começo da semana, a Devir mantém em seu site um preview da obra.

O primeiro volume consiste de sete histórias publicadas originalmente nas revistas Chiclete Com Banana, Circo e Piratas do Tietê, que tiveram um título próprio no início dos anos 90 (14 edições, e mais de 150 mil exemplares vendidos). Duas bônus-track acrescentam brilho ao livro: o storyboard para o desenho animado dos Piratas, e um perfil de Laerte, escrito por Marcelo Alencar.

Os próximos volumes trazem como extra o texto integral da peça "Piratas do Tietê, o filme" e um pôster colorido dos personagens.



PIRATAS DO TIETÊ: A SAGA COMPLETA - VOLUME 1
Formato: 21,0cm × 28,0cm
Estrutura: 112 páginas coloridas + PB em papel off-set 120g
História e Arte: Laerte
Preço: R$ 52

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Conrad lança HQ "Epiléptico"



A Conrad acaba de lançar Epiléptico, uma HQ autobiográfica do desenhista francês David B. Considerada uma obra-prima pela crítica, ela conta a experiência familiar do artista quando criança, em enfrentar a epilepsia de seu irmão mais velho. Em breve, mais detalhes aqui no Quadro Mágico.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

sábado, 30 de junho de 2007

Hoje tem novos lançamentos da Livrinho de Papel Finíssimo (Recife)



Corrigindo (e detalhando) o post abaixo:

"Hai-Kaidos Volume 2", de Samuca e Ricardo Mello, será lançado hoje, às 16h, no Bar do Lula (Rua Padre Roma, 722, Parnamirim). Vale a pena visitar o blog do projeto.

Na tarde de hoje, ele estará à venda por R$ 5. Camisetas confeccionadas com reproduções dos textos e desenhos serão vendidas por R$ 15,00. Um kit com livreto, camiseta e mini-pôster sai por R$ 20.

Já o livro de João Lin (sem título) e outro, de Fernando Duarte, ("Corte Digitao"), serão lançados hoje, às 20h, no Bar do Biu (Rua do Sossego, 144, Boa Vista). O preço de cada um é R$ 5.

Se trata de 34 desenhos aditivados por comentários de vários amigos. Entre as participações ilustres estão a dos artistas Clériston, Fábio Zimbres, Neilton (guitarrista do Devotos), Renato Valle, Públius (da banda Azabumba e Forró Rabecado), Rosinha Campos e Braz Marinho.

Os livros estão sendo lançados pela editora Livraria de Papel Finíssimo, o coletivo que produz revistas, livros e zines a baixo custo.

É exemplar ver artistas de porte como os acima publicando material nesse sistema faça-você-mesmo, quase artesanal. Uma luz para que outros, por falta de patrocínio, não deixem seu material parado na gaveta.

Abaixo, reproduzo matéria publicada no Diario de Pernambuco de hoje:

Pequenos prazeres ilustrados
Livretos de João Lin, Fernando Duarte e a dupla Samuca e Ricardo Mello devolvem a graça das velhas (e boas) impressões na máquina xerox
Júlio Cavani
DA EQUIPE DO DIARIO

"É importante que existam publicações de luxo com produção cara, mas para fazer um bom trabalho não é preciso patrocínio ou leis de incentivo". Esse pensamento do artista plástico Fernando Duarte expressa bem o espírito independente dos três livros de bolso que são lançados hoje no Bar do Biu, impressos com qualidade em uma máquina de xerox, no lema do faça você mesmo. Junto com ele, o desenhista João Lin e a dupla Samuca & Ricardo Mello também criaram seus livretos ilustrados.

Para fazer seu livro, que não tem título, Lin produziu um conjunto de 34 desenhos e pediu para amigos escreverem textos espontâneos que expressassem impressões e sentimentos provocados pelas imagens. Seus traços, que combinam técnicas artesanais e digitais, sem deixar aparente onde começa e onde termina cada uma, são econômicos e labirínticos e se concentram no potencial poético da linha preta sobre fundo branco (e vice e versa).

Entre os convidados que participaram do livro com palavras, que mesmo assim ficaram bastante visuais, estão Clériston, Fábio Zimbres, Neilton, Renato Valle, Públius, Rosinha Campos e Braz Marinho. Em cada página, Lin apresenta um personagem novo, com corpos e rostos cujas formas traduzem seus estados de espírito.

Corte digitao, de Fernando Duarte, é uma espécie de caderno de anotações do artista. Se seus quadros já costumavam ser divididos em retângulos preenchidos por pequenos desenhos, o formato limitado da publicação ficou perfeito para seus seres imersos em reflexões sobre a vida cotidiana e as questões essenciais do ser humano.

Oportunidade - A liberdade de expressão é o que mais chama atenção em Corte digitao, que se parece com um diário de esboços. Fernando diz que está com pouco tempo para produzir seus quadros, mas não pára de desenhar e tem centenas de imagens para mostrar, então o recurso do livrinho se mostrou oportuno para compartilhar essa produção com o público. Só de rostos, o artista tem um caderno com mais de 200. Ele diz que não conseguiria ser cartunista porque seu traço é solto demais e nãosegue regras de organização narrativa.

Hai-kados 2, de Samuca (desenhos) e Ricardo Mello (texto), é formado por ilustrações simples que acompanham poemas simples. A lógica da economia de informações que se abre para múltiplas interpretações se manifesta tanto nas imagens quanto nos versos. Seus pequenos poemas ilustrados são como lampejos de idéias mínimas que podem se maximizar nas interpretações do leitor. Juntos, eles dois já fizeram sete livros, incluindo o primeiro Hai-kados.

"A gente só tá fazendo isso porque rolou uma ação coletiva. Cada um no seu canto não faria esse negócio", admite Lin. Os três trabalhos foram impressos pela Livrinho de Papel Finíssimo Editora, que funciona na mesma Rua do Sossego onde se localiza o Bar do Biu. A noite de autógrafos começa às 20h, mas antes, às 16h, Samuca e Ricardo também lançam Hai-kados 2 no Bar do Lula, em Parnamirim. Além de assinarem os livros, todos eles prometem fazer desenhos nas contracapas para tornar único cada exemplar.

Serviço
Lançamento dos livros de João Lin, Fernando Duarte e Samuca & Ricardo Mello
Quando: Hoje, às 20h
Onde: Bar do Biu (Rua do Sossego, 144, Boa Vista)
Informações: 3222-6422

Lançamento de Hai-kados 2, de Ricardo Mello & Samuca
Quando: Hoje, às 16h
Onde: Bar do Lula (Rua Padre Roma, 722, Parnamirim)
Informações: www.hai-kados.blogspot.com