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domingo, 5 de julho de 2009

Um clássico no banco do réus



A polêmica em torno de livros adotados como material paradidático nas escolas públicas tem se estendido para publicações em quadrinhos. Há dois meses, uma onda de acusações inflamadas está colocando em dúvida a validade de certas obras no ambiente escolar. As mais recentes dizem respeito à títulos do norte-americano Will Eisner, recomendadas para alunos do ensino médio pelo Ministério da Educação, através do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). No Rio Grande do Sul, Um contrato com Deus, O sonhador e O nome do jogo foram recolhidos das bibliotecas do ensino público estadual, sob acusações de conterem cenas de sexo e violência. Em São Paulo foram feitas denúncias semelhantes, sem que as obras fossem retiradas das prateleiras.

Na edição da última quarta, o jornal popular paulistano Agora trouxe como uma das chamadas de capa "MEC distribui livro com pedofilia para alunos de 11 anos". "Fiquei horrorizada", diz uma professora do ensino fundamental, sobre oconteúdo de um dos livros. Na mesma matéria, o MEC afirma que manterá os títulos no acervo. Maria do Pilar, secretária de educação básica do ministério, não só defende o uso como material complementar de leitura das obras questionadas, como afirma que ele deve ser supervisionado por bibliotecários, de forma a evitar o acesso de alunos fora da faixa etária especificada pelo programa (há diferentes listas para o ensino médio e fundamental).


Quem diria, Will Eisner sob acusações de pedofilia, sexo e violência

Lançado em 1978, Um contrato com Deus é uma obra consagrada e pioneira por estabelecer o conceito de graphic novel (narrativa gráfica) e apresentar relações humanas com a profundidade que merecem. Assim como os outros livros em questão, Eisner parte da experiência de ter crescido num bairro pobre e violento de Nova York. Os desenhos, que geraram controvérsia são basicamente dois: uma menina de dez anos levanta a saia para um adulto e cobra cinco centavos por isso; e um músico bêbado e desmpregado bate na esposa e joga o bebê no sofá. Logo após as situações se invertem: o homem se torna vítima da menina, que rouba seu dinheiro; e, arrependido, o casal se reconcilia no dia seguinte.



A reação de editores e artistas de quadrinhos foi imediata, e conta com uma carta aberta às autoridades de educação, assinada por cinco pesquisadores universitários, entre eles o professor Waldomiro Vergueiro, titular da ECA-USP. "Os argumentos em contrário tem se mostrado infundados, frutos de receio e não de fatos", diz o documento.

Rogério de Campos, diretor da Conrad, diz que este é um momento terrível para a liberdade de expressão no Brasil. "Importamos dos EUA a praga do politicamente correto, a indústria dos processos por supostos danos morais ou usos indevidos de imagem, e, por fim, a paranóia com crianças". Ele isenta gestores da educação pela "censura moral" em curso. "Estes estão sendo perseguidos por realizar uma de suas missões que é a de apresentar aos estudantes a produção cultural contemporânea. Os obscurantistas têm horror à cultura viva".

Leandro Luigi Del Manto, responsável pelos quadrinhos na Devir - editora que publica Eisner no país - crê que as obras estão servindo de "bode expiatório". "No Brasil, os quadrinhos sempre foram vistos com uma forma de arte menor, literatura barata ou 'higiene mental'. Justamente agora, que os quadrinhos conquistaram espaço nas bibliotecas públicas e as pessoas começam a olhar com um pouco mais de seriedade para essa forma de arte, algumas pessoas insistem em puxar o freio de mão e engatar a marcha à ré".

Em maio, outro caso envolvendo o uso de quadrinhos nas escolas ganhou atenção nacional, desta vez sobre o uso supostamente indevido de Dez na área, um na banheira e ninguém no gol (Via Lettera) nas escolas estaduais de São Paulo. Principal alvo político da polêmica repercutida na imprensa, José Serra classificou o livro como "um horror" de "muito mau gosto".

Dez na área... reúne artistas de reconhecimento internacional como Caco Galhardo e os gêmeos Fábio Moon e Gabriel Bá. Ele foi escolhido pela Secretaria de Educação de São Paulo a partir de um pacote de 80 títulos oferecidos pela editora. Após a polêmica, o livro foi novamente avaliado e nunca chegou às bibliotecas.

Ao contrário dos próprios autores, Roberto Gobatto, gerente de marketing da editora diz que não vê problemas no uso do livro nas escolas. Ele vê na situação uma caça às bruxas motivada por necessidades políticas. "Palavrões e comportamentos questionáveis podem e devem ser tratados em sala de aula", defende o editor. "Não foi dada a chance do livro ser compreendido como linguagem alternativa ou mesmo trabalhado como uma crônica sobre futebol, um universo vivido por qualquer menino que joga bola".

Coordenador da coletânea Domínio Público - literatura em quadrinhos, outro título selecionado pelo edital 2009 do PNBE, o pernambucano João Lin acredita que, se realmente há um equívoco, a solução está no processo de escolha do material. "Má adequação não é privilégio dos quadrinhos. Ela poderia acontecer com qualquer obra, como uma pintura. Por isso, temos que estar atentos. Acho que é papel do MEC não só recomendar, mas fiscalizar como os livros estão sendo utilizados".

Editores temem que prática se multiplique

De tempos em tempos, as histórias em quadrinhos vivem ciclos de perseguição. Nos anos 50, a paranóia anticomunista nos Estados Unidos culminou com o fechamento de várias editoras de HQs e a criação de um selo de aprovação por um conselho de ética. "Os quadrinhos foram obrigados por lei a serem inocentes, puros e bestas. Enquanto outras linguagens artísticas, como a literatura, o cinema e o teatro puderam continuar evoluindo, eles foram censurados de tal maneira que acabaram desistindo de suas ambições. Quando os anos 50 terminaram, quadrinhos eram bobagens que somente satisfaziam adolescentes masculinos e ingênuos", descreve Campos, da editora Conrad.

Mais otimista, Leandro Del Manto, da Devir, acredita que a polêmica será substituída assim que a mídia eleja a nova "pauta" da vez. "Tudo vai acabar perdendo a graça e, assim espero, alguém de bom senso colocará um ponto final".

Em 2006, o PNBE abriu espaço para publicações em quadrinhos. Desde então, o governo passou a ser um dos melhores clientes das editoras.Para elas, ter um livro selecionado pelo edital pode ser a salvação da lavoura. "É como fazer um best seller. E a vantagem não é só nossa. Com o aumento da tiragem, o preço diminui para o consumidor das livrarias", diz Gobatto, da Via Lettera.

"Não há nada no mercado de livrarias que atinja vendas comparáveis a essas", diz Campos. João Lin ressalta importância do edital como formador de público leitor de quadrinhos. "Os quadrinhos não existiam nas escolas. Foi um avanço compreender que como qualquer outra arte, eles são importantes para a formação dos jovens, tanto quanto outro gênero artístico".

Ao menos por enquanto, a Conrad não tem títulos listados no "index". Mesmo assim, Campos toma as dores das editoras que tiveram livros recolhidos. "Temo pelo que possamos regredir", coloca. "O que está em jogo não é o destino dos meus concorrentes, mas da indústria dos quadrinhos e da liberdade de expressão no Brasil. Em geral, os obscurantistas não são muito chegados à leitura, mas conseguem entender uma história em quadrinhos porque esta tem força decomunicação imediata. Se eles continuarem sua cruzada e se esforçarem para começar a ler livros de literatura, não vai sobrar muita coisa. Talvez cheguem à conclusão que o melhor seja proibir bibliotecas".

* publicado no Diario de Pernambuco, o texto acima faz parte da reportagem Não queime antes de ler, escrita em parceria com Thiago Corrêa

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

A História em quadrinhos*



Para os brasileiros, durante décadas, histórias em quadrinhos foram pouco mais do que um passatempo pueril. Com o tempo, e certo esforço das editoras, esse reducionismo provocado pela indústria dos comics norte-americanos foi sendo quebrado. Hoje, o mercado de HQs oferece bem mais do que super-herois, camundongos e outros bichos. Ele reflete uma produção mundial, que utiliza a linguagem peculiar dos quadrinhos para tratar de temas densos e nada engraçados, como a bomba de Hiroshima e o holocausto, apenas para citar dois grandes marcos: Gen, de Keiji Nakazawa, e Maus, de Art Spiegelman.

Após sua publicação, nos anos 1970, os quadrinhos históricos ganharam relevância não somente pelo compromisso social de relembrar fatos importantes do passado, mas pela evidente criatividade de seus melhores autores. De tempos em tempos, há uma onda de boas publicações do gênero, e estamos passando por uma delas. Recentemente, dois bons exemplares vieram à tona, calcados em fatos históricos que marcaram a América Latina no século passado. O primeiro é Chibata! - João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil, da dupla cearense Hemetério e Olinto Gadelha. O segundo é Che – os últimos dias de um herói, obra argentina produzida 40 anos atrás, logo após a morte do líder revolucionário.

Listado no index da ditadura argentina, a versão nacional para Che chegou somente mês passado, e preenche uma lacuna na bibliografia nacional. A HQ, criada por Hector Oesterheld e Alberto Breccia, é considerada uma obra prima não somente pelo caráter político-histórico, mas por narrar a trajetória do personagem com maestria no uso das técnicas de claro-escuro. Além disso, o próprio livro entrou pra história, ao vencer a cruel ditadura argentina. No entanto, o roteirista Oesterheld e todas as suas filhas foram presos, torturados e assassinados pelo regime dos generais. Ao longo do tempo, a dupla tem sido adotada como referência básica por gigantes como Hugo Pratt (criador da série Corto Maltese) e Frank Miller.

Os dois títulos foram lançados pela editora paulista Conrad Livros. “Durante mais de 50 anos, os quadrinhos foi a arte mais censurada do Ocidente. Como eram considerados uma coisa de criança, só se aceitava que tratasse de temas que os adultos julgassem adequados às crianças. Ainda hoje, qualquer quadrinho que trate de temas mais complexos que guerras intergaláticas ou brigas de patos são obrigados a trazer o aviso: ‘quadrinhos adultos’, mesmo que não tenham cenas de sexo ou excesso de violência”, diz Rogério de Campos, diretor da Conrad, que ostenta em seu catálogo outros capítulos da história mundial, como os conflitos no Oriente Médio e leste europeu narrados pelo jornalista gráfico Joe Sacco.

“Creio que os quadrinhos estão vivendo seu momento de libertação. A queda das vendas dos gibis de super-heróis e os outros gêneros tradicionais abriam espaço para outros tipos de quadrinhos. Veio também abaixo aquele muro de preconceito e ignorância que impedia muita gente de perceber que os quadrinhos são uma linguagem artística como outra qualquer, com os mesmos direitos e deveres”, reflete Campos.

Ele conta que a ideia de quadrinizar a Revolta da Chibata, episódio propositadamente obscurescido pela historiografia brasileira, partiu da própria editora. “Nos agrada pensar que Chibata! surgiu em parte como resultado desse trabalho da Conrad de mostrar que quadrinhos podem falar de qualquer tema”, provoca o editor. A aposta deu certo: o projeto é considerado pela crítica especializada uma das melhores HQs de 2008.

Parte do mérito veio da confiança depositada nos artistas convocados para a missão. “A Conrad foi corajosa, ao confiar nos nossos instintos e nos deixando em paz para trabalhar”, conta Hemetério, que desenhou as 244 páginas do livro. “A história brasileira é rica em fatos, mas pobremente documentada. E quando tudo vem à tona, sempre passa um quê de ranço oficial. Quanto mais houver pesquisas e questionamentos, mais os fatos poderão ser analisados à luz da crítica. Os quadrinhos nacionais podem ter um papel relevante nessa divulgação, desde que sejam divertidos e criativos, por exemplo, ao dar voz a quem a história oficial tentou calar, ou mostrar as coisas por outro ângulo”, pensa o artista.

Para ter acesso a informações sobre o levante liderado por João Cândido, o “almirante negro”, o roteirista Olinto Gadelha desenvolveu um cuidadoso trabalho de pesquisa, que se valeu de bibliotecas tradicionais à internet, que para ele foi ótima fonte iconográfica. “Um dos motivos que me atraíram foi o fato de que o público pouco sabe sobre o tema. A visão escolar é muito resumida, e isso simplifica a importância dos eventos de 1910. Por ter sido uma insurreição contra uma forte instituição nacional, e ressaltado o que havia de pior nas relações sociais e raciais da nossa sociedade, o tema sempre foi tratado com reserva. Nestes 98 anos desde os fatos, muitos que ousaram se pronunciar sobre os eventos foram perseguidos e censurados”, afirma Gadelha.

Para o desenhista, o sucesso das HQ sobre temas históricos está na busca dos leitores por melhores exemplos. “Nos faltam heróis. A história do nosso povo é cheia de distorções, ídolos fajutos, feitos atribuídos a quem teve pouca ou nenhuma relação com os mesmos, e muita gente heróica como João Cândido é deixada no esquecimento porque seus atos ou origens iam de contra-mão à norma estabelecida”.

Outro nome que tem se destacado no ofício das adaptações da história para os quadrinhos é o ilustrador, cartunista e quadrinista João Spacca de Oliveira. Nos últimos anos, ele produziu Santô e os pais da aviação, Debret - Viagem quadrinhesca ao Brasil e D. João Carioca, todos pela Companhia das Letras. “Tenho a impressão de que a HQ precisa desses e outros referenciais para ser melhor aceita. Tradicionalmente ela é fruto da indústria cultural, ou seja, é entretenimento descartável. Mas como nos filmes B de Hollywood, surgiram autores que se destacaram e conseguiram fazer evoluir essa linguagem ao estado da arte”, avalia Spacca.

Em meio a efemeridade da imprensa escrita, há que destacar a linha editorial do Diario de Pernambuco, que usa dos quadrinhos para aproximar os leitores dos fatos históricos recentes, como na premiada série sobre Lampião e o cangaço, com texto do jornalista Paulo Goethe e arte de Greg Holanda.

Neste processo em comum a todos os casos aqui descritos, a atualização de um passado “oficial” a partir do olhar de cada autor, os quadrinhos extrapolam a condição de objeto de entretenimento para assumir uma das funções sociais da arte: estimular o pensamento - e por que não? – a ação.

* publicado na revista Continente nº 98 - fevereiro/2009

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Fantasma da crise ronda quadrinho nacional


HQ // Com o mercado em ebulição, profissionais dizem que ano será de retração, mas algumas editoras preparam surpresas
André Dib // Especial para o Diario
andrehdib@gmail.com

Há 140 anos nascia a primeira história em quadrinhos produzida no Brasil: As Aventuras de Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte, série criada pelo italiano (depois naturalizado brasileiro) Angelo Agostini, e publicada no periódico Vida Fluminense.

Hoje, o caminho inverso foi percorrido: o artista brasileiro Rafael Grampá publicou sua primeira HQ no exterior, para depois conquistar a terrinha com Mesmo delivery (Desiderata), um dos melhores lançamentos dos últimos tempos. O trabalho de estréia rendeu prêmios, elogios e o convite para desenhar o personagem Constantine, criado por Alan Moore com roteiro do celebrado Brian Azarello.

O caso de Grampá contrasta com o espaço reservado à maioria dos autores nacionais, quase sempre espremidos entre editais públicos e a instabilidade de um mercado que investe em novos e promissores artistas, mas que pode estar entrando em recessão. A suspeita é baseada em indícios como o fechamento da Opera Graphica, que há pelo menos 15 anos publicou diversos autores brasileiros. Outros episódios preocupantes: a Conrad, uma das maiores editoras do ramo, teve parte das ações vendidas para poder seguir em frente; Cassius Medauar, responsável pelos quadrinhos da Pixel, pediu as contas ("Acabei não me encaixando mais nos planos da empresa", escreveu no seu blog); e o editor S. Lobo saiu do cargo que ocupava na Desiderata para criar a própria editora, a Barba Azul.

Para Gabriela Javier, atual editora da Desiderata, o ano será de muita cautela. "As empresas devem preferir projetos de retorno garantido, e o retorno financeiro dos quadrinhos ainda não é o mesmo que o de livros de prosa convencional. Espero que os prêmios - tanto os internacionais quanto o Jabuti conquistado pelo Fábio Moon e o Gabriel Bá pela versão em quadrinhos do Alienista - e a adoção pelas escolas públicas dessas publicações ajudem a rebater os efeitos dessa possível retração".

Indo pelo caminho inverso, a Companhia das Letras acaba de lançar o Quadrinhos e Cia, selo exclusivo para o gênero. Os planos são os melhores possíveis: ao lado das HQs Jimmy Corrigan, de Chris Ware, e American Born Chinese, de Gene Yang, serão lançados Jubiabá, adaptação de Spacca para o romance de Jorge Amado, e Cachalote, graphic novel de Daniel Galera e o Rafael Coutinho. "Acho que é um mercado novo, e há vários modelos a serem explorados. Estamos otimistas porque conseguimos uma série de títulos ótimos, porque as edições estão ficando muito bonitas. E porque acreditamos que há um público enorme que não lê quadrinhos, mas que, por inúmeros fatores, está muito mais aberto para começar", afirma o editor André Conti.

A postura otimista é compartilhada por Carlos Mann, ex-editor da Opera Graphica. Apesar da empresa ter fechado as portas definitivamente, ele acredita que a crise mundial afetará o mundo dos quadrinhos não a ponto de haver uma derrocada, mas sim, um resfriamento. "Esta visão fatalista a respeitode 2009 é, a meu ver, equivocada, pois coloca o foco em apenas um dos quadros do mercado brasileiro. Se, por outro lado, olharmos um panorama mais amplo de uma ou duas décadas, teremos uma análise menos pessimista e mais real. Nunca houve tantas editoras de médio e grande portes lançando quadrinhos, muito menos tamanha diversidade de gêneros, estilos e formatos", diz Mann. Apesar da transição acionária, a Conrad também guarda boas notícias: "temos muito material bom para lançar, e certamente o faremos ao longo de 2009", garante o coordenador editorial Alexandre Boide.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Pré-venda: Criaturas bizarras de outro planeta - Calvin e Haroldo



Criaturas bizarras de outro planeta é o quinto volume das histórias completas de Calvin & Haroldo. Criados em 1985 pelo cartunista norte-americano Bill Waterson, os personagens ganharam fama nas páginas de jornais do mundo inteiro. No formato álbum, venderam mais de 30 milhões de cópias.

Desde 2006, a Conrad Editora se dedica a publicar a versão nacional das aventuras da dupla, no ritmo de dois livros por ano, seguindo o formato original dos álbuns.

O livro só chega às lojas em novembro, mas já é possível reservar o seu no site da Conrad.

sábado, 23 de agosto de 2008

Um longo Despertar



Separações levam a pensar nas diferenças entre o antes e o depois de uma relação, e como a recente experiência será levada (ou o levará) até o fim dos dias. Agora que tudo terminou, não sou mais o mesmo, assim como vejo o outro - e o mundo - com outros olhos.

Neste mês de agosto se encerra a longa relação entre leitores brasileiros e a mais famosa criação do escritor inglês Neil Gaiman. Sandman - despertar (Conrad, R$ 69,90) é o décimo e último livro desta série em quadrinhos que marcou época, e que desde 2004 estava sendo republicada pela Conrad em definitivos volumes de luxo.



Até então, a série tinha sido lançada em 75 números no formato comics. No Brasil, a primeira edição data de 1989, pela Editora Globo. Naquela época (assim como hoje, talvez), não havia nada tão elaborado conceitualmente nos quadrinhos.

Sandman (Homem da areia) é um personagem da cultura popular européia, que sopra areia nos olhos para as crianças dormirem. Reinventado por Gaiman, ele assume a identidade de Lorde Morpheus, mestre do Sonhar, reino habitado por todos nós em algum momento da vida. Para saber mais sobre Sandman e seus irmãos Perpétuos, clique aqui.

Um universo paralelo certamente fantasioso, porém tão detalhado em nuances que parece real. Me lembro bem da minha primeira percepção involuntária dessa realidade não aconteceu enquanto lia a HQ, mas no ato corriqueiro de preparar uma comida. Naquele momento percebi que obras de arte são assim, permanecem vivas após o contato.

Para existir, uma relação precisa levar a lugares novos, neste caso, no mínimo, estranhos. De forma que o fim chega envolto de melancolia e certa resistência, como naqueles sonhos bons que, a despeito dos ânimos, insistem em terminar.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Delivery Service of Corpse - cliente morto não paga??



Em uma universidade budista de Tókio, alunos com habilidades paranormais abrem a empresa KUROSAGI, em japonês, serviço de entrega de corpos.

Clientes não faltam: cadáveres com assuntos pendentes entre os vivos. Procura grande, concorrência zero.

Esse é o enredo de Delivery Service of Corpse, mangá de Eiji Ohtsuka e Housui Yamazaki lançado este mês pela Conrad.


UM DOS CLIENTES DA PROMISSORA EMPRESA

Se trata de uma série de suspense e terror, com toques de humor negro.

O segundo volume se encontra em pré-venda no site da editora, ao módico preço de R$ 12,90.

Quem disse que cliente morto não paga??

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Retratos de Guerra - O Fotógrafo, de Didier Lefrève



A série francesa O Fotógrafo – uma história no Afeganistão, consagrada por trazer o testemunho sobre um país arrasado pela guerra, chega ao segundo volume de sua versão brasileira.

Seu valor não está somente nas fotografias que denunciam os absurdos belicistas, ou revelam as áridas paisagens do Afeganistão e a cultura de seu povo. Está na linguagem adotada para contar essa aventura de forma direta e fluida: a de história em quadrinhos.

O fotógrafo que dá título ao livro é o francês Didier Lefèvre.

Nos anos 80, ele acompanhou uma equipe da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em uma expedição de três meses ao Afeganistão. Com a guerra fria dominando o mundo, o País fora invadido por tropas soviéticas. Em rápida resposta, os Estados Unidos abasteceram os rebeldes com armas e suprimentos, o que alimentou uma guerra de nove anos (1979-1988).

Quinze anos depois, as fotos e depoimentos de Lefèvre serviram de matéria prima para Emmanuel Guibert e Fréderic Lemercier produzir uma história em quadrinhos diferente de qualquer outra.

Nela, os desenhos coloridos se intercalam com pequenas fotografias em seqüência, espalhadas pelas páginas, tecnicamente conhecidas como “copião”. Graças a ao “copião”, é possível eleger qual a melhor imagem e enquadramento para ampliação. É possível acompanhar esse processo ao ler o livro: as fotos marcadas com caneta vermelha indicam o trabalho de Lefèvre. Logo após, a fotografia ampliada dá a dimensão impactante de seu olhar.



Narrada em primeira pessoa por Lefèvre, O Fotógrafo chama a atenção para o corajoso trabalho das equipes da MSF, que muitas vezes arriscam entrar clandestinamente em países em conflito para cuidar de sua população.

Criada em 1971, a organização já atuou em dezenas de guerras, sendo o Afeganistão o primeiro país a receber um projeto de longo prazo. Atualmente, a MSF mantém 22 mil profissionais e em mais de 70países, inclusive o Brasil.

No primeiro livro, a caravana cruza infinitos vales e montanhas arenosas para oferecer serviços médicos às vitimas da guerra. Além das dificuldades enfrentadas, suas fotos em preto-e-branco registraram paisagens e costumes de um país predominantemente muçulmano.



Neste segundo volume, a expedição chega a seu destino: um precário casebre que servirá de hospital para toda a região de Zaragandara. No mesmo dia, pessoas surgem com diferentes problemas, de acidentes caseiros a ferimentos graves provocados pelo conflito armado. O dia a dia dos médicos não é fácil. A procura é grande, e as condições de trabalho são terrivelmente baixas.

Uma das melhores passagens do livro se dá quando o fotógrafo, impressionado com as baixas condições de higiene e a completa falta de estrutura do local, pergunta a um médico como é possível exercer a profissão em condições tão adversas como aquela.

“Gosto muito do progresso. Os scanners, os exames complementares... Ainda bem que eles existem! Mas, quando não existem, é preciso fazer sem eles. E aí você reaprende a ficar atento, a escutar um corpo, a interpretar um suor frio ou uma linha que está ficando azul. Você reaprende a essência da profissão”, responde o médico.

Ao contrário dos colegas médicos, esta foi a primeira visita de Lefèvre ao Afeganistão – ele retornaria ao País algumas vezes, inclusive durante a guerra provocada pelos atentados de 11 de setembro. Além disso, esteve em outros países acompanhando os MSF, como Libéria, Kosovo, Sri Lanka e Camboja. A atividade o tornou mundialmente conhecido.

Lefèvre morreu aos 49 anos, em janeiro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco. Algumas semanas antes, foi premiado pelo salão de Angoulême pelo terceiro e último volume de O Fotógrafo. Seu trabalho continua disponível na internet, através do site Digital Roads.

De acordo com a assessoria de imprensa da Conrad, O Fotógrafo Vol. 3 será lançado no Brasil ainda este ano.

FOTOJORNALISMO OU QUADRINHOS?
O Fotógrafo é um livro de fotojornalismo ou de quadrinhos? Por usar das duas linguagens de forma inédita, configura algo híbrido, quem sabe um novo produto de comunicação.

O jornalismo em quadrinhos é quase tão antigo quanto a imprensa. No Brasil do século 19, por exemplo, o pioneiro Ângelo Agostini denunciou abusos contra escravos através de desenhos legendados em seqüência nas páginas dos jornais.

Apesar da longevidade do gênero, reportagens em quadrinhos ganharam notoriedade a partir de 1992, quando Art Spiegelman, filho de judeus poloneses, ganhou o prêmio Pulitzer por Maus – relato de um sobrevivente.

O reconhecimento público trouxe à tona relatos de guerra em quadrinhos publicados anteriormente, como a série GEN Pés descalços¸ em que o japonês Keiji Nakazawa faz um emocionante relato sobre os absurdos da guerra e como sobreviveu à bomba de Hiroshima. E abriu caminho para uma nova geração, cujo maior representante é o jornalista e desenhista Joe Sacco. Entre seus livros estão Palestina – uma nação ocupada, Sarajevo e Área de Segurança: Gorazade, todos publicados no Brasil pela Conrad Editora, a mesma que agora traduz O Fotógrafo.

Por sua vez, a fotografia de guerra começa em 1854, na Guerra da Criméia, registrada pelo inglês Robert Fenton. A partir dos anos 1920, fotógrafos ganharam agilidade e mobilidade com as máquinas portáteis. Seu auge aconteceu no Vietnã – o maior exemplo é a imagem de uma garota correndo com o corpo queimado pelo napalm, que fez a opinião pública mundial voltar-se contra a ocupação norte-americana.



Ao contrário das atuais coberturas de guerra, em que notícias impessoais são produzidas à distância a partir de material de agências internacionais, o testemunho visualmente instigante de O Fotógrafo é mais uma prova de que os quadrinhos podem tratar temas complexos como a guerra com mais profundidade e humanismo do que na anestesiada grande mídia.

** originalmente publicado no Caderno B da Gazeta de Alagoas.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Conrad lança HQ "Epiléptico"



A Conrad acaba de lançar Epiléptico, uma HQ autobiográfica do desenhista francês David B. Considerada uma obra-prima pela crítica, ela conta a experiência familiar do artista quando criança, em enfrentar a epilepsia de seu irmão mais velho. Em breve, mais detalhes aqui no Quadro Mágico.

sábado, 30 de junho de 2007

Matéria sobre erotismo em quadrinhos no Diário do Nordeste (Fortaleza)



Hoje saiu uma matéria sobre erotismo em quadrinhos, com ênfase em "Lost Girls", de Alan Moore, no Diário do Nordeste, de Fortaleza (Ceará). Nela, o repórter DELLANO RIOS fala sobre os títulos recentemente lançados, como "Valentina", de Guido Crepax e "O Espinafre de Yukiko", de Frédéric Boilet, ambos editados pela Conrad Livros, e "Gullivera", de Milo Manara (Pixel Media).

Para ler a matéria, clique aqui.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Valentina, 42 anos, continua em ótima forma



O ARTISTA E SUA MUSA EM CARNE E OSSO, NOS ANOS 60

Desde 2006, Valentina, a obra prima de Guido Crepax está recebendo um tratamento de primeira categoria, com todas as suas histórias publicadas cronologicamente em livros de luxo publicados pela Conrad Livros. "Valentina 66-68", à venda desde a semana passada (R$ 55), é o segundo volume da série.

Desta vez, a sobrecapa do livro é também um pôster gigante duplo (64 x 84 cm): de um lado, o mapa dos Subterrâneos onde se passa a primeira história do álbum, e do outro uma montagem com as melhores imagens da heroína.

São 152 páginas de alucinação e erotismo, em que um visual muito maneiro compensa a falta de consistência do roteiro. Ou seja, o conteúdo de Valentina é sua forma. O prazer de folhear um trabalho do italiano Crepax (1933-2003) está justamente em curtir seu traço refinado, hoje considerado um clássico da arte do século 20.



Em 2005, em comemoração aos 40 anos desta verdadeira pin up, a editora Opera Graphica publicou um estudo aprofundado sobre esta que é uma das maiores musas da nona arte, "Desnudando Valentina", um estudo do pesquisador paulista Marco Aurélio Lucchetti.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Matéria sobre "A Relíquia" (de Eça de Queiroz) em quadrinhos, na Folha de Pernambuco de hoje



Hoje saiu uma matéria minha na Folha de Pernambuco. É sobre o lançamento de A Relíquia, romance de Eça de Queiroz, adaptado para os quadrinhos por Marcatti. Nas lojas ainda este mês. Leia entrevista feita com o artista pelo Quadro Mágico aqui.

terça-feira, 24 de abril de 2007

Leia "Vagabond vol.12" no Dia do Samurai!



Feliz Dia do Samurai!

24 de abril é o dia do samurai. A data faz parte do calendário oficial das cidades de São Paulo (desde 2005) e Ribeirão Preto (desde 2006). Ela foi criada em homenagem ao Sensei Jorge Kishikawa, fundador do Instituto Niten, considerada a maior escola de cultura e técnica samurai fora do Japão.

Para comemorar no mundo dos quadrinhos, a Conrad lançou esta semana o 12º volume da série Vagabond (212 páginas, R$ 27,90), de Takehiko Inoue. A edição de luxo da história de Musashi é um dos melhores e mais longos trabalhos contínuos da editora paulista.

Desenhado com primazia de detalhes, o mangá tem pouca conversa e muita contemplação, intercalada com lutas violentas. Uma narrativa fluente, que prende o leitor até o a última página.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Literatura em quadrinhos: Marcatti revela como adaptou Eça de Queiroz



Assim como muitos, fui apresentado ao trabalho do grande Marcatti nos idos de 1986, folheando a revista Chiclete Com Banana. Diferente da acidez de Angeli e do pastelão de Glauco, suas HQs faziam comédia de humor negro com todo tipo de perversão sexual e escatológica. Ou seja, com treze anos, aprendi que uma história em quadrinhos pode ser uma coisa bem suja.

Corta pra 2006. Marcatti surpreende ao lançar "Mariposa" (pela Conrad), história longa e trágica de um triângulo amoroso, em formato livro, capa e papel especial. Bem diferente do papel jornal da chiclete ou da revista em quadrinhos que lançou nos anos 90, Fráuzio. Até agora, foi o melhor tratamento dado a um trabalho seu.

Digo até agora porque a Conrad está rodando "A Relíquia", em que Marcatti adaptou para os quadrinhos o romance do escritor português Eça de Queiroz (1845-1900). O resultado são 186 páginas de quadrinhos, produzidas em 17 meses de trabalho. O lançamento será ainda neste semestre.




Pelos desenhos, dá pra sacar que vem por aí material de primeira qualidade.

Na entrevista abaixo, Marcatti falou para o Quadro Mágico sobre o processo de recriação de "A Relíquia", e suas impressões sobre quadrinhos e literatura. Ao que parece, ele deu um tempo na escatologia explícita para se dedicar à obra de Eça de Queiroz, de acordo com Marcatti, uma corrosiva crítica à burguesia católica do século 19.

ENTREVISTA // MARCATTI
"Foi a mais longa e trabalhosa HQ que já fiz"

Qual o motivo da escolha de "A Relíquia"?

Foi sugestão da Conrad a adaptação da obra de Eça de Queiroz através do meu trabalho. O Alexandre Linares enviou-me uma cópia de "A Relíquia" deixando-me completamente à vontade para fazer da forma que eu quisesse. Essa liberdade permitiu que eu tomasse todas as decisões a respeito. Mesmo assim, acabei por optar em fazer a adaptação buscando o máximo de fidelidade. Eu nunca havia lido qualquer livro do Eça e fiquei muito impressionado com sua força e, em muitos casos, com a ousadia com que ele abordou a burguesia católica do século 19!

Fale um pouco sobre o método adotado na "tradução" para a linguagem dos quadrinhos. Foi algo pré-estabelecido, ou mudou no desenrolar do trabalho?

De início, fiquei preocupado. Uma obra clássica com longos trechos que, apesar de contundentes e fascinantes, pouco tinha de cenas e movimentos que dessem fluência na linguagem das HQs. Minha solução foi utilizar e embutir essas magníficas observações do Eça de Queiroz dentro das cenas e das condutas das personagens. Fiz com que suas atitudes e comportamentos tentassem traduzir a carga corrosiva das críticas do autor. Foi tudo construído na fase de desenvolvimento do roteiro. Decidi que só começaria a desenhar quando eu tivesse definido completamente a mecânica narrativa.

Pensar um romance em imagens deve pedir muita imaginação e pesquisa. Como foi o seu processo de criação?

A maior parte da pesquisa que fiz foi em relação a arquitetura e o vestuário comuns em Portugal do século 19. Transformar o livro em imagens é que foi mais trabalhoso. Primeiro anotei somente as cenas do livro. Em separado, fiz um resumo conceitual do livro. Um resumo bem pequeno, quase uma resenha. Apenas para registrar o foco geral do livro. Como se eu tivesse perguntado diretamente ao Eça: "Que tipo de reação você esperava das pessoas que leram essa obra?". Infelizmente, coube a mim dar a resposta. Mas foi justamente esse ponto de vista que alicerçou e orientou toda a recriação das cenas. Gostei bastante dessa experiência e fiz com tanto prazer que nem parece que levei 17 meses nessa adaptação.

Deve ter sido o teu quadrinho mais trabalhoso, não?


De fato, foi a mais longa e trabalhosa HQ que já fiz. Mas, eu não sinto isso. Quando olho as datas que coloquei em cada uma das páginas originais, eu fico surpreso. Tenho realmente a sensação que fiz tudo em pouco mais de 2 meses. Foi uma lição! O Eça é uma escola. Acho que, se não fosse por esse trabalho, eu precisaria fazer mais umas 10 histórias para aprender tudo o que aprendi fazendo "A Relíquia".

Na sua opinião, os quadrinhos compreendem um gênero literário?

Sempre pensei em HQ como forma literária. Para mim, não faz nenhum sentido a distinção entre "literatura e quadrinhos". Soa-me estranha a expressão. Acredito que a forma pouco respeitosa como os norte-americanos enxergam a linguagem das HQs, somada a indiscutível influência cultural que exercem sobre o resto do planeta, contribuiu muito para essa distinção. Enquanto na Europa muios autores de HQ são reverenciados como gênios literários, a maioria dos grandes nomes da HQ norte-americana têm esse reconhecimento graças muito mais pelo sucesso comercial.

Tal como subdividir em prosa, verso, conto, novela etc, HQ é uma forma de exercer literatura. Caso contrário é o mesmo que fazer a distinção entre "conto e literatura".

domingo, 25 de março de 2007

Lançamento do livro Frank Zappa - Detritos Cósmicos

Pra quem mora em São Paulo, a Conrad Editora convida para uma noite de autógrafos, com a presença de Fábio Massari e outros participantes da coletânea. Mais informações no post abaixo.

Lançamento do livro Zappa – Detritos Cósmicos
Quando: 29 de março (quinta-feira), a partir das 19h30
Onde: Livraria da Vila
Endereço: Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena – SP/ SP
Entrada franca

quinta-feira, 15 de março de 2007

Artistas pernambucanos em homenagem a Frank Zappa

A Conrad Editora acaba de publicar uma coletânea sobre Frank Zappa, "Zappa - detritos cósmicos", organizada por Fábio Massari, o crítico e pesquisador musical fissurado pelo guitarrista amalucado e bigodudo falecido em 1993. Longe do saudosismo "ah, que falta ele nos faz", o livro tem a participação de 38 músicos, escritores, jornalistas e artistas gráficos, entre eles Fernando Bonassi, Wander Wildner, Cláudio Tognolli, Angeli, Caco Galhardo, Alan Sieber, o bluseiro André Chrstovam, Rogério Skylab, e os pernambucanos Neilton (guitarrista da Devotos), Flavão e João Lin (do coletivo de ilustradores Ragú).

"Recebi o convite através de Neilton. O Massari, que conhece a Ragú, pediu para Neilton entrar em contato comigo, Flavão, Mascaro e Amaral (do Piauí). Topei de primeira, porque também gosto da música do Zappa, não conheço profundamente, mas curto muito o espírito de experimentação e o humor corrosivo da músca dele", disse João Lin, a este blog, para o qual enviou o nada careta desenho com o qual participa da coletânea:



Abaixo, a HQ de Alan Sieber (clique para ampliar):