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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Lundu nº3 traz galinha guiné, metalinguagem e autocrítica por Anaíra Mahin



Imagens da revista Lundu nº3.

Feita no melhor estilo do-it-yourself ("formatinho", xerox pb, independente, 26 páginas, R$ 3) por Anaíra Mahin.

Cresceu com relação aos números anteriores, que têm o formato de bolso.

A revista tem apenas uma história, protagonizada por Guiné, uma galinha de angola estudante de ciências sociais.



Foi criada durante a edição recifense do 24HCD, um concurso global cujo desafio é criar a melhor HQ de 24 páginas, em até 24 horas. Anaíra participou, mas sua história não convenceu o júri do evento. Mesmo assim, publicou seu trabalho por conta própria, na Lundu.

O sufoco para Anaíra cumprir o prazo do concurso foi tão grande que ela dividiu isso com o leitor.


METALINGUAGEM POUCA É BOBAGEM

Os acessos de autocrítica torna o todo ainda mais interessante:


Para comprar um exemplar, basta escrever para anaira.mahin@gmail.com .

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Shiko, o samurai dos quadrinhos



É difícil definir os desenhos e pinturas de Shiko. Sua arte desprovida de moral e bons costumes é imprevisível e prazeirosa como um solo de jazz.

A primeira vez que li sobre ele foi no site colaborativo Overmundo. Nas duas matérias (aqui e aqui) Desenhos que enchem os olhos e os textos quase reverentes, mais um acalorado e indiscreto debate nos comments, me levaram a crer que o cara deve ser mesmo uma figura.

Logo depois, minha amiga Leda me deu um toque sobre ele, elogiando bastante. Depois, outra amiga, a Rosana. A mesma coisa.

Pelo que disse naquelas matérias, ele não gosta de ser chamado de artista plástico. Mas o que dizer de quem cria com grafite, tatuagem, escultura, pintura em tela, fanzine, grafismos, animação e HQ??

Seu universo quase sempre auto-referente é um emaranhado de derivações sensoriais e perceptivas. Generalizando um pouco mais, Shiko não abre mão do sexo-drogas-rock’n’roll: amplia para jazz, literatura e cinema. Em seu fanzine, adapta contos de Albert Camus, Giovani Papinni e uma música da banda pernambucana Mundo Livre. Mulher Honesta, adaptação de um post do blog de Xico Sá, é seu projeto mais recente.

Um de seus temas conhecidos (e vendidos) é a série de telas a óleo com uma releitura erótica de Olívia Palito, a namorada de Popeye, seminua num balcão de bar.

Meses atrás Shiko publicou o que considero a melhor HQ nacional de 2007 (e olha que o ano nem terminou): Blue Note.



Projeto assinado em parceria com Biu (poeta e escitor), Blue Note conta a história de um rapaz que sai do interior paraibano (a pequena Rio Tinto, cidade natal de Biu), para se entregar à toda sorte de paixões.

Auto-proclamada "obra fonográfica", esta desconcertante "experiência emocional executada ao vivo" trata-se de uma narrativa não-linear, cuja carga poética é aditivada de referências do jazz, blues, rock e também do cinema – há cenas retiradas de Cinema, Aspirinas e Urubus.

Há também uma seqüência inteira de “Amarelo Manga, analisada com maestria pelo crítico Kléber Mendonça como "o plano detalhe do sexo feminino via saia levantada, imagem que filmada ou desenhada fecha as relações produtivamente promíscuas entre a imagem em movimento e aquela que sugere ação" (revista Continente Multicultural / setembro de 2007).

Natural de Patos, Francisco José de Souto atualmente mora em João Pessoa. Virou Shiko quando morava em Brasília trabalhando com publicidade. Lendo um mangá, ele aprendeu que shiko é a palavra que define a área de alcance de uma espada samurai. Como já havia outro Chico no mercado de lá, resolveu adotar o codinome japonês.



Na Paraíba, Shiko é talento reconhecido. Expõe em eventos de arte; teve seu Marginal Zine publicado como coletânea pela editora independente Marca de Fantasia; teve Blue Note patrocinado pelo Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, mantido pelo governo da Paraíba; e está desenvolvendo um videoclipe de animação para os parceiros da Chico Correia Eletronic Band.



Fora do estado ele ainda é uma novidade, e aos poucos vai ganhando terreno. Mês de julho, Flora recebeu o prêmio de melhor HQ no concurso Alfaiataria de Fanzines; no mesmo evento, Blue Note recebeu menção honrosa na categoria publicação independente.

A seguir, uma seleção de cenas de Blue Note.

Se, como dizem seus conterrâneos, Shiko está somente começando, o que está por vir realmente deve ser de outro mundo.








sexta-feira, 8 de junho de 2007

Fanzines e Fanzineiros, Recife-Fortaleza : Debate em Casa Amarela (Recife)

Yuri Brusky convida:

Debate com fanzineiros em Casa Amarela

"Fanzines e Fanzineiros, Recife-Fortaleza. Discutir formas de organização e trocar experiências de comunicação alternativa é o objetivo do encontro que acontece a partir das 14h desta sexta-feira (8), na Biblioteca de Casa Amarela.

O bate-papo terá como ponto de partida o exemplo de Fortaleza, um dos principais pólos de fanzineiros no Brasil, não só pelo volume de produção como também pela realização mensal, há cinco anos, do encontro Zine-se. Para falar do assunto, estará presente a fanzineira e oficineira Fernanda Meireles, diretora da ONG cearense Zinco (Centro de Estudo, Pesquisa e Produção em Mídia Alternativa). Ao final do debate com Fernanda, será exibida a terceira edição do "Arquivo Geral Vídeo-Zine", dos paulistas José Nogueira e José Salles.

FANZINE - publicação independente feita por uma só pessoa ou pequenos grupos, o fanzine surgiu na década de 1930, nos Estados Unidos, como alternativa para a publicação de novos autores de ficção científica. Agregando recursos e temáticas, os zines atuais usam diferentes suportes e abordam os mais variados temas, como música, política, poesia e cotidiano."

Fanzines e Fanzineiros, Recife-Fortaleza
08 de junho (sexta-feira), 14h
Biblioteca Popular de Casa Amarela - R. Major Afonso Leal, s/n.