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sábado, 16 de julho de 2011

Um poeta no cinema



Irandhir Santos se supera a cada papel. Em Febre do rato ele brilha como um poeta em estado convulsivo, que trata os seus com generosidade e olha para o Recife com a indignação de quem não se curva perante a falta de amor que assola a cidade. “Com os poros abertos”, como diz em entrevista exclusiva ao Diario, ele é o grande condutor emocional do filme. Nele, a poesia flui, intensa, primeiro de sua atitude, depois nas palavras, preciosas, caudalosas, escritas pelo roteirista Hilton Lacerda.

Não é a primeira vez que o ator é premiado em Paulínia. Em 2009, Irandhir se destacou pela atuação em Olhos azuis, de José Joffily. Depois disso, projetou-se nacionalmente em Besouro, Quincas Berro D’Água e Tropa de Elite 2. No entanto, depois da experiência à flor da pele vivida em Febre do rato, o ator diz que precisa refletir sobre os próximos projetos. “Quero estar em histórias que façam diferença, que possam tocar”. Um deles é Tatuagem, de Hilton Lacerda, que começa a ser rodado em novembro no Recife.

Em Febre do rato, você está em transe constante. Como foi viver Zizo?
Foi uma experiência arrebatadora e desafiadora. Sempre procurei ser sincero no que faço, mas esse trabalho foi especial. Tenho o máximo de cuidado entre um trabalho e outro, estava acabando o filme de Kleber Mendonça (O som ao redor) e confesso que a entrada do Zizo foi algo inesperado e assustador. Mas depois de ler o roteiro começou o encantamento, a possibilidade de me enxergar de outra maneira. Tinha pouco tempo e queria o máximo de referências. Então determinei: “Irandhir, mergulhe, vá atrás, se deixe envolver”. Quando saí de Olinda para a edícula que Renata Pinheiro construiu, foi um jogo de abertura de poros, de sentimentos e de atenção máxima para procurar o que iria me ajudar em tão pouco tempo. Precisava de segurança, num projeto em que a improvisação é igualmente importante. Ao mesmo tempo, enquanto Zizo construiu o mundo dele, quando ia pra fora, no mundo real, ele precisa transformá-lo.

O filme é baseado em texto de Hilton Lacerda, 100% recitado por você. Como chegou ao domínio da palavra?
Quando vi o grande volume de poesia, quis me apropriar, mas percebi que não conseguiria, porque os poemas não eram meus. Precisei me aproximar do Hilton para compreender. Ele falou da origem de cada poema, foi algo tão generoso e aberto que tive acesso ao sentimento primeiro que o despertou. Peguei isso pra mim, a partir dali me aproximei dos poemas. É interessante porque já fiz um poeta, o Quaderna em A Pedra do Reino. Mas foi diferente, porque ele partia da palavra para o mundo, enquanto o Zizo tem uma postura diante do mundo, para somente então escrever os poemas. Por isso, antes tive que investir na atitude.

Que referências você usou para compor o personagem?
Dos poetas dos anos 1970 e também os atuais: Lirinha, Otto, Miró. E a música do Ave Sangria, que quando ouvi tocando no camarim, fez um “clic”: esse será o meu embalo.

Como foi a experiência de atuar com o corpo nu?
Profissionalmente, nunca fiquei sem roupa a ponto de atuar sem perceber isso. Foi um processo de abertura sincera, até para denunciar o que doía. Não é um exercício fácil, você se expõe. Confesso que sou muito retraído, observador, isso faz parte do trabalho de ator. Mas uma gama de coisas foi acontecendo e me direcionando a favor para a construção de um mundo. Se no quintal da casa de Zizo ficava à vontade sem roupa, na rua, mesmo vestido, me sentia nu.

A impressão que o filme passa é que ele é apenas uma amostra da vivência do elenco e equipe. Que boa parte do que rolou ficou de fora da edição ou nem mesmo foi filmado.
Foi exatamente isso que aconteceu. Uma intimidade foi construída para chegar ao estágio do filme. Na casa de Zizo, reorganizei tudo do meu jeito. Sabia onde estava cada caneta, livro, quadros. Quando ia para a pousada dormir era o momento de refletir, repensar o dia.

E o que ficou do Zizo, depois das filmagens?
Zizo, seus amigos são quem eles são, não existem máscaras ou barreiras. A maneira como ele encara a paixão arrebatadora por Eneida (Nanda Costa), se deixa levar por isso, se atreve. Pessoalmente, isso me reaproximou da minha família. E me fez refletir sobre os próximos projetos, que histórias quero participar como artista. Cláudio Assis tem muito a falar, seu cinema tem muita importância. Isso mexe no senso de julgamento para os próximos.

Em breve será lançado o longa O som ao redor, de Kleber Mendonça Filho. Como foi trabalhar nesse filme?
Sou fã absoluto de Kleber, mas através de amigos, sempre soube que ele nunca gostou de trabalhar com atores. Mas o encontro aconteceu, foi uma descoberta de ambos. O Kleber é um “ouvido ambulante”, escuta o que você acha do filme, processa e te devolve na medida correta. Ele promove a confiança e é genial porque aquilo faz parte de algo maior, uma coletividade. E ele tem algo em comum com Cláudio, a inspiração pelo Recife, o mote para tratar sobre o crescimento desordenado da cidade.

Fale um pouco sobre Tatuagem, seu próximo trabalho.
Fui convidado no começo do ano e há dois meses recebi o roteiro. Tenho conversado com o DJ Dolores sobre as músicas que serão dançadas e cantadas no filme. Serei o protagonista, Clécio, o cabeça de um grupo de teatro performático, que adora a arte da representação, o transformismo. Apesar dos parcos recursos, ele monta uma companhia e vive disso. Ele vive uma história de amor com outro cara, de mundo supostamente diferente do dele. Tudo se passa na década de 1970, mas o filme fala das condições dos artistas de hoje.

(Diario de Pernambuco, 16/07/2011)

Febre do rato contagia Paulínia


Premiado em oito categorias, o longa-metragem pernambucano Febre do rato saiu consagrado do 4º Festival Paulínia de Cinema. Em atitude ousada, o júri formado pela atriz Denise Weinberg, a diretora de fotografia Heloisa Passos, a crítica de cinema Isabela Boscov, o documentarista Gustavo Moura e o diretor Sérgio Rezende contrariou as expectativas de que um filme mais convencional seria contemplado – havia dois bons candidatos, os “filhos de Paulínia” O palhaço, de Selton Mello e Trabalhar cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra. Incorporar a irreverência da trupe de Febre do rato faz bem para a imagem do festival, que em apenas quatro anos, já é um dos maiores do país.

Na noite de quinta-feira, Febre do rato ganhou oito prêmios: melhor filme (júri oficial e crítica), ator, atriz, fotografia, montagem, direção de arte e trilha sonora. Apesar de sóbria, a cerimônia marcada por palavrões. O famoso bordão de Cláudio, “do c...”, foi repetido inúmeras vezes, inclusive por Selton Mello, ao receber o prêmio de melhor diretor. E também pelo secretário de Cultura, Emerson Alves, ao fazer o balanço do evento, que por sete dias atraiu 12 mil pessoas (27 mil, com os três dias de shows do Paulínia Fest). “Precisamos respeitar esse público. Provamos que ele pode encher os cinemas que passam filmes nacionais. Quanto à decisão do júri, ele poderia tomar a decisão mais simples e distribuir os prêmios igualmente. Mas com essa premiação, conseguimos o que todo festival quer. Ser o lugar onde diferentes vertentes podem se encontrar”.

Além dos oito troféus Menina de Ouro, a equipe de Febre do rato foi premiada com R$ 370 mil em dinheiro. Em resposta à pergunta recorrente sobre por que Paulínia, já que seu reduto tem sido o Festival de Brasília, Cláudio Assis responde: “quero encontrar o público, mostrar para ele que, quando se acredita numa ideia, podemos ir além e conseguir”.

Ao receber seu prêmio, a atriz Nanda Costa, invocou Clarice Lispector para descrever a experiência de ter feito parte da inflamada trupe de Febre do rato. “Depois do medo vem o mundo”. Zizo, o transbordante personagem vivido por Irandhir Santos, é uma homenagem a vários poetas, mas Xico Sá se lembrou do amigo de mesmo nome com quem andava nos anos 1980. “A diferença é que Zizo é feio e Irandhir, bonito”, disse o escritor, um dos responsáveis pelo argumento do filme. “O filme é ficção, mas funciona como documentário da minha geração, que frequentava o Beco da Fome. E atrapalhar a marcha do Sete de Setembro fazia parte da performance. Poesia é política. Glauber disse que isso seria demais para um homem só, por isso a dor. Nesse sentido, Febre é um pós-Terra em transe”.

No entanto, o momento mais emocionante da noite veio de Vladimir Carvalho, ao receber o prêmio de melhor documentário por Rock Brasília. Também premiado, seu irmão Walter Carvalho estava ausente por motivos de trabalho, mas agradeceu a Cláudio e a Vladimir, a quem chamou de poetas do cinema brasileiro. Em resposta emocionada, Vladimir disse que foi mais do que irmão de Walter, pois precisou criá-lo após a morte do pai. “Waltinho tinha apenas um ano de idade”. Com 50 anos de carreira, o diretor paraibano diz que o prêmio é uma injeção de ânimo. “Nem tudo são flores no nosso cinema. Há muita luta, muito que melhorar. No entanto, olho para Paulínia e vejo um oásis de esperança, de sinergia, de consequências positivas”.

* O repórter viajou a convite do Festival Paulínia de Cinema

Os premiados

Longa-metragem (Júri Oficial)

Melhor ficção
Febre do rato, de Cláudio Assis

Melhor documentário
Rock Brasília – era de ouro, de Vladimir Carvalho

Melhor diretor (ficção)
Selton Mello (O palhaço)

Melhor diretor (documentário)
Maíra Buhler e Matias Mariani (Ela sonhou que eu morri)

Melhor ator
Irandhir Santos (Febre do rato)

Melhor atriz
Nanda Costa (Febre do rato)

Melhor ator coadjuvante
Moacir Franco (O palhaço)

Melhor atriz coadjuvante
Maria Pujalte (Onde está a felicidade?)

Melhor roteiro
Selton Mello e Marcelo Vindicatto (O palhaço)

Melhor fotografia
Walter Carvalho (Febre do rato)

Melhor montagem
Karen Harley (Febre do rato)

Melhor som
Gabriela Cunha, Daniel Turini
e Fernando Henna (Trabalhar cansa)

Melhor direção de arte
Renata Pinheiro (Febre do rato)

Melhor trilha sonora
Jorge Du Peixe (Febre do rato)

Melhor figurino
Kika Lopes (O palhaço)

Prêmio Especial do Júri
Trabalhar cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra

Curtas (Júri Oficial)

Melhor filme
Tela, de Carlos Nader

Melhor direção
Gabriela Amaral Almeida (Primavera)

Melhor roteiro
Gustavo Suzuki (O pai daquele menino)

Júri da Crítica

Melhor ficção
Febre do rato, de Claudio Assis

Melhor documentário
Uma longa viagem, de Lucia Murat

Melhor curta
Tela, de Carlos Nader

Júri Popular

Melhor ficção
Onde está a felicidade?,de Carlos Alberto Riccelli

Melhor documentário
A margem do Xingu, de Damià Puig

Melhor curta
Café turco, de Thiago Luciano

(Diario de Pernambuco, 16/07/2011)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

A política dos corpos nus



Paulínia (SP) – A produção pernambucana Febre do rato encerrou a mostra competitiva do Festival Paulínia de Cinema de maneira inesquecível. Antes mesmo de o filme começar, durante os agradecimentos, Cláudio Assis deu o tom de alegre ousadia. Beijou toda a equipe na boca, inclusive os apresentadores Rubens Ewald Filho e Marina Person. Pediu ao público que estava no fundo do teatro que viesse para as cadeiras da frente, reservada ao elenco. “Meu elenco senta no chão. E pode chamar quem ficou lá fora. Tem lugar pra todo mundo. A gente faz cinema assim, com emoção, vontade”, disse. Falou palavrões. E ainda convidou a todos para dançar.

Certamente, em seus quatro anos, o festival nunca havia mostrado um filme assim. Exibido anteontem, o longa de Cláudio Assis elevou à enésima potência o nível da competição, até então dividida entre o existencialismo colorido de O palhaço e a visão impiedosa da classe média que degringola em Trabalhar cansa. Assim, além de apoiar a realização de novas produções, Paulínia se firma também como lançadora de filmes nacionais, de olho na vitrine (são 150 jornalistas) e nos prêmios (total de R$ 800 mil – R$ 250 mil para o melhor longa).

Selton Mello fez um belo trabalho como roteirista, diretor, co-montador e ator de O palhaço. Deve ficar com boa parte dos prêmios. Mas será uma injustiça se o júri não reconhecer o desempenho de Irandhir Santos como o poeta Zizo. Com emoções à flor da pele e uma fluidez verborrágica para o texto de Hilton Lacerda, Irandhir está entregue ao papel de tal forma que, sem ele, Febre do rato não teria como existir.

Colaborador dos filmes de Cláudio desde o curta Texas Hotel, o diretor de fotografia Walter Carvalho pintou um Recife monocromático e em cinemascope. Em parte do tempo, a câmera está posicionada debaixo de pontes ou correndo pelo leito do Capibaribe. O poeta Zizo é um personagem autônomo, mas é possível enxergar nele poetas marginais do Recife, como o próprio Zizo, Erickson Luna, França e Miró. “É a nossa forma de homenagear essa geração”, disse o roteirista Hilton Lacerda, também autor das poesias.

“Tudo será mostrado com generosidade”, garantiu o diretor, durante as filmagens, em setembro do ano passado. E cumpriu. Não faltam cenas de sexo. Nunca pornográficas, mas eróticas ou bizarras (como quando Zizo se esfrega numa máquina de Xerox). Há um quadrilátero amoroso e a relação romântica entre Pazinho (Matheus Nachtergaele) e a travesti Vanessa (Tânia Moreno). Num tonel, Zizo transa com duas mulheres mais velhas (Conceição Camarotti e Maria Gladys). “O que ele sente por elas é amor, amor que se atreve para reinventar. E o sexo passa por isso”, conta Irandhir.

“O que ele sente por elas é amor, amor que se atreve para reinventar. E o sexo passa por isso”, conta Irandhir. A cena em que Zizo segura Eneida (Nanda Costa) com uma das mãos, para que ela se incline na borda de um barco, enquanto molha a outra mão com a urina da garota, é uma das mais lindas declarações de amor do cinema. Não o amor burguês, paralisante, mas aquele forjado na liberdade, capaz de deflagrar energia criativa. É a política dos corpos nus, cuja genitália é mostrada de forma coloquial, tão comum que voltamos a prestar atenção no filme.

Zizo olha para o Recife como uma utopia possível. Ele edita um jornal impresso no fundo do seu quintal, que divulga microfone em punho, em carro de som. Indignado com o conformismo dos normais, nas palavras do poeta, com o “festival do eu acanhado”, ele circula por favelas e pelo centro da cidade, conclamando a revolta. Evoca Chico Science: “cadê tua ciência pra esclarecer?”. É a cidade reinventada, transcendente.

Com a mesma gana, na coletiva para a imprensa, Cláudio Assis fez o mesmo e assumiu o controle da mesa. Palavras de ordem não faltaram. “O cinema brasileiro é careta”. Muito menos xingamentos, como os dirigidos para os gestores da Prefeitura do Recife. “A gestão do PT é nojenta. Gastamos R$ 1,5 milhão na cidade e a prefeitura não deu um centavo em troca. Pelo contrário, pagamos à CTTU para fechar as ruas”.

O protesto é compreensível. Já disse Glauber Rocha: “A arte é tão difícil quanto o amor”. E o amor não admite meio termo. Para chegar a ele, é preciso coragem, desprendimento, assumir riscos, não ter medo de errar. E isso, Febre do rato tem de sobra.

(Diario de Pernambuco, 15/07/2011)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O lobo do homem


A produtora Sara Silveira e os diretores Juliana Rojas e Marco Dutra, antes da sessão de Trabalhar cansa
Foto: Aline Arruda / Agência Foto

Paulínia (SP) - Representante brasileiro no último Festival de Cannes, o longa-metragem Trabalhar cansa foi recebido com entusiasmo em sua primeira exibição no país, terça-feira à noite, no Paulínia Festival de Cinema. É sem dúvida o melhor filme selecionado pelo evento, que até então, tinha O palhaço, de Selton Mello, como favorito único aos troféus Menina de Ouro. Produção de Sara Silveira dirigida por Juliana Rojas e Marco Dutra, Trabalhar cansa faz um tenso retrato de uma classe média suburbana, incapaz de manter seu padrão de consumo.

No momento seguinte em que uma dona de casa (Helena Albergaria) resolve assumir um mercadinho falido, seu marido Otávio (Marat Descartes) perde o emprego no qual dedicou os últimos dez anos. Ainda nos preparativos do novo empreendimento, o mal-estar na família se impõe aos indícios de que algo misterioso está em andamento. E, afinal, o que aconteceu com o antigo dono do mercado?

É como se o filme Os inquilinos, de Sérgio Bianchi, fosse co-dirigido por David Lynch. Sons fantasmagóricos, cachorros latindo e objetos bizarros dão a entender que simbolizam o processo de perturbação dos personagens, cada vez mais oprimidos pelos compromissos financeiros. O resultado é uma história transgênero, que expõe o mecanismo torturante que move as relações reguladas pelo capitalismo. “O homem é o lobo do homem”, disse o filósofo Thomas Hobbes. Revelar mais do que isso sobre o filme seria estragar a experiência.

(Diario de Pernambuco, 14/07/2011)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

A vez da Febre em Paulínia



Paulínia (SP) – Febre do rato, novo filme de Cláudio Assis, será exibido pela primeira vez na noite de hoje, encerrando a mostra competitiva do 4º Festival Paulínia de Cinema. Estrelado por Irandhir Santos e Nanda Costa, o filme ainda traz Matheus Nachtergaele, Juliano Cazaré e Vítor Araújo no elenco. A equipe é formada por gente que desde sempre acompanha o diretor: Walter Carvalho (fotografia), Renata Pinheiro (direção de arte), Hilton Lacerda (roteiro). A trilha sonora é de Jorge Du Peixe (Nação Zumbi). Para prestigiar o evento, marcam presença os diretores Marcelo Gomes, Lírio Ferreira e Karen Harley, a atriz Hermila Guedes, Mariah Teixeira, o jornalista e escritor Xico Sá e os músicos Junio Barreto e Lirinha.

Paulínia quer investir na imagem de festival democrático, daí podemos entender a presença de Febre do rato na seleção deste ano. Dependendo de seu teor, um produto autoral e sem concessões pode se tornar corpo estranho no festival, afeito a celebridades e lançamentos comerciais. Como o próprio Assis, que não mede palavras ao dizer o que pensa. No entanto, com exceção de sexta a noite, quando criticou um dos filmes em competição e classificou com palavrões os “mangueboys da prefeitura do Recife”, o diretor tem se mostrado distante da figura beligerante que forjou ao longo da década. Ele sabe que o páreo com Selton Mello e seu O palhaço será duro. A produção é “filha” de Paulínia tem qualidades de sobra para ganhar os troféus principais.

Com distribuição garantida pela Imovision, Febre do rato ainda não tem data de estreia no circuito comercial. Certamente não será em 2011. No entanto, Claudio visualiza uma première no Recife ainda este ano. E já esboça dois novos filmes, um baseado em livro inédito de Xico Sá e outro, em livro infantil escrito por Paulo Lins, autor de Cidade de Deus.

A expectativa em torno do filme tem sido grande. Nove anos após se lançar nacionalmente no Festival de Brasília, Claudio Assis retorna ao Recife como cenário, o que permitirá a revisão de locações emblemáticas como o bairro da Boa Vista, os bares do Pátio de S. Pedro e favelas do centro da cidade. Antes de estrear, o filme chamou a atenção pela repressão policial sofrida durante as filmagens na Rua da Aurora, em que Irandhir, Nanda e outros atores tiraram a roupa publicamente. Publicada primeiro pelo Diario, a notícia repercutiu nacionalmente. Para o diretor, as cenas de nudez não deveriam causar tanto espanto ou causar a ação armada. “O ator tirar a roupa com a rua fechada não tem nada de violento. Violência são esses programas policiais que todo dia passam para as crianças na TV. As pessoas que moram na favela são tratadas de qualquer jeito e depois a classe média não quer a porrada como resposta”.

Não se sabe se a bordoada supracitada - ou qualquer outra - estará na película. Provavelmente sim. No entanto, o diretor define a nova cria como um filme de poesia. “Consegui imprimir coisas que não cabiam em Amarelo manga. É o nosso olhar sobre a vida, o quanto se paga para ser quem você é. Até se encontrar, as pessoas se enganam”, disse o diretor. Febre do rato é também um retorno a fotografia em preto e branco, já experimentada no curta Soneto do desmantelo blue (1993), baseado em obra do poeta Carlos Pena Filho. De acordo com o diretor, não houve muito dilema. “Não tenho tempo para crises. A opção pelo preto e branco foi feita em equipe, para privilegiar a poesia. E a fotografia PB e ideal para isso”.

A solidão artística tampouco tem sido problema para Claudio. “Dizem que eu sou terrível. Sou nada, sou uma besta, um romântico anacrônico. Não importa o que eu sou, o que importa são os filmes. Aprendi cinema fazendo cineclube, não na faculdade, e no tempo em que cineclube não era chapa-branca que é hoje”.

Na produção atual, cita poucos autores com os quais se identifica: Eduardo Nunes, Beto Brant, Hilton Lacerda, Camilo Cavalcante (“que está fazendo o primeiro longa”), Kleber Mendonça Filho (“estou louco pra ver o filme dele”) e Marcelo Gomes. “Aumentou a produção no Brasil, o governo Lula teve muito a ver com isso, em Pernambuco o governo estadual está bem atuante. Novos olhares vão surgir. E cada um faz o que quer, tem quem queira o cinemão de Hollywood, tem quem queira ir pra Globo. O meu cinema é plugado no social e no compromisso com a arte”.

(Diario de Pernambuco, 13/07/2011)

Crise na terceira idade

Noite de segunda-feira irregular em Paulínia. O destaque foi para o curta catarinense Qual queijo você quer?, de Cíntia Domit Bittar. O filme extraiu poesia ao narrar com humor a crise conjugal de um casal na terceira idade, interpretado por Henrique César e Amélia Bittencourt, dois veteranos do teatro gaúcho que fizeram carreira em São Paulo. Com isso, quebra com mérito a hegemonia de uma seleção baseada em curtas paulistas e gaúchos, em sua maioria, pretensiosos e vazios.

O documentário Ibitipoca, droba pra lá, de Felipe Scaldini, foi outra boa surpresa. A princípio, parecia ser mais um filme sobre pessoas abandonadas em lugares inóspitos, parados no tempo, foco em baba escorrendo da boca, dentes apodrecidos e mãos machucadas pelo trabalho na enxada. A fabulação desses personagens, inclusive das crianças, rendem bons momentos e consagram essa instituição chamada “conversa de mineiro”: assombração, cachaça, deus e diabo e por aí vai. Até que surge o elemento externo, uma indústria de turismo que se instalou no local, que trouxe mudanças já conhecidas em parques nacionais do tipo. A discussão passa pelo discurso sentimental, mas não chega a ser um lamento.

O longa de ficção Os 3, de Nando Olival, apresenta uma suposta história de amor a partir de triângulo amoroso formado por estudantes universitários. Após a formatura, aceitam tornar a sua casa palco de reality show em que o púbico pode arrastar itens de consumo e compra-los em loja virtual. A ideia de fazer critica às relações 2.0 é interessante e poderia gerar um bom filme, se a construção dos personagens, e das condições que os aproximam, não fossem tão artificiais.

(Diario de Pernambuco, 13/07/2011)

terça-feira, 12 de julho de 2011

Domingo difícil em Paulínia



Noite difícil, a de domingo no Festival de Paulínia. Dois longas, a ficção Onde está a felicidade?, de Carlos Alberto Ricelli, e o documentário Cidade-Imã, de Ronaldo German, fizeram lembrar momentos constrangedores de outras edições do festival, como Doze Estrelas, de Luiz Alberto Pereira e Destino, de Lucelia Santos.

Nem tão feliz - A comédia romântica de Ricelli e Bruna (mais dela do que dele) não chega a ser tão ruim quanto estes, mas, até agora, é o pior filme do festival. Na coletiva de ontem, perguntas do tipo "vocês encontraram a felicidade fazendo o filme?" dão uma ideia do espírito do projeto.

A trama: casados há 11 anos, Teodora (Bruna) e Nando (Bruno Garcia) entram em crise após ela descobrir que ele mantém relacionamento virtual. Seu programa televisivo de culinária também foi para as cucuias, então, para se livrar dos remédios e se "espiritualizar", resolve percorrer o Caminho de Santiago de Compostela, acompanhada pelo produtor (Marcello Airoldi), que no caminho investe em piloto de um novo programa. A estrutura por ele pensada vai sendo assumida pelo próprio longa, uma mistura de relacionamento e sexo, guia de turismo, gastronomia e auto-ajuda. Até aí tudo bem, dentro da proposta "leve e divertida" assumida pelo filme. O problema é que o roteiro desperdiça as oportunidades que cria para que os personagens evoluam.

Aos 58 anos, Bruna continua linda, e o roteiro traz boas piadas, mas isso não basta para que o longa se sustente, principalmente depois de uma abrupta viagem para a Serra da Capivara, que mais parece um institucional do Governo do Piauí. "Aquilo não foi jabá", disse Bruna, na coletiva. "Tenho vontade de filmar no Piauí desde que sou criança". Além do papel principal, ela escreveu o roteiro, daí o ponto de vista ou o preconceito) feminino sobre o estereótipo machista, materializado em grupo de comentaristas esportivos do qual o marido abandonado faz parte.

Cidade-Imã parte da boa ideia de apresentar cinco músicos estrangeiros que, em diferentes momentos, adotaram o Rio de Janeiro como lar. Sao interessentes visões sobre a cidade, como ela é apaixonante de violenta, sobre como o caos a ela inerente pode ser produtivo para artistas. Mas a linguagem do filme, que intercala uma colagem de depoimentos para construir um discurso único, não ajuda e o todo se torna cansativo. Pena.

ABRACCINE - Na tarde de domingo, 28 críticos e jornalistas fundaram a Associação Brasileira dos Críticos de Cinema, entidade inédita que pode fortalecer e incentivar a atividade. Em passagem recente pelo Brasil, o cineasta Werner Herzog disse que a crítica está em extinção, pois seu espaço na imprensa está sendo ocupado pelo noticiário sobre celebridades e astros de cinema. Nesse contexto, a ABRACCINE surge como uma resposta. O presidente eleito é Luiz Zanin, decano do Estado de S.Paulo. Em Pernambuco, críticos com mais de dois anos de atividade podem requisitar inscrição através do crítico Luíz Joaquim (ljoaquim@yahoo.com.br).

(Diario de Pernambuco, 12/07/2011)

sábado, 9 de julho de 2011

Segredo japonês



Paulínia (SP) – Com a exibição do longa Corações sujos, teve início na última quinta-feira o 4º Festival Paulínia de Cinema. A casa estava cheia - o imponente Theatro Municipal – e muitos aplausos foram provocados pelo filme de Vicente Amorim, baseado em livro homônimo de Fernando Morais. A cerimônia de abertura reuniu realizadores e artistas dos filmes que serão exibidos durante o evento, que termina na quinta-feira. Estavam lá o ator Paulo José, protagonista de O palhaço, de Selton Mello; Cláudio Assis, diretor de Febre do rato; Vladimir Carvalho, diretor de Rock Brasília – anos de ouro; e o casal Carlos Aberto Ricelli e Bruna Lombardi, de Onde está a felicidade?, dirigido por Ricelli.

Corações sujos se passa em 1946 e aborda a tragédia que recai sobre colônia de imigrantes japoneses recém chegada ao Brasil, quando um deles, um militar do império, se recusa a acreditar que o Japão perdeu a guerra e persegue os “corações sujos” que admitem a derrota. Por outro lado, recém-chegados ao Brasil, o grupo sofre com a Lei de Repressão aos Súditos do Eixo, que limitava sua vida social e declarações de amor à bandeira do Sol Nascente. A atmosfera de abandono e cenas de luta à bala e espadas remetem a um interessante cruzamento de filmes de faroeste e samurai.

É uma história de amor e sangue, sobre a manutenção de uma honra distorcida, que perdeu o sentido em outro tempo e espaço. O filme se passa no Brasil, mas é falado 99% em japonês. Traz mais “legitimidade” ao projeto a presença do ator Tsuyoshi Ihara como protagonista. Ele faz parte do elenco principal de Cartas para Iwo Jima (2006), de Clint Eastwood, que também se passa na Segunda Guerra Mundial. “Antes de ler o roteiro confesso que não conhecia essa história, porque a educação japonesa omite informações desse tipo. Mas como sou neto de coreanos, para mim foi fácil entrar na pele de um imigrante que sofre em outro país”, conta Ihara.

Em Corações sujos, ele é Takahashi, fotógrafo que se apaixona pela professora Miyuli (Takako Tokiwa), mas que se perde espiritualmente ao cumprir ordens de Watanabe (Eiji Okuda) para executar os japoneses “infiéis”. Na vila há um núcleo brasileiro, liderado pelo sub-delegado (Eduardo Moscovis), que pouco faz para proteger os perseguidos.

Fernando Morais disse que não encontra muitos paralelos entre Corações sujos e Olga, outra adaptação de obra sua para o cinema. “Olga está mais próxima do livro. Em Corações, Amorim tomou a liberdade dramatúrgica de incluir a mulher na trama, sem desvirtuar a história real”.

A escolha de Corações sujos para abrir o festival foi acertada, dada a forte presença da cultura japonesa no interior de São Paulo, onde se passa a história, e o fato de ter sido filmado nos estúdios de Paulínia, que entrou também com o financiamento de parte da produção, assinada pela Mixer, Downtown e Globo Filmes. Afora o melodrama excessivo (a trilha sonora ao som de violinos é redundante), o filme tem qualidades e deve render boa bilheteria no fim de outubro. Tudo isso fará bem ao polo, que tem investido milhões para ser referência nacional.

Humor - Antes do filme, a dupla de humoristas Leandro Hassun e Marcius Melhem, do programa televisivo Os Caras de Pau, acabaram com qualquer protocolo que cerimônias de abertura costumam ter. Foram várias as piadas ferinas, das quais nem mesmo os organizadores da festa, o secretário de cultura e o prefeito de Paulínia, escaparam.

Rita Lee - Este ano o Festival de Paulínia também é de música. Depois do filme, Rita Lee se apresentou ao lado do Theatro, em uma super-estrutura montada especialmente para o evento. Outras atrações são Seu Jorge, Vanessa da Mata, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

(Diario de Pernambuco, 09/07/2011)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Febre do Rato ataca em Paulínia


Cláudio Assis esteve em Paulínia para o lançamento o festival, que selecionou seu novo filme
Foto: Aline Arruda / AgênciaFoto

Paulínia (SP) – Lançado na manhã de ontem, o Festival Paulínia de Cinema 2011 começa no próximo dia 7 de julho com uma seleção, no mínimo, interessante. Uma das fitas em competição diz respeito aos pernambucanos, mais diretamente, ao Recife: Febre do rato, de Claudio Assis.

Este, que será o primeiro longa em preto-e-branco do cineasta, completa trilogia criativa realizada com o fotógrafo Walter Carvalho (eles já haviam trabalhado imagens monocromáticas no curta Texas Hotel). Aliás, seu irmão, Vladimir, concorre com o documentário Rock Brasília – era de ouro, sobre o período em que Brasília pulsava com mais de 200 bandas. Também competem os longas de ficção Meu país, de André Ristum (SP), O palhaço, de Selton Mello (RJ), Onde está a felicidade?, de Carlos Alberto Riccelli (SP), Os 3, de Nando Olival (SP) e Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra (SP). Todos inéditos, com a ressalva de que o último acaba de ser exibido na mostra Un certain regard do Festival de Cannes. O filme de abertura será Corações sujos, adaptação de Vicente Amorim para livro de Fernando Moraes.

A boa programação pode aumentar ainda mais a importância do festival, que com apenas quatro anos, já figura entre os maiores do país. E para isso não basta dinheiro do rico ICMS de Paulínia, mas vontade e competência. Este ano, há algumas mudanças no formato do evento, que agregou o Paulínia Fest, três dias de shows após os filmes, em frente ao suntuoso Theatro Municipal. Na programação, Rita Lee, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Seu Jorge e Vanessa da Mata. O número de curtas dobrou – agora são doze, mais três curtas locais, exibidos conjuntamente com um longa documentário e um de ficção, diariamente. A curadoria é coletiva, feita por funcionários da prefeitura.

Durante a exibição de trechos dos filmes, o recorte dado a Febre do rato chamou atenção por ser o único com imagem monocromática e pelo tom, melancólico e sem diálogos. “Fiz de propósito, mas o filme tem uma surpresa e é bem vivo. Como Amarelo manga, ele capta a pulsação do Recife”, disse Cláudio Assis, que antes de lançar o filme comercialmente (pela Imovision), pretende inscrever o filme no Festival de Brasília e aguarda resultado do edital de distribuição do Polo Cinematográfico de Paulínia.

Todos os diretores e produtores estavam na coletiva, conduzida pelo secretário de cultura de Paulínia, Emerson Alves. A euforia estava estampada em suas feições – além da visibilidade para seus filmes, o melhor ganha prêmio de R$ 250 mil. Fica claro que um festival de cinema de primeira linha está integrado a uma política maior de investimento na cultura, o que inclui a formação de uma competente orquestra jovem. “o cinema atrai a maioria das atenções, mas estamos desenvolvendo várias atividades para a formação de um pólo cultural em Paulínia, disse o secretário. Após a coletiva, ele informou ao Diario que 2,5% do orçamento municipal é direcionado para a cultura, o que equivale a R$ 35 milhões. Um bom exemplo para a nossa Ipojuca, onde também há uma refinaria de petróleo como fonte de impostos.

A declaração mais ilustrativa talvez seja a de Sérgio Ajzemberg, um dos organizadores do festival de música. “Paulínia não é feita só de fábricas e da refinaria. Ela precisa de alma, os cidadãos precisam se ver em diferentes manifestações”.

Lista completa dos selecionados (com valores da premiação):

Longas de Ficção
1. Febre do Rato, de Cláudio Assis (PE)
2. Meu País, de André Ristum (SP)
3. O Palhaço, de Selton Mello (RJ)
4. Onde Esta a Felicidade ? , de Carlos Alberto Riccelli (SP)
5. Os 3, de Nando Olival (SP)
6. Trabalhar Cansa, de Juliana Rojas e Marco Dutra (SP)

Documentários
1. A Cidade de Imã, de Ronaldo German (RJ)
2. A Margem do Xingu, de Damià Puig Auge (SP)
3. Ela Sonhou que Eu Morri, de Matias Bracher Mariani (SP)
4. Ibitipoca, Droba Pra Lá, de Felipe de Barros Scaldini (MG)
5. Rock Brasília – era de ouro, de Vladimir Carvalho (DF)
6. Uma Longa Viagem, de Lúcia Murat (RJ)

Curtas Nacionais
1. A Grande Viagem, de Caroline Fioratti (SP)
2. Acabou-se, de Patricia Baia (CE)
3. Café Turco, de Thiago Luciano (SP)
4. O Cão, de Abel Roland (RS)
5. O Cavalo, de Joana Guttman Mariani (SP)
6. O Pai Daquele Menino, de Lemos Arthuso (SP)
7. Off Making, de Beto Schultz (SP)
8. Polaroid Circus, de Marcos Mello e Jacques Dequeker (RS)
9. Qual Queijo Você Quer?, de Cíntia Domit Bittar (SC)
10. Tela, de Carlos Nader (SP)
11. Trocam-se Bolinhos por Histórias de Vida, de Denise Machi (RS)
12. Uma Primavera, de Gabriela Amaral Almeida (SP)

Curtas Regionais
1. Argentino, de Diego Costa
2. 3x4, de Cauê Nunes
3. Adeus, de Alessandro Barros


PRÊMIOS
O Festival distribuirá, por meio de sua premiação oficial, um total de R$ 800 mil aos vencedores das diversas categorias, como segue:

Filmes de longa-metragem
Melhor Filme ficção: R$ 250 mil
Melhor Documentário: R$ 100 mil
Melhor Diretor ficção: R$ 35 mil
Melhor Diretor Documentário: R$ 35 mil
Melhor Ator: R$ 30 mil
Melhor Atriz: R$ 30 mil
Melhor Ator coadjuvante: R$ 15 mil
Melhor Atriz coadjuvante: R$ 15 mil
Melhor Roteiro: R$ 15 mil
Melhor Fotografia: R$ 15 mil
Melhor Montagem: R$ 15 mil
Melhor Som: R$ 15 mil
Melhor Direção de arte: R$ 15 mil
Melhor Trilha Sonora: R$ 15 mil
Melhor Figurino: R$ 15 mil
Especial Júri: R$ 35 mil

Filmes de curta-metragem - Nacional
Melhor filme: R$ 25 mil
Melhor Direção: R$ 15 mil
Melhor Roteiro: R$ 10 mil

Filme de curta-metragem - Regional
Melhor filme: R$ 25 mil
Melhor Direção: R$ 15 mil
Melhor Roteiro: R$ 10 mil

Prêmios do Júri Popular
Melhor longa ficção: R$ 25 mil
Melhor documentário: R$ 15 mil
Melhor curta metragem nacional: R$ 5 mil
Melhor curta-metragem regional: R$ 5 mil


(Diario de Pernambuco, 03/06/2011)