domingo, 19 de abril de 2009

O humor simples e inteligente de "Mutts"



Estes são os personagens principais de Mutts - os vira-latas, o mais recente lançamento da Devir Livraria. O volume está nas lojas a R$ 23.

O livro reúne dezenas de tiras, publicadas diariamente em 700 jornais de 20 países. Dada a tradição cartunesca que remonta a personagens do tempo de Tom e Jerry, a graça na relação entre os vizinhos Duque e Chuchu (em inglês, Earl e Mooch) poderia estar estereotipada em alguma rivalidade ou perseguição involuntária.

No entanto, seu criador, o norte-americano Patrick McDonnell, os fez sinceramente amigos. Mais até, cúmplices de uma existência que se resume a comer, dormir e observar o mundo ao redor (leia-se: a natureza, os animais, as carnes do frigorífico, e claro, seus fiéis donos). A sedução em poucos quadros, o grande desafio do formato "tira", se dá pela simpatia e pelo convite a olhar a vida de forma mais simples.



Deu certo. Desde 1994, quando vieram ao mundo, Mutts vem cativando mais leitores - hoje são mais de 180 milhões. Tamanha popularidade é explicada por ninguém menos que Charles M. Schulz (1922-2000), o pai dos Peanuts (leia-se: Snoopy). No texto que serve de prefácio para o novo livro, ele confessou ter adorado as ideias de McDonnell.

"Mutts é exatamente o que uma tira em quadrinhos deve ser. É divertida de ler, e os dois personagens principais são maravilhosamente inocentes. Patrick criou um pequeno universo que existe dentro de si mesmo. Todo mundo em Mutts, do peixinho de estimação até o açougueiro atrás do seu balcão, é engraçado. Duque, é claro, mantém tudo isso firme e, como era de se esperar, é o jeito como ele é desenhado que o torna tão genuíno. É difícil de acreditar que, depois de 100 anos de quadrinhos, Patrick seria capaz de inventar um cachorrinho novo e perfeito", escreveu Schulz.

Vale salientar que Duque, o cão, e Chuchu, o gato, lembram mais a dupla Krazy Kat and Ignatz, criada em 1913 por George Harriman, do que a turma do Charlie Brown. E isso se revela não somente no comportamento dos personagens, mas no próprio traço de McDonnell, claramente influenciado pelo de Herriman, visionário dos quadrinhos que até hoje intriga pela atualidade e inventividade da narrativa.


KRAZY KAT, CLÁSSICO DE GEORGE HERRIMAN

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