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quarta-feira, 9 de março de 2011

Garanhuns Jazz Festival - 3ª noite



O retiro musical do Garanhuns Jazz Festival não foi propriamente religioso, mas certamente elevou o espírito de cerca de cinco mil pessoas que optaram por evitar o carnaval sem apelar para a TV. Tome como exemplo o arranjo de Jehovah da Gaita para Georgia on my mind, o famoso spiritual de Ray Charles. Suas frases se uniram com a voz da cantora Cida Maria, o que gerou o momento mais emocionante dos três dias de programação. Assim como Jehovah, o festival está de parabéns por ter apresentado grandes instrumentistas de Pernambuco, que só não aparecem mais por falta de oportunidade e valorização.

Jehovah fez parte do encontro de harmônicas, promovido na noite de segunda-feira. Ladeado por Jefferson Gonçalves e Flávio Guimarães, Uptown na ´cozinha`, Jehovah foi reverenciado no palco e na plateia, formada por diferentes gerações. Houve tempo para lembrar de Tavares da Gaita, mestre de Caruaru, em homenagem de Jefferson Gonçalves, que tocou Baião fazendo a base e o solo ao mesmo tempo. Pena que durou pouco.

Os gaitistas brasileiros fizeram um show enxuto para não atrasar a performance de Rick Estrin & The Nightcats. O grupo chegou a Garanhuns no fim de tarde e logo depois estava tocando a mil por hora um repertório que nos teleportou aos loucos anos 1950. A figura caricata, teatral e divertida de Mr. Estrin, que dançou sobre clichês do rock'n'roll, foi a sensação do festival.

Veja video aqui e galeria de fotos aqui.

As pessoas deliraram quando ele tocou sem as mãos, com a gaita dentro da boca. Igualmente quando todos os músicos tocaram de costas para o público, com os instrumentos nas costas. Minutos depois do bis de Estrin o clima ainda estava quente e a Irmandade do Blues jogou a favor. Sem André Matos, que cancelou participação, o grupo encerrou o festival entre o rock e o blues.

Em sua quarta edição, o evento Garanhuns Jazz começou bem e manteve o alto nível em toda a programação. De acordo com o produtor Giovanni Papaleo, o público foi ainda maior do que no ano passado. Enquanto, o festival ganha estrutura (este ano a área coberta foi maior). “Procuramos crescer com qualidade. Muita gente quer um festival mega mas preferimos manter numa dimensão intermediária, sem apelar para o fácil, mas para atrações inusitadas”. Ele diz que a participação da iniciativa privada é essencial para manter a independência, como a do uisque Jack Daniels, a bebida oficial do Garanhuns Jazz. “Queremos que o governo participe, mas não podemos depender disso”.

Pai e filho - No palco e fora dele, durante os demais shows, Jehovah da Gaita e Jefferson Gonçalves circularam juntos como pai e filho. Eles são parceiros de longa data e Jehovah colaborou no último álbum de Jefferson. Ponto positivo para o festival, que os reuniu novamente. E se Jefferson lembrou de Tavares da Gaita no palco, outro participante do festial, Flávio Guimarães disse nos bastidores que guarda sete gravações inéditas dele, feitas em 1999. ´São composições dele, tocadas só na gaita, que na minha opinião deveriam ser lançadas do jeito em que estão, pelo valor de arquivo`, argumentou Guimarães.

Quatro dias - Antes da homenagem ao jornalista Fernando Castelão, recebida pelo seu filho Sérgio, o prefeito de Garanhuns Luiz Carlos de Oliveira anunciou que em 2012 o festival ganhará um dia a mais: a terça-feira. Ou seja, se estenderá pelos quatro dias de carnaval. “Sempre foi a minha
vontade. Agora que contamos com o apoio de empresas do sul e multinacionais, podemos realizar”, disse Papaleo. Fica a dica para que a prefeitura apoie a programação paralela, que ano passado movimentou a cidade após a programação oficial.

(Diario de Pernambuco, 09/03/2011)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Mestres de fôlego



Haja fôlego para a noite de encerramento do Garanhuns Jazz Festival. São nada menos que cinco mestres do sopro reunidos no Palco Ronildo Maia Leite, na Praça Guadalajara. O maior deles, Rick Estrin, fez sua história com a gaita cromática (com botão, capaz de tocar as 12 notas da escala) e acaba de chegar da Califórnia com o grupo The Nightcats, a saber: J. Hansen, Loranzo Farrell e Kid Andersen. Por 30 anos, eles foram conhecidos como Little Charlie and The Nightcats. Com o afastamento de Charlie Baty, em 2008, Estrin assumiu a banda.

Antes de Estrin, que concedeu entrevista a seguir, haverá um encontro de três gerações da harmônica brasileira: o pernambucano Jehovah da Gaita e os cariocas Flávio Guimarães (fundador do Blues Etílicos, banda pioneira do gênero no país) e Jefferson Gonçalves. Jehovah toca gaita cromática há mais de meio século. Nos anos 1960 fundou o Trio Harmônico com os irmãos Emílio e Ênio Damasceno. É talvez um dos músicos de gaita mais antigos em atividade no Brasil.

´Ele tem um conhecimento musical que poucos têm`, diz Flávio Guimarães, que conheceu e tocou com Jehovah durante um encontro internacional de harmônicas, promovido por ele em São Paulo. ´Hoje, para demonstrar destreza, as pessoas estudam muito técnica e velocidade, um virtuosismo quase atlético. Antes, o estilo que se tocava era mais voltado para melodia. Eu prefiro assim.` Guimarães, que toca a gaita diatônica (de dez furos, usada para o blues), se coloca em uma geração intermediária entre Jehovah e Jefferson Gonçalves (que foi seu aluno).

Também adepto da diatônica, Jefferson começou na banda Baseado em Blues, com rápida passagem na Blues Etc, para se lançar em bem sucedida carreira solo. Em 2004 lançou o álbum Gréia.

Todos os músicos que tocam hoje à noite devem concordar que a grande ausência do encontro é a do mestre de Caruaru, Tavares da Gaita (1925-2009). ´O que ele fazia eu nunca vi ninguém fazer. Ele inventou uma forma de tocar. Tinha um balanço único pra o baião, fazia ritmo e acompanhamento ao mesmo tempo, parecia que estava ouvindo um acordeon`, diz Flávio.

Abrindo a programação está a Banda de Pífanos Folclore Verde, do Mestre Romão & João Faustino, fundada em 1817 e formada por músicos da comunidade quilombola do Castainho, no município de Garanhuns.

Entrevista//Rick Estrin: "Hoje os artistas são muito parecidos entre si"

Como será o show?

Vai ser divertido e espontâneo. Com exceção de uma ou duas, todas as músicas são minhas ou de membros da banda.

Você é conhecido pela grande presença de palco. De onde vem esse talento?
Quando era jovem tive a chance de ficar próximo de grandes performers como Muddy Waters, Junior Wells e BB King. Quando fiz 18 anos, Roger Collins me levou para a estrada e pude constatar como uma boa performance é capaz de atrair audiência. Então resolvi investir na minha personalidade e construir a minha própria carreira.

Quando você percebeu ter chegado a um estilo próprio?
Comecei a me diferenciar em 1978, quando me juntei ao Charlie e fundamos o The Nightcats.

Seu trabalho remete aos anos 1950. O que há de tão especial nessa década?
Foi um tempo especial, de grandes músicos. Hoje os artistas são muito parecidos entre si, mas naquela época, você ouvia algo novo e sabia de quem era. Além disso, havia diferentes ritmos e jovens procurando por algo estimulante. Havia mais estilo e música honesta, nãoera como um evento olímpico pra ver quem toca mais rápido. A ideia era entregar uma mensagem, fazer o público sentir a música.

E o seu visual?
Foi natural, desde quando comecei tocando em clubes. Apenas quis me parecer com aquilo em que acredito.

Como foi sua formação musical?
Queria ser músico desde criança, mas comecei a tocar gaita com 15 anos. Aprendi a tocar sozinho, ouvindo discos de Jimmy Reed, Little Walter, Sonny Boy Williamson e outros clássicos. Aos 18, comecei a tocar em clubes, onde tive a oportunidade de estar com o Lowell Fulson, um grande cara.

O que você aprendeu com Muddy Waters?
O principal foi a validação de que eu estava no caminho certo. Ele me deu muita confiança nesse sentido.

O que acha do blues feito no Brasil?
Acho que, se a música vem do coração e for boa, não importa em que país ela é feita.

Algumas pessoas no Brasil dizem que você se parece um comediante da TV, chamado Zé Bonitinho. O senhor o conhece?
(Risos) Não, mas gostaria de conhecê-lo.

(Diario de Pernambuco, 07/03/2011)

domingo, 6 de março de 2011

Comunhão de ritmos



Robertinho Silva, um mestre do ritmo, abre as atividades de hoje no 4º Garanhuns Jazz Festival. Aos 70 anos, 52 de carreira, o baterista que já tocou com praticamente todos os grandes nomes da MPB se apresenta com os jovens do Grupo Batuque de Garanhuns. No palco, eles apresentam o resultado de uma das oficina promovidas pelo evento. "Ao maracatu, vou acrescentar outros ritmos do folclore brasileiro como a congada mineira, que aprendi nos anos 1970, quando fui baterista do Clube da Esquina", disse o músico ao Diario. "O nome do show será Tocando e contando história".

E história não falta para Robertinho, que foi apresentado a Milton Nascimento em 1965, através de Wagner Tiso. Antes disso, ele já tocava em boates e bailes da noite carioca. "Como os jogadores de futebol, havia os olheiros e as pessoas vinham me ver tocar. Eles achavam curioso porque eu tocava com orquestra lendo a partitura. Além disso, cheguei tocando o samba moderno".

De acordo com Robertinho, a tríade que modernizou o samba foi Milton Banana, Dom Um Romão e Edson Machado. Deste último, ele foi seguidor. "A bossa nova nasceu em 1958 e eu comecei no ano seguinte. A batida foi tirada do samba de tamborim, só que era tocado na caixa e no prato da bateria americana. Samba e jazz é a mesma harmonia, só muda o compasso".

Nascido no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro, Robertinho cresceu não com o samba, que ele ouvia somente no carnaval, mas ouvindo bastante forró. Criado em comunidade nordestina (seu pai é pernambucano), ele aprendeu o ritmo ainda criança. "Fui autodidata mas depois estudei os métodos americanos, porque só o talento não basta. Estudei teoria musical, estou pra lançar meu próprio método sobre ritmos brasileiros".

Entre os ritmos está o maracatu, que conheceu não pela raiz familiar, mas em 1995, quando veio ao Recife participar de um encontro internacional de percussão promovido por Giovanni Papaleo no Teatro de Santa Isabel. "Sou o único músico da família. Quando assisti o maracatu, pensei: foi daqui que veio meu DNA". No show de hoje, além de sambas, maracatu e baião, Robertinho toca forrós, entre eles, um arranjo próprio para Mulher rendeira.

Outras atrações da segunda noite do Garanhuns Jazz são Sonoris Fabrica, um encontro de guitarras com Big Joe Manfra (RJ), Igor Prado (SP) e Fernando Noronha (RS), com participação da banda The Bluz, de Caruaru. O encerramento com chave de ouro fica a cargo do guitarrista norte-americano Carlos Johnson, representante direto do blues elétrico de Chicago. Todos os shows se realizam no Palco Ronildo Maia Leite, montado na Praça Guardalajara, com entrada franca.

(Diario de Pernambuco, 06/03/2011)

sábado, 5 de março de 2011

Quinteto suave



Bem longe do carnaval, começa hoje o 4º Garanhuns Jazz Festival. Com acesso grátis, o evento se realiza no Palco Ronildo Maia Leite, montado na Praça Guardalajara. A programação inicia às 20h, com a prata da casa, o Grupo Afro Estrela. Na sequência entra o Don Angelo Jazz Combo, projeto solo do guitarrista Angelo Mongiovi baseado em clássicos do jazz e bossa-nova. Participam do show o cantor recifense Arthur Philipe e a primeira atração internacional do evento, o cantor e saxofonista Atiba Taylor, dos Estados Unidos. Nos últimos meses, Taylor tem vivido em Alagoas, onde acompanha músicos da cena local.

Com agenda lotada, o Quinteto Violado passa o sábado com um pé no Galo da Madrugada e outro no Festival de Jazz, onde se apresenta às 22h. De acordo com Dudu Nobre, tecladista e um dos arranjadores, o grupo abre um parênteses em Garanhuns, em show bastante diferente do reservado aos palcos do carnaval, em que predominam os frevos rasgados. ´Vamos focar no nosso repertório instrumental, mas também vamos fazer músicas cantadas como Asa Branca e Sete meninas, tocadas com arranjo jazzístico. Pela primeira vez com o Quinteto, o mestre da bateria Robertinho Silva, do Rio de Janeiro, deve fazer participação especial com a música Algodão, de Luiz Gonzaga. Será uma prévia do show que Robertinho faz amanhã, também no festival.

Encerrando a noite, Andreas Kisser, Artur Menezes e Paulo Rafael (guitarrista de Alceu Valença) se juntam com a UpTown Band para um show que deve cair nas graças de quem curte blues pelo viés mais duro, roqueiro. Ano passado, Kisser fez um dos shows mais aguardados e aplaudidos do Garanhuns Jazz. Inclusive por fãs do Sepultura, que vestiram camisa preta e fizeram fila no camarim para conhecer o guitarrista. O único problema foi o show curto demais, já que ele foi dividido com Tico Santa Cruz em tributo a Raul Seixas. Este ano, ao lado do cearense radicado em São Paulo Artur Menezes, a expectativa é de uma performance ainda melhor.

(Diario de Pernambuco, 05/03/2011)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Ao som do jazz



Chegou o carnaval e, pra cair na festa, basta um pulo. Ou não. Há quem, mesmo curtindo boa música, fique fora do compasso. Para estes, é chegado o momento de fazer as malas rumo a Garanhuns. A rota de fuga leva ao Garanhuns Jazz Festival, que em sua quinta edição, deve continuar a ser o melhor evento cultural da região dedicado para quem não tem samba no pé. O próprio produtor, Giovanni Papaleo, é um deles. Quando tudo começou, ele mesmo não sabia o que fazer quando chegava essa época do ano.

“Antes de tudo, criei uma opção para mim”, diz Papaleo, idealizador, coordenador e curador do festival que este ano traz 25 atrações brasileiras e norte-americanas. Toda a programação, inclusive workshops e oficinas, tem entrada franca. O homenageado deste ano será o jornalista Fernando Castelão.

O guitarrista Carlos Johnson e o grupo Rick Estrin & The Nightcats são as principais atrações. O estilo virtuoso de Johnson já é conhecido no Recife por ter encerrado a edição 2009 do Oi Blues By Night. Direto da Califórnia, o quarteto liderado por Estrin é uma volta aos anos 1950. Toca surf music, jump blues e rockabilly. Seu líder compõe, canta e toca gaita (começou tocando pra Muddy Waters). Mas antes de tudo, Mr. Estrin é um performer.

Papaleo também destaca o experiente baterista Robertinho Silva, que já tocou com Miles Davis, Wayne Shorter e vários nomes da MPB. Ano passado, a empatia do cantor novaiorquino Karl Dixon com o público foi a sensação do festival. Este ano, o mesmo deve ocorrer com o cantor e saxofonista Atiba Taylor, que apresenta clássicos da soul music com o Don Angelo Jazz Combo.

Dois grandes encontros marcam o Garanhuns Jazz Festival. No domingo, as guitarras falam alto com Big Joe Manfra, Igor Prado e Fernando Noronha. “É outra cria do Oi Blues, três ótimos instrumentistas que tocam juntos pela primeira vez”, explica Papaleo. Na segunda, é a vez de um encontro de gaitistas que vai dar o que falar: Flávio Guimarães, Jefferson Gonçalves e Jehovah da Gaita.

Retorno econômico para a cidade - Segundo a prefeitura de Garanhuns, realizadora do festival, 95% da estrutura hoteleira da cidade está ocupada. Tanto pela comunidade jazzística quanto evangélica: a cada dois anos, a Igreja Adventista promove o Campal e este ano os eventos coincidem. Há informações de que os pastores vão liberar os fiéis para assistir aos shows de jazz, que, dizem, não é uma música carnal.

O 5º Garanhuns Jazz está sendo realizado ao custo de R$ 150 mil. Deste valor, 60% é bancado pela própria prefeitura. O restante foi captado via Governo do Estado (Empetur), Souza Cruz e Caixa. “Além de lazer cultural para comunidade e visitantes, há um ganho fundamental que é o retorno econômico. No primeiro ano um estudo apontou que R$ 1 milhão e 300 mil foram injetados na cidade”, avalia Gabriela Valença, secretária de turismo. Ano passado, a média de público foi de quatro a cinco mil pessoas por noite.

Apesar da lotação, o público de outras cidades pode viajar para Garanhuns sem medo. Basta procurar a secretaria de turismo ou ligar para (87) 3762-7063. Lá existe uma lista de hospedagens alternativas como motéis, pensões e seminários, além de residências pra alugar.

Pelo mesmo número podem ser feitas as inscrições para as oficinas - há inclusive uma só para crianças (Jazz Kids), de bonecos animados - ou pessoalmente, no Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcante, ao lado do palco Ronildo Maia Leite, ponto de encontro do festival. Em ambos os lados do palco haverá stands com produtos musicais e opções de gastronomia. Um deles será do Downtown Pub, que fecha no Recife durante o carnaval.

Garanhuns Jazz Festival - Programação
Esplanada Guadalajara (entrada franca)

Sábado
20h - Grupo Afro Estrela (PE)
21h - Don Angelo Jazz Combo (PE) com Atiba Taylor (USA) e Arthur Philipi (PE)
22h - Quinteto Violado(PE)
23h - Andreas Kisser (SP), Artur Menezes (CE) e Paulo Rafael (PE) com UpTown Band (PE)

Domingo
20h - Robertinho Silva (RJ) e Grupo Batuque de Garanhuns (PE)
21h - Sonoris Fabrica (PE)
22h - Guitar Night com Big Joe Manfra (RJ), Igor Prado (SP) e Fernando Noronha (RS), com participação de The Bluz (PE) e Widmarck Souza (PE)
23h - Carlos Johnson (USA)

Segunda
20h - Banda de Pifanos Folclore Verde (PE)
21h - Encontro de gaitistas com Jefferson Gonçalves (RJ), Flavio Guimarães (RJ) e Jehovah da Gaita (PE), com participação da UpTown Band (PE) e Guilherme Teles (PE)
22h - Rick Estrin and the Nightcats (USA)
23h - Irmandade do Blues (SP)

Workshops

Sábado e domingo
das 10h30 às 12h - Oficina de Percussão com ensaio aberto do Mestre Robertinho Silva e Grupo Batuque de Garanhuns, com promoção de instrumentos musicais.

Segunda
das 15h às 16h30 - Workshow da Sommax: baixo, bateria e guitarra com promoção de instrumentos musicais.

Como chegar em Garanhuns
De carro: vias de acesso: BR-232 e BR-423.
Distância: 230 km do Recife; 94 km de Caruaru

De ônibus: diversos horários, entre 6h e 23h30.
Preço da passagem: de R$ 32 a R$ 36.
Informações e reservas: (81) 3424-9586 (Jotude).

(Diario de Pernambuco, 04/03/2011)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Larry McCray e Jefferson Gonçalves hoje, no Spirit Music Hall


McCray se apresenta em Chicago, Illinois

O encontro do guitarrista norte-americano Larry McCray com o gaitista carioca Jefferson Gonçalves é o show principal de hoje, às 20h, no Spirit Music Hall (Rua do Futuro, 821, Aflitos). O evento comemora a condecoração do Garanhuns Jazz Festival 2010 com o Prêmio Mestre Salustiano, oferecido pela Secretaria Estadual de Turismo, no mês passado. Representante do blues elétrico de Chicago, McCray iniciou turnê brasileira no último fim de semana, em São Paulo, de onde seguiu para o Recife. Natal, Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba e cidades da Argentina também estão no roteiro.

Nascido em Magnolia, Arkansas, McCray construiu sua carreira tendo como referência os três "kings" (Albert, Freddie e BB) e aos 50 anos, acumula nove álbuns gravados. Sua carreira internacional começou em 1992, quando era guitarrista da banda de Gary Moore e participou do primeiro álbum de Nuno Mindelis, Long distance blues. Em 2000, McCray recebeu o prêmio de guitarrista do ano pela Orville Gibson Awards, tendo concorrido com Eric Clapton e Jeff Beck.

Especialmente para o show no Recife, Jefferson Gonçalves se apresenta com Larry McCray e a Blues Special Band. A festa ainda conta com a UpTown Band, o trompetista Fabinho Costa e as cantoras Cida Maria e Gina Pulso. Os ingressos custam R$ 20 (mulher) e R$ 25 (homem). Informações: 3268-4080.

(Diario de Pernambuco, 14/04/2010)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Garanhuns Jazz & Blues Festival - Noite 2


CELSO BLUES BOY TERMINOU O SHOW COM KARL DIXON

A noite de domingo no Garanhuns Jazz Festival até que começou bem comportada, mas terminou com muita gente em pé, vibrando com solos de guitarra de Celso Blues Boy e dançando a soul music performática de Karl Dixon. Sim, o norte-americano estava em todas e se tornou celebridade instantânea em Garanhuns. Escalado para cantar no sábado, Dixon voltou para uma "canja" e fez o povo gritar e correr com câmeras em punho.

Para homenagear o jornalista Ronildo Maia Leite (1930-2009), representado por seus familiares, a produção do GJF chamou ao palco o presidente dos Diários Associados, Joezil Barros e o prefeito de Garanhuns, Luiz Carlos Oliveira.

O programa começou às 21h com a banda de Garanhuns Soul Blues, cujos melhores momentos lembram o blues melódico de Gary Moore. Bem que poderiam fazer um final menos estridente.


IVAN CONTI, DO AZYMUTH, UM DOS MELHORES SHOWS DO FESTIVAL

Já a Azymuth fez um show de classe e competentência que só pode ser tocado por músicos experientes como eles. De What's going on a Águas de março, um repertório que agradou entusiastas que assistiram nas mesas, com garrafas de uísque e vinho, e ao fim aplaudiram de pé. "É muito bom ver músicos da minha geração tocando tão bem. Hoje, o Azymuth é muito melhor do que quando eram jovens. Após tantos anos de convivência, são o que existe de muito bom", disse o arquiteto Vander Cristianer, um dos que mais se emocionaram.

Apesar de amargar certa microfonia, o guitarrista Celso Blues Boy levantou os rockers de Garanhuns. Nem a serpentina arremessada no palco, lembrando que em algum universo paralelo há carnaval, ameaçou o espírito rock'n'roll ali instalado. O grande momento foi a execução de seu maior sucesso, Aumenta que isso aí é Rock n' Roll, com direito a introdução do Hino Nacional (se Hendrix pode, ele também).

No fim, o espírito de jam levou ao palco não só Dixon, como outros convidados do GJF. Mais tarde, o circuito Bodega do Massilon - Bar Escritório rendeu novas formações e improvisos com os chilenos do Esteban Sumar, Dixon, Tico Santa Cruz, Blues Boy e a banda caruaruense The Bluz, que seguiu madrugada adentro.

Garanhuns Jazz & Blues Festival - Noite 1


GREG WILSON MANDOU BEM COM O GRUPO DE CARUARU THE BLUZ

Bem longe do carnaval, um belo palco área coberta na Esplanada Guadalajara atraiu muita gente na primeira noite do Garanhuns Jazz & Blues Festival. De acordo com a produção, cerca de cinco mil pessoas compareceram, o maior público já reunido nos três anos de evento.

O ponto alto foi o show de Karl Dixon, que chegou direto de Nova York para cantar e dançar standards da música negra norte-americana. Ao lado de Leo Gandelman, Jaziel Leite e uma banda não tão azeitada pela falta de tempo para ensaiar, Dixon levantou a platéia e fez muita gente dançar com músicas de fácil reconhecimento, como Georgia on my mind, What a wonderful world e I feel good. Ele é um showman pronto para satisfazer o publico com um gogó potente, caras, trejeitos e uma dança peculiar trazida do contexto gospel (ele é do grupo Harlem Jubilee Singers).


KARL DIXON CANTOU E MOSTROU SUA DANÇA DIFERENTE


REISADO DE GONZAGA ABRIU A PROGRAMAÇÃO DO SÁBADO

A noite começou por volta das 22h, com a apresentação do grupo local Reisado de Gonzaga. Quando o espetáculo acabou, alguns dos integrantes continuaram nafrente do palco, onde dançaram ao som do blues-rock de Greg Wilson (SP) e The Bluz (Caruaru). O guitarrista do Blues Etílicos, aliás, fez um grande show de composições próprias e versões como One after 909, dos Beatles.

Show à parte foi o público do GJF, heterogêneo e de boa convivência, formado por famílias com baldes de vinho nas mesas e todo o tipo de boêmios ao redor, nos bares e stands do evento. A turma do gargarejo foi a mais animada e sedenta por algo diferente na cidade. Senhores bêbados, garotinhas dark, rockers, metaleiros e punks embalados a vinho de um real vibraram com solos de guitarra como os do Blues Mascavo, que encerrou as atividades da noite e deu a deixa para quem quis continuar a balada na Budega do Massilon (Os Valvulados) e Bar Escritório (Celso Blues Boy e outros convidados do festival), em programação paralela que seguiu até o dia clarear.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Garanhuns se entrega ao balanço do jazz

O Garanhuns Jazz & Blues Festival começa sábado e traz para o Agreste pernambucano dez shows com 16 atrações do Brasil, EUA, Chile e Argentina. Da primeira à última apresentação, na segunda-feira, o festival está mais para um retiro musical do que "carnaval do jazz". Isso porque, diferente do caos que se instala nos polos, a organização do GFJ é tanta a ponto do público da Praça Guadalajara contar com mesas e serviço gastronômico em área coberta, algo impensável em qualquer foco de folia. Sem falar que a temperatura moderada remete mais a uma taça de vinho do que a um latão de cerveja molhado de gelo do isopor.

Se há algum traço do festival capaz de lembrar confete e serpentina sua "prévia" (essa verdadeira instituição do período), marcada para hoje, às 20h, no Restaurante Mingus. Na programação, a banda-anfitriã Uptown recebe o guitarrista Greg Wilson (Blues Etílicos), o baterista Alexandre Cunha (Brazilian Duet), artistas escalados para o festival, mais músicos pernambucanos como o trompetista Fábio Costa ea cantora Cida Maria. O Mingus fica na Rua do Atlântico, 102 - Boa Viagem. Ingressos a R$ 15. Informações: 3327-6767.

Durante o festival, além do palco principal (Ronildo Maia Leite), haverá polos alternativos com programação depois da meia-noite, um na Bodega do Massilon e outro no Bar Escritório. As inscrições para workshops de teclado com Sérgio Terranova (dia 14), cidadania, poesia e cultura com Tico Santa Cruz (dia 15) e bateria com Alexandre Cunha (dia 16) continuam abertas, e podem ser feitas gratuitamente no Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcante ou pelos telefones da Secretaria de Turismo de Garanhuns: (87) 3762-7063 e 3761-1014. Os mesmos números valem para receber orientações de hospedagem - os hotéis estão lotados, mas ainda há vagas em pousadas e casas.

Programação
Palco Ronildo Maia Leite - Praça Guadalajara

13/02
21h - Reisado de Gonzaga (Garanhuns)
22h - Greg Wilson (RJ) e The Bluz (PE)
23h - Karl Dixon (EUA), Leo Gandelman (RJ) e Jasiel Leite (PE)
0h - Blues Mascavo (AL)

14/02
21h - Soul Blues (PE)
22h - Azymuth (RJ)
23h - Celso Blues Boy (RJ)

15/02
20h30 - Esteban Sumar (Chile)
21h30 - Andreas Kisser (SP), Tico Santa Cruz (RJ) e Uptown Band (PE)
22h30 - Magic Slim (EUA) e Blues Special Band (ARG)
23h30 - Big Time Orchestra (PR)

Como chegar em Garanhuns
Distância: 230 km do Recife e 94 km de Caruaru.
Vias de acesso: BR-232 e BR-423.

A única empresa de transporte de passageiros que faz o itinerário é a Jotude, que oferece passagens com valor entre R$ 32 e R$ 36, em 23 horários, entre 6h e 23h30. Informações e reservas: 3452-1211.

(Diario de Pernambuco, 11/02/2010)

Garanhuns Jazz & Blues Festival recebe Azymuth



Das atrações escaladas para o Garanhuns Jazz & Blues Festival, o trio de brazilian jazz Azymuth é certamente a de maior alcance mundial. Em 40 anos de carreira, o grupo de José Roberto Bertrami (teclados), Alex Malheiros (baixo) e Ivan Conti (bateria) fez público nos EUA, Japão e países da Europa. Nesse sentido, o Azymuth é mais internacional do que todos os gringos da programação. O show da Azymuth será no domingo, segunda noite do evento.

Baterista experiente (tocou e gravou com Bethânia, Vinicius, Tom Jobim, Elis Regina Raul Seixas e estrelas do jazz como Ron Carter, Dizzy Gillespie e Wayne Shorter), Conti esteve várias vezes em Pernambuco acompanhando artistas como Gal Costa, Leila Pinheiro e Stanley Jordan. Com sua banda, no entanto, faz a terceira visita - a primeira foi durante o Festival de Inverno, a convite de Toinho Alves, e a segunda num festival do litoral sul. "Será um prazer tocar em Garanhuns novamente", diz Conti, que no meio musical atende pelo apelido de Mamão.

O repertório do show passa a limpo a obra do Azymuth e seu estilo que parte dos ritmos norte-americanos como jazz e funk para fazer música brasileira. São 38 álbuns de estúdio, o último se chama Butterfly e o novo, ainda sem nome, será lançado em abril. Visões do carnaval depuradas pelo jazz estão incluidas. "Tá tudo dentro do contexto. Vamos fazer brincadeiras com samba. Temos uma música, Jazz carnival, em que toco pandeiro. Outra se chama O que que você vai fazer nesse carnaval?", antecipa Mamão.

De escola jazzística, Mamão diz que música brasileira e norte-americana é uma combinação imbatível. "Acredito que jazz, rock e samba são os elementos mais fortes, pois têm versatilidade rítmica e harmônica acoplados e trazem um entrosamento muito grande. Essa troca de ritmos é muito importante, principalmente para o jazz brasileiro, que é riquíssimo em todos os sentidos. Essa fusão é importante e os EUA e Europa respeitam muito".

O encontro de Bertrami, Malheiros e Mamão se deu em 1970, quando se juntaram sob o nome "Seleção" para fazer o show de abertura da casa de shows Canecão, no Rio de Janeiro. O trio foi batizado Azymuth em 1973, quando participou da trilha sonora do documentário O fabuloso Fittipaldi, de Roberto Farias. Na linguagem de estúdio, azimute é o ângulo formado pela fita magnética em relação à cabeça de gravação ou de reprodução sonora.

"Era o nome de uma das músicas compostas por Marcos Valle, que nos convidou para tocar. Nós tocamos essa música tantas vezes que ficamos marcados pelo nome e pedimos para Marcos ceder o nome e ser nosso padrinho". Nessa mesma época, Mamão participou das gravações do primeiro álbum solo de Raul Seixas, Krig-Há Bandolo. "Fui o primeiro baterista a gravar com o Raul. No fim dos anos 60 eu tocava no grupo de rock Youngsters, o Raul gostou da onda e nos chamou".

O prestígio da Azymuth em terras estrangeiras começou a crescer em 1977, quando se tornou o primeiro grupo brasileiro a tocar no Festival de Montreux. No ano seguinte, Flora Purin e Airto Moreira fizeram uma turnê nos Estados Unidos e gravaram uma faixa para o álbum de Ella Fitzgerald. Anos mais tarde foram morar nos EUA, onde lançaram vários discos que não saíram no Brasil, pela Milestone Records. Mamão diz que o Azymuth só não é mais famoso no Brasil por falta de divulgação nas rádios. "Quando a gente toca na rua as pessoas ficam inebriadas. Lá fora é mais aberto, tem estações que tocam nossa música. Precisamos dar mais oportunidade para o público descobrir esse material".

(Diario de Pernambuco, 11/02/2010)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

GJF - Ponte entre o jazz e a cultura brasileira


Big Time Orchestra, de Curitiba, encerra a programação

A produção do Garanhuns Jazz & Blues Festival (GJF) anunciou ontem a programação completa de shows e workshops. A maior novidade é a entrada da Big Time Orchestra e do Reisado de Gonzaga de Garanhuns. A Big Time é um supergrupo de swing formado por 12 músicos de Curitiba, Paraná, e deve encerrar o evento dia 15 de fevereiro, uma segunda-feira, logo após o guitarrista Magic Slim, de Chicago. De acordo com a filosofia do evento, o Reisado de Gonzaga pode ser considerado a maior big band do festival. O grupo de 44 integrantes abre as atividades, na noite de sábado, 13 de fevereiro. Com essa configuração, o GJF reafirma a intenção em unir cultura popular norte-americana (o jazz) com a nacional, assim como artistas consolidados com talentos da cidade - este ano o saxofonista Jaziel Leite, da Street Jazz de Garanhuns, se apresenta com Leo Gandelman.

Em coletiva à imprensa, o produtor Giovanni Papaleo e a secretária de Turismo e Cultura de Garanhuns, Gabriela Valença, defenderam oevento como alternativa ao carnaval. E lamentam o silêncio por parte do Governo para inclusão do festival no calendário oficial do estado, requisitado pelo deputado Isaías Régis. "Estamos solicitando apoio financeiro, logístico e de atrações", diz Gabriela. Ela informa que, a duas semanas do festival, hotéis estão com lotação de 85% e a partir de agora vai acionar pousadas e casas para dar conta da demanda, do Recife, Fortaleza, Salvador, Maceió e Natal.

Após perder o apoio da Secretaria de Turismo, a saída da produção, bancada majoritariamente pela Prefeitura de Garanhuns, foi buscar recursos na Chesf e Caixa Econômica. Os governos do Chile e do Paraná bancaram a vinda de Esteban Sumar e BTO. Para 2011, o plano é buscar a iniciativa privada. "Queremos depender menos do governo", diz Papaleo, que viabilizou com fabricantes de instrumentos três workshops gratuitos. "Contamos com a participação de empresas de música que nunca investiram no estado", diz Gabriela.

Instrumentos cedidos pela Bends, Roland, Odery,Orion, Meteoro serão distribuídos nos intervalos para autores das melhores frases sobre o festival (concurso@garanhunsjazz.com.br). Inscrições para oficinas de bateria com Alexandre Cunha (SP), teclado com Sérgio Terranova (SP) e Voluntários da Pátria com Tico Santa Cruz na Secretaria de Turismo de Garanhuns pelo (87) 3762-7063.

Programação Garanhuns Jazz & Blues Festival
Palco Ronildo Maia Leite - Entrada franca

13/02
21h - Reisado de Gonzaga (Garanhuns)
22h - Greg Wilson (RJ) e The Bluz (PE)
23h - Karl Dixon (EUA), Leo Gandelman (RJ) e Jasiel Leite (PE)

14/02
21h - Soul Blues (PE)
22h - Azymuth (RJ)
23h - Celso Blues Boy (RJ)

15/02
20h30 - Esteban Sumar (Chile)
21h30 - Andreas Kisser (SP), Tico Santa Cruz (RJ) e
22h30 - Magic Slim (EUA) e Blues Special Band (ARG)
23h30 - Big Time Orchestra (PR)

(Diario de Pernambuco, 03/02/2010)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Experiência jazzística longe da folia



Mesmo sem o principal patrocinador, o Garanhuns Jazz & Blues Festival confirma a terceira edição e divulga a grade de shows que será a principal opção para quem gosta de música e quer ficar longe do carnaval.

Entre 13 e 16 de fevereiro, apresentam-se na Praça Guadalajara Magic Slim (Chicago), Karl Dixon (Nova York), Azymuth (RJ), Esteban Sumar (Chile), Leo Gandelman (RJ), Celso Blues Boy (RJ), Tico Santa Cruz e Andreas Kisser (SP), Greg Wilson (SP) e Blues Mascavo (AL). O grupo chileno Esteban Sumar e o gaitista Marcelo Naves (SP) aguardam sinal verde para fazer as malas. O homenageado deste ano será o jornalista Ronildo Maia Leite, filho de Garanhuns falecido ano passado.

Desde que estourou o showgate da Secretaria de Turismo, que vinha apoiando o evento desde o início, o produtor e curador Giovanni Papaleo está na luta para captar o patrocínio integral de R$ 160 mil, orçamento que permitirá fazer mais palcos, descentralizar ações em áreas carentes e investir em mais workshops. Até o momento, há o aporte oficial da Prefeitura de Garanhuns, realizadora do evento, e da Chesf, que sexta feira passada confirmou seu apoio. Fabricantes e distribuidores de instrumentos (Bends, Roland, Odery, Band Musical, Orion) apoiam o evento não com dinheiro, mas com instrumentos a serem sorteados e bancando a vinda de músicos para ministrar workshops.

"Estamos tentando outros órgãos, mas o showgate bloqueou tudo. A Fundarpe disse que projetos consolidados estariam garantidos, mas não nos incluíram no calendário oficial", diz Papaleo, que aguarda o resultado do Funcultura sem cruzar os braços. "Normalmente, a gente recebe patrocínio em cima da hora. Se eu ficar esperando, não realizo nada. Os artistas sabem disso e baixaram seus cachês porque acreditam no evento". O trio Esteban Sumar, por exemplo, viaja com o patrocínio do governo de seu país. "Está mais fácil conseguir apoio com o governo do Chile do que com o nosso".

Há 15 anos Papaleo concilia sua carreira de baterista e compositor na Uptown Band com a produção de oficinas, shows e festivais de blues. Atualmente, produz o Garanhuns Jazz, o Oi Blues Festival (edição 2010 com Blues Etílicos e Willie "Big Eyes" Smith), o Jazz Porto, o Parnaíba Jazz (no Piauí) e agora planeja festival em Jaboatão dos Guararapes. Há três anos, a Prefeitura de Garanhuns o convidou para organizar o festival. A proposta se espelha no Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga (Ceará), evento paralelo ao carnaval numa cidade tradicional, turística e de temperatura amena. A diferença é que o evento cearense é dez vezes mais caro (custa R$ 1 milhão, via Lei Rouanet) e cobra pelo acesso aos shows principais. Em Pernambuco, é gratuito.

"Antigamente, a taxa de ocupação do carnaval de Garanhuns era baixa. No primeiro ano, atingimos 80%; em 2009 foi quase 100%, o que fez o evento ficar entre os três principais projetos de turismo do estado". Para este ano, a expectativa é lotar os hotéis da cidade. "Estamos mais experientes e esse ano temos atrações mais conhecidas", diz Papaleo.Bandas do interior e capital do Estado podem se candidatar a vaga pelo email contato@garanhunsjazz.com.br.

Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga
No maciço de Baturité, a 100 km de Fortaleza e 865 metros acima do mar, o Festival Jazz & Blues de Guaramiranga prepara sua 11ª edição com mais de 20 shows, exposições e oficinas. Paquito D'Rivera, Robertinho Silva, Magic Slim, Wagner Tiso, Rildo Hora e Uakti são algumas das atrações confirmadas para tocar no Teatro Rachel de Queiroz. O evento, que também acontece durante o canaval, ainda traz Carlos Malta, Viola de Arame, Harmônica Mercosul (Jeferson Gonçalves, Nicolas Smoljan e Gonzalo Araya), Chico Pinheiro, Márcio Resende e Artur Menezes. De 18 a 20 de fevereiro, fim de semana seguinte ao Carnaval, o festival desce a serra e aporta na capital com parte das atrações.

Saiba mais // Atrações do Garanhuns Jazz 2010

Azimuth
Fundado em 1970, o antológico trio de jazz-samba formado por Ivan Conti Mamão (bateria), Alex Malheiros (baixo) e José Roberto Bertrami (teclados) é internacionamente reconhecido e já tocou em todas as casas Blue Note do Japão, Itália e EUA.

Magic Slim
O bluesman de Chicago volta ao Brasil com a Blues Special Band, que o acompanha em shows na América Latina: Juan Codazzi (guitarra) e Gustavo Rubinsztein (baixo) e Adrian Flores (bateria).

Celso Blues Boy
Um dos responsáveis por dar sotaque brasileiro ao blues rock, o guitarrista carioca que se revelou com o hit Aumenta que isso aí é rock'n'roll agora lança DVD onde repassa mais de 30 anos de carreira.

Esteban Sumar
Trio de jazz instrumental formado pelos chilenos Esteban Sumar (guitarra), Andy Baeza (bateria) e Pablo Menares (baixo).

Leo Gandelman
Saxofonista, produtor, compositor e arranjador carioca, está na ativa desde 1977 e hoje acumula mais de 800 gravações.

Karl Dixon
Vocalista do grupo gospel Harlem Jubilee Singer de Nova York. Com participação de Gandelman no saxofone, o show será uma homenagem a cantores da soul music.

Greg Wilson
Natural do Mississipi, é um dos fundadores e frontman do Blues Etílicos, onde canta e toca guitarra e trompete. Em Garanhuns, ele toca com a banda veterana The Bluz, de Caruaru.

Tico Santa Cruz e Andreas Kisser
Vocalista do Detonautas e guitarrista do Sepultura se unem com a Uptown Band para um repertório bluseiro que inclui composições de Raul Seixas. Tico também participa do show de Celso, de quem é fã declarado.

Blues Mascavo
O grupo é de Alagoas, criado em 2007 e liderado pelo guitarrista inglês Peter Beresford e pelo gaitista e saxofonista Fred Hollanda. Como o nome sugere, eles procuram o som mais acústico, próximo das raízes do blues.

(Diario de Pernambuco, 26/01/2010)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Magic Slim, de volta ao Brasil



O bluseiro de Chicago Magic Slim está de volta ao País, onde tocou pela última vez em 2008.

Blues pra quem não tem samba no pé. No Nordeste ele toca durante o Canarval, em Pernambuco no Garanhuns Jazz Festival (Greg Wilson e Celso Blues Boy também na programação) e no Ceará no Festival de Jazz e Blues de Guaramiranga, que este ano ainda traz Wagner Tiso, Rildo Hora, Uakti e Victor Biglione.

Magic Slim vem ao Brasil com a produção do baterista argentino Adrian Flores. A banda se completa com o guitarrista Juan Codazzi e o baixista Gustavo Rubinsztein, músicos que acompanham bluesman pela América Latina, entre eles Phil Guy (irmao de Buddy Guy), Eddie C. Campbell e John Primer.

No post abaixo, publico entrevista que fiz com Magic Slim para o Diario de Pernambuco, quando o músico encerrou a edição 2008 do festival itinerante Oi Blues by Night.