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sábado, 26 de fevereiro de 2011

O bom momento do circuito local

No Recife há salas públicas e projetos mantidos por cinemas privados que formam um circuito paralelo de exibição. Algumas exibem filmes inventivos, estranhos, surpreendentes ou experimentais. Outras exibem filmes do circuito comercial, cujo acesso normalmente custaria até R$ 20, por módicos R$ 4.

Há pouco mais de dez anos, a realidade não era tão animadora. Na época, uma matéria escrita pelo crítico Luiz Joaquim (www.cinemaescrito.com), mapeou na cidade apenas três espaços do tipo. Desde 2001 programando os filmes do Cinema da Fundação ao lado de Kléber Mendonça Filho, Joaquim diz que o começo não foi fácil. Em 1998, quando a sala se tornou exclusiva para projeção de filmes, o público anual foi de 8 mil pessoas.

“Naquele tempo a gente precisava se apresentar e ganhar a confiança dos distribuidores. Já chegamos a exibir filme para apenas uma pessoa e nem por isso desistimos ou resolvemos passar Batman. Hoje temos a liberdade de escolher os filmes dentro do nosso critério de interesse”.

E foi através desse critério que a sala conquistou público fiel. Em 2010, 60 mil bilhetes foram vendidos. "Atualmente não podemos exibir todos os filmes que desejamos e acho que há uma demanda para eles. Como espectador, penso que deveria haver mais espaços de exibição para estes filmes"

Kleber Mendonça rejeita o rótulo de “cinema de arte” ou “cabeça” para classificar a programação do Cinema da Fundação, que já exibiu produções de Hollywood sem causar espanto. "Consideramos importantes alguns exibidos em cinemas comerciais, mas nem por isso vamos ajoelhar e rezar de acordo com a cartilha do mercado”.

O Recife também conta com dois cinemas municipais, sendo que um deles, o quase centenário Cinema do Parque, está fechado para reforma. Sérgio Dantas, atual gerente de audiovisual da Fundação de Cultura da Cidade do Recife (FCCR), diz que o Cinema Apolo vai combinar filmes autorais e mostras temáticas que começam com Godard, Herzog, Fellini, Polanski e David Lynch. “Também queremos apresentar a produção do Recife”, diz Dantas.

O Panorama Recife de Documentários também voltará à pauta do dia. Enquanto o Parque está em reforma, a prefeitura estuda a possibilidade de transferir o equipamento de projeção para o Teatro Barreto Junior, no Pina. “É uma reivindicação do bairro. Queremos que tenha o perfil popular do Parque. Talvez no futuro poderemos contar com três equipamentos”.

Nos cinemas privados também há espaço para filmes pequenos e notáveis. Das três salas do Cine Rosa e Silva, uma é exclusiva para eles. “Quis trazer um público diferente, com tom autoral e conciliar com o cinema comercial. Esta semana (começo de fevereiro) programamos Cisne negro, que acho que está dentro dessas duas vertentes”, diz a programadora Carol Ferreira.

Outro projeto especial é a Sessão de Arte do grupo UCI/Ribeiro, promovida há 15 anos por Pedro Pinheiro. “É uma forma de dar mais opção ao espectador que vai ao multiplex. Às vezes o público é pequeno, mas isso contribui para aumentar a qualidade da programação”.

Destino incerto para o Cinema São Luiz



Ano passado, o Recife teve o privilégio de ter de volta o Cinema São Luiz. A histórica sala, inaugurada em 1952 no centro da cidade, tinha tudo para se tornar igreja ou supermercado. Em vez disso, foi restaurado pelo governo estadual e hoje é um dos poucos cinemas de rua do país. No entanto, em termos de programação, o São Luiz viveu um 2010 conturbado pois se tornou um “pomo da discórdia” entre a Fundarpe, que gerencia o equipamento, e o então programador Lula Cardoso Ayres, destituído do cargo desde janeiro.

Durante seu mandato, Lula foi abertamente contra a exibição de filmes que já passaram pelo circuito comercial, assim como a sequência de eventos e festivais abrigados pelo local. Procurou lançar filmes inéditos na cidade e promoveu a Sessão Cinemateca, o que atraiu um público pequeno, mas fiel e ávido para assistir clássicos em 35 mm.

Enquanto o presidente da Fundarpe, Fernando Duarte, decide quem será o novo programador, os filmes são escolhidos pela coordenadora de cinema Carla Francine e o gerente do São Luiz, Cristiano Régis. “O público é o nosso termômetro. Começamos bem 2011, com Tropa de Elite 2, e vamos manter Megamente na matinê infantil”, diz Régis.

Desde que foi reinaugurada, a sala contabiliza mais de 50 mil pessoas em sessões normais, o que não inclui os projetos educativos CineCabeça, festivais e eventos - só o Festival Internacional de Cinema Infantil (Fici) realizado em outubro passado, atraiu quase 14 mil pessoas. “Isso está sendo bem positivo e atende a uma demanda real que observamos no cinema”, diz Carla Francine.

Geraldo Pinho, que já foi programador dos cinemas do Parque e Apolo, diz não enxerga problema algum em conciliar os dois perfis. “Não tenho preconceito com isso. No Parque eu cheguei a exibir 14, 15 filmes inéditos por ano, além de uma mostra de cinema iraniano. Mas boa parte era de filmes já exibidos na cidade. Costumava dizer que eles eram inéditos, pois se não passou no Parque, nosso público não tinha assistido”.

Serviço

Cinema da Fundação (200 lugares). Rua Henrique Dias, 609 - Derby. Ingressos: R$ 8 e R$ 4 (meia). 3073-6688.

Cinema Apolo (282 lugares) - Rua do Apolo, 121 - Recife Antigo. Ingressos: R$ 4 e R$ 2. 3355-3118.

Cinema do Parque (900 lugares - fechado para reforma) Rua do Hospício, 81 - Boa Vista. R$ 1. 3355- 3113.

Cines Rosa e Silva (127 lugares). Av. Rosa e Silva, 1406, Aflitos). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). 3207-0100.

Cinema São Luiz (900 lugares) Rua da Aurora, 175 - Boa Vista. R$ 4 e R$ 2.

(Diario de Pernambuco, 06/02/2011)

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Simião reloaded



Show variado, novo filme de Simião Martiniano, estreia hoje, às 20h, no Cinema do Parque. Lançado diretamente em DVD, o média-metragem (35 minutos) é a primeira realização do camelô-cineasta em parceria com a produtora Página 21, de Amaro Filho e Rafael Coelho.

Realizao com R$ 30 mil captados no sistema municipal de incentivo à cultura e no edital do audiovisual da Fundarpe, Show variado pôde ser rodado em melhores condições técnicas que filmes anteriores de Martiniano. Um deles, A mulher e o mandacaru (1996), foi reeditado, remasterizado e incluído como extra no DVD, que será vendido por R$ 15.

Além da novidade de contar com equipamento profissional e cachê para toda a equipe, Show variado também é a primeira comédia de Simião Martiniano, que até então havia dirigido filmes de ação como Traição no Sertão, A rede maldita e O herói trancado. O tom é popular, com esquetes cômicas e vinhetas musicais compostas pelo diretor e gravadas em estúdio especialmente para o filme.

"Pensamos que, se conseguíssemos as condições de produção, averdadeira virtude de Simião como roteirista e cineasta estaria revelada", diz Coelho. Ele diz o formato DVD foi adotado para que o diretor conseguisse retorno financeiro imediato. Após o lançamento, parte das mil cópias será vendida em bancas e livrarias. Outra, no box do camelódromo onde trabalha, à Av. Dantas Barreto, em frente ao Banco Real.

(Diario de Pernambuco, 31/05/2010)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Realidades paralelas de Lírio


Retrospectiva da obra do cineasta pode ser vista no contexto da evolução do "novo cinema de PE"
André Dib // Especial para o Diario

O Cinema do Parque exibe hoje, a partir das 14h, uma retrospectiva do cineasta pernambucano Lírio Ferreira. Fazem parte da mostra os curtas O crime da imagem, That´s a lero lero, e os longas Baile perfumado, Árido movie e Cartola - Música para os olhos.

Colocados em perspectiva, os cinco filmes permitam observar tanto a trajetória do cineasta, quanto a evolução do cinema pernambucano nas últimas décadas. Em conversa com o Diario, Lírio Ferreira diz que, se há conexão entre seus filmes, ela está na representação de diferentes mitos, sob um olhar ou foco de análise nem sempre vinculado à realidade.

Esse é o caso de O crime da imagem (1989), onde se narra o suposto episódio em que Antonio Conselheiro parte para sua peregrinação após assassinar a esposa e a própria mãe. "Esta é uma explicação popular, que depois se provou não ser verdadeira", conta Ferreira. Dois anos depois, com That's a lero lero (dirigido com Amin Stepple), outra fabulosa história é retomada: uma noitada de 1942, quando o cineasta Orson Welles se jogou com três companheiros na boemia do Recife.

A parceria com Stepple seria a primeira de muitas, sendo a estabelecida com Hilton Lacerda a mais constante (o roteirista e diretor participa de todos os seus filmes), e com Paulo Caldas a mais emblemática, pois Baile perfumado (1996) é o primeiro longa feito em Pernambuco após uma "seca" de quase 20 anos.

Ao contar a aventura do libanês que filmou Lampião e seu bando, Baile perfumado inaugurou um novo capítulo para o cinema pernambucano, ciclo que vem sendo reconhecido internacionalmente pela força renovadora e criativa, e que parece estar longe de terminar. "Se fosse feito hoje, nem sei como seria, pois ele é um retrato daquela época, em que a cidade fervia na produção musical, de cinema e artes plásticas", lembra o diretor.

Quase dez anos depois, Árido movie (2005) tardou, mas chegou. Ofilme conta a história de Jonas, que após vários anos trabalhando em São Paulo, retorna ao sertão pernambucano para o enterro do pai. O elemento transcendental está na figura de Meu Pai (Zé Celso Martinez), personagem baseado na história real de Meu Rei, falecido líder de uma seita que acredita na imortalidade através do consumo da água "da vida".

Por fim, Cartola - Música para os olhos (2007) recria o contexto social, político e cultural do período vivido pelo antológico sambista. Feito em parceria com Lacerda, a montagem é um dos grandes méritos do longa: hipertextual, imprevisível, caótica.

Esta incursão pelo gênero documentário levou Lírio Ferreira a seu mais recente projeto, intitulado O homem que engarrafava nuvens. O filme, que gira em torno do compositor popular Humberto Teixeira, já circula nos festivais mundo afora, e aguarda resposta do Cine PE para estrear no Nordeste em abril.

Entre imagens próprias e de arquivo, intérpretes como Chico Buarque, David Byrne e o próprio Luiz Gonzaga cantam músicas do autor de Asa branca. "É um filho direto de Cartola, com a diferença de que, por tratar do baião, é mais alegre e colorido", conta o diretor que, enquanto viaja com o novo longa, escreve (com Sérgio Oliveira e o carioca Fellipe Gamarano) o roteiro de Sangue azul, o retorno do cineasta ao universo da ficção.

Serviço
Cinema Falado, com Lírio Ferreira
Quando: Hoje, a partir das 14h
Onde: Cinema do Parque (Rua do Hospício, 81 - Boa Vista)
Informações: 3232-1553. Entrada franca

terça-feira, 7 de agosto de 2007

"O Cheiro do Ralo" reestréia no Cinema do Parque (Recife)



Um ralo, um olho, uma bunda. Está de volta ao Recife o fabuloso ensaio de humor negro "Cheiro do Ralo", de Heitor Dhalia ("Nina"). Ele entra em cartaz hoje, no Cinema do Parque (Rua do Hospício, 81, Boa Vista), a única sala brasileira com o incrível ingresso de R$ 1.

O filme conta a história de Lourenço (Selton Mello), o dono de uma loja de objetos usados. Ranzinza e solitário, ele busca prazer em humilhar as pessoas desesperadas que querem vender seus pertences. E isso inclui a sórdida nudez de algumas mulheres.

"O Cheiro do Ralo" é baseado no livro homônimo de Lourenço Mutarelli, que participa da produção interpretando o segurança da decadente loja de usados. Autor conhecido no mundo dos quadrinhos, Mutarelli também escreveu "Jesus Kid", lançado em 2005 pela Devir Livraria.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Cinemas do Parque e Apolo - programação da semana

Marcos Enrique Lopes, da Divisão Multi-Meios da Prefeitura do Recife, informa a programação dos Cinemas do Parque e Apolo para a próxima semana:

04 a 08 de agosto
CINEMA APOLO
Mostra Novo Olhar Sobre o Cinema AfricanoSábado a quarta, às 17h30, 18h30 e 19h45
Entrada franca

05, 07 e 08 de agosto
CINEMA APOLO
Incuráveis, de Gustavo Acioli
Domingo, terça e quarta, sessão única às 16 horas
ÚLTIMA SEMANA

06, 07 e 08 de agosto
CINEMA DO PARQUE
Brichos, de Paulo Munhoz
Segunda, terça e quarta, sessão única às 16 horas

06, 07 e 08 de agosto
CINEMA DO PARQUE
O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia
Segunda a quarta, às 18 horas e 19h50

quinta-feira, 31 de maio de 2007

IV PANORAMA RECIFE DE DOCUMENTÁRIOS - programação completa

IV PANORAMA RECIFE DE DOCUMENTÁRIOS 2007
Mostra não competitiva
de 02 a 06 de junho

SÁBADO, 02 DE JUNHO

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232-1556
Ingresso R$ 1,00

18 horas - Longa-metragem Nacional
VAIDADE (RJ, 2002, 12 minutos), de Fabiano Maciel. Mulheres arriscam as suas vidas em canoas precárias da região amazônica e áreas de garimpo para vender produtos de beleza e cosméticos. Primeiro curta-metragem do diretor gaúcho.

OSCAR NIEMEYER - A VIDA É UM SOPRO (RJ, 2007, 88 minutos), de Fabiano Maciel. Aos 99 anos, o arquiteto fala sobre o Partido Comunista, Le Corbusier, o exílio, a construção de Brasília. Conta com depoimentos de Niemeyer, Chico Buarque, Ferreira Gullar e José Saramago. Após a sessão haverá um debate com a presença do diretor do filme.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

19h30 - Lançamento do livro Democracia Audiovisual
Palestra de André Martinez, autor do livro homônimo que estará sendo lançado. Diretor Executivo da Brant Associados e do Instituto Diversidade Cultural é professor titular da Universidade Anhembi Morumbi. No livro faz uma proposta de articulação regional e sustentabilidade para a atividade audiovisual.

20h30 - Longa-metragem Internacional
DO LADO DE MATHILDE (FRA, 2004, 83 minutos), De Claire Denis. Conceituada cineasta (ex-assistente de Wim Wenders e Jim Jarmusch), retrata as idéias, as peculiaridades e exercícios laboratoriais da obra coreográfica de Mathilde Monnier. Lançada na Mostra Audiovisual de Dança, no Cinema Apolo.


DOMINGO, 03 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Homenagem à TV Viva
Homenagem à produtora de vídeos sediada em Olinda (PE), seguida da exibição do documentário Desde Cuba Hasta Pernambuco, realizado em 2005 em parceria com a Casa Del Caribe. Com direção e roteiro de Nilton Pereira, faz um parâmetro das singularidades culturais entre os afrodescendentes da ilha caribenha e o do estado nordestino.

16 horas - Média-metragem
GRASSROOTS (BRA/CAM, 2006, 55 minutos), de André Ferezini. Um retrato íntimo dos jovens que vivem em Phnom Penh, capital do Camboja. A história recente do país é remontada através de opiniões sobre a atuação do Khmer Vermelho e a guerra civil que destruiu o país nos anos 70. Lançamento mundial no IV Panorama Recife de Documentários 2007.

17 horas - Longa-metragem internacional
POR QUE LUTAMOS (Why We Fight, EUA, 2005, 98 minutos), de Eugene Jarecki. Analisa de forma jornalística como os Estados Unidos construíram o maior império bélico do mundo. O filme refaz toda a história da Guerra Fria e suas conseqüências para o mundo. Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Sundance 2005.


SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Foco: Brasília
DAS RUAS PARA A UNB (DF, 2006, 08 minutos), de Diana Paixão. Produzido pelo Núcleo de Documentários da Radiobrás fala sobre Sérgio Reis, um ex-morador de rua que conseguiu passar no vestibular de psicologia na Universidade de Brasília (UnB). A sessão será apresentada por Elsa Chabrol.

FELIZ NATAL (DF, 2006, 16 minutos), de Guilherme Bacalhao. O esforço de uma família para conseguir mantimentos durante o período do Natal. Nesta época, as avenidas da Capital Federal ficam cheias de famílias que acampam, vindas das cidades satélites.

A BOLANDEIRA (PB, 1968, 10 minutos), de Vladimir Carvalho. A decadência dos engenhos de açúcar do interior da Paraíba, dotados de construções de madeira com tração animal. Clássico do documentário nacional inspirou Walter Salles em seu longa-metragem
Abril Despedaçado.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
1964 ENCONTRO COM A MEMÓRIA (PE, 2004, 19 minutos), de Marcelo Santos, Michel Bamps e Raphaella Vieira. Trinta anos depois do início da ditadura militar no Brasil, vítima e torturador se reencontram. Terceiro lugar no VIII Festival de Vídeo de Pernambuco 2006.

VAI INDO QUE EU JÁ VOU (SP, 2006, 15 minutos), de Marcelo Perez e Rubem Barros. Trata do imaginário da morte de forma divertida, entrevistando um padre irlandês, um cineasta, em escritor, uma florista, um dono de cemitério, um mexicano e um mecânico pernambucano.

OS TAMBORES DO PASSADO (Tourou et Biti, FRA/NIG, 1971, 12 minutos), de Jean Rouch. Filmado em um único plano, registra um ritual de possessão pela proteção da colheita de uma vila no Níger, país onde o etnógrafo francês acabou falecendo de acidente de carro, em 2004.

17 horas - Médias-metragens
DEPOIS DA FESTA (SP, 2006, 52 minutos), de Karina Fogaça. A região de Ilha Bela no litoral paulista é a Meca das mansões de veraneio de pessoas ricas. Na região, eles convivem com os caiçaras, nativos que vivem da pesca e do comércio informal.

18 horas - Curtas-metragens
HIBAKUSHA: OS HERDEIROS ATÔMICOS NO BRASIL (SP, 2006, 16 minutos), de Maurício Kinoshita. Série de depoimentos sobre habitantes da cidade de São Paulo que chegaram ao Brasil após a explosão nuclear em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

ALMERY, A ESTRELA (PE, 2007, 08 minutos), de Fernando Spencer. Biografia da atriz Almery Esteves, estrela do Ciclo de Cinema do Recife, que durou de 1923 a 1931 e foi o período mais profícuo para a cinematografia de longas-metragens em Pernambuco. Após a sessão, uma conversa com o realizador e ex-crítico de cinema do Diário de Pernambuco.

19 horas - Longa-metragem Nacional
NAS TERRAS DO BEM-VIRÁ (SP, 2007, 110 minutos), de Alexandre Rampazzo. O conflito agrário no Brasil abordado com imagens inéditas da chacina de Eldorado dos Carajás e do assassinato da missionária americana Dorothy Stang. Filmado em 05 estados e 29 cidades da região norte-nordeste.

20h50 - Longa-metragem Internacional
O SEGREDO (The Secret, EUA, 2006, 89 minutos), de Drew Heriot. Um grupo de especialistas analisam um segredo existente há séculos na humanidade e a possibilidade da realização pessoal em caso de entendimento e boa aplicação dos princípios nele contido.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30, 18h15 e 20 horas - Longa-metragem Nacional
O CÔCO, A RODA, O PNEU E O FAROL (PE, 2007, 80 minutos), de Mariana Fortes. Mostra a música como elemento de miscigenação e de resistência, particularmente nas atividades dos mestres de cultura popular do Coco do Amaro Branco, em Olinda. Filme de estréia da diretora. Ao final da última sessão haverá uma apresentação musical, com a presença de elenco e diretora.


TERÇA-FEIRA, 05 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Sessão Especial Festival de Vídeo de Pernambuco
QUANDO A MARÉ ENCHER (PE, 2006, 30 minutos), de Oscar Malta. Registro do cotidiano dos pescadores urbanos da Ilha de Deus no Recife e o modo de vida criativo de cada um. Primeiro lugar do VIII Festival de Vídeo de Pernambuco 2006.

15 CENTAVOS (PE, 2006, 12 minutos), de Marcelo Pedroso. Protesto de estudantes no centro do Recife contra o aumento de passagens de ônibus abordado de maneira pouco usual por uma câmera quase imperceptível. Segundo lugar no Festival de Vídeo de Pernambuco.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
ÁRVORE SAGRADA (PE, 2006, 25 minutos), de Cléa Lúcia. A ocupação inadequada da caatinga sem se considerar sua rica biodiversidade. Integrante desta riqueza, o Umbuzeiro assume na região a imagem de árvore mítica e sagrada, por estar ligada à sobrevivência das comunidades.

EM TRÂNSITO (MT, 2007, 25 minutos), de Elton Rivas. Mostra a luta pela terra do povo indígena Irantxe/Manoki, habitantes do noroeste do Estado de Mato Grosso. O diretor é professor da Universidade Federal de Mato Grosso.

TEMO QUE SIM (Afraid So, EUA, 2006, 03 minutos), de Jay Rosenblatt. Baseado em um poema em que cada verso propõe a resposta implícita “temo que sim”, a destruição iminente permeia o filme. Obra-prima do excelente documentarista e professor norte-americano.

17 horas - Médias-metragens
UMA CRUZ, UMA HISTÓRIA E UMA ESTRADA (PE, 2007, 52 minutos), de Wilson Freire. Vencedor da terceira edição do Programa DOC TV, em Pernambuco, parte das cruzes de beira de estradas para fazer uma busca de histórias e resgate de memórias do imaginário coletivo. A sessão será apresentada pelo realizador e sua equipe de produção.

18 horas - Curtas-metragens
OFICINA PERDIZ (DF, 2006, 20 minutos), de Marcelo Díaz. José Perdiz, dono de oficina mecânica em Brasília resolve abrir as portas para o teatro alternativo no Distrito Federal e enfrenta a perseguição de autoridades. Melhor curta no Festival de Brasília do ano passado.

SCHENBERGUIANAS (PE, 2006, 20 minutos), de Sérgio Oliveira e William Cubits. Cinema, música e outros temas inspirados na obra do físico nuclear e crítico de arte pernambucano Mário Schenberg (1914-1990). Vencedor do Concurso de Roteiros Firmo Neto 2002.

19 horas - Longa-metragem Nacional
NENHUM MOTIVO EXPLICA A GUERRA (RJ, 2006, 84 minutos), de Cacá Diegues e Rafael Dragaud. O grupo cultural AfroReggae mostra em sua trajetória que é possível reverter o estigma da violência das favelas. Após 15 longas, este é o primeiro documentário da carreira de Cacá Diegues.

20h50 - Longa Internacional
POR APENAS UM DOS MEUS DOIS OLHOS (Pour Um Seul des Mes Deux Yeux, ISR/FRA, 2005, 100 minutos), de Avi Mograbi. Construção de faraônico muro em volta de Israel permite ao diretor abordar o assunto como integrante do filme. Este isolamento recria o mito de Sansão e Massada. O filme entra em cartaz após a mostra no Cinema Apolo.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

17 horas - Fomento, distribuição e exibição de documentários
Palestra de Elsa Chabrol, diretora do Núcleo de Documentários da Radiobrás, em Brasília (DF). Na ocasião, ela vai falar sobre o projeto da estatal brasileira em promover discussões acerca do papel do documentário e sua importância para o setor audiovisual. Debatedora: Tarciana Portella, Delegada Regional do Ministério da Cultura, que fará uma apresentação sobre os editais e projetos do Governo Federal para a área.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30, 18h15 e 20 horas - Longa-metragem Nacional
UM CRAQUE CHAMADO DIVINO (SC, 2006, 81 minutos), de Penna Filho. A trajetória do jogador de futebol Ademir da Guia, membro da famosa Academia, time do Palmeiras que fez historia na década de 70. Conta com depoimentos de Juca Kfouri, Gérson, Sócrates, Leivinha, Fiori Gigliotti, entre outros.


QUARTA-FEIRA, 06 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Sessão Especial DOC TV
CALABAR (AL, 2006, 52 minutos), de Hermano Figueiredo. Considerado ao mesmo tempo herói e traidor, Domingos Fernandes Calabar tem incerto até o ano de seu nascimento, 1600. Senhor de engenho de Pernambuco, morou em Porto Calvo (AL) e teve papel decisivo na Invasão Holandesa de 1930-1954. A sessão será apresentada pelo diretor. Venceu o DOC TV AL/2006.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
NEURONHA (PE, 2006, 14 minutos), de Daniel Barros. Neuronha é a neurose que se manifesta
em moradores do arquipélago de Fernando de Noronha. Prêmio do público no VIII Festival
de Vídeo de Pernambuco 2006. Segundo curta em vídeo do diretor.

HQ: A 9ª ARTE (SP, 2006, 28 minutos), de Daniela Santana e Priscila Sodré. A história em quadrinhos como expressão artística. Por meio de entrevistas de profissionais do setor são abordados o enredo, a lógica do trabalho, a construção dos personagens, a vida do quadrinista.

CIDADE ADORMECIDA (Ciudad Dormida, ESP, 2006, 09 minutos), de Enrique Rodriguez e Moncho Fernández. Sem diálogos, o filme nos dá uma visão diferenciada, geométrica, de uma cidade vazia, onde só as máquinas funcionam, causando uma sensação de desconforto e dúvidas.

17 horas - Médias-metragens
LUTZENBERGER: FOR EVER GAIA (RS, 2006, 52 minutos), de Otto Guerra e Frank Coe. Perfil do cientista e ambientalista José Lutzenberger (1926-2002), cujo trabalho está todo voltado para o desenvolvimento sustentável, a partir da agricultura ecológica. Vencedor do DOC TV/RS.

18 horas - Curtas-metragens
VIVA VOLTA (PR, 2005, 15 minutos), de Heloísa Passos. O trombonista Raul de Souza é retratado em sua volta a Bangu, subúrbio do Rio e no seu encontro com Maria Bethânia e Jaime Além. A realizadora paranaense é uma diretora de fotografia experiente, formada em sociologia.

IGBADU, CABAÇA DA CRIAÇÃO (PE, 2007, 15 minutos), de Carla Lyra. Mantendo a tradição, o Panorama Doc lança o mais novo documentário em película de Pernambuco sobre a figura da cabaça nos rituais afro. Venceu o Concurso de Roteiros Firmo Neto 2004. Lançamento nacional, com sessão será apresentada pela realizadora e a equipe.

19 horas - Longa-metragem Nacional
SANTIAGO (RJ, 2007, 79 minutos), de João Moreira Salles. Através da história do mordomo da casa onde morou o diretor retoma a montagem de um documentário iniciado em 1992. A memória do entrevistado e sua vasta cultura se sobressaem neste processo de construção cinematográfica. Após a sessão haverá um debate com o diretor.

20h50 - Longa-metragem Internacional
ROLLING LIKE A STONE (SUE, 2005, 65 minutos), de Stefan Berg e Magnus Gertten. Filme amador registra o encontro do grupo Rolling Stones (ainda com Brian Jones) em 1965 com músicos suecos, em Malmö. Quarenta anos depois, os diretores localizaram alguns dos músicos suecos que aparecem no filme.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

18 horas - Mesa de Debates: A Realização de Documentários em Pernambuco
Depoimentos de realizadores locais com filmes exibidos no IV Panorama Recife de Documentários. São eles o jornalista, documentarista e crítico de cinema durante 40 anos no Diário de Pernambuco, Fernando Spencer; Nilton Pereira e Eduardo Homem, da TV Viva e Mariana Fortes, diretora do longa-metragem O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol. Mediação do roteirista e poeta Wilson Freire, diretor do média-metragem Uma Cruz, Uma História e Uma Estrada, vencedor do DOC TV PE 2006.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30 e 19 horas - Longa-metragem Nacional
ESTAMIRA (RJ, 2006, 115 minutos), de Marcos Prado. Mulher de 63 anos sofre de distúrbios mentais analisa aspectos da vida. Ela trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário do Jardim Gramacho. O longa-metragem já venceu 22 prêmios internacionais e é o filme de estréia do diretor.

Após o evento, os filmes Estamira e Um Craque Chamado Divino entram em cartaz, em curta temporada, no Cinema do Parque.