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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Eles não são invísiveis


Crédito: Tiago Santana

Eles estão por aí. Nas esquinas, sinais de trânsito, se expondo à violência do trânsito na beira das estradas. Meninos que perambulam precariamente, presença tão comum que se tornaram invisíveis.

No universo de pobreza, garotos têm seus sonhos, querem ser caminhoneiros ou operadores das bombas de gasolina. Foto: Tiago Santana/Divulgação
Tome o exemplo de Nego e Cocada. Eles vivem na área rural de uma pequena cidade do interior pernambucano. Diariamente se deslocam para o posto de gasolina, onde ficam disponíveis para trabalhos de ocasião. Dificilmente os conheceríamos, não fossem eleitos pelo casal de cineastas Jean-Pierre Duret e Andrea Santana e se tornassem protagonistas de um filme sobre sonhos e realidade.

No meio do mundo (2009) é um documentário incomum entre os que retratam a miséria social brasileira. Isso porque ele não se arvora a interpretar a condição de seus personagens. Se imagens desafiam o público com moscas na comida, no lixo e em bichos moribundos, é porque a vida é dura. Mas guarda poesia o suficiente para se infiltrar na composição das cenas e em diálogos tão fluentes que parecem ficção.

Do alto de seus 15 anos, Nego e Cocada interagem entre si, nunca com a câmera. Esta os revela na medida em que se torna invisível. Em conversas, sonham com um futuro até onde a vista alcança: querem ser caminhoneiros, quiçá operadores das bombas de gasolina. À sombra das boleias estacionadas, discutem a ética de pedir esmolas e compartilham versão para a lenda do papa-figo, que virou traficante de órgãos. Eles precisam trabalhar e também estudar, ao som dos pais esbravejantes.

Nesse contexto de abandono, políticos existem de forma abstrata, em discursos televisivos do presidente Lula e nomes pintados nos muros em disputa eleitoral. Ao assumir o segundo mandato, Lula diz que qualquer pobre pode se tornar presidente.

Coprodução Brasil-França, No meio do mundo foi assim batizado porque é termo recorrente nas falas de Nego e Cocada. Eles, que vivem à beira, dizem ter vontade de "sumir no meio do mundo". Enquanto o título francês, Puisque nous sommes nés (já que nascemos), aponta para outro sentido proposto pelo filme. O de que estamos aqui e, se não háremédio, é preciso viver da melhor forma possível.

(Diario de Pernambuco, 16/07/2010)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Documentário usado como arma social

Mais uma mostra de cinema entra em cartaz a partir de hoje, o que totaliza três eventos voltados ao "gênero" documental no Recife. Trata-se da 1ª Mostra Internacional de Cinema Documentário MiradasDoc, promovida na cidade em parceria com a Universidade Católica, que sedia o evento. Além da exibição de 20 filmes, a programação oferece quatro oficinas, duas palestras e ainda um concurso para desenvolvimento de novos documentários.

A abertura oficial será às 19h de hoje, com a presença de Pedro Rubens Ferreira Oliveira (reitor da Unicap), Hugo Ara (diretor da mostra) e Alejandro Krawietz (diretor do festival MiradasDoc, sediado na Espanha). A mostra nasceu do encontro dos dois últimos, durante a última Jornada Internacional de Cinema da Bahia.

O objetivo principal é destacar filmes com temática ou preocupação social. Isso vale tanto para as sessões noturnas (ver quadro anexo), quanto para as demais atividades, como a palestra O documentário como ferramenta social, a ser proferida amanhã, às 14h, pelo professor Ricardo Mello, o produtor Hamilton Costa (Cabra Quente Filmes) e o cineasta Gabriel Mascaro (Símio Filmes).

As oficinas acontecem todos os dias, e custam R$ 50 (alunos da Unicap pagam R$ 30). São elas: Roteiro para Documentário, com Marcelo Pedroso; Produção de Documentário, com Luci Alcântara; Crítica de Documentário, com Marcelo Costa; e Som direto no audiovisual, com Gustavo Rocha. Já o concurso, batizado UnicapDoc, terá como tema um trecho escrito por João Guimarães Rosa, no livro Grande Sertão: Veredas.

Serviço
1ª Mostra Internacional de Cinema Documentário MiradasDoc
Quando: de hoje a quinta-feira, às 18h
Onde: Auditório Pe. Antônio Vieira (1º andar do Bloco G - Unicap)
Informações: www.unicap.br/eventos/mostra
Entrada franca

Hoje
20h - Geração 65: aquela coisa toda (Brasil, 2008), de Luci Alcântara

Terça
18h - Rough cut (Irã, 2008), de Firouzeh Khosrovani; e The forgotten woman (Canadá), de Dilip Mehta
20h - Celia, the queen (EUA, 2008), de Joe Cardona

Quarta
18h - Silêncio de pedra (Polônia/ Afeganistão, 2007), de Krzysztof Kopczynski; One goal (Espanha / Serra Leoa, 2007), de Sergi Augusti
20h - Rosario Miranda (Espanha, 2004), de David Baute; La vida según era (Espanha, 2007), de José Ángel Alayón Dévora; Felices fiestas (Espanha, 2008), de Victor Moreno; El último minutero (Espanha, 2004), de Elio Quiroga

Quinta
18h - Por mis hijos (Espanha, 2007), de Aymée Cruzalegui Bazzetti; Tapólogo (Espanha / África do Sul), de Gabriela González e Rally Gutiérrez Dewar
20h - Canarias, crónica de urgencia (Espanha, 2007), de David Baute; Semillas que el mar arrastra (Espanha, 2007), de Samba Sarr; La muerte no tiene amigo (Espanha, 2007), de Ayoze O'Shanahan; Arroz, rúcula y perejil (Espanha), de Julio Rodríguez,Marcel Díaz e Roberto Fernández

Sexta
18h - The not dead (Reino Unido, 2007), de Brian Hill; Under construction (França/China, 2007), de Zenchen Liu
20h - Shit and chiks (Holanda/Gana), de Kees vander Geest; L22 Radio la colifata (Argentina, 2007), de Carlos Larrondo

quinta-feira, 31 de maio de 2007

IV PANORAMA RECIFE DE DOCUMENTÁRIOS - programação completa

IV PANORAMA RECIFE DE DOCUMENTÁRIOS 2007
Mostra não competitiva
de 02 a 06 de junho

SÁBADO, 02 DE JUNHO

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232-1556
Ingresso R$ 1,00

18 horas - Longa-metragem Nacional
VAIDADE (RJ, 2002, 12 minutos), de Fabiano Maciel. Mulheres arriscam as suas vidas em canoas precárias da região amazônica e áreas de garimpo para vender produtos de beleza e cosméticos. Primeiro curta-metragem do diretor gaúcho.

OSCAR NIEMEYER - A VIDA É UM SOPRO (RJ, 2007, 88 minutos), de Fabiano Maciel. Aos 99 anos, o arquiteto fala sobre o Partido Comunista, Le Corbusier, o exílio, a construção de Brasília. Conta com depoimentos de Niemeyer, Chico Buarque, Ferreira Gullar e José Saramago. Após a sessão haverá um debate com a presença do diretor do filme.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

19h30 - Lançamento do livro Democracia Audiovisual
Palestra de André Martinez, autor do livro homônimo que estará sendo lançado. Diretor Executivo da Brant Associados e do Instituto Diversidade Cultural é professor titular da Universidade Anhembi Morumbi. No livro faz uma proposta de articulação regional e sustentabilidade para a atividade audiovisual.

20h30 - Longa-metragem Internacional
DO LADO DE MATHILDE (FRA, 2004, 83 minutos), De Claire Denis. Conceituada cineasta (ex-assistente de Wim Wenders e Jim Jarmusch), retrata as idéias, as peculiaridades e exercícios laboratoriais da obra coreográfica de Mathilde Monnier. Lançada na Mostra Audiovisual de Dança, no Cinema Apolo.


DOMINGO, 03 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Homenagem à TV Viva
Homenagem à produtora de vídeos sediada em Olinda (PE), seguida da exibição do documentário Desde Cuba Hasta Pernambuco, realizado em 2005 em parceria com a Casa Del Caribe. Com direção e roteiro de Nilton Pereira, faz um parâmetro das singularidades culturais entre os afrodescendentes da ilha caribenha e o do estado nordestino.

16 horas - Média-metragem
GRASSROOTS (BRA/CAM, 2006, 55 minutos), de André Ferezini. Um retrato íntimo dos jovens que vivem em Phnom Penh, capital do Camboja. A história recente do país é remontada através de opiniões sobre a atuação do Khmer Vermelho e a guerra civil que destruiu o país nos anos 70. Lançamento mundial no IV Panorama Recife de Documentários 2007.

17 horas - Longa-metragem internacional
POR QUE LUTAMOS (Why We Fight, EUA, 2005, 98 minutos), de Eugene Jarecki. Analisa de forma jornalística como os Estados Unidos construíram o maior império bélico do mundo. O filme refaz toda a história da Guerra Fria e suas conseqüências para o mundo. Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Sundance 2005.


SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Foco: Brasília
DAS RUAS PARA A UNB (DF, 2006, 08 minutos), de Diana Paixão. Produzido pelo Núcleo de Documentários da Radiobrás fala sobre Sérgio Reis, um ex-morador de rua que conseguiu passar no vestibular de psicologia na Universidade de Brasília (UnB). A sessão será apresentada por Elsa Chabrol.

FELIZ NATAL (DF, 2006, 16 minutos), de Guilherme Bacalhao. O esforço de uma família para conseguir mantimentos durante o período do Natal. Nesta época, as avenidas da Capital Federal ficam cheias de famílias que acampam, vindas das cidades satélites.

A BOLANDEIRA (PB, 1968, 10 minutos), de Vladimir Carvalho. A decadência dos engenhos de açúcar do interior da Paraíba, dotados de construções de madeira com tração animal. Clássico do documentário nacional inspirou Walter Salles em seu longa-metragem
Abril Despedaçado.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
1964 ENCONTRO COM A MEMÓRIA (PE, 2004, 19 minutos), de Marcelo Santos, Michel Bamps e Raphaella Vieira. Trinta anos depois do início da ditadura militar no Brasil, vítima e torturador se reencontram. Terceiro lugar no VIII Festival de Vídeo de Pernambuco 2006.

VAI INDO QUE EU JÁ VOU (SP, 2006, 15 minutos), de Marcelo Perez e Rubem Barros. Trata do imaginário da morte de forma divertida, entrevistando um padre irlandês, um cineasta, em escritor, uma florista, um dono de cemitério, um mexicano e um mecânico pernambucano.

OS TAMBORES DO PASSADO (Tourou et Biti, FRA/NIG, 1971, 12 minutos), de Jean Rouch. Filmado em um único plano, registra um ritual de possessão pela proteção da colheita de uma vila no Níger, país onde o etnógrafo francês acabou falecendo de acidente de carro, em 2004.

17 horas - Médias-metragens
DEPOIS DA FESTA (SP, 2006, 52 minutos), de Karina Fogaça. A região de Ilha Bela no litoral paulista é a Meca das mansões de veraneio de pessoas ricas. Na região, eles convivem com os caiçaras, nativos que vivem da pesca e do comércio informal.

18 horas - Curtas-metragens
HIBAKUSHA: OS HERDEIROS ATÔMICOS NO BRASIL (SP, 2006, 16 minutos), de Maurício Kinoshita. Série de depoimentos sobre habitantes da cidade de São Paulo que chegaram ao Brasil após a explosão nuclear em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

ALMERY, A ESTRELA (PE, 2007, 08 minutos), de Fernando Spencer. Biografia da atriz Almery Esteves, estrela do Ciclo de Cinema do Recife, que durou de 1923 a 1931 e foi o período mais profícuo para a cinematografia de longas-metragens em Pernambuco. Após a sessão, uma conversa com o realizador e ex-crítico de cinema do Diário de Pernambuco.

19 horas - Longa-metragem Nacional
NAS TERRAS DO BEM-VIRÁ (SP, 2007, 110 minutos), de Alexandre Rampazzo. O conflito agrário no Brasil abordado com imagens inéditas da chacina de Eldorado dos Carajás e do assassinato da missionária americana Dorothy Stang. Filmado em 05 estados e 29 cidades da região norte-nordeste.

20h50 - Longa-metragem Internacional
O SEGREDO (The Secret, EUA, 2006, 89 minutos), de Drew Heriot. Um grupo de especialistas analisam um segredo existente há séculos na humanidade e a possibilidade da realização pessoal em caso de entendimento e boa aplicação dos princípios nele contido.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30, 18h15 e 20 horas - Longa-metragem Nacional
O CÔCO, A RODA, O PNEU E O FAROL (PE, 2007, 80 minutos), de Mariana Fortes. Mostra a música como elemento de miscigenação e de resistência, particularmente nas atividades dos mestres de cultura popular do Coco do Amaro Branco, em Olinda. Filme de estréia da diretora. Ao final da última sessão haverá uma apresentação musical, com a presença de elenco e diretora.


TERÇA-FEIRA, 05 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Sessão Especial Festival de Vídeo de Pernambuco
QUANDO A MARÉ ENCHER (PE, 2006, 30 minutos), de Oscar Malta. Registro do cotidiano dos pescadores urbanos da Ilha de Deus no Recife e o modo de vida criativo de cada um. Primeiro lugar do VIII Festival de Vídeo de Pernambuco 2006.

15 CENTAVOS (PE, 2006, 12 minutos), de Marcelo Pedroso. Protesto de estudantes no centro do Recife contra o aumento de passagens de ônibus abordado de maneira pouco usual por uma câmera quase imperceptível. Segundo lugar no Festival de Vídeo de Pernambuco.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
ÁRVORE SAGRADA (PE, 2006, 25 minutos), de Cléa Lúcia. A ocupação inadequada da caatinga sem se considerar sua rica biodiversidade. Integrante desta riqueza, o Umbuzeiro assume na região a imagem de árvore mítica e sagrada, por estar ligada à sobrevivência das comunidades.

EM TRÂNSITO (MT, 2007, 25 minutos), de Elton Rivas. Mostra a luta pela terra do povo indígena Irantxe/Manoki, habitantes do noroeste do Estado de Mato Grosso. O diretor é professor da Universidade Federal de Mato Grosso.

TEMO QUE SIM (Afraid So, EUA, 2006, 03 minutos), de Jay Rosenblatt. Baseado em um poema em que cada verso propõe a resposta implícita “temo que sim”, a destruição iminente permeia o filme. Obra-prima do excelente documentarista e professor norte-americano.

17 horas - Médias-metragens
UMA CRUZ, UMA HISTÓRIA E UMA ESTRADA (PE, 2007, 52 minutos), de Wilson Freire. Vencedor da terceira edição do Programa DOC TV, em Pernambuco, parte das cruzes de beira de estradas para fazer uma busca de histórias e resgate de memórias do imaginário coletivo. A sessão será apresentada pelo realizador e sua equipe de produção.

18 horas - Curtas-metragens
OFICINA PERDIZ (DF, 2006, 20 minutos), de Marcelo Díaz. José Perdiz, dono de oficina mecânica em Brasília resolve abrir as portas para o teatro alternativo no Distrito Federal e enfrenta a perseguição de autoridades. Melhor curta no Festival de Brasília do ano passado.

SCHENBERGUIANAS (PE, 2006, 20 minutos), de Sérgio Oliveira e William Cubits. Cinema, música e outros temas inspirados na obra do físico nuclear e crítico de arte pernambucano Mário Schenberg (1914-1990). Vencedor do Concurso de Roteiros Firmo Neto 2002.

19 horas - Longa-metragem Nacional
NENHUM MOTIVO EXPLICA A GUERRA (RJ, 2006, 84 minutos), de Cacá Diegues e Rafael Dragaud. O grupo cultural AfroReggae mostra em sua trajetória que é possível reverter o estigma da violência das favelas. Após 15 longas, este é o primeiro documentário da carreira de Cacá Diegues.

20h50 - Longa Internacional
POR APENAS UM DOS MEUS DOIS OLHOS (Pour Um Seul des Mes Deux Yeux, ISR/FRA, 2005, 100 minutos), de Avi Mograbi. Construção de faraônico muro em volta de Israel permite ao diretor abordar o assunto como integrante do filme. Este isolamento recria o mito de Sansão e Massada. O filme entra em cartaz após a mostra no Cinema Apolo.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

17 horas - Fomento, distribuição e exibição de documentários
Palestra de Elsa Chabrol, diretora do Núcleo de Documentários da Radiobrás, em Brasília (DF). Na ocasião, ela vai falar sobre o projeto da estatal brasileira em promover discussões acerca do papel do documentário e sua importância para o setor audiovisual. Debatedora: Tarciana Portella, Delegada Regional do Ministério da Cultura, que fará uma apresentação sobre os editais e projetos do Governo Federal para a área.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30, 18h15 e 20 horas - Longa-metragem Nacional
UM CRAQUE CHAMADO DIVINO (SC, 2006, 81 minutos), de Penna Filho. A trajetória do jogador de futebol Ademir da Guia, membro da famosa Academia, time do Palmeiras que fez historia na década de 70. Conta com depoimentos de Juca Kfouri, Gérson, Sócrates, Leivinha, Fiori Gigliotti, entre outros.


QUARTA-FEIRA, 06 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Sessão Especial DOC TV
CALABAR (AL, 2006, 52 minutos), de Hermano Figueiredo. Considerado ao mesmo tempo herói e traidor, Domingos Fernandes Calabar tem incerto até o ano de seu nascimento, 1600. Senhor de engenho de Pernambuco, morou em Porto Calvo (AL) e teve papel decisivo na Invasão Holandesa de 1930-1954. A sessão será apresentada pelo diretor. Venceu o DOC TV AL/2006.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
NEURONHA (PE, 2006, 14 minutos), de Daniel Barros. Neuronha é a neurose que se manifesta
em moradores do arquipélago de Fernando de Noronha. Prêmio do público no VIII Festival
de Vídeo de Pernambuco 2006. Segundo curta em vídeo do diretor.

HQ: A 9ª ARTE (SP, 2006, 28 minutos), de Daniela Santana e Priscila Sodré. A história em quadrinhos como expressão artística. Por meio de entrevistas de profissionais do setor são abordados o enredo, a lógica do trabalho, a construção dos personagens, a vida do quadrinista.

CIDADE ADORMECIDA (Ciudad Dormida, ESP, 2006, 09 minutos), de Enrique Rodriguez e Moncho Fernández. Sem diálogos, o filme nos dá uma visão diferenciada, geométrica, de uma cidade vazia, onde só as máquinas funcionam, causando uma sensação de desconforto e dúvidas.

17 horas - Médias-metragens
LUTZENBERGER: FOR EVER GAIA (RS, 2006, 52 minutos), de Otto Guerra e Frank Coe. Perfil do cientista e ambientalista José Lutzenberger (1926-2002), cujo trabalho está todo voltado para o desenvolvimento sustentável, a partir da agricultura ecológica. Vencedor do DOC TV/RS.

18 horas - Curtas-metragens
VIVA VOLTA (PR, 2005, 15 minutos), de Heloísa Passos. O trombonista Raul de Souza é retratado em sua volta a Bangu, subúrbio do Rio e no seu encontro com Maria Bethânia e Jaime Além. A realizadora paranaense é uma diretora de fotografia experiente, formada em sociologia.

IGBADU, CABAÇA DA CRIAÇÃO (PE, 2007, 15 minutos), de Carla Lyra. Mantendo a tradição, o Panorama Doc lança o mais novo documentário em película de Pernambuco sobre a figura da cabaça nos rituais afro. Venceu o Concurso de Roteiros Firmo Neto 2004. Lançamento nacional, com sessão será apresentada pela realizadora e a equipe.

19 horas - Longa-metragem Nacional
SANTIAGO (RJ, 2007, 79 minutos), de João Moreira Salles. Através da história do mordomo da casa onde morou o diretor retoma a montagem de um documentário iniciado em 1992. A memória do entrevistado e sua vasta cultura se sobressaem neste processo de construção cinematográfica. Após a sessão haverá um debate com o diretor.

20h50 - Longa-metragem Internacional
ROLLING LIKE A STONE (SUE, 2005, 65 minutos), de Stefan Berg e Magnus Gertten. Filme amador registra o encontro do grupo Rolling Stones (ainda com Brian Jones) em 1965 com músicos suecos, em Malmö. Quarenta anos depois, os diretores localizaram alguns dos músicos suecos que aparecem no filme.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

18 horas - Mesa de Debates: A Realização de Documentários em Pernambuco
Depoimentos de realizadores locais com filmes exibidos no IV Panorama Recife de Documentários. São eles o jornalista, documentarista e crítico de cinema durante 40 anos no Diário de Pernambuco, Fernando Spencer; Nilton Pereira e Eduardo Homem, da TV Viva e Mariana Fortes, diretora do longa-metragem O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol. Mediação do roteirista e poeta Wilson Freire, diretor do média-metragem Uma Cruz, Uma História e Uma Estrada, vencedor do DOC TV PE 2006.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30 e 19 horas - Longa-metragem Nacional
ESTAMIRA (RJ, 2006, 115 minutos), de Marcos Prado. Mulher de 63 anos sofre de distúrbios mentais analisa aspectos da vida. Ela trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário do Jardim Gramacho. O longa-metragem já venceu 22 prêmios internacionais e é o filme de estréia do diretor.

Após o evento, os filmes Estamira e Um Craque Chamado Divino entram em cartaz, em curta temporada, no Cinema do Parque.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

Video pernambucano em rede nacional de televisão



Uma cruz, uma história e uma estrada, documentário do pernambucano Wilson Freire será exibido neste domingo (6), às 23h, na rede pública de televisão. Com reprise no sábado seguinte, às 21h. O vídeo de média metragem foi realizado em 2006, após seu roteiro ter sido escolhido para representar Pernambuco na terceira edição do DOCTV, um Programa da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, em parceria com as TVs públicas e realizadores de todo o país.

Nos anos anteriores, o núcleo pernambucano do DOCTV produziu Ensolarado Byte, de Maurício Castro, e Mitos e lendas no reisado de Inhanhum, de Alexandre Fernandes.

Uma cruz, uma história e uma estrada percorre discursos, caminhos e casos de pessoas que morreram em acidentes nas estradas, do litoral ao sertão. Começa com um depoimento da mãe de Chico Science, falecido tragicamente em 1997 após bater o carro em alta velocidade num poste entre Recife e Olinda.

Da Zona da Mata, para o agreste e o sertão, artistas como Siba, J. Borges proseiam sobre a simbologia das cruzes e cruzeiros fincados na beira das estradas, casos, acidentes, e pessoas queridas que se foram subitamente. Antônio Nóbrega também participa, cantando uma loa num velório fictício.

O release oficial do DOCTV diz o seguinte sobre a produção: "Road-movie que parte da cidade de Recife, e percorre mais de 3.500 km pela Zona da Mata, Agreste e os sertões dos vales do Moxotó, Pajeú e Cariris, e adota como procedimento o registro de histórias de vida e morte, a partir da identificação das Cruzes que são erguidas à beira das estradas e caminhos. Histórias de vida de anônimos e de famosos com um único destino trágico: o de tombarem sem vida à margem de uma estrada, asfaltada ou de chão batido, na grande metrópole ou nos mais longínquos sertões. Uma Cruz, uma História e uma Estrada fala do efêmero e do eterno; do humano e do Divino; do agora e do depois."

terça-feira, 24 de abril de 2007

"Música para os Olhos": um filme à altura do poeta



Uma maravilha assistir a "Cartola - Música para os olhos" no Cinema da Fundação. Sala lotada, prazer compartilhado em silêncio, ou nem tanto: alguns cantaram baixinho as músicas do mestre. Enquanto esperava na fila, me veio a pergunta que fiz desde quando soube da produção, em 2004, enquanto Lírio Ferreira e Hilton Lacerda (também autores de "Baile Perfumado") disseminaram delírio e poesia com "Árido Movie": "um carioca não contaria com mais propriedade a vida de Angenor de Oliveira?"

A dúvida, estendida por três anos, acabou em poucos minutos. Fica claro que este não pretende ser "o" documentário sobre o sambista; será muito melhor aproveitado se entendido como "um" olhar que extrapola o personagem, aqui reconstruído de forma bem subjetiva, em imagens de arquivo, trechos de filmes nacionais, entrevistas para TV e rádio, e na fala dos amigos e familiares. A montagem é um grande mérito: hipertextual, caótica, imprevisível e entrecortada, aos poucos recria o contexto social, político e cultural do período vivido por Cartola (1908-1980).

Verbalmente, não há novidade - e nem precisa. A história de Cartola já está bem contada e recontada, da juventude boêmia para compositor e fundador da Mangueira, os anos de ostracismo, o resgate cult nos anos 60, a importância da família e a lamentada morte por câncer. Por outro lado, o material de arquivo informa mais do que a escrita pode revelar: os modos de falar, vestir e se expressar; os ambientes, as locações onde se deu boa parte da história do samba.

A abordagem é outro caso à parte. O bairro da Mangueira, por exemplo, chega através dos fios de eletricidade, as casas saindo do quadro, fora de foco. Os arcos da Lapa entram em cena pela sombra projetada nas ruas. O próprio Cartola se faz presente assim, sutil e enviezado.

Na primeira parte, ele surge aos poucos, em uma ou outra foto, com falas dispersas, um centro invisível em que giram os demais elementos. O uso de quadros dramáticos para preencher a falta de registro dos primeiros tempos lembra o excelente "The Soul of a Man", onde Wim Wenders faz o mesmo para recuperar trechos da vida de Blind Willie Johnson. Blues, samba, música negra.

"Música para os olhos" é também um diálogo com o cinema brasileiro. Nele, imagens do enterro de Cartola conversam com "Di", de Glauber, proibido no Brasil pela família do pintor. Trechos de "Brás Cubas", a adaptação de Julio Bressane para o clássico machadiano, clama pela liberdade de criação frente à importância de um ícone cultural do samba. Mário Reis arremessando discos no mar e cantando em estúdio foram pinçadas de "O Mandarim", outro filme de Bressane aqui invocado, cujas cenas exibidas ao contrário com certeza inspiraram a sequência de imagens da ditadura militar.

Em meio a tantas referências e documentos antigos, surge um recado maior do que a importância de Cartola: a necessidade de cuidar melhor de nossa memória coletiva. Fitas VHS amassadas, películas deterioradas e depoimentos desmagnetizados são problemas que poderiam pesar contra a qualidade do filme, não fossem usados a seu favor. Solução bem conhecida do cinema periférico, acostumado a transformar limitação técnica em recurso de linguagem.

São essas infinitas citações, aspecto tão instigante aqui quanto a figura de Cartola, o elemento gerador de algumas críticas negativas. Isso porque, neste documentário, o cinema tem uma carga poética tão grande quanto àquela contida em Cartola. Equilíbrio mantido até os últimos quinze minutos, quando a montagem ágil e inteligente cede espaço para a exagerada e quase submissa reverência ao compositor. Um deslize que não tira o brilho deste filme atípico entre as recentes cine-biografias nacionais.

Por fim, é muito bom constatar que, em nenhum momento, a produção pode ser considerada "pernambucana". Seu olhar não tem origem, é simplesmente "estrangeiro". A despeito dos inevitáveis pernambucanismos e carioquismos, "Música para os olhos" é, antes de tudo, brasileiro.