Mostrando postagens com marcador tudo-isto-me-parece-um-sonho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tudo-isto-me-parece-um-sonho. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Minissérie "Abreu e Lima - General de Bolívar" estreia na TV Brasil



Amigos, faço uma pausa no meu feriado para um convite: hoje, às 20h30, na TV Brasil, estreia Abreu e Lima - General de Bolívar, de Geraldo Sarno, mini-série da qual tive o privilégio de participar como pesquisador e produtor.

Nosso trabalho, realizado em 2008, rendeu um documentário longa-metragem premiado em Brasília (melhor direção e melhor roteiro), chamado Tudo isto me parece um sonho.

O filme foi considerado pelo cineasta Carlos Reichenbach, em seu blog, como "a maturidade política do documentário brasileiro".

"Uma generosa aula de história que não subestima o espectador, na tradição mais avançada do materialismo dialético e da inspiração visionária de Antônio Gramsci e Palmiro Togliatti. Sarno fez um filme que celebra o exercício do pensamento ("todos os homens são filósofos" - Gramsci). Para poucos sim; mas ninguém me convence que o cinema precise eternamente bajular o grande público e ficar subserviente à ditadura do borderô e da preguiça que faz evitar a reflexão. TUDO ISSO ME PARECE UM SONHO pressupõe cultura política, fina informação, fé na liberdade e o prazer do debate (nunca do discurso e do proselitismo). Um troféu audiovisual à inteligência e ao amor à América Latina", escreve Reichenbach.

Agora, o diretor volta ao tema no formato série de 4 episódios, voltados para a TV. Abreu e Lima - General de Bolívar é inspirado na vida do militar, político, jornalista e escritor. Aborda o período desde a Revolução de 1817, em Pernambuco, onde o pai de Abreu e Lima, Padre Roma, foi um dos líderes, até sua morte, em 1869. Nesse período, Abreu e Lima participou das lutas de libertação das colônias espanholas na América, sob comando de Simon Bolívar, e da Revolução Praieira de 1848, no Recife.

Há diversas locações na Venezuela e Brasil (Recife, Salvador, Brasília e Rio de Janeiro). E participações especiais do núcleo de artistas populares de Chã de Camará (município de Aliança, Zona da Mata Norte Pernambucana): Biu do Coco, Mestre Zé Duda e Pai Mário, todos do Maracatu Estrela de Ouro.

Dividida em quatro capítulos de 24 minutos, a série conta com a participação dos professores de história, Vamireh Chacon, da Universidade de Brasília e biógrafo do general Abreu e Lima; e Pedro Sosa, da Universidade Central de Venezuela. Eles revivem os fatos históricos referentes às duas revoluções pernambucanas e à saga bolivariana, nos locais onde eles ocorreram.

O primeiro capítulo trata das motivações políticas, sociais e culturais da Revolução de 1817, em Pernambuco, estendendo-se até a morte do Padre Roma e a fuga de Abreu e Lima para o exterior. O capítulo seguinte está inteiramente dedicado à sua participação nos embates políticos e ideológicos e nas batalhas militares, sob o comando de Bolívar, pela libertação das colônias espanholas. Após a morte do líder, Abreu e Lima volta ao Brasil e participa da Revolução Praieira de 1848, em Pernambuco.

O passado de lutas, a defesa do direito dos protestantes distribuírem suas bíblias e a morte de Abreu e Lima são assuntos do último capítulo da série. Seu retrato o imortaliza ao lado de Bolívar e dos próceres que libertaram as colônias espanholas e instituíram as atuais nações: Colômbia, Venezuela, Equador, Peru e Bolívia.

Atualmente, Sarno produz um longa sobre Honoré de Balzac, a partir de uma obra transcrita por um espírita brasileiro e do conto do próprio Balzac, A pele de Onagro. Detalhes aqui, em matéria escrita para o Diario de Pernambuco. Entrevista com Geraldo Sarno, aqui.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Concurso de críticas leva leitor do Diario a Gramado



De 9 a 15 de agosto, o Festival de Cinema de Gramado realiza sua 37ª edição. Mais uma vez, o Diario de Pernambuco marca presença e fará a cobertura completa deste que é um dos mais antigos e conhecidos festivais de cinema do país.

Anunciada na semana passada, a programação deste ano traz uma boa amostra da produção nacional e latino-americana. Mérito da curadoria dos cineastas Sérgio Sanz e José Carlos Avellar, que há quatro anos se dedicam a fazer de Gramado um reduto não só de personalidades e famosos da TV, mas também de bons filmes e ideias.

"Antes, as pessoas prestavam mais atenção ao tapete vermelho do que à tela. Nossa preocupação é que os filmes voltem a ser a atração principal", disse Avelar, no fim da última edição do evento.

O ator Reginaldo Faria e o cineasta Ruy Guerra são os principais homenageados deste ano. Um dos destaques da mostra competitiva é Canção de Baal, longa de estreia de Helena Ignez, atriz de carreira consolidada por filmes como Assalto ao trem pagador e O bandido da luz vermelha. Baseado em peça de Bertolt Brecht, seu filme tem cenários de Guto Lacaz, músicas de Tom Waits cantadas em português e cenas de nudez que prometem dar o que falar.

Na mostra internacional, os olhos se voltam para produção peruana La teta asustada, de Claudia Llosa, vencedora do Urso de Ouro no último Festival de Berlim. Entre os 12 curtas nacionais (ainda há 15 curtas da mostra gaúcha), concorre o pernambucano Não me deixe em casa, de Daniel Aragão.

Fora de competição, o Panorama do Cinema traz Garapa, de José Padilha (também exibido em Berlim), Morro do céu, de Gustavo Spolidoro, e Tudo isto me parece um sonho, de Geraldo Sarno (parcialmente rodado em Pernambuco). A Mostra Música e Poesia exibe, entre outros, Só dez por cento é mentira, de Pedro Cezar (sobre Manoel de Barros) e o pernambucano A geração 65, de Luci Alcântara.

Concurso leva leitor ao festival - Em tradicional parceria com o evento, o Diario de Pernambuco promove um concurso que levará, com todas as despesas pagas, um de nossos leitores para participar do júri popular do Festival de Gramado. Para concorrer, basta escrever uma resenha crítica sobre o longa-metragem A festa da menina morta, de Matheus Nachtergaele, atualmente em cartaz no Cinema da Fundação (veja roteiro). Ano passado, o filme foi um dos destaques de Gramado, onde ganhou 6 Kikitos de Ouro (prêmio especial do júri, melhor ator para Daniel de Oliveira, melhor fotografia, melhor música, prêmio da crítica e melhor filme pelo júri popular).

O texto deve ter até 35 linhas, em corpo Times New Roman 12, e ser enviado para o e-mail edviver.pe@diariosassociados.com.br ou via Correios, endereçado à sede dos Diários Associados (Rua do Veiga, 600, Santo Amaro). O prazo para as inscrições se encerra na próxima segunda-feira, dia 27. Entre os critérios de avaliação estão originalidade, concisão, capacidade argumentativa e teor opinativo. Podem participar candidatos de qualquer faixa etária, desde que residentes na Região Metropolitana do Recife. Ao todo, o festival convocará quinze jurados de todo o Brasil.

(Diario de Pernambuco, Caderno Viver, 22/07/09)

domingo, 12 de julho de 2009

Entrevista // Geraldo Sarno: "A questão é ousar a ponto de arriscar a não fazer mais nada depois disso"



Porque a opção por Balzac e a psicografia no novo filme?

O que mais me interessa é refletir sobre o processo de criação. Posso considerar o livro de Valdo Vieira como uma leitura de Balzac, uma interpretação da sua obra. O estudo científico de Osmar Ramos é uma segunda interpretação, a partir da análise do "pastiche". Se nós, enquanto cinema, trazemos a figura histórica de Balzac e sua obra, no caso A pele de Onagro, citada no estudo de Osmar, fazemos também uma análise própria. São, no mínimo, três pontos de vista, mais o nosso - o do filme.

A relação entre palavra e imagem parece ser algo constante na sua carreira.

Estou tornando essa relação mais precisa agora. Um possível subtítulo para esse filme seria "a palavra e a imagem". É sabido que o Balzac dava primazia à imagem, inclusive por sua aproximação da pintura. Tanto que o Osmar, a partir do livro psicografado, identifica um quadro do século 17, feito pelo pintor holandês Paul Potter, mais ou menos contemporâneo de Rembrandt. Osmar descobriu que quadro é esse, e faz uma análise entre a pintura e a A pele de Onagro, algo absolutamente original e nunca realizado por nenhum estudioso de Balzac.

Como entender o conceito de "protodocumentário", que você utiliza em seu último filme? O "pastiche" ficcional reservado a Balzac seria algo semelhante?

Penso em A pele de Onagro como um "pastiche" do texto original, uma imagem para cada palavra, em diálogo com o romance. Diferente do filme Tudo isto me parece um sonho, onde existe um documentário dentro do documentário, que poderia ser entendido como um protodocumentário sobre a cana de açúcar. É um série de planos dispostos com elementos mais simples do tema: a plantação, o corte, a usina, uma série de planos com narração de um texto histórico do século 19, de Antonio Pedro Figueredo. Uma sequência básica, embrionária, quase que não manejada. Esteticamente, é a coisa mais linda que eu já fiz.

Você classifica seus últimos filmes como "suicidas". O que isso significa?

Essas coisas me vieram depois que fiz Tudo isto me parece um sonho. Eu o chamo de suicida por dois motivos. Primeiro, porque é um documentário com duas horas e meia de duração - o primeiro corte tinha quatro horas. Segundo, eu não sabia o que estava fazendo. Então o "suicídio" diz respeito a assumir riscos, de buscar formas diferentes de fazer filmes. Eu não sei me repetir, tenho que fazer algo que não sei fazer. Se eu não sei fazer, isso me instiga. Se eu soubesse o que é, eu não faria. Não é algo meramente estético, porque penso que certos parâmetros de criação são necessários. Digo isso dado o momento do audiovisual contemporâneo, pois tento trabalhar a partir de um marco social e histórico. A questão é ousar a ponto de arriscar não fazer nada mais depois disso. Pode dar certo, ou não, mas se não for assim, você vai fazer a mesma coisa que todo mundo está fazendo. O que termina por ser outra forma de suicídio.

Nos anos 60, você fez parte de um grupo que propôs um projeto de pensar o país através do cinema. Qual o balanço, cinquenta anos depois?

Se você pensar na obra de Glauber Rocha, Leon Hirszman e Joaquim Pedro de Andrade, que se realizam em universos de criação próprios, cada um à sua maneira, abordaram exatamente as mesmas grandes questões do Brasil. No mais, nunca houve esse projeto. Glauber Rocha disse que evitamos o debate estético por questões políticas. Agora, que passamos por uma grande pobreza estética, não temos mais embasamento para construir uma visão de mundo. E para isso não basta a mera visão política. Ela te leva para o tema, faz a análise correta, mas automaticamente não faz uma obra. Pois o que faz a obra é a linguagem, a maneira de fazer.

Eisenstein colocou isso de maneira extraordinária quase um século atrás. A esquerda, que está em ascensão no Brasil e na América Latina, deveria refletir sobre aquele momento, e voltar a ler a Escola de Frankfurt, Giles Deleuze, Michel Foucault. Agora, que os sindicatos estão fazendo TV, que o MST se interessa em filmes e temos estruturas de comunicação de esquerda como a Telesur, precisamos colocar a questão do que fazer, de como manejar a linguagem audiovisual. Fazemos cinema documentário como se não ainda não existisse a antropologia de Levi-Strauss.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

"Tudo isto me parece um sonho", de Geraldo Sarno, hoje, no Cinema da Fundação



O Cine PE terminou ontem; o Panorama Recife de Documentários começa hoje. Não bastasse, o Cinema da Fundação recebe o novo documentário de Geraldo Sarno, o longa Tudo isto me parece um sonho.

A sessão será hoje, às 19h, logo após a reunião que lançará o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Economia da Cultura em Pernambuco, promovido pela Fundarpe, em parceria com a Fundaj e a Odebrecht, partrocinadora do filme.

Com direção e roteiro premiados no último Festival de Brasília, o documentário mostra a busca do diretor e sua equipe pela história do General José Ignacio de Abreu e Lima (1794-1869), o pernambucano que ajudou Simón Bolívar a expulsar os colonizadores da América Espanhola. Em sua terra natal é nome de cidade e refinaria, e mesmo assim continua sendo um ilustre desconhecido.

Na equipe, da qual participei como pesquisador e produtor, estão Werner Salles (roteiro), Isolda Libório (produção executiva), Nicolas Hallet (som) e Pedro Urano (fotografia).

A entrada é gratuita, e a projeção conta com a presença de Geraldo Sarno e do professor Vamireh Chacon, que também participa do filme.