
A cada cinco anos, Mission: impossible gera um novo tomo. Fã declarado da serie original, Tom Cruise diz que assumiu a produção desde a primeira parte da franquia porque ninguém estava fazendo filmes de ação da maneira que ele gostaria. Ou talvez que não o evidenciasse tanto como herói infalível. Em Missão: impossível - Protocolo fantasma, ele posa até de James Bond, um 007 norte-americano, elegante e sem sutilezas.
A primeira novidade é o upgrade tecnológico. Várias referências à antiga série estão no novo filme, como a missão recebida via telefone público. Só que desta vez, a clássica autodestruição da mensagem ocorre somente após um empurrãozinho do astro, condescendente com os métodos antigos, apesar do parabrisa touch de sua BMW futurista. iPads, iPhones e iMacs surgem a rodo, diz o diretor Brad Bird, sem que a produção recebesse um centavo da Apple.
Missão: impossível – Protocolo fantasma estreia com o mundo em ebulição: Europa em crise econômica, Rússia e Oriente Médio em enfrentamentos políticos. No entanto, o pano de fundo do filme se reduz à nostálgica guerra fria. A missão da vez é impedir o extermínio nuclear, a partir de códigos escondidos nos subterrâneos do Kremlin. Tomado pela insanidade, um agente está determinado a deflagrar uma bomba atômica.
Geralmente o IMF (Impossible Mission Force) age sem a chancela oficial da Casa Branca. Acaso capturados, o governo nega conhecimento de suas ações. Agora o grupo atua por conta própria, pois perde qualquer relação com os Estados Unidos, após o incidente em Moscou.
Envolvido em trama tão retrô, Cruise arrisca não atingir o upgrade mais cobiçado: o de sua imagem como astro de ponta. Mas ele se esforça. Para impedir o desastre, encara desafios como escalar o prédio mais alto do mundo, em Dubai. Para depois descer correndo, na vertical. Leva tiros, enfrenta o fundo do mar, explosões, carros que capotam em tempestade de areia.
Na série televisiva dos anos 1970, o foco estava no trabalho em grupo, capaz de superar as mais difíceis missões. Espetacular e inverossímil, a franquia se esforça para equalizar esse mesmo equilíbrio, mas a ação sempre gira em torno de Cruise, que pilota carrões e contracena com musas como parceira boa de briga Paula Patton e a femme fatalle Léa Seydoux, espiã mercenária que atira com elegância de passarela.
A via é de mão dupla. Enquanto valoriza destinos turísticos do mundo, Cruise traz para si a exuberância arquitetônica das cidades, reduzidas a um adorno para a sanha auto-afirmativa de personificação do sucesso. Tudo arriscado, excitante e resolvido no ultimo minuto. Como culto a Cruise e entretenimento sem compromisso, é bom programa. Convém não esperar mais do que isso.
(Diario de Pernambuco, 23/12/2011)







