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sexta-feira, 18 de março de 2011

Estreia // Invasão do mundo: batalha Los Angeles, de Jonathan Liebesman


Um pouco mais de pudor ideológico e bons roteiristas cairiam bem

Alienígenas implacáveis dominam a Terra, destroem cidades inteiras, ameaçam acabar com a vida humana. Guerra dos Mundos? Independence Day? Sim e também Invasão do mundo: Batalha de Los Angeles (Battle: Los Angeles, EUA, 2011), a nova superprodução a glorificar a supremacia do exército norte-americano.

Cada época reedita invasores de outro planeta de acordo com a paranoia da vez. Se um dia eles representaram a ameaça comunista, hoje estão mais para o terrorismo pós-11 de setembro. Atacam sem motivo aparente, explicação ou ao menos esboçar a intenção de diálogo. Ao espectador, resta acompanhar a resistência voraz do destacamento de mariners liderados pelo sargento Nantz (Aaron Eckhart), tipo durão, patriota, que joga granada com uma mão enquanto protege criança inocente com a outra.

Aos que procuram alguma novidade, resta o deslumbre tecnológico provocado pelo formato de captação e exibição 4k, duas vezes superior à resolução Full HD, disponível em três salas do Recife: Kinoplex Recife 1, Tacaruna 1 e Plaza 5. Nelas é possível enxergar a invasão com precisão microscópica, como no momento em que milhares de naves se unem para formar uma única superestrutura voadora.

Sucesso comercial nos EUA, o longa de Jonathan Liebesman funciona bem como showroom de novas possibilidades do cinema digital. É uma pena, mas ao fim da projeção, fica a sensação de não ser nada que vá para além disso.

A não ser o game que foi lançado semana passada.

(Diario de Pernambuco, 18/03/2011)

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Estreia // "O golfinho - a história de um sonhador"



Antes mesmo do sucesso do simpático Flipper, a presença de golfinhos como personagens do cinema fazia a cabeça da criançada. É nesse nicho que aposta a animação O golfinho - A história de um sonhador. O longa adapta livro homônimo de Sergio Bambarén sobre um golfinho adolescente e sonhador chamado Daniel Alexandre (voz de Marcos Mion na versão brasileira), que decide abandonar seu grupo e descobrir o mistério dos sete mares. A mensagem? "Siga os sonhos e escute a voz do coração".

(Diario de Pernambuco, 09/10/2009)

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cinema // Roteiro da semana no Recife



No Recife, o fim de semana começa com quatro estreias. A animação Tá chovendo hambúrguer, a ficção Gamer (censura 18 anos) e os nacionais Salve geral e Apenas o fim.

Recomendo Salve geral, Anticristo, O grupo de Baader Meinhof e Garapa, que estreia domingo, às 12h10, na Sessão de Arte do UCI Plaza e segunda, às 19h, no UCI Tacaruna. O ótimo francês Bem-vindo continua a carreira no Multiplex Boa Vista hoje, às 21h e amanhã, às 11h.

No Cineclube Dissenso (Cinema da Fundação), a raridade da vez é Z00 (A Zed & two noughts, Inglaterra, 1985), de Peter Greenaway. Será amanhã, às 14h, com entrada franca.

Tá chovendo hambúrguer é a aposta do cinemão comercial. Fenômeno de bilheteria nos EUA, onde estreou há duas semanas. Conta a história de um inventor que colocou uma máquina de fazer comida no céu. Mexe com a preferência gastronômica americana por pizza, sorvete e sanduíches. No Recife, o desenho estreia em cinco salas 2D e na Box 3D, até ontem ocupada por Up - altas aventuras, que continua de vento em popa em sete salas.

Anticristo continua firme, ocupando a maioria dos horários do Cinema da Fundação. No entanto, o longa de Lars Von Trier não durou mais do que duas semanas no Multiplex Recife.

Vida curta teve Pacto secreto que, apenas uma semana após a estreia, regrediu para duas salas em horários restritos.

Quatro filmes saem de cena no fds: A garota de Mônaco (que volta segunda no Cinema Apolo), A pedra mágica, High School Band e Juízo final.

Veja roteiro completo aqui.

Estreia // "Salve Geral", de Sérgio Rezende



Em 2006, dois dias de terror mostraram a força do Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa cujos tentáculos alcançaram mais do que as autoridades puderam imaginar.

Transformada em filme por Sérgio Rezende, a história ganha contornos de drama e ação.

Drama de Lúcia (Andréa Beltrão), a professora de piano que faz de tudo para salvar Rafa (Lee Thalor), o filho único que acaba de ir para a cadeia.

A ação fica por conta dos bandidos, que incendiaram ônibus e lojas, atiraram em policiais e delegacias e promoveram o maior engarrafamento da história de São Paulo.

Não bastasse o interesse espontâneo pelo tema, Salve geral (Brasil, 2009) estreia hoje nos cinemas do país com status de brasileiro favorito ao Oscar 2010.

A chance de ser indicado é pequena, pois a trama envolve certo nível de violência que os membros da Academia de Hollywood costumam rejeitar. Até lá, a bilheteria agradece o impulso extra.

Leia matéria completa sobre o filme aqui.

(Diario de Pernambuco, 02/10/09)

Estreia // "Gamer", de Mark Neveldine e Brian Taylor



Com a estreia de Gamer (EUA, 2009), o ator Gerard Butler estrela simultaneamente duas produções em cartaz (a outra é comédia romântica A verdade nua e crua).

Dirigido pela dupla Mark Neveldine e Brian Taylor, o filme é uma ficção futurista em que condenados à prisão participam de um sangrento e gigantesco videogame online, em que são controlados por jogadores de todo o mundo.

Após certo número de vitórias e mortes, é possível conseguir a liberdade. No entanto, o prisioneiro Kable (Butler) quer virar o jogo contra seu criador, Ken Castle (Michael C. Hall).

Atenção: a administração do grupo Severiano Ribeiro acaba de comunicar que Gamer está censurado para menores de 18 anos, devido a cenas de assassinato e mutilação.

(Diario de Pernambuco, 02/10/09), com alterações

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O poder da bandidagem



Sérgio Rezende está de volta às telas de cinema com Salve geral (Brasil, 2009). Agregador de grandes audiências, o diretor de Zuzu Angel (2006), Guerra de Canudos (1997) e O homem da capa preta (1986), apenas para citar seus filmes mais assistidos, nos oferece mais um produto de apelo certeiro. Estrelado por Andréa Beltrão e Lee Thalor, o filme dramatiza para as massas episódio recente em que o Primeiro Comando da Capital (PCC) colocou São Paulo em estado de sítio. Ele estreia nacionalmente sexta-feira, sob a aura de ser o representante do Brasil na disputa pelo Oscar 2009.

Sob o signo da Globo Filmes, a indicação pode ser entendida pela adequação de Salve geral ao padrão da imagem "brasileira" consumida pelo mercado estrangeiro. Não é acaso a semelhança temática e visual com dois outros filmes made in Brazil: Carandiru (2002) e Tropa de elite (2007). A exemplo destes, a narrativa faz um retrato da vida nos presídios e da rede de corrupção e violência ligada a diferentes esferas da polícia e governos. De forma que a possibilidade de "saber" (o filme é de ficção, é bom lembrar) como o PCC aterrorizou o país devem garantir que, mesmo desprovida de qualquer novidade, a produção esteja entre as mais assistidas do ano.

Rezende apresenta o PCC de forma plausível, como uma rede que seduz e incorpora, que age voraz e irreversivelmente no vácuo deixado pelo estado na luta pelos direitos dos detentos. "Paz, justiça, liberdade", mesmo que na base da bala.

Para narrar o dia em que São Paulo parou (a frase de impacto foi adotada para a campanha de divulgação), Rezende optou por unir a estrutura dos filmes de ação com o drama familiar vivido pela viúva Lúcia (Andréa Beltrão) e seu filho, Rafa (Lee Thalor). Eles incorporam um fenômeno cada vez mais comum, o da classe média falida que se muda para a periferia. Já na primeira noite suburbana, Rafa se mete em confusão e mata alguém por acidente, em público. Sentença: oito anos de prisão.

Inconformada, Lúcia tenta libertar o filho a qualquer custo e com isso recuperar o que lhe resta de sentido na vida. Termina por se aliar à Ruiva (Denise Weinberg), advogada aparentemente disposta a ajudar, mas que é, na verdade, membro-chave do PCC. Lúcia reluta, mas termina por realizar pequenos serviços. "Não é nada que não se faça nesse país todos os dias", argumenta Ruiva. Enquanto isso, relegado à superlotação de uma cela de triagem, Rafa compra por R$ 500 o direito a habitar um cubículo menos insalubre. Sem querer, o "playboy" se torna mais um "irmão" do crime.



Mãe - Ao longo da trama, o papel de Lúcia cresce em importância. Ao contrário da maioria das mães que sofrem com os filhos encarcerados, seu biotipo classe-média é essencial para gerar identificação e comoção na plateia. Sob a fantasia de estar fazendo o melhor pelo filho, ela abandona seu papel de vítima pobre para se envolver até a cabeça com o crime organizado, que providencia a ela estabilidade financeira, social e até afetiva (ela se torna namorada de um dos líderes do PCC).

Quanto à performance de Beltrão, basta dizer que é onde está uma das qualidades do filme. Outra está na reconstituição, passo a passo, dos eventos que precederam o inferno em que São Paulo se tornou nos dois dias em que a bandidagem mostrou seu maior poder: o de transformar uma megalópole em cidade fantasma.

(Diario de Pernambuco, 30/09/09)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Do terrorismo enquanto expressão da liberdade



Estreia hoje, no Cine Rosa e Silva, O grupo de Baader-Meinhof (Der Baader-Meinhof Complex, Alemanha, 2008), de Uli Edel. Indicado ao Oscar 2009 de melhor filme estrangeiro, a produção mistura elementos de ficção com arquivos de época para reconstituir o período de dez anos em que a Facção Exército Vermelho aterrorizou os alemães com assaltos, sequestros e bombas. O filme capta o clima de revolta social que desembocou nos manifestos de maio de 68 e é apresentado como a versão cinematográfica definitiva sobre o assunto. Vigoroso, ele retoma com propriedade a linhagem do thriller político, gênero cujo maior representante é Costa-Gavras (Z, Estado de sítio).

Ao longo da projeção, fica clara a simpatia de Edel e Stefan Aust (autor do livro no qual o filme se baseou), que se revelam fascinados pela personalidade dos rebeldes e sua busca pelo prazer e anarquia. Filhos do nazismo, se recusam a assistir passivamente a conivência da Alemanha com o imperialismo americano.São herois jovens, corajosos, pulsantes, imprevisíveis. Já os representantes do poder instituído, atrás de óculos, ternos e barrigas proeminentes, são óbvios, chatos e impregnados de moral e bons costumes. Todos, exceto Horst Herold (Bruno Ganz), o chefe da polícia que planeja com astúcia o desmantelamento do grupo.

O filme começa em 1967, a propósito da visita do Xá do Irã Reza Pahlevi à Alemanha Ocidental. Um grupo se mobiliza num protesto pacífico, que logo vira pancadaria e morte com a conivência e participação da polícia. A jornalista de esquerda Ulrike Meinhof (Martina Gedeck) presencia tudo e escreve seus manifestos radicais. Visita na prisão a estudante Gudrun Ensslin (Johanna Wokalek), namorada de Andreas Baader (Moritz Bleibtreu), o líder agregador revolucionário. Lá, é convocada a sair da teoria e abandonar seus medos burgueses.

Quando Baader é capturado, Meinhof ajuda na fuga e entra com os dois pés na RAF, que passa a ser conhecida pelo nome da nova dupla. Baader, objetivo, agressivo e cativante; Meinhof, a intelectual que pega em armas, empresta a fama obtida na imprensa e dá estofo teórico às ações cada vez mais violentas e fora de controle. Para eles, roubar um banco é "desapropriação dos inimigos do povo".

Não demora para o governo mobilize um aparato de guerra contra os militantes, já associados à organizações árabes pela libertação palestina. Há uma sequência na Jordânia, onde os jovens branquelos e indisciplinados recebem treinamento para combate. No entanto, a sanha anarquista em desafiar a ordem fala mais alto. Censurados por praticar o nudismo no teto do alojamento, respondem de forma insolente: "transar e atirar é a mesma coisa".

A certa altura de um interrogatório, Baader aponta o lucro obtido com o terrorismo como uma de suas causas. Eis a ponte que conduz ao 11 de setembro e seus nefastos desdobramentos. Como o próprio Costa-Gavras afirmou em sua visita ao Recife, durante o último Cine PE, "numa sociedade onde não há possibilidade de mudança da forma democrática, provavelmente a única maneira de fazê-lo é pelo terrorismo".

(Diario de Pernambuco, 25/09/09)
*com acréscimos

Estreia // Pequenos invasores



Pequenos invasores (Aliens in the attic, EUA, 2009), de John Schultz, é a mais nova produção a unir crianças e aliens, combinação certeira no cinema americano desde Contatos imediatos do terceiro grau e ET - O extraterreste.

Só que aqui o tom oscila entre comédia e aventura infanto-juvenil. Ashley Tisdale, a Sharpey de High School musical, é a protagonista da história sobre uma família em férias que, após receber extraterrestres pelo telhado, precisa defender o planeta de uma invasão, com a ajuda de um alienígena bonzinho.

O filme foi escrito e produzido por Mark Burton, criador de Madagascar e Wallace e Gromit - A batalha dos vegetais.

Estreia // Pacto secreto



Pacto secreto (Sorority row, EUA, 2009) é um remake de The house of the sorority row (1983), nunca lançado no Brasil.




Ele vem na onda de filmes de terror atualizados dos anos 80, neste caso, um slasher movie, subgênero que coloca mulheres seminuas nas mãos de psicopatas assassinos como Jason e Freddie Kruger.

As mulheres da vez são as jovens Cassidy (Briana Evigan), Jessica (Leah Pipes), Claire (Jamie Chung), Ellie (Rumer Willis, filha de Demi Moore) e Megan (Audrina Patridge). Irmãs de uma fraternidade universitária, elas passam a ser perseguidas por uma figura misteriosa um ano após ocultar o cadáver de Megan, que foi morta durante uma brincadeira numa festa.

O que vem a seguir, como era de se esperar, é bastante sangue.

Estreia // Jogando com prazer



Jogando com prazer (Spread, EUA, 2009), de David Mackenzie, é um filme sobre o mundo de sexo e dinheiro que Hollywood oferece para pessoas bonitas e ambiciosas como Nikki (Ashton Kutcher). O jovem hedonista usa de seu talento com mulheres para viver com luxo em Los Angeles.

Com Samantha (Anne Heche), sua última conquista, ele ganhou tudo que sempre sonhou. Ela parte para uma viagem e confia sua mansão a Nikki, que resolve dar uma festa. Porém, ao conhecer a garçonete Heather (Margarita Levieva), a situação se inverte. Ele tenta, mas não consegue resistir à sedução da garota, que passa a dar as cartas em sua vida.