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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Segundo volume de Lost Girls: ainda mais apimentado



Estas são as poucas cenas "censura livre" contidas no segundo volume da trilogia em quadrinhos Lost Girls (Devir Livraria, 112 páginas, R$ 65), de Alan Moore e Melinda Gebbie.

Nele, as meninas crescidas Alice, Dorothy e Wendy continuam explorando a amizade íntima que construíram, enquanto narram umas às outras as aventuras sexuais que as lançaram, quando adolescentes, aos fantasiosos universos do País das Maravilhas, Oz e Terra do Nunca.



PRECIOSA POESIA VISUAL DE MELINDA GEBBIE

Tudo se passa em 1913, nas dependências de um luxuoso hotel austríaco. Sob a tutela de Alice, a mais experiente do trio, elas conduzem o leitor a um mundo de prazeres sensoriais e perceptivos.

Numa bela entrevista que o jornalista Diego Assis publicou no site de notícias G1, Alan Moore diz que Lost Girls só foi possível graças à extraordinária relação de intimidade desenvolvida com sua companheira, a desenhista Melinda Gebbie, que permitiu a ambos expressar suas mais profundas fantasias sexuais.

Ele ainda explica que, apesar de não ter a intenção de chocar ninguém com o livro, ele se coloca contra a hipocrisia ocidental de reprimir o sexo no dia a dia, ao mesmo tempo em que o torna objeto de lucro de uma indústria cultural de bens de consumo.



Discussões políticas à parte, As terras do nunca está ainda mais picante, poético e exuberante do que o primeiro livro, Meninas crescidas.

Aqui, entende-se pelo viés psicanalizante, a quem é o gato sorridente de Alice, o Capitão Gancho (um senhor pedófilo que estragava as brincadeiras sexuais de Peter Pan, Sininho e Wendy) e do Espantalho que... bem, é melhor eu não dizer mais nada, a não ser isso: Lost Girls, a HQ que devolveu à pornografia ao estado da arte.

sábado, 9 de junho de 2007

"Lost Girls", HQ de Alan Moore e Melinda Gebbie, na Folha de Pernambuco de hoje



Alan Moore e Melinda Gebbie: união amorosa e trabalho de qualidade

Hoje saiu uma matéria minha sobre o lançamento de Lost Girls - Meninas Crescidas na Folha de Pernambuco. Para ler, clique aqui. Ontem publiquei outro texto sobre o assunto aqui no Quadro Mágico.

Abaixo, reproduzo o texto publicado no jornal, na íntegra:
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09/06/2007
Clássicos infantis em versão para adultos

André Dib
Especial para a Folha

Alice, Wendy e Dorothy, as meninas dos clássicos infanto-juvenis “No País das Maravilhas”, “Peter Pan”, e “O Mágico de Oz”, já tiveram suas aventuras contadas inúmeras vezes. Mas nunca assim, tão apimentadas quanto no álbum em quadrinhos “Lost Girls - Meninas crescidas”, de Alan Moore e Melinda Gebbie, que acaba de ser lançado no Brasil. Este livro, somente para adultos, é o primeiro de três volumes que compõem uma das mais belas e provocantes histórias em quadrinhos já feitas.

A história se situa no ano de 1913, quando as personagens, já adultas, se encontram num luxuoso hotel austríaco. Lá, confidenciam detalhadamente suas experiências sexuais. O projeto levou quase 20 anos para ficar pronto e, durante o processo, os dois artistas iniciaram um relacionamento amoroso que dura até hoje.

Naquele tempo, Moore começava a se destacar por suas narrativas iconoclastas e terrivelmente bem construídas, como “Watchmen”, em que super-heróis são usados na guerra fria, e logo depois “V de Vingança”, a distopia orwelliana que dinamitou o discurso da democracia ocidental. Em “Lost Girls”, a subversão está em mostrar sexo explícito com a mesma naturalidade e bom gosto presentes nos escritos originais.

O projeto começou quando Moore entendeu os vôos mágicos de Peter Pan e Wendy como uma metáfora para as descobertas sexuais da adolescência. Sob este ponto de vista legitimamente freudiano, situações como o apressado Coelho Branco que leva Alice ao País das Maravilhas, e Dorothy a dar piruetas dentro do furacão, ganham dimensões insuspeitas até então.

A estética muda de acordo com cada capítulo, seguindo padrões de uma exaustiva pesquisa do casal sobre a pornografia feita na era vitoriana e na Belle Époque, “muito mais humana e centrada no prazer” do que a atual, “quase toda fotográfica”, disse o escritor ao periódico eletrônico Sci Fi Weekly, na ocasião do lançamento.

Ainda na entrevista, ele afirmou que o sexo tem sido sub-representado na literatura. “Há gêneros dedicados a todos os outros campos da experiência humana - até os mais rarefeitos como o mundo dos detetives, astronautas ou caubóis. Já a pornografia, o único gênero em que o sexo pode ser discutido abertamente, não tem reputação alguma, é desagradável, de baixo nível, e consumida às escondidas”.

Na contra-corrente do sexo tosco e perverso mostrado nas “Tijuana Bibles” dos anos 30 e 40, e das sacanas montagens digitais com bichinhos fofinhos que circulam na internet, cada quadro de “Lost Girls” é marcado por muito requinte e delicadeza. Um produto que eleva este gênero tão desqualificado ao nível da mais pura e transcendente arte.

Serviço
Lost Girls - Livro Um: Meninas Crescidas (Devir Livraria)
Quanto: R$ 65 (112 páginas)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Lost Girls: a obra prima pornográfica de Alan Moore e Melinda Gebbie



A Devir Livraria acaba de publicar uma obra prima em quadrinhos. Lost Girls - Meninas Crescidas, é fruto de 15 anos de trabalho feito a quatro mãos por Alan Moore (roteiro) e Melinda Gebbie (desenhos). Por conter cenas de sexo explícito, é proibido para menores de 18 anos. Por ter como protagonistas Alice, Wendy e Dorothy, famosas personagens da literatura infanto-juvenil, Lost Girls vem chamando a atenção e provocando polêmica.

No Reino Unido, terra natal de Moore e Gebbie, o livro está censurado. Só será liberado em 2008, quando a obra Peter Pan and the Lost Boys cairá em domínio público. Os atuais detentores dos direitos autorais não querem endossar a manipulação pornográfica a que os personagens foram submetidos.



A versão brasileira chega um ano depois da obra pronta, mas o atraso valeu a pena. A edição da Devir está impecável, caprichada em cada detalhe. Da tradução ao tratamento gráfico, que inclui sobrecapa em papel couché e capa com detalhes em dourado. O único lamento é que o volume único americano foi desmembrado em três por aqui. O primeiro volume, lançado semana passada, tem 112 páginas, e está sendo vendido por R$ 65. A opção pelos três volumes provavelmente foi tomada porque seria impraticável para o mercado nacional vender um livro por R$ 200, e um desperdício lançar o livro com menos qualidade gráfica.



Na ocasião do lançamento norte-americano, Moore lamentou que a pornografia tenha se tornado um gênero empobrecido, sub-utilizado como produto de entretenimento barato. Para ele esta seria a única forma de literatura onde é possível discutir o sexo em todos os sentidos. Por isso, Lost Girls foi concebido de acordo com a pornografia da era vitoriana, sob uma estética da Belle Èpoque.

Uma HQ que surpreende não só pelo requinte e ousadia visual, mas por trazer a assinatura de Alan Moore. Da minha parte, confesso não ter esperado nada tão bonito e poético da parte deste artista, mais conhecido por mostrar o lado podre da humanidade (vide Watchmen, V de Vingança, A Piada Mortal e Do Inferno).

Lost Girls , uma ode aos prazeres da vida, é a prova de que um artista pode se reinventar sem abrir mão do melhor de si.