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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Líderes da Tropa no Recife



José Padilha e Wagner Moura virão ao Recife em abril, como convidados de honra do Cine PE - Festival do Audiovisual. A homenagem, informa o produtor Alfredo Bertini, pode incluir uma retrospectiva de filmes do diretor e também do ator.

"Depois de baterem todos os recordes, nada mais justo que sejam homenageados como a maior referência da história do cinema brasileiro", diz Bertini, que estuda a possibilidade de potencializar a presença do diretor de Tropa de Elite para promover uma discussão sobre cinema político.

Também estão confirmadas a homenagem aos 15 anos do longa Baile perfumado, de Lírio Ferreira e Paulo Caldas, e aos dez anos do programa de TV Revista de Cinema. 2011 também marca os 15 anos do Cine PE e outras novidades podem vir por aí.

Inicialmente anunciada para o período entre 2 e 8 de maio, o evento teve a data da realização antecipada para 30 de abril a 6 de maio, no Centro de Convenções. O lançamento oficial para a imprensa será dia 12 de abril, no Rio de Janeiro. Bertini também considera que o Parque Dona Lindu possa abrigar parte da programação, mas a possibilidade de acontecer novamente no Cine São Luiz não está descartada. "O Dona Lindu seria uma boa opção, tem um teatro com 1200 lugares. Já solicitei agenda com o prefeito, assim como o novo secretário estadual de cultura, Fernando Duarte".

Os planos de estabececer laços com o cinema italiano em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Itália não decolaram na edição anterior, mas continuam, no convite feito a três realizadores e um organizador de festival. Há também uma possível ponte africana através de um acordo com Angola. "Estamos fechando uma assessoria para um festival em Luanda, com chances de um acordo mais amplo para ser assinado pelos dois países", revela Bertini.

As inscrições para o Cine PE se encerram hoje. Apesar disso, Bertini estendeu o período para a submissão de longas, pois várias produções ainda não foram finalizadas. E ressalta as boas vindas para que realizadores pernambucanos que produziram longas em 2010 inscrevam seus filmes: Cláudio Assis, Paulo Caldas, Marcelo Gomes, Kleber Mendonça. "A porta está aberta", garante o produtor.

(Diario de Pernambuco, 31/01/2011)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tropa 2 só poupa você



Antes mesmo de ser lançado, ficou claro que Tropa de elite 2 seria não apenas um filme, mas um evento. Até ontem, os números apontavam para quase 3 milhões de espectadores e R$ 22,8 milhões arrecadados. É a maior abertura do cinema nacional desde a retomada, a quinta maior de todos os tempos no circuito brasileiro. O fenômeno levou a rumores de que Spielberg quer comprar os direitos e rodar a própria versão. Elit Squad 2.

Na segunda semana, o longa de José Padilha quebra o próprio recorde e aumenta a ocupação de 636 salas para 40 a mais. Em Pernambuco, o número de salas subiu de 17 para 23. O sucesso inibiu novas estreias comerciais pela primeira vez no ano.

O inquestionável carisma de Capitão Nascimento (Wagner Moura) não é o único motivador. Somente a estratégia de divulgação custou R$ 4 milhões. Não se sabe se o esquema segurança ajudou efetivamente, mas acrescentou notoriedade ao todo. A proteção contra a pirataria funcionou bem até ontem, quando uma versão vazou em sites de compartilhamento. E contra o download, nem o Bope.

Nas mídias sociais, o barulho é grande. Curioso acompanhar a reação de quem assiste no Twitter, assim como nas salas de exibição, onde se torce a favor de Nascimento como se fosse jogo de futebol. De nada adianta seu suposto antagonista e futuro aliado, o deputado Fraga (Irandhir Santos) defender os direitos humanos. Pelo público, ele é hostilizado como fosse do time adversário. E tome gritos, xingamentos e comentários bizarros.

No entanto, na medida em que Nascimento é alçado a níveis mais altos de poder, o silêncio cresce na sala. Durante o processo, ele descobre que o inimigo não são "vagabundos" dos morros ou playboys que consomem maconha, mas um ser sem rosto chamado "sistema". Crítica necessária, mas que evita tocar na parcela de responsabilidade de cada um pela violência em que vivemos. Se o céu é o limite, apontar a arma na cara do espectador pode ser bastante comprometedor.

(Diario de Pernambuco, 15/10/2010)