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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Bienal // Moda e outras revoluções



A 7ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco traz na programação de hoje, às 19h30, um bate-papo com a jornalista e escritora carioca Nina Lemos. Ela vem ao Recife falar sobre um tema pertinente a nosso tempo, dominado por delírios consumistas: a ditadura da moda.

Esse é também o título de seu primeiro livro, lançado em abril pela Conrad Editora. A apresentação é da jornalista Ivana Moura, editora deste Viver. O encontro com o público será no Auditório Carlos Pena Filho, situado no pavilhão do Centro de Convenções.

Para quem cresceu numa família de esquerda, Nina optou por uma carreira um tanto inusitada: ser jornalista especializada em moda, universo capaz de arrepiar os cabelos de qualquer marxista. A ditadura da moda é seu debut enquanto escritora-solo. Até então, ela trazia no currículo cinco livros de crônicas assinadas com o grupo O2 Neurônio, do qual participa e mantém um blog com Jô Hallack e Raq Affonso.

A ditadura da moda é uma ficção protagonizada por Ludmilla, editora de moda que traz a herança de ser filha de guerrilheiros. No entanto, as histórias e situações vividas pela personagem são reais e baseadas na experiência da autora como repórter de moda. E todas remetem para essa coisa opulenta e superficial que se tornou a indústria da moda.

"Minha crítica não é à moda em si, mas à ditadura das tendências, das modelos supermagras, das imposições de consumo, das pessoas que julgam as outras pelo corpo. É contra revistas que dizem as coisas que todo mundo deve usar. Ninguém tem que usar nada", diz Nina.

Uma verdadeira realidade paralela, regida por códigos de comportamento incomuns, onde é possível encontrar um ator de novela que briga por um lugar na primeira fila de um desfile e a dona de uma grife caríssima que promove um manifesto anticonsumo. "Não precisei inventar nada. Esse meio é rico em histórias absurdas".

Mais atrações - A Bienal reserva outras atividades em sua programação de hoje. Às 19h30, no espaço Café Cultural, o projeto Conversa com o Escritor traz os jornalistas Samarone Lima e Marlos Duarte para a palestra Cuba - 50 anos depois, uma viagem ao cotidiano. Samarone é autor do livro Viagem ao crepúsculo (Editora Casa das Musas), que conta histórias sobre o dia a dia do povo cubano, colecionadas nos dois meses em que esteve na ilha de Fidel. Por sua vez, Marlos Duarte é presidente da Associação Cultural Brasil-Cuba/Casa Gregório Bezerra. Antes, às 10h, Vandeck Santiago, do Diario, ministra a oficina Jornalismo investigativo: como fazer uma reportagem especial?.

(Diario de Pernambuco, 07/10/09)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Fundarpe concede autonomia à literatura


Criação de uma pasta específica para o setor, antes atrelado às artes plásticas/gráficas, sinaliza nova disposição do governo com as letras
André Dib // Especial Para o Diario

A notícia ainda não foi divulgada oficialmente, mas desde outubro Pernambuco conta com uma coordenação específica para a literatura. O escritor e jornalista Samarone Lima foi nomeado para a pasta, até então conjugada com artes plásticas e gráficas, sob responsabilidade do artista plástico Félix Farfan. "Muitas pessoas ainda não estão sabendo porque foi uma entrada mansa. Antes de convocar o setor, precisei de um tempo para conhecer melhor a nova casa", disse Samarone à reportagem do Diario.

A missão do novo coordenador será desenvolver no âmbito da literatura as diretrizes estabelecidas pela política cultural da gestão estadual. Para ele, o desmembramento para uma coordenadoria exclusiva foi um movimento natural por parte da Fundarpe. "O objetivo é colocar a literatura na pauta da sociedade. O estado tem tradição de grandes vôos na literatura, e como não havia uma interlocução específica, esse trabalho estava sendo tocado com certa dificuldade".

Nascidono Crato, interior do Ceará, Samarone Lima se mudou em 1987 para o Recife, onde se formou jornalista pela Universidade Católica. Na imprensa, foi repórter do Diario de Pernambuco e da revista Veja, entre outros veículos. Como escritor, sua trajetória inclui passagem por pequenas e grandes editoras, onde publicou quatro livros. Outros dois estão em gestação: Adiós Nonino, sobre uma visita recente a Cuba; outro, baseado nas viagens que fez Brasil afora com o espetáculo Nau, de Ariano Suassuna.

Durante as viagens com a trupe de Suassuna, Samarone constatou que a presença de bibliotecas e livrarias nas cidades do interior é praticamente nula. Por isso, um primeiro passo no sentido de interiorizar a ação da coordenadoria será incluir a dimensão literária no circuito Pernambuco Nação Cultural. Enquanto isso, parcerias estão sendo estabelecidas com a UFPE, Companhia Editora de Pernambuco e da sociedade civil, através de ONGs como o Centro Luiz Freire, Pontos de Cultura e bibliotecas comunitárias. "Temos acesso ao registro dos fóruns realizados nas 12 regiões de Pernambuco, e acredito que podemos fazer muito articulando projetos isolados e promovendo encontros estaduais".

"Sou uma pessoa apaixonada pela literatura. O desafio é transformar isso em políticas públicas, articular parceiros, e pensar projetos", avalia Samarone. Para chegar a tanto, seu maior trunfo está na valiosa experiência de educador, desenvolvida nas Oficinas da Palavra com jovens do projeto Oi Kabum!. Nada mais emblemático do que o fato dos dois integrantes da nova equipe, Gabriela Alves Lima, 22 anos, e Aldemir Félix, 21 anos, virem justamente desse contexto. "Lá, lidando com alunos que antes odiavam livros, eu vi como a literatura pode transformar a vida das pessoas", conta o escritor, que pretende interagir em bairros com histórico de violência, como o Santo Amaro, em parceria com o Pacto pela Vida. "Um jovem com um livro de poesia na bolsa está mais protegido", acredita.

Apesar do orçamento para 2009 não ter sido revelado, Samarone adianta algunsplanos, como a criação dos agentes de leitura (nos mesmos moldes dos agentes de saúde) e do selo Amigo do Livro, que premiará os melhores projetos de leitura com incentivo financeiro para aquisição de acervo. "Se conseguirmos articular esses primeiros projetos, começaremos a respirar literatura e pensar em passos maiores".

A publicação de livros, que talvez seja a demanda mais forte a ser enfrentada pela coordenadoria, terá regras a serem estabelecidas por um conselho editorial, ainda não definido. "É a maneira mais democrática de não privilegiar ninguém, pois diariamente chegam propostas de todos os tipos", explica Samarone que, enquanto não conta com um espaço definitivo nos prédios da Fundarpe, informa o email para os primeiros contatos: literatura.fundarpe@gmail.com .