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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Samuca conquista nota máxima no humor gráfico



Samuel Rubens de Andrade, o Samuca, é o único pernambucano premiado pelo HQMIX 2010. Seu novo livro, Sem palavras, foi considerado a melhor publicação de cartuns do último ano. Ao lado de artistas consagrados como Craig Thompson, Robert Crumb, Angeli, Fernando Gonsales e Marcelo Quintanilha, Samuca recebe o troféu hoje à noite, em evento festivo no Sesc Pompéia (São Paulo), apresentado por Serginho Groisman, padrinho do HQMIX.

Os homenageados são Laerte, que ganha o título de grande mestre e Zetti, que por décadas foi a diretora do Salão Internacional de Humor de Piracicaba e no início do ano foi exonerada do cargo. Pela primeira vez, a cerimônia será transmitida ao vivo pela internet, via Blog dos Quadrinhos.

Organizado pela Associação dos Cartunistas do Brasil -ACB e do Instituto Memorial de Artes Gráficas do Brasil - IMAG, o HQMIX está em sua 22ª edição e é considerado o prêmio máximo dos quadrinhos no Brasil. "A produção de humor e quadrinhos vem crescendo a ponto de hoje haver mais de mil novos títulos por ano. No meio de tantos lançamentos, se um se sobressai é porque teve impacto", afirma JAL, um dos idealizadores do HQMIX.

Lançado em abril de 2009, Sem palavras (R$ 20) reúne 90 cartuns de Samuca, boa parte publicados no espaço dedicado a esse gênero do humor gráfico no Caderno Viver. Viabilizada com recursos do Funcultura, o livro foi eleito por uma comissão formada por desenhistas, professores, pesquisadores e jornalistas especializados. "Geralmente os cartuns ficam restritos a salões de humor ou a páginas da imprensa. Além de premiar Samuca, cujo trabalho é reconhecido nacionalmente, esperamos incentivar outras publicações como esta", diz JAL.





Este não é o primeiro HQMIX de Samuca. Em 1999 ele faturou o prêmio com seu livro de estreia, A vida por uma linha. Humor no fim do século e Ragú Cordel, projetos coletivos com sua participação, também receberam o prêmio. Sua carreira, no entanto, remonta à adolescência - ele começou com auxiliar de Romildo Araújo Lima, o RAL."Nessa época mandei um cartum para um salão e depois eu soube que Jaguar disse que Antônio Nassara estava fazendo escola", diz Samuca. Ainda criança, ele admirava o traço de Renato Canini, que não criou, mas é considerado o pai do Zé Carioca. "Ele chamava minha atenção porque criava personagens engraçados e fazia cartuns dentro das histórias".

Das páginas do jornal para as do livro, a perenidade dos cartuns de Samuca adquire o espaço ideal. Chargista do Diario desde 2005, ele conhece bem a natureza das duas modalidades de humor. "Com o tempo as charges perdem a atualidade. Com o cartum é o contrário. Sua linguagem universal funcionam em qualquer contexto ou época". Outro ponto importante é o poder de comunicar em apenas uma imagem. Se numa tirinha há espaço para tese, antítese e síntese, no cartum é preciso contar com o poder de conclusão do leitor. Ou seja, provocar a imaginação. Gerar identificação. Relativizar o ponto de vista. Num tempo em que há cada vez menos motivos para rir, o traço simples e preciso de Samuca é grande aliado.

Saiba mais
www.samucartum.blogspot.com
www.hqmix.com.br
www.blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br

(Diario de Pernambuco, 06/10/2010)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

JAL escreve sobre Conceição Cahú, desenhista homenageada pelo HQMix 2007



No site da Associação Brasileira de Imprensa há um texto sobre Conceição Cahú escrito pelo cartunista José Alberto Lovetro (JAL), um dos fundadores do Troféu HQMix, em virtude de seu faleximento, em dezembro de 2006. Cahú será homenageada na cerimônia de entrega do prêmio, neste dia 11.

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Conceição Cahú, mulher rendeira no traço
22/3/2007

Aquela garota de Floresta do Navio, Pernambuco, que jovem foi para Recife estudar Belas Artes, já estava predestinada a marcar sua vida nas artes gráficas. Aos 25 anos chegava a São Paulo onde, além de ilustradora, quadrinhista, caricaturista e chargista, emprestou sua arte para as questões sociais e políticas.

Admiradora de Prestes, criou cartazes para o movimento comunista, o movimento feminista e a favor de um país socialmente mais justo para com seu povo. Suas armas foram as aquarelas e pincéis. Seu estilo bico-de-pena, com pontilhamento preciso, pode ser considerado o melhor dentre os ilustradores brasileiros e até na esfera mundial.

Uma verdadeira mulher rendeira do traço, com a paciência e esmero que lhe eram comuns. Rendas, mas não as rendas de linha e sim as da área econômica. Seu trabalho na Gazeta Mercantil colocou-a em lugar de destaque entre as poucas mulheres chargistas em todo o mundo. Nada comum para uma desenhista. Mas Conceição Cahú não tinha nada de comum mesmo.

Além de seus quase 30 anos na Gazeta Mercantil, publicou na revista Placar, criava e desenhava os figurinos para o Carnaval da Escola Pérola Negra, fez ilustrações para a Folha de São Paulo, Companhia das Letras, Revista Fiel Torcida (Corinthians), Cláudia, Playboy, Capricho, Jornal da Tarde, Visão DCI e diversas outras revistas e jornais. Premiada pelo Salão Internacional de Humor de Piracicaba na categoria de quadrinhos em 1992, e expondo seus quadros a óleo sobre a arte dos índios de pintar o corpo, a artista virou uma referência em qualquer técnica possível sobre papel e tela.

Pode se dizer que Maria da Conceição de Souza Cahú mostrou porque veio a esse mundo e sua partida nesse final de 2006, depois de enfrentar uma doença cruel, só nos faz pensar em como o céu será mais pontilhado daqui por diante.

Nascida em 1949, nos brindou com uma vida retratando personalidades do setor empresarial e político, mas, ao mesmo tempo retratando a luta dos negros, das mulheres, das crianças de rua, dos índios, do carnaval e do futebol.

Falar de Cahú é sempre menos que mostrar sua arte.