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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Eles também querem o ouro



Um pistoleiro sem nome, uma vila perdida no Arizona, um coronel ganancioso e seu filho inconsequente, uma tribo de Apaches. Poderia ser mais um filme de Sergio Leone ou Sam Peckinpah, não fosse a base alienígena instalada no desfiladeiro ao lado. Cowboys & aliens é uma adaptação dos quadrinhos feita por gente que sabe o que faz, do diretor Jon Favreau (Homem de Ferro) aos produtores Ron Howard (Apollo 13) e Steven Spielberg, que não deixaram a mistura de gêneros sair dos trilhos.

A começar pela escolha do elenco, liderado por Daniel Craig e Harrison Ford, à vontade como antagonistas que precisam se unir para expulsar os ETs. Os alienígenas são gosmentos e maus, uma mistura de Alien com Predador disposta a exterminar humanos para extrair ouro. Do outro lado estão personagens do faroeste, inconciliáveis até que precisam unir forças. Bons, maus e feios, além de uma mulher misteriosa (Olivia Wilde, de Tron).

Mocinho pós-moderno, Craig está armado e não guarda lembranças. Só sabe que precisa salvar a amada esposa, raptada pelos aliens. Em cena emblemática, ele, o 007 de Cassino Royale, anda com uma Colt 45 na mão direita e uma espécie de bracelete-radar-phaser que parece ter saído da cartela de armas de Guerra nas estrelas. Para sabotar os monstrengos, o mocinho precisa invadir um megaedificio alien, no meio do deserto. A sequência em que ele se mete em cavernas que desmoronam evoca a Indiana Jones e o templo da perdição. Precisa mais para justificar a presença de Harrison Ford, de chapéu surrado e fugindo de naves?

Não é preciso muito esforço para ver no todo um grande pastiche de referências. É como se, de tempos em tempos, Hollywood precisasse refrescar a própria memória. Desta vez, funcionou. Divertido e competente, Cowboys & Aliens é um dos melhores entretenimentos do ano.

(Diario de Pernambuco, 09/09/2011)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Estreia // "Uma manhã gloriosa", de Roger Michell



Cidadão Kane, Todos os homens do presidente, Rede de intrigas. Bastidores da notícia já renderam bons filmes. Virou até nome de um, de 1987, estrelado por Holly Hunter e William Hurt. Ao abordar um jornalismo em crise, Uma manhã gloriosa (Morning glory, EUA, 2010) engrossa o rol. Entre os méritos do longa de Roger Michell (Notting Hill), está discutir o papel de uma imprensa cada vez mais voltada para o entretenimento.

O filme inclusive parece um desses programas, como se o Mais Você fosse apresentado pela Diane Keaton e tivesse como diretor o Jeff Goldblum. O ponto de vista é o da jovem idealista Becky Fuller (Rachel McAdams), contratada para produzir o Daybreak, programa matinal no ar há 40 anos, e atualmente em decadência. Rachel, aliás, já foi vista como a blogueira de Intrigas de estado. Agora, ela manda bem como meio-termo entre o jornalismo ´sério` e o mar de banalidades em que a TV se tornou. Vale tudo pela audiência.

A equipe desmotivada é só o começo dos problemas, já que o apresentador secundário foi demitido. Ocupa a vaga o repórter veterano Mike Pomeroy (Harisson Ford). Ele não suporta o fato de, aos 40 anos de uma carreira premiada (inclusive um Pulitzer), encarar um programa de amenidades. O melhor do filme está em seu mau humor em contraste com o otimismo de Becky, espécie de sonho de menina no qual o próprio filme se ancora. Os quatro atores (Ford, Keaton, Goldblum e McAdams) estão muito bem e é neles que o filme realmente se salva.

No conflito entre a nova e velha geração, prevalece a defesa de um jornalismo exercido com entrega e que sobrevive como falha de sistema. No mais, profissionais da imprensa vão se identificar com a rotina dos protagonistas. Dorme-se mal. Não há tempo para a família. No frigir dos ovos - e para o filme, isso é mais que um jargão - a recompensa está na cumplicidade dos companheiros de trabalho. E no sentimento de missão cumprida.

*No Recife, Uma manhã gloriosa está em cartaz nos cinemas Box Guararapes, UCI Recife e Tacaruna
(Diario de Pernambuco, 01/04/2011)