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segunda-feira, 6 de julho de 2009

Cineastas fortalecem cineclubes


Patativa, sua esposa e Cariry, em cena do filme cedido para circuito cineclubista

Desde o começo do mês, os documentários Patativa do Assaré: ave poesia (2008), Rosemberg Cariry, e Chama Verquete (2001), de Luiz Arnaldo Campos e Rogério Parreira estão circulando em sessões gratuitas em todo o Brasil. Os realizadores abriram mão dos direitos de exibição pública em prol do fortalecimento de uma rede alternativa de exibição de filmes, formada por cerca de duas centenas de cineclubes do país. A programação segue até setembro.

Em Pernambuco, o filme de Cariry será exibido primeiro no Cineclube Amoeda Digital. A sessão será hoje, às 18h, no Bar Central (Rua Mamede Simões, 144 - Boa Vista). Além do Amoeda, oito cineclubes pernambucanos participam do circuito: Centro Escola Do Manguê (Recife), Cine Califórnia (Recife), Cineclube Alternativo São José (Afogados da Ingazeira), Cineclube da ABD-PE / APECI (Recife), Cineclube da Associação Quilombola Conceição das Crioulas (Recife), Cineclube do Bom Jardim (Bom Jardim) e Cineclube Iapôi (Goiana). Para saber o dia e hora de cada sessão, ou inscrever um cineclube no circuito, é preciso consultar o blog da Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec): www. fepec.blogspot.com .

O Circuito Patativa / Verquete é a primeira ação de um projeto que visa democratizar o acesso a filmes brasileiros, promovido pelo Conselho Nacional de Cineclubes, em parceria com o Cine Mais Cultura, do Governo Federal. Para Antônio Claudino de Jesus, presidente do CBC, esta é uma demonstração da força nacional do movimento. "Os cineclubes funcionam separadamente. O circuito serve para manter a unidade territorial, pois assim garantimos uma identidade de ação conjunta".

Coordenador do Cineclube Amoeda Digital e presidente da Fepec, Gê Carvalho atribui a realização do circuito à generosidade dos realizadores. "Cariry não liberou o filme dele, que ainda está em cartaz em cinemas comerciais, por ser uma pessoa legal, mas porque tem consciência de que o problema do cinema nacional é a falta de janela".

Cariry, que é presidente do CongressoBrasileiro de Cinema, não só cedeu o filme Patativa do Assaré, como forneceu várias cópias para o acervo dos cineclubes. "Qualquer ação como esta merece total apoio. A indústria do audiovisual brasileiro está produzindo atualmente cerca de 100 longas e centenas de documentários e curta-metragens que muitas vezes sequer encontram espaço para serem lançados publicamente. Este fato além de frustrar os realizadores, inibe o desenvolvimento da indústria nacional".

Carlos Reichenbach, João Batista de Andrade e Gustavo Dahl são outros cineastas que cederam suas obras para exibição nos cineclubes. Claudino diz que esta ação cumpre uma a missão de defender os direitos do público e do cinema independente brasileiro. "A produção nacional quase não tem espaço nos cinemas de shopping. O público tem o direito a assistir a esses filmes e essa é a razão da existência do movimento cineclubista. Mais de 90% dos filmes nacionais são feitos com dinheiro público. Nada mais justo do que eles retornem ao público, gratuitamente".

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Cineclube no reduto da boemia


"Adeus lar, doce lar", em cartaz hoje, no Bar Central


Nos últimos anos, o Bar Central tem sido endereço certo da boemia. Agora é também o mais novo reduto cineclubista da cidade. Desde a semana passada, ele abriga o Cineclube Amoeda Digital, que toda segunda-feira exibirá um filme dentro do tema, estranho, a princípio, "Coisa e tal". A sessão de hoje traz a produção francesa Adeus lar, doce lar (1999), de Otar Iosseliane, que ao apresentar os dramas de uma família incomum, contempla o objetivo de, nas palavras do manifesto de divulgação do projeto, "exibir filmes com narrativas indefinidas, libertárias e que exploram temas arremessando-os ao ar".

Ainda este mês estão programados os filmes 4 meses, 3 semanas e 2 dias (Romênia, 2007), de Cristian Mungiu, Limite (Brasil, 1931), de Mário Peixoto e um último filme a ser definido por um convidado, sob o critério de propor diálogo com os filmes anteriores e conduzir a uma conversa reflexiva após a sessão. A seleção está de acordo com a proposta original do cineclube, a de oferecer uma programação de nacionalidade e época variadas, sempre no suporte digital (eles ficam armazenados um super-HD externo).

"Limite é o filme mais 'coisa e tal' do cinema brasileiro. Ele é um mito do qual muito se fala, mas ainda é um grande mistério. Representa onde o cinema poderia ir mas não foi, pela linguagem fundamentada na montagem e na experimentação. Glauber dizia que Limite era que os russos gostariam de ter feito", diz Gê Carvalho, coordenador do Amoeda ao lado de Francisco Bragança e Ana Cláudia Vasconcelos.

Carvalho conta que a parceria com André Rosemberg, proprietário do Central, começou naturalmente, numa noite em que ele assumiu as vezes de VJ, projetando imagens aleatórias e filmes antigos. A empreitada pretende interferir na dinâmica do local, de forma a integrar dois hábitos: o de assistir filmes e o da boemia. "O ambiente incita a conversa. Após o filme dá pra trocar uma ideia, tomar uma cerveja. Esperamos que o público esteja aberto não só para assistir, mas para participar daorganização e discussão do cineclube. Não queremos apenas passar e ver filmes, mas sim, trazer à tona o Cinema".

Serviço
Cineclube Amoeda Digital
Onde: Bar Central (Rua Mamede Simões, 144 - Boa Vista)
Quando: Hoje, às 18h.
Informações: 8741-1615
Entrada franca

*publicado no Diario de Pernambuco