domingo, 27 de abril de 2008

Lalá, de volta ao RALmanaque



Lalá está de volta ao RALmanaque.

Desta vez, a pequena telespectadora critica a cobertura midiática em torno da morte da menina Isabela.

A personagem, baseada na netinha do cartunista RAL, foi criada no final do ano passado, quando seu site entrou no ar.

De lá pra cá, ela vem aparecendo esporadicamente, entre uploads de trabalhos anteriormente publicados em jornais e revistas.

Em 2007, o Quadro Mágico publicou uma entrevista com RAL. Para ler, clique aqui.

sábado, 26 de abril de 2008

Lançamento da revista Fusão #18



A equipe de editores da Fusão convida para o lançamento da Fusão #18.

Será hoje (26, sábado), às 19h, no Bar de Seu Biu, Rua do Sossego, 144, Boa Vista, Recife.

Evandro Q? faz o lounge sound, de acordo com ele, "pra todo mundo ficar bêbado ou ler a revista 245 vezes com muito xaxado kraftwerkiano".

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Cavani Rosas lança nova HQ



Cinco histórias em quadrinhos desenhadas por Cavani Rosas são lançadas hoje (23 de abril), às 19h, em festa no bar Capitão Lima (Rua do Lima, 100, Santo Amaro), no Recife. O evento contará com a presença do autor.

As HQs formam o primeiro número da revista Argonauta (26 páginas + encarte), que será vendida por R$ 8 e R$ 15 (pacote com dois). Dentro dela, vem encartado o panfleto Alerta Geral, também com linguagem de quadrinhos, distribuído nas ruas do Recife em 1986, agora reeditado por causa de seu tema atual (a descaracterização urbana da cidade).

As histórias reunidas na Argonauta são Deixem Diana em Paz (com roteiro de Fred Navarro), Malassombrado (escrita por Bráulio Tavares), Amor à primeira vista (texto de Eddy Gomes) e Voyager (do próprio Cavani). Todos os desenhos são do artista, mas as histórias têm estilos e gêneros diferentes entre si.

Apesar de ser mais conhecido como artista plástico, Cavani começou a carreira na década de 1960 como ilustrador e quadrinista. Colaborou para publicações como Folha de São Paulo, Diario de Pernambuco, Jornal do Commercio (PE), Continente Multicultural e Le Monde Diplomatique-Brasil.

Argonauta é uma publicação totalmente independente e foi impressa na Livrinho de Papel Finíssimo Editora.

sábado, 12 de abril de 2008

Shiko, de volta ao Recife



Shiko está de volta ao Recife.

Ano passado o promissor artista gráfico paraibano esteve na cidade a convite do Festival Internacional de Quadrinhos de Pernambuco. Na ocasião, ele fez uma palestra e deu uma oficina sobre experimentalismo na criação gráfica.

Desta vez, ele traz o que ficou faltando: uma exposição de seu trabalho.

Ah! Inferno Pra ter Cão - encantos e tentações de uma cidade tem abertura marcada para esta segunda-feira, 14.04, às 20h, no Bar Central (Rua Mamede Simões, 144 - Boa Vista). O momento inclui discotecagem de DJ Tales. Entrada franca. Mais informações pelo 8709-3905.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Arte para cartaz de divulgação do festival Abril Pro Okki



Fui raptado. Os terroristas deixaram o bilhete abaixo:
***
olá, humanidade

geladeira institucional orgulhosamente apresenta.

organização do reino das trevas: porrada hardcore satanico eletronico, besta fera 666: pazzuzu, canticos em lingua céltica neanderthal

grilówsky acústico: voz e violão, canções de amor chapação sexo alcool e rock n roll.

manu chauzinho do amparo: paulinho do amparo querendo agradar voces.

não vai ter show do geladeira metal.

maravilhosos dj´s nossos amigos:

catarina dee jah, evandro q?, fernandinho "viadagem" peres.

e grande performance do travesti das sobrancelhas loiras: cláudia cyss. acho que é tipo playback de madonna.

tudo isso quinta que vem, 17 de abril de 2008, 22:00hs
no bar virgulino, r. do sol, numero tal, olinda. bar do gran mestre okki osbourne.
lá tem sinuca e um clima underground que lembra o pocoloco.

fiz um lindo cartaz para que voces roubem e mostrem aos seus amigos.

beijos

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Tem arte na capa do CD da Orquestra Contemporânea de Olinda



Paulinho do Amparo aprontou mais uma. Desta vez é a arte da capa do CD de estréia da Orquestra Contemporâea de Olinda.

Paulinho é autor de alguns dos encartes mais bacanas da cidade. Tome como exemplo os trabalhos com a Mundo Livre, Shina-o-town, 3 Ets Records! e para o filme Baixio das Bestas, de Cláudio Assis.


CAPA PARA BEBADOGROOVE VOL 1. - MUNDO LIVRE

O álbum da Orquestra Contemporânea tem 11 faixas, e conta com a participação especial de Isaar de França, Maestro Ademir Araújo (da Orquestra Popular do Recife) e DJ Rossi Love.

O show de lançamento será no domingo, 27 de abril, no coreto da Praça do Carmo, em Olinda. Entrada franca.

Por enquanto, o disquinho será vendido somente duranto o show, ao preço de R$ 10. O motivo é que o grupo fechou contrato com a Som Livre, que fará a divulgação e distribuição nacionalmente.

Para uma prévia, basta acessar o MySpace da Orquestra, onde estão disponíveis seis das onze faixas do CD.

Retratos de Guerra - O Fotógrafo, de Didier Lefrève



A série francesa O Fotógrafo – uma história no Afeganistão, consagrada por trazer o testemunho sobre um país arrasado pela guerra, chega ao segundo volume de sua versão brasileira.

Seu valor não está somente nas fotografias que denunciam os absurdos belicistas, ou revelam as áridas paisagens do Afeganistão e a cultura de seu povo. Está na linguagem adotada para contar essa aventura de forma direta e fluida: a de história em quadrinhos.

O fotógrafo que dá título ao livro é o francês Didier Lefèvre.

Nos anos 80, ele acompanhou uma equipe da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) em uma expedição de três meses ao Afeganistão. Com a guerra fria dominando o mundo, o País fora invadido por tropas soviéticas. Em rápida resposta, os Estados Unidos abasteceram os rebeldes com armas e suprimentos, o que alimentou uma guerra de nove anos (1979-1988).

Quinze anos depois, as fotos e depoimentos de Lefèvre serviram de matéria prima para Emmanuel Guibert e Fréderic Lemercier produzir uma história em quadrinhos diferente de qualquer outra.

Nela, os desenhos coloridos se intercalam com pequenas fotografias em seqüência, espalhadas pelas páginas, tecnicamente conhecidas como “copião”. Graças a ao “copião”, é possível eleger qual a melhor imagem e enquadramento para ampliação. É possível acompanhar esse processo ao ler o livro: as fotos marcadas com caneta vermelha indicam o trabalho de Lefèvre. Logo após, a fotografia ampliada dá a dimensão impactante de seu olhar.



Narrada em primeira pessoa por Lefèvre, O Fotógrafo chama a atenção para o corajoso trabalho das equipes da MSF, que muitas vezes arriscam entrar clandestinamente em países em conflito para cuidar de sua população.

Criada em 1971, a organização já atuou em dezenas de guerras, sendo o Afeganistão o primeiro país a receber um projeto de longo prazo. Atualmente, a MSF mantém 22 mil profissionais e em mais de 70países, inclusive o Brasil.

No primeiro livro, a caravana cruza infinitos vales e montanhas arenosas para oferecer serviços médicos às vitimas da guerra. Além das dificuldades enfrentadas, suas fotos em preto-e-branco registraram paisagens e costumes de um país predominantemente muçulmano.



Neste segundo volume, a expedição chega a seu destino: um precário casebre que servirá de hospital para toda a região de Zaragandara. No mesmo dia, pessoas surgem com diferentes problemas, de acidentes caseiros a ferimentos graves provocados pelo conflito armado. O dia a dia dos médicos não é fácil. A procura é grande, e as condições de trabalho são terrivelmente baixas.

Uma das melhores passagens do livro se dá quando o fotógrafo, impressionado com as baixas condições de higiene e a completa falta de estrutura do local, pergunta a um médico como é possível exercer a profissão em condições tão adversas como aquela.

“Gosto muito do progresso. Os scanners, os exames complementares... Ainda bem que eles existem! Mas, quando não existem, é preciso fazer sem eles. E aí você reaprende a ficar atento, a escutar um corpo, a interpretar um suor frio ou uma linha que está ficando azul. Você reaprende a essência da profissão”, responde o médico.

Ao contrário dos colegas médicos, esta foi a primeira visita de Lefèvre ao Afeganistão – ele retornaria ao País algumas vezes, inclusive durante a guerra provocada pelos atentados de 11 de setembro. Além disso, esteve em outros países acompanhando os MSF, como Libéria, Kosovo, Sri Lanka e Camboja. A atividade o tornou mundialmente conhecido.

Lefèvre morreu aos 49 anos, em janeiro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco. Algumas semanas antes, foi premiado pelo salão de Angoulême pelo terceiro e último volume de O Fotógrafo. Seu trabalho continua disponível na internet, através do site Digital Roads.

De acordo com a assessoria de imprensa da Conrad, O Fotógrafo Vol. 3 será lançado no Brasil ainda este ano.

FOTOJORNALISMO OU QUADRINHOS?
O Fotógrafo é um livro de fotojornalismo ou de quadrinhos? Por usar das duas linguagens de forma inédita, configura algo híbrido, quem sabe um novo produto de comunicação.

O jornalismo em quadrinhos é quase tão antigo quanto a imprensa. No Brasil do século 19, por exemplo, o pioneiro Ângelo Agostini denunciou abusos contra escravos através de desenhos legendados em seqüência nas páginas dos jornais.

Apesar da longevidade do gênero, reportagens em quadrinhos ganharam notoriedade a partir de 1992, quando Art Spiegelman, filho de judeus poloneses, ganhou o prêmio Pulitzer por Maus – relato de um sobrevivente.

O reconhecimento público trouxe à tona relatos de guerra em quadrinhos publicados anteriormente, como a série GEN Pés descalços¸ em que o japonês Keiji Nakazawa faz um emocionante relato sobre os absurdos da guerra e como sobreviveu à bomba de Hiroshima. E abriu caminho para uma nova geração, cujo maior representante é o jornalista e desenhista Joe Sacco. Entre seus livros estão Palestina – uma nação ocupada, Sarajevo e Área de Segurança: Gorazade, todos publicados no Brasil pela Conrad Editora, a mesma que agora traduz O Fotógrafo.

Por sua vez, a fotografia de guerra começa em 1854, na Guerra da Criméia, registrada pelo inglês Robert Fenton. A partir dos anos 1920, fotógrafos ganharam agilidade e mobilidade com as máquinas portáteis. Seu auge aconteceu no Vietnã – o maior exemplo é a imagem de uma garota correndo com o corpo queimado pelo napalm, que fez a opinião pública mundial voltar-se contra a ocupação norte-americana.



Ao contrário das atuais coberturas de guerra, em que notícias impessoais são produzidas à distância a partir de material de agências internacionais, o testemunho visualmente instigante de O Fotógrafo é mais uma prova de que os quadrinhos podem tratar temas complexos como a guerra com mais profundidade e humanismo do que na anestesiada grande mídia.

** originalmente publicado no Caderno B da Gazeta de Alagoas.

João Lin assina capa do CD de Tonino Arcoverde



Arte de João Lin para Chuva, novo álbum de Tonino Arcoverde.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Réquiem para um sonho: Epiléptico, de David B **



“Sonhar, contar. Eu nasci para isso”, confessa o artista francês David B. ao leitor de Epiléptico - Volume 2 (Conrad, R$ 44,90), livro que encerra a série originalmente publicada em seis volumes sob o nome de L'Ascension du Haut-Mal (em francês: A ascensão do grande mal). Agora, é possível acompanhar até o fim a viagem confessional de Pierre-François Beauchard – nome de batismo do desenhista – em torno da epilepsia de seu irmão mais velho, Jean-Christophe. Conviver com a incurável doença foi um verdadeiro pesadelo em família. Por sua vez, a angústia representada em desenhos rendeu uma das mais fascinantes histórias em quadrinhos já feitas.

No primeiro volume, David B. encontra na própria imaginação um refúgio para a alma. As inúmeras crises do irmão mobilizam a família no que virou uma eterna busca da cura. Ao longo dos anos, peregrinaram atrás de qualquer possibilidade de tratamento ou até mesmo alívio: medicina convencional, homeopatia, macrobiótica, terapias alternativas, filosofia, religiões e curandeirismo.



Agora, entre a adolescência e vida adulta, Jean-Christophe se apega à doença para garantir a segurança e o afeto familiar. Cada vez mais próximo do ostracismo, se incentivado a procurar novos tratamentos, Jean-Christophe transforma sua fixação pelo nazismo em perigosos acessos de raiva e violência.

Enquanto enfrenta as amarguras de lidar com o irmão, Pierre François se define enquanto profissional do lápis e papel. Assim como era quando criança, David continua a preferir os fantasmas de sua “floresta imaginária” a encarar monstros bastante reais como a epilepsia do irmão (brilhantemente representada por uma mistura de serpente e dragão chinês), e toda a sorte de médicos, especialistas e gurus que se propuseram a cuidar da doença. Adota o nome David (por afeição à cultura judaica) e, no lugar das batalhas históricas que tanto o fascinaram na infância, passa a desenhar seres oníricos, inspirados na literatura fantástica e nas ciências ocultas. Pouco tempo depois, David passa estudar publicidade em Paris, dando início à sua trajetória profissional.



O sentimento e frustração e impotência por não curar o irmão isolou David em seu próprio mundo, onde imaginava vestir uma armadura medieval. Foi sua forma de se proteger e seguir em frente. Quando Epiléptico foi publicado, até mesmo sua família se surpreendeu com suas histórias, guardadas por tantos anos, somente confidenciadas a seus leitores. Sorte nossa. Se tivesse recorrido à psicanálise para exorcizar seus fantasmas, não faria um livro tão impressionante, e assustadoramente humano.



DAVID B., MONSTROS E FANTASMAS
Aos 50 anos, David B. figura no rol de desenhistas que expandiram a linguagem dos quadrinhos. Durante décadas, ele sonhou em salvar o irmão da epilepsia, assim como trazer da morte o avô materno. Sentimentos que refletiram na sua existência e influenciaram decididamente a sua expressão artística. Para ele, desenhar “é uma maneira de espantar a infelicidade. É uma mágica”, revela, nas páginas de Epiléptico. “Eu li um monte de histórias que me fizeram bem. Eu também gostaria de tocar as pessoas com os meus livros”, completa o autor.

Com excepcional liberdade de expressão, David B. extrapola o gênero autobiográfico ao acrescentar profundidade existencial à narrativa. Esta, fragmentada e hipnótica, é construída por referências filosóficas e citações poéticas, reminiscências infantis e representações gráficas de sentimentos. Além disso, há a metalinguagem. Este recurso que encontrou terreno fértil nas HQs, está presente de tal forma que fica impossível separar as desventuras da família Beauchard do processo criativo do autor.



Ao longo de duas décadas, David B. buscou formas de traduzir em imagens sua convivência íntima com a epilepsia. A gramática dos quadrinhos por ele adotada se mostrou não somente a melhor, mas a única maneira de comunicar essa experiência em sua totalidade. A literatura está lá, como elemento básico em sua formação pessoal. Assim como as artes plásticas – a solução encontrada para representar a epilepsia no corpo do irmão passa claramente pela estética cubista.

No final dos anos 1970, Will Eisner elevou o status das histórias em quadrinhos ao nível de arte, ao publicar uma série de álbuns sob o conceito de literatura gráfica, ou graphic novel. A partir de então, um debate se abriu em torno do tema: seriam os quadrinhos um subgênero literário ou uma arte em si? Com arroubos de genialidade, Epiléptico coloca ponto final na discussão.

** originalmente publicado no Caderno B, da Gazeta de Alagoas

sexta-feira, 28 de março de 2008

Coleção Olho de Bolso tem lançamento em São Paulo



A coleção Olho de bolso será lançada em São Paulo, será neste sábado, 29 de março, 19h30.

O evento será na HQ Mix Livraria - Praça Roosevelt, 142, Centro, telefone pra informações: (11) 3258-7740.

Abaixo, texto do release:

Entre os meses de agosto de 2007 e fevereiro de 2008 doze publicações autorais chegam às ruas, ou melhor... Às mãos, olhos e bolsos do Recife. Doze autores das mais variadas vertentes do trabalho imagético foram estimulados a criar um livreto de baixo custo e alta qualidade. Eram eles ilustradores, designers, grafiteiros, cartunistas, quadrinistas, artistas plásticos e um ator de teatro. Todos realizaram suas obras em tamanho A6 e no máximo 32 páginas. O resultado é uma fascinante coleção entre os mais variados universos visuais. Antes restrito ao circuito recifense e agora lançada em São Paulo.

Imagens em trânsito pela cidade. Coleção habitual e urgente. Pensamento icônico do viver e traduzir a experiência partilhada da criação, da recriação, da modificação das coisas do mundo pelo olhar do desenho e da escrita. As poéticas traçadamente desenhadas pelas mãos dos autores revelados, reunidos, religados pela sensação do olhar o mundo, o sonho, fazem desta coleção, já, uma raridade. Mas o que encontrar nessas páginas vindas do Recife?

O abrir do livro, do livreto, abre a imaginação, conduzindo-nos a novas letras, diálogos e outras tantas narrativas ilustrativas que confidenciam algo visual a nos tornar cúmplices, leitores. Há poesia, brincadeira e provocação, como é, sempre, na vida latente e periférica.

Idéia dos novos, muitos nomes e possibilidades de edições outras e variadas. Os de agora são: Laerte Silvino, Serjão, Rodrigo Braga, Maurício Castro, Galo, Greg, Moa, HKE, João Lin, Rosinha, Zaza e Mascaro. Publicação independente da capa a contracapa, pelo meio, mais para cima ou para baixo, no bolso da gente. Livros de qualidade autoral promovendo a parceria entre a Livrinho de Papel FinÍssimo Editora e a RagÚ zine, com apoio institucional da Associação Cultural e Musical da Barriguda e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Recife.

sábado, 8 de março de 2008

Novos títulos da editora Marca de Fantasia

A editora paraibana Marca de Fantasia acaba de lançar mais dois números da série Veredas, dedicada a estudos acadêmicos sobre comunicação e artes.



O primeiro título é O documentário paraibano no cinema brasileiro - Mito, reconstituição e ficção em Aruanda (R$ 10), organizado por Lúcio Vilar e Cecília Porto.

O livro reúne artigos dos críticos e cineastas João Batista de Brito, Wills Leal, Jean-Claude Bernardet, Sílvio Da-Rin e Amir Labaki, acerca do cultuado filme do paraibano Linduarte Noronha, que também é nome de festival.



O segundo, O príncipe lê jornais: cotidiano e poder no jornalismo impresso (R$ 14), tem organização do professor da UFPB Wellington Pereira, e é fruto de seus estudos com alunos sobre as mídias e sua relação com o cotidiano.

Os livros estão à venda somente no site da editora.

A Marca de Fantasia é uma editora independente, com base em João Pessoa, PB. Fundada há mais de 10 anos, seu objetivo é publicar e discutir quadrinhos, fanzines, e demais artes gráficas. Recentemente, este blog publicou um post a respeito, com uma longa entrevista com Magalhães.

Sua mais nova série se chama Biografix, dedicada a mestres da HQ e catuns brasileiros. A Caravela, de Nilson; Shima: HQs clássicas de um samurai dos quadrinhos, de Julio Shimamoto; e Você sabia?, de Edson Rontani são os lançamentos mais recentes.

Por email, Henrique Magalhães antecipa os próximos lançamentos:

"O próximo número do Top! Top! trará uma longa entrevista com Edgar Franco, realizada por Michelle Ramos, do sítio ZineBrasil, tratando das investigações desse autor no campo das histórias em quadrinhos eletrônicas e outras áreas de seus estudos. O número seguinte fará uma homenagem a Henfil".

Professor de comunicação, Henrique disse ao Quadro Mágico que está iminente a criação do Núcleo de Histórias em Quadrinhos na UFPB: "Agora que estamos implantando o Mestrado em Comunicação, ficará mais fácil montar um núcleo de pesquisa em histórias em quadrinhos. Estamos elaborando o projeto, que deve estar pronto neste semestre".

Curso de quadrinhos autorais no Recife



Estão abertas as inscrições do Curso Autoral de Quadrinhos. Ele acontece em Recife, de 15 de março a 28 de junho. Dez vagas disponíveis.

Quem promove o curso é o Centro Pernambucano de Design
. As aulas são aos sábados, de 9h às 13h, A mensalidade é de R$ 120, com material e apostila inclusos.

Os professores são Vítor Batista e Henrique Koblitz, artistas gráficos do coletivo editorial Livrinho de Papel Finíssimo.

Segundo eles, o objetivo do curso é a "formação de novos autores no universo da arte seqüencial, tendo como principal enfoque as histórias em quadrinhos e seus incontáveis gêneros difundidos ao redor do mundo. Métodos de trabalho, recursos narrativos, simbologia e lingüística, criação de personagem, aulas de desenho, mídia digital, produção independente e a potencialidade da livre informação serão alguns dos principais tópicos a seres explorados".

O Centro Pernambucano de Design fica no segundo andar da Casa da Cultura (Rua Floriano Peixoto, bairro de Santo Antônio). Informações e inscrições pelo telefone 3424-2158, ou direto com os artistas: Vitor Batista - 8634.4683 e Henrique Koblitz - 8830.0479.

sábado, 1 de março de 2008

Que teus olhos sejam atendidos: "Persépolis" em desenho animado



A HQ autobiográfica Persépolis, de Marjane Satrapi, expandiu um pouco mais o alcance dos quadrinhos confessionais e intimistas.

Persépolis também busca reconstituir um passado recente, vivido pelo povo iraniano. Para tanto, faz uso da memória coletiva acerca da "revolução" islâmica, cujo maior representante foi o Aiatolá Khomeini. Curiosamente, nao há sequer menção ao notório lider durante toda a narrativa de Satrapi.

Sua versão animada, dirigida por Vincent Paronnaud e a própria Marjane Satrapi, guarda forte semelhança com a HQ, tanto no eixo verbal quanto visual. O prêmio do júri do Festival de Cannes 2007 não é também um reconhecimento ao potencial dos quadrinhos como expressão audio-visual.

Vale salientar que o desenho fica longe de ser uma transposição doentia, quadro a quadro, da obra original. Pelo contrário, busca definir uma identidade própria, ciente de que faz parte de outra linguagem - a do cinema.

A história de Marjane está toda lá, condensada em certos momentos, estendida em outras passagens. Seqüências inteiras sumiram; outras, inéditas, saltam aos olhos.

O que garante identidade própria ao desenho animado é seu conceito visual, que preserva a proposta original criada pela artista, ao mesmo tempo em que incorpora som e movimento de forma bastante natural.

As vozes originais, entre elas, das atrizes Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni, estao naturalmente sincronizadas com a vida e o perfil de cada personagem. Os oportunos momentos musicais levam a questionar quando poderemos ler HQs com soundtrack.

Principalmente a parte em que Marji toca em alto volume uma fita cassete do Iron Maiden, comprada no mercado negro iraniano. A contagiante alegria da menina, desesperada para esquecer toda aquela guerra e preconceito ao redor, é um dos momentos altos do filme.

As cores surpreendem logo nos primeiros minutos. Elas simplesmente não existem na HQ, totalmente desenhada em preto e branco alto contraste, como em xilogravuas.



No desenho, o colorido surge como recurso para separar a vida adulta da protagonista (tempo atual), que hoje mora na França, das lembranças de quando viveu no Irã e na Austria. Além disso, tons de cinza estão em todo o longa, principalmente nos cenários, o que resultou num aspecto menos caricato e mais realista do que os personagens aparentam.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Lançamento: A Força da Vida, de Will Eisner



A Devir Livraria tem feito um belo trabalho em editar obras do mestre Will Einser no Brasil. Depois de Um contrato com deus e O sonhador, é a vez de A força da vida (152 páginas, R$ 38).

Inédita no Brasil, a história leva o leitor a um tempo-espaço essencial ao universo de Eisner: a New York dos anos 1930. Naquele tempo, os EUA amargavam a histórica depressão econômica, causada pela quebra da bolsa de valores, em outubro de 1929.

Mais especificamente, o livro é uma viagem à Avenida Dropsie, um tipo de cortiço situada no bairro do Bronx. Velha conhecido dos admiradores de Will Einser, é naquele endereço que residem os pobres e desconhecidos personagens criados pelo desenhista.




Judeus, negros, italianos, escoceses, todos em busca da sobrevivência, pouco importam seus nomes: Jacob, Willie, Weiss. Gente a qual não se prestava muito atenção.

Filho de imigrantes judeus, Eisner cresceu entre essa gente. Ao contrário da minoria abastada, e de seus próprios pares, o desenhista extrai brilho de cada pequena chantagem conjugal, de cada angustia da existência, do dia a dia de labuta na busca do pão, da imposição de regras religiosas, do encontro com a vida quando não há mais esperança.

Pioneiro na arte de traduzir o drama humano em quadrinhos, a sétima arte deve muito a Will Eisner. Com suas narrativas entrecruzadas e melancólicas, A Força da Vida é um de seus melhores momentos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Lundu nº3 traz galinha guiné, metalinguagem e autocrítica por Anaíra Mahin



Imagens da revista Lundu nº3.

Feita no melhor estilo do-it-yourself ("formatinho", xerox pb, independente, 26 páginas, R$ 3) por Anaíra Mahin.

Cresceu com relação aos números anteriores, que têm o formato de bolso.

A revista tem apenas uma história, protagonizada por Guiné, uma galinha de angola estudante de ciências sociais.



Foi criada durante a edição recifense do 24HCD, um concurso global cujo desafio é criar a melhor HQ de 24 páginas, em até 24 horas. Anaíra participou, mas sua história não convenceu o júri do evento. Mesmo assim, publicou seu trabalho por conta própria, na Lundu.

O sufoco para Anaíra cumprir o prazo do concurso foi tão grande que ela dividiu isso com o leitor.


METALINGUAGEM POUCA É BOBAGEM

Os acessos de autocrítica torna o todo ainda mais interessante:


Para comprar um exemplar, basta escrever para anaira.mahin@gmail.com .

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

No ar: Território Marginal



Muito bom o Território Marginal, blog de Vítor Batista, do coletivo Iraq.

Quadrinhos existencialistas, experiências de linguagem, reflexões e hai kai's gráficos.

Para conhecer, clique aqui.

Recife: João Lin promove Oficina de Ilustração Digital



O artista gráfico João Lin abriu nova turma para seu curso de ilustração digital, sediado na Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia.

As aulas começam em 11 de março. Vagas limitadas a oito alunos (um computador por pessoa).

A carga horária é de 18 horas-aula, das 19h às 22h.

Inscrições pelos fones 3224-5656 / 9667-0394 ou email joaolin@terra.com.br, ao valor de R$ 220. A Oi Kabum! fica à Rua do Bom Jesus, 147.

+ uma de Mascaro

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Marca de Fantasia – exemplo de qualidade e independência editorial



Durante boa parte do dia, Henrique Magalhães trabalha na Universidade Federal da Paraíba, onde dá aula de laboratório de pequenos meios para estudantes de comunicação. Nas horas livres, em vez de descansar, ele começa outro expediente, dedicado a fazer livros e revistas em quadrinhos. Henrique é dono da Marca de Fantasia, a editora independente e absolutamente não-comercial, que há mais de dez anos vem prestando grande serviço aos quadrinhos nacionais.

A Marca de Fantasia começou como fanzine, que circulava em João Pessoa nos idos de 1985. Após voltar da França, onde se pós-graduou no tema, Henrique decidiu ampliar seu trabalho para um projeto editorial mais abrangente, que contemplasse inclusive livros teóricos sobre quadrinhos, fanzines e artes afins.


A NOVA ONDA DOS FANZINES, DE HENRIQUE MAGALHÃES

Para um independente, o catálogo de Henrique impressiona. Dos 70 títulos já publicados, cerca de 50 estão disponíveis em seu catálogo virtual, vendidos ao preço máximo de R$ 15.

Essa fantástica fábrica de revistas em quadrinhos funciona no conforto de um apartamento, na beira mar de João Pessoa. O equipamento – um computador conectado a uma impressora laser, está montado num quarto simples e tranquilo, ideal para a atividade. Nas paredes, estantes revelam o estoque de edições disponíveis para envio imediato. Ao redor há algumas telas, algumas assinadas por Shiko, uma das melhores revelações dos quadrinhos autorais brasileiros dos últimos anos.


MARGINAL, COLETÂNEA DO TRABALHO DE SHIKO EM FANZINES

Além de Shiko, cujo trabalho está na coletânea Marginal, a Marca de Fantasia publicou praticamente todos os artistas paraibanos em atividade: Mike Deodato, Cristóvão Tadeu, Emir Ribeiro, e o próprio Henrique, que além de editor e pesquisador, cria seus próprios quadrinhos.


TOP! TOP! 23 APRESENTA ENTREVISTA INÉDITA COM O GAÚCHO EDGAR VASQUEZ

Semestralmente, o fanzine Top! Top! (o nome vem da onomatopéia feita pelas mãos do Fradinho, o mais sacana personagem de outro Henrique, o grande Henfil) traz uma seleção de quadrinhos que inclui material estrangeiro, além de entrevistas com artistas e estudiosos - as mais recentes são com o paulista Marcio Baraldi, o gaúcho Edgar Vasquez (criador do antológico Rango), o pernambucano Jô Oliveira e o pesquisador paulista Gazy Andraus.


RANGO, UMA DAS CRIAÇÕES DE VASQUEZ

Aliás, dois anos após a morte de Henfil, Magalhães o homenageou fundando a gibiteca Henfil, que veio antes da localizada no Centro Cultural Vergueiro, São Paulo. “Tudo bem, Henfil merece várias gibitecas”, brinca, na entrevista abaixo, concedida pessoalmente, direto de João Pessoa.

O encontro se deu no ano passado, na mesma época do lançamento da Coleção Biografix, dedicada a publicar mestres dos quadrinhos brasileiros. Henrique estava bastante satisfeito em informar que o livro de estréia seria Lugares In-Comuns, de Jaguar, um belo resgate de uma obra há décadas fora de catálogo. Dois dias depois, a decepção: o título deveria ser retirado de circulação, por razões contratuais entre o artista e a editora Desiderata, atual detentora dos direitos de publicação de sua obra. No post abaixo, entre outros assuntos, Henrique fala sobre este frustrante e desnecessário episódio.

Entrevista // Henrique Magalhães: "O quadrinho está deixando de ser um produto de massa para ser uma comunicação dirigida a pequenos públicos"

Como surgiu a Marca de Fantasia?
No início, Marca de Fantasia era um fanzine que eu editei aqui em 1985. Quando eu voltei da França, onde fiz meu doutorado de sociologia comparando o modo de produção entre os fanzines brasileiros, portugueses e franceses, achei interessante fazer um projeto editorial, e não apenas um fanzine. Na França vi tanta coisa, principalmente no meio independente, que eu pensei em adotar essa tendência para os produtos locais. Criar o próprio mercado, independente e específico para a produção nacional. E ocupar um nicho de mercado que não era ocupado pelas editoras comerciais. Que era o mercado das livrarias especializadas, que começava a se expandir. Eu tinha dos EUA, eu vi isso crescendo na França. A idéia não era manter um título, mas um projeto editorial que pudesse publicar a produção nacional independente, os novos autores, dar visibilidade a gente que fica restrita a seus estados, como os produtores de São Luis, Salvador, Porto Alegre, Recife, João Pessoa. E ao mesmo tempo continuar uma produção jornalística, que é o fanzine, com crítica, análise, entrevista.

Daí a editora foi fundada em três linhas: o fanzine Top Top!, que permanece até hoje; os quadrinhos poéticos, que eu reuni numa revista chamada Mandala até o início do ano 2000; e a série Das Tiras Coração, editada com Edgar Guimarães, da revista Quadrinhos Independentes (QI), em Minas Gerais. Cada publicação seria trimestral, o que daria uma por mês. Isso durou mais ou menos um ano.

E os livros teóricos?
Com o tempo, vi que haviam muitos trabalhos acadêmicos sendo feitos por alunos e professores, e que ficavam nas gavetas depois de defendidos. Então eu criei a coleção Quiosque, onde estes estudos são veiculados. É uma coleção de bolso que já tem 18 números de material nacional e estrangeiro. Até hoje continuo lançando livros teóricos, que é o que tem tido maior repercursão dos trabalhos da editora, porque fundamenta outros trabalhos teóricos.


HISTÓRIA EM QUADRINHOS: ESSA DESCONHECIDA ARTE POPULAR, DO FRANCÊS THIERRY GROENSTEEN - À VENDA POR APENAS R$ 8.

Eles representam que parte de sua produção atual?
Representam mais de 50%, em vendas e títulos disponíveis. Mais do que os quadrinhos. Os álbuns eu lanço mais pelo capricho do que pela viabilidade.

De onde vem esse interesse acadêmico pelos quadrinhos?
Os quadrinhos marcaram a infância de todo mundo. Mesmo quem leu pouco, já passou pelos quadrinhos. E é algo sedutor demais porque mexe com a linguagem própria, que não são as artes plásticas, não é a literatura, é a fusão das duas. Não é cinema, é outra coisa, é outra arte. Isso motiva muita gente. É uma fonte de pesquisa inesgotável.


RISCOS NO TEMPO, DE J. AUDACI: LIVRO-PESQUISA SOBRE A HISTÓRIA DOS QUADRINHOS PARAIBANOS

Como funciona a produção dos livros, álbuns e revistas?
Produzo conforme a demanda. Todo trabalho é artesanal. Antes eu reproduzia com fotocópias. Mas precisava terceirizar, e não deu pra manter a qualidade. Então comprei uma impressora laser pra fazer o miolo das publicações em casa. Quando vou lançar um livro, faço a capa em off-set, papel cartonado colorido, 200 cópias. E depois faço o miolo conforme a demanda, de 20 em 20 cópias. Todo o trabalho é feito em casa, porque é mais barato para o esquema de pequenas tiragens.

E a divulgação e distribuição?Para divulgar, mando os lançamentos para uma lista de emails, e quando as pessoas acessam o site, acabam se interessando por outros livros. Tem toda uma rede online que faz o círculo de leitores. E cada vez tem mais gente nova procurando a editora, principalmente no meio acadêmico.

Qual a história da Gibiteca Henfil?Foi fundada em 1990, e passou 12 anos no Espaço Cultural José Lins do Rego.

Não tem nada a ver com a gibiteca do Centro Cultural São Paulo, que leva o mesmo nome?
Não. A daqui foi fundada antes (risos). Mas tudo bem, Henfil merece várias gibitecas (risos). Ela foi baseada no meu próprio acervo, na minha coleção. Como eu tinha muita revista, muito fanzine, e não dava mais conta do recado, eu disse: vou socializar isso. E abri uma gibiteca. E ela se transformou num projeto de extensão da faculdade. Mas quem menos dava atenção para a gibiteca era o próprio espaço cultural. A gibiteca circulou em todos os lugares de lá, porque a cada mudança de direção eles tentavam acabar com o projeto, dizendo que era um monte de papel velho. E mudavam para um canto cada vez mais escondido. Briguei com todas as diretorias. Até chegar ao ponto em que eu construí um espaço lá dentro, com a ajuda da prefeitura.

Foi tanto descaso que resolvi tirar a gibiteca de lá. Hoje está no departamento de comunicação da UFPB, que é onde eu trabalho. Eu dou aula nela, atendo aos alunos, mas não está aberta ao público.

Quais os planos para ela?
É continuar no departamento, e servir de fonte de pesquisa. Vou fundar um núcleo de pesquisa em quadrinhos dentro da gibiteca.


LUGARES (IN) COMUNS, DE JAGUAR - LIBERADO ANTES, CENSURADO DEPOIS

Como se deu a censura da reedição do livro de Jaguar, Lugares In-Comuns?
Pela manhã recebi um telefonema da editora da Desiderata, que foi muito indelicada. O acordo com Jaguar houve, sim, há um ano, quando ele morava em Brasília e novamente agora, em junho, por telefone, antes do anúncio do livro. Depois que lhe expliquei que a Marca de Fantasia não tem fins lucrativos e que não se chocava com os interesses da Desiderata, ele concordou que eu fizesse a edição. Enviei-lhe um exemplar já pronto e um modelo de contrato, onde coloco, inclusive, a forma de pagamento dos direitos autorais.

Só que a Desiderata disse que eu desrespeitei o autor, que fiz a publicação sem sua autorização, que não pago o autor. Um monte de desinformação. Liguei pra Jaguar pra tentar resolver o caso e pedir que ele intercedesse pela Marca de Fantasia junto à Desiderata. Ele foi super ríspido, disse que não tinha autorizado nada, que um ano, desde o primeiro contato, era uma eternidade e que ele não permite, de forma alguma que eu prossiga com a edição. Disse até que não tinha mais tido contato comigo, depois de Brasília. Ora, o endereço dele no Rio foi ele mesmo que me deu, quando lhe telefonei em junho deste ano. Certamente ele sentiu a pressão da Desiderata e resolvel voltar atrás, da pior maneira possível. Em vez de assumir o que disse, tentou me chamar de mentiroso e desonesto. Uma coisa realmente triste.

A coleção Biografix continua, não vai parar por isso. Estamos em negociação, eu e Wellington Srbek, para a edição de um livro de Nilson, outro de Shimamoto e mais outro de Edson Rontani. Os autores são muito simpáticos com a proposta da coleção e da editora, mas só farei as edições depois de ter todos os contratos assinados.

Na sua opinião, porque hoje há menos revistas em quadrinhos nas bancas do que 20 anos atrás?
O quadrinho está deixando de ser um produto de massa para ser uma comunicação dirigida a pequenos públicos. A não ser os quadrinhos de super-herói ou os infantis, que realmente são mercados muito amplos. Mas aí você vê gente que tem uma formação literária forte, que está ligada aos quadrinhos, como o Mutarelli, que faz literatura e faz quadrinhos. É um outro ramo, um outro nível de produção.

Claro que as bancas da minha infância havia mais títulos. Mas a gente ta vivendo uma mudança nos meios de comunicação com a informática e com o cinema baseado na informática. Isso de certa forma tira o público dos quadrinhos. Talvez os quadrinhos estejam se tornando um objeto mais de culto, para um público mais adulto, que vai buscar nas livrarias especializadas o seu livro, o seu álbum. Mas sempre vai haver os quadrinhos de massa. Eles sempre vão existir, como o mangá é um fenômeno que não se esperava que acontecesse. Quando as publicações de super-herói entraram em crise, apareceram os mangás, que vendem mais ainda. Não acredito que os quadrinhos no suporte papel vão se acabar.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Persépolis em pré-estréia na Fundaj: saiba os horários

Persepolis (EUA/ Fra., 2007. 95 min.), de Vincent Paronnaud, Marjane Satrapi continua em pré-estréia no Recife, esta semana em três sessões com projeção digital, no Cinema da Fundação (Rua Henrique Dias, 609, Derby): nesta sexta e sábado, às 20h40, e domingo às 18h.


Com vozes de Catherine Deneuve e Chiara Mastroianni, a animação baseada nos quadrinhos (autobiográficos) de Marjane Satrapi conta a história de jovem iraniana muito precoce e sincera. Durante a Revolução Islâmica, ela começa a descobrir que está chegando à maturidade e deve lidar com mais responsabilidade - não só de seus atos, mas no modo de pensar.

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2007. Indicado ao Oscar 2008 de melhor animação.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Lançamento coleção Olho de Bolso - as imagens

Com exclusividade, o Quadro Mágico antecipa quatro desenhos da coleção Olho de Bolso, com lançamento marcado para amanhã.

HKE - O trono do Tamburete





Greg - Gregotins



quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Coleção Olho de Bolso - os quatro últimos



Sábado (16), a partir das 14h, tem Quatro últimas gotas, festa de lançamento dos quatro últimos títulos da coleção Olho de Bolso. para tanto, quatro DJs colocam som no Museu Murillo LaGrecca(rua Leonardo Bezerra Cavalcanti, 366 - embaixo do viaduto Torre-Parnamirim, Recife). Entrada franca. Os títulos custam entre R$ 2 e R$ 3. Informações: (81) 9189.7991 (Diogo Todé) | (81) 8892.5798 (Nicole Cosh) ou livrinhoeditora@gmail.com

Abaixo, uma apresentação dos próprioa artistas, livrinho por livrinho:

Gregotins (de Greg)
Greg é ilustrador e designer. Ele é o cara que inventou a "Livrinho". Traz em seu novo livro um passeio sobre todas as vertentes de sua produção gráfica. Juntou uma pilha de desenhos feitos ao longo de 2007 e compilou tudo nesta obra de expressões variadas.

Você me ama? (de Artur e Rosinha Campos)
Rosinha Campos ilustra a cômica relação com seu, agora famoso, filho Artur. Ele, para certificar-se que é amado, cria situações onde a mãe deve provar que o ama.

Maripozel (de Zaza Zignal)
Zaza é premiado. Premiado ator... Sim... Ator e autor. Ele possui um traço que expressa dignamente o universo escabroso que cria em suas histórias. Mariposel é um ser dotado. O resto a imaginação segue com olhos arregalados.

O trono do Tamburete (de HKE)
Henrique Koblitz é peça fundamental da "Livrinho". Suas histórias e trabalho fazem parte da editora desde o surgimento dela. Agora ele mostra uma lição imagética sobre o trabalho. Uma poética visão da exploração humana.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Persépolis em pré-estréia no Cinema da Fundação



Neste sábado (16), às 20h40, o Cinema da Fundação promoverá a pré-estréia de Persépolis (França, 2007), versão animada para a HQ autobiográfica da iraniana Marjane Satrapi. A sessão, que só não é imperdível porque o desenho entra em cartaz na próxima semana.

Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2007, e indicado ao Oscar 2008 de melhor animação, o filme conta em 95 minutos como Satrapi amargou a "revolução" islâmica, que em 1979 colocou o Aiatolá Khomeini no poder do Irã, a antiga Pérsia.

Persépolis é uma das melhores histórias em quadrinhos já feitas. Revirando suas memórias afetivas, Sartrapi traz o leitor para perto de uma realidade coletiva de conflitos ideológicos e sociais, geralmente trazidos de forma impessoal no noticiário internacional. Precocemente arrancada da infância, de longas conversas com Deus sobre seu incomum destino de profeta, Satrapi passa a encarar as tragédias de um governo em guerra contra seu povo.




O livro, item de biblioteca básica dos quadrinhos, foi anteriormente publicado pela Companhia das Letras em quatro edições. Fim do ano passado, ganhou novo tratamento em volume único, tão atraente quanto os primeiros, só que mais acessível aos bolsos da maioria.

sábado, 5 de janeiro de 2008

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"Eles querem que a gente morra. Aí a gente vai e vive. Isso é humor"



Assim como o cinema brasileiro tem Glauber, os quadrinhos têm Henfil.

A frase acima é dele. Boa também para marcar minha volta às atividades de blogueiro. Fiquei um tempo "fora do ar" por motivos de trabalho (que não este).

Hoje amargamos 20 anos sem Henrique de Souza Filho (1944-1988). Hemofílico, ele foi uma das primeiras vítimas da AIDS, entre os brasileiros famosos. Numa transfusão de sangue, contraiu o vírus.



Hoje ele vive em cada cartunista que se considere pensante, e dá nome a duas gibitecas, uma em São Paulo e outra em João Pessoa.

A favor de uma linguagem nacional para os quadrinhos, Henfil se recusava a desenhar tirinhas. Daí (alguns) jornais brasileiros passaram a publicar quadrinhos num formato com quatro ou seis quadros por história. Quem me disse essa história foi RAL, em entrevista, alguns meses atrás.

Para saber mais sobre este gênio do traço, recomendo o livro O Rebelde do Traço: a Vida de Henfil , escrito por Denis de Moraes.

As imagens desta postagem são reproduções de uma homenagem de Glauco e Laerte feita nos anos 80, e republicada em 2006 no livro Seis Mãos Bobas (Devir Livraria).

E viva Henfil!