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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sem fronteiras para a arte



De hoje a 9 de março, entra em cartaz no Centro Cultural Correios (CCC, no Recife Antigo), a exposição Partido gráfico, com trabalhos inéditos de João Lin, Mascaro, Fernando Duarte e Paulo Régis. O evento também marca o lançamento de um coletivo formado pelos artistas, de estilos e temática diferentes, com a intenção de borrar a fronteira entre artes plásticas e gráficas.

Nesse sentido, a galeria talvez seja o lugar ideal para esse encontro. Montada no terceiro andar do centro cultural, cada artista ocupa uma das paredes do salão. “Consegui pauta para uma exposição individual, mas resolvi convidar Mascaro, Lin e Fernando”, conta Régis, que apresenta uma série de 30 bigornas, objeto popularmente conhecido como pé de ferro. O artista usa diferentes técnicas: grafite, litogravura e recorte, inspirado em cartomas de Aloísio Magalhães.

Editor de arte do Diario e co-fundador da revista Ragu, Mascaro traz em seus desenhos a influência da ilustração editorial e da história em quadrinhos. No entanto, eles foram feitos com uma liberdade que não lhe é permitida no exercício profissional. Alguns deles já foram publicados na seção Um Desenho, do Viver, e traduzem o estado de espírito urbano, moldado pela realidade social. “É um trabalho que fiz por prazer. Para, antes de tudo, me satisfazer, divertir e como forma de relaxar da formatação do universo editorial”.

O trabalho de Fernando Duarte, com quem Régis já tinha dialogado em longínqua exposição nos Correios da Av. Guararapes, e João e Mascaro na coleção Olho de bolso, editado pela Livrinho de Papel Finíssimo, chama a atenção tanto pela forma - três rolos de papel vegetal estendidos horizontalmente por uma parede de 15 metros - quanto pela impactante série de 30 personagens pintados em nanquim, com interferências de carimbos e poemas escritos à mão.

Divididos em pequenos quadros, os 24 personagens de João Lin apontam para o talento do artista em desenvolver marca própria e cada vez mais refinada, arriscando definir, um “zen-cubismo”, baseado em linhas geométricas e ilusões de ótica que brincam com a profundidade, dimensões e cores. Cada personagem pode ser “lido” em pequenos quadros, por sua vez habitados por outros personagens ou labirintos. “Descobri uma influência não-consciente de um painel feito por Lula Cardoso Ayres para o Cinema São Luiz, onde fui pela primeira vez quando tinha nove anos. Assim como do tratamento geométrico e de paleta de cores de Luiz Notari, com quem tive aulas de pintura”, conta Lin.

Haverá uma continuidade para o Partido Gráfico? Mascaro diz que pode acontecer. “Desta vez, estamos nos apresentando individualmente. Numa próxima talvez tenha outro elo, com um tema ou gancho específico”.

(Diario de Pernambuco, 01/02/2012)

sábado, 12 de junho de 2010

O Papa Capim de João Lin



Piteco, Astronauta, Horácio, Jotalhão, o Louco. Das dezenas de personagens de Maurício de Souza, o Papa Capim talvez seja o menos lembrado. E foi justamente ele que o ilustrador pernambucano João Lin elegeu para homenagear o maior nome dos quadrinhos brasileiros. A HQ participa do projeto MSP + 50, a ser lançado em agosto, durante a Bienal do Livro de São Paulo.

Veja prévia dos trabalhos aqui.

Coordenado por Sidney Guzman, o livro trará histórias assinadas pelos maiores artistas gráficos do país, como Rafael Grampá, Allan Sieber, Marcatti, Caco Galhardo, Rafael Coutinho e André Kitagawa. Junto com o MSP 50, publicado em 2009 com participação de Angeli, Laerte, Lélis, Casal, Mascaro, Fábio Moon e Gabriel Bá, trata-se da mais completa homenagem a Maurício realizada pelos seus pares.

domingo, 4 de abril de 2010

Mestre Vitalino também foi criança



Um livro ilustrado com memórias de infância de Mestre Vitalino será lançado em breve pela Fundação Joaquim Nabuco. Voltado para as crianças, mas longe de se restringir a essa faixa de leitores, Vitalino menino tem 40 páginas e deve ser lançado em maio. Ele faz parte de uma nova coleção concebida pelo Museu do Homem do Nordeste intitulada Brincadeiras de Mestres, que adapta para o formato a infância de artistas da cultura popular. Os próximos serão sobre Patativa do Assaré e Mestre Bimba, criador da capoeira regional.

João Lin, que ilustra o volume de estreia, explica que a infância de Vitalino está representada a partir de suas peças de barro mais emblemáticas. Em páginas duplas, episódios de sua vida são contados de forma não linear, diferente das biografias tradicionais. "A peça do Gato Maracajá, a primeira que Vitalino teve consciência de que podia criar e comercializar, ele fez pensando nas caçadas que o pai fazia".

Parte das passagens foram baseadas em relatos e depoimentos do próprio Vitalino ou de pesquisas sobre ele, encontrados em arquivos de texto, áudio e vídeo disponíveis no acervo da Fundaj. As demais, foram criadas a partir da livre interpretação de Lin, ao lado do designer Rodrigo Sushi e do poeta Valter Ramos, responsável pelo texto final, de acento popular. "Não encontramos nenhuma história sobre a peça do Batismo, disponível na Fundaj. Então inventamos uma, em que ele é o batizado", diz Lin, que teve como assistente para as ilustrações o desenhista Rafael Anderson. O livro, que tem tiragem de 3 mil cópias, deve ser comercializado a R$ 10.

Vânia Brainer, coordenadora geral do Museu do Homem do Nordeste, diz que o projeto conseguiu definir uma unidade entre o traço de João Lin e a forma dos bonecos de Vitalino. "Ficou tão interessante que até os adultos estão encantados". O know-how de Lin, que em 2009 assinou os cinco primeiros volumes da série Pequenos craques (Editora Callis) reforçou o interesse da instituição em dar o pontapé inicial do novo projeto convidando o desenhista.

"Entre outros, contei a infância de Garrincha e João do Pulo, do momento do nascimento à adolescência. Só que de forma mais cronológica. Com Vitalino, tive mais liberdade para fragmentar a narrativa e fantasiar a partir do desenho das peças. Penso nas histórias como uma grande tela, que traz uma ilustração ou narrativa de quadrinhos", diz Lin, que em outro episódio utiliza da mistura dos dois gêneros das artes gráficas para contar a história do Lobisomem a partir de imagens oníricas da noite de lua cheia. Ele também adianta que Vitalino menino pode render produtos derivados, como um desenho animado.

(Diario de Pernambuco, 04/04/2010)

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Ragu reafirma liberdade editorial


Ilustração de Fernando Perez na nova Ragu

Nos últimos anos, a produção de quadrinhos autorais no Brasil vem crescendo a passos largos. Ainda assim, raras publicações dão vazão a este material. Nem sempre obras de inegável qualidade artística encontram espaço no mercado. A resposta pode estar em projetos como a Ragu, que completa dez anos com o lançamento de sua maior e mais bem cuidada edição. A noite de autógrafos será hoje, às 21h, no Bar Central (Rua Mamede Simões - Boa Vista).

A Ragu nasceu como revista em quadrinhos, para apresentar uma nova geração de artistas pernambucanos. Dez anos depois, reconhecida como uma das melhores antologias de artes gráficas do país, ela chega ao formato livro. O porte da edição, se comparado com o início, é impressionante: 240 páginas, capa dura e tiragem de 1.200 exemplares, viabilizados por recursos do Funcultura / Fundarpe.

Ao reunir 33 colaboradores de seis países,a sétima Ragu se afirma como mapa da atual produção autoral latino-americana. Os brasileiros são Allan Sieber, Andrés Sandoval, Daniel Cabballero, Daniel Bueno, D'Salete, Guazzelli, Gabriel Góes, Walter Vasconcelos, Silvino, Jarbas, Greg, Mascaro, João Lin, Fábio Zimbres, Fernando Almeida, Joana Lira, Fernando Lopes, Fernando Peres, Kleber Sales, Chiquinha, Caio Gomez, Rodrigo Rosa e Samuca. Os estrangeiros são Àngel de la Calle, Alberto Vazquez e Brais Rodriguez (Espanha), Joaquin Cuevas, Alejandro Archondo e Al Azar (Bolívia), Frank Arbelo (Cuba), Jorge Perez e Avril Filomeno (Peru) e Ariel López (Argentina).

De acordo com João Lin e Mascaro, os organizadores, a ideia desta nova fase é lançar uma edição por ano. "Temos material suficiente para a próxima", diz João Lin, que reafirma o caminho de independência após tentativas de estabelecer parceria com editoras do Sudeste. "Assumimos esse caminho para preservar a qualidade e liberdade editorial".


Cartum de João Lin

Lin explica que o atual intercâmbio com os "hermanos" está sendo articulado há dois anos, desde o último Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. "Queremos criar laços com artistas dos países vizinhos, que guardam características próximas às nossas e refletem sobre seu tempo". Talvez o maior exemplo dessa busca esteja na colaboração do gaúcho Eloar Guazzelli (que também assina a arte da capa), criada após sua visita que fez à Bolívia em junho, quando foi um dos convidados do festival Viñetas Con Altura, em La Paz.

A nova Ragu ainda traz o Recife desenhado por Saul Steinberg (1915-1999), ilustrador romeno famoso por suas colaborações para a revista New Yorker. Praticamente inédito, o material foi encontrado pelo designer gráfico Daniel Bueno, durante seu mestrado sobre a contribuição de Steinberg para o desenvolvimento do cartum e artes gráficas modernos. A viagem de Steinberg pelo Brasil dos anos 50 rendeu três cadernos sobre as cidades que visitou.


Esboço de Steinberg sobre o Recife, de 1956

"A imagem do Recife, até onde eu sei, só foi publicada no livro The Passport e recentemente na Revistada Unicamp, em tamanho pequeno", diz Bueno. A publicação foi autorizada pela Steinberg Foundation de Nova York. "Eles não tinham clareza sobre as imagens, não sabiam que praticamente todos os desenhos dos cadernos eram sobre o Brasil".

Nos próximos 30 dias, a Ragu será lançada na Espanha, durante o festival Viñetas desde o Atlântico, coordenado por Miguelanxo Prado, em São Paulo (dia 24), na sede da livraria HQ Mix e em La Paz (03/09), no espaço cultural C +C.

Durante o lançamento, o livro estará à venda por R$ 30. A partir da próxima segunda-feira, ele pode ser comprado por cerca de R$ 40 na Livraria Cultura e em lojas especializadas. Pedidos também podem ser feitos diretamente, pelo e-mail joaolin@terra.com.br ou telefone (81) 3232-3041.

Serviço
Lançamento da Ragú 7
Quando: Hoje, às 21h
Onde: Bar Central (Rua Mamede Simões - Boa Vista)
Quanto: R$ 30, no lançamento

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Capa da nova Ragu, por Guazzelli


A nova Ragu, por Eloar Guazzelli

Vale a pena reforçar, desta vez com a imagem da capa e mais informações.

Quinta-feira chega o novo volume da Ragu, um dos melhores projetos de quadrinhos e arte gráfica do Brasil.

O lançamento será no Bar Central (Rua Mamede Simões, Boa Vista - Recife), às 21h.

Allan Sieber, Fábio Zimbres e Daniel Bueno são alguns dos colaboradores da sétima edição da coletânea.

No total, são 33 artistas, dez de língua espanhola, egressos da Espanha, Bolívia, Cuba, Peru e Argentina.

Eis a lista completa:

Brasileiros - Allan Sieber, Andrés Sandoval, Daniel Cabballero, Bueno, D'Salete, Guazzelli, Gabriel Góes, Walter Vasconcelos, Silvino, Jarbas, Greg, Mascaro, João Lin, Fábio Zimbres, Fernando Almeida, Joana Lira, Fernando Lopes, Fernando Peres, Kleber Sales, Chiquinha, Caio Gomez, Rodrigo Rosa e Samuca.

Espanha - Àngel de la Calle, Alberto Vazquez, Brais Rodriguez; Bolívia - Joaquin Cuevas, Alejandro Archondo, Al Azar; Cuba - Frank Arbelo; Peru - Jorge Perez, Avril Filomeno; Argentina - Ariel Lopez.

A Ragu 7 estará à venda por R$ 30, no local. E também na rede da Livraria Cultura.

sábado, 1 de agosto de 2009

Nova Ragú chega na quinta

Quinta que vem chega o novo volume da Ragú, um dos melhores projetos de quadrinhos e arte gráfica do Brasil.

O lançamento será no Bar Central (Rua Mamede Simões, Boa Vista - Recife).

Esta será a sétima edição da coletânea (sem contar o histórico número zero, de 1999).

Os editores João Li e Mascaro adiantaram ao Quadro Mágico que esta será a maior e mais bem cuidada edição desde que a série ganhou as ruas, há exatos 10 anos.

A edição, que faz uma homenagem à América Latina, terá 240 páginas e capa dura com arte do artista gaúcho Eloar Guazzelli.

Este ano, Guazzelli lançou uma bela versão em HQ para a peça O pagador de promessas e assinou a capa da edição de abril da revista Piauí.

Ele participa da Ragú com uma história criada a partir da visita que fez à Bolívia em junho, quando foi um dos convidados do Festival Viñetas Con Altura, em La Paz.

Os demais convidados ainda não foram revelado, mas é certo, além de Guazzelli, Mascaro e Lin, a Ragú deve trazer novos trabalhos dos pernambucanos Greg, Flavão, Jarbas e Samuca, longevos colaboradores da publicação.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Olavo Bilac e companhia em HQs da Domínio Público



Renato L // Diario
renatol@diariodepernambuco.com.br

O projeto Domínio público - literatura em quadrinhos, idealizado pelos pernambucanos João Lin e Mascaro (editor de arte do Diario e do Aqui PE), colocou um desafio instigante diante de um grupo de jornalistas e quadrinistas: adaptar para o universo dos comics uma série de narrativas de autores brasileiros canônicos como Machado de Assis, Augusto dos Anjos, Olavo Bilac e Lima Barreto. Lançado de forma independente em 2006, o primeiro volume retorna às prateleiras pela editora DCL, com outro formato gráfico, que reforça a riqueza narrativa e visual das histórias selecionadas.

João Lin e Mascaro aproveitam no novo projeto a experiência adquirida com a revista Ragú, produzida por eles, que já está na sétima edição - um feito e tanto em um mercado rarefeito para os quadrinhos como o nordestino. O título da nova empreitada dá uma pista dos objetivos da dupla: driblar as restrições cada vez mais contestadas das leis de direito autoral e divulgar a obra de autores muito citados, mas, às vezes, pouco lidos. "Sempre acreditamos no potencial desse produto para sair do gueto underground. O acordo firmado com a DCL nos dá uma distribuição nacional mais eficiente", afirma Mascaro.

A entrada em cena da editora paulista tem uma explicação: o governo federal incorporou os quadrinhos ao Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), um projeto instituído em 1997 para facilitar o acesso de professores e alunos aos bens culturais. Esse mercado estatal, cobiçado por toda a indústria do livro brasileira, possibilita que uma obra como Domínio público alcance uma tiragem inicial em torno dos 15 mil exemplares. Agora, a estudantada - mas não só eles, claro - pode conhecer com mais facilidade as adaptações para quadrinhos de contos como O homem que sabia javanês (Lima Barreto), A cartomante (Machado de Assis) e O soldado Jacob (Medeiros e Albuquerque).

"Trabalhar com material desses nomes canônicos foi uma maneira de contornar a escassez de bons roteiros dos quadrinhos nacionais", afirma Mascaro. Para escolher as duplas de adaptadores e ilustradores, ele e João Lin levaram em conta a compatibilidade dos potenciais convidados com o estilo dos contos originais. "Em alguns casos, a adaptação foi feita antes da quadrinização. Em outros, se deu exatamente o contrário. As duplas tiveram autonomia para decidir sua maneira de funcionar", conta Mascaro. Vários jornalistas pernambucanos - ou radicados no Estado - estão entre os escolhidos pelos idealizadores, como Júlio Cavani e André Dib, ambos repórteres do Viver, e de Lydia Barros,ex-editora do Viver.

O segundo volume da série Domínio público, reunindo autores estrangeiros como Bram Stoker e Esopo, também foi publicado de forma independente e pode ser encontrado nas livrarias. Por enquanto, a DCL ainda não confirma seu relançamento nacional. Mas Lin e Mascaro não perdem tempo: eles planejam, agora, um terceiro volume, dedicado ao realismo fantástico.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Coleção Olho de Bolso tem lançamento em São Paulo



A coleção Olho de bolso será lançada em São Paulo, será neste sábado, 29 de março, 19h30.

O evento será na HQ Mix Livraria - Praça Roosevelt, 142, Centro, telefone pra informações: (11) 3258-7740.

Abaixo, texto do release:

Entre os meses de agosto de 2007 e fevereiro de 2008 doze publicações autorais chegam às ruas, ou melhor... Às mãos, olhos e bolsos do Recife. Doze autores das mais variadas vertentes do trabalho imagético foram estimulados a criar um livreto de baixo custo e alta qualidade. Eram eles ilustradores, designers, grafiteiros, cartunistas, quadrinistas, artistas plásticos e um ator de teatro. Todos realizaram suas obras em tamanho A6 e no máximo 32 páginas. O resultado é uma fascinante coleção entre os mais variados universos visuais. Antes restrito ao circuito recifense e agora lançada em São Paulo.

Imagens em trânsito pela cidade. Coleção habitual e urgente. Pensamento icônico do viver e traduzir a experiência partilhada da criação, da recriação, da modificação das coisas do mundo pelo olhar do desenho e da escrita. As poéticas traçadamente desenhadas pelas mãos dos autores revelados, reunidos, religados pela sensação do olhar o mundo, o sonho, fazem desta coleção, já, uma raridade. Mas o que encontrar nessas páginas vindas do Recife?

O abrir do livro, do livreto, abre a imaginação, conduzindo-nos a novas letras, diálogos e outras tantas narrativas ilustrativas que confidenciam algo visual a nos tornar cúmplices, leitores. Há poesia, brincadeira e provocação, como é, sempre, na vida latente e periférica.

Idéia dos novos, muitos nomes e possibilidades de edições outras e variadas. Os de agora são: Laerte Silvino, Serjão, Rodrigo Braga, Maurício Castro, Galo, Greg, Moa, HKE, João Lin, Rosinha, Zaza e Mascaro. Publicação independente da capa a contracapa, pelo meio, mais para cima ou para baixo, no bolso da gente. Livros de qualidade autoral promovendo a parceria entre a Livrinho de Papel FinÍssimo Editora e a RagÚ zine, com apoio institucional da Associação Cultural e Musical da Barriguda e patrocínio da Prefeitura da Cidade do Recife.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Recife: João Lin promove Oficina de Ilustração Digital



O artista gráfico João Lin abriu nova turma para seu curso de ilustração digital, sediado na Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia.

As aulas começam em 11 de março. Vagas limitadas a oito alunos (um computador por pessoa).

A carga horária é de 18 horas-aula, das 19h às 22h.

Inscrições pelos fones 3224-5656 / 9667-0394 ou email joaolin@terra.com.br, ao valor de R$ 220. A Oi Kabum! fica à Rua do Bom Jesus, 147.

domingo, 14 de outubro de 2007

Quadro Mágico entrevista RAL: "o Pasquim foi o meu curso superior"



Quais quadrinhos você lia quando criança?

Gostava de Cavaleiro Negro, Batman e Tarzan. Dos outros, o estilo desenho não me agradava, mas as histórias sim: Brucutu, Perdidos no Espaço... gostava das tirinhas, essa coisa da seqüência.

Você já gostava de desenhar naquele tempo?
Meu irmão desenhava bem, e eu comecei a imitá-lo. Ele fazia revistinha no caderno da escola, ou no papel de pão. Ele pedia na padaria, e desenhava histórias completas. Com 13 anos, fiz um curso de desenho, em Arcoverde (interior de Pernambuco). Meu irmão, não. Ele já estava adolescente, e queria outras coisas. Vi o anúncio oferecendo o curso: Escola Pan-americana de Arte, “o curso dos famosos artistas” (risos). Entre eles tinha Ziraldo. Nem sabia o que era cartum, queria ser desenhista de quadrinhos. Mandava trabalho, e eles avaliavam, até receber o diploma. Em 1966, minha família resolveu se mudar para o Recife, e eu resolvi tentar a minha área.

Então você começou cedo.
É, foi uma aventura. Em 1968, com 17 anos, fui colaborador do Jornal do Commercio, tentando cavar um local pra mim.Eu acreditava em outra coisa. Meu irmão começou a trabalhar em seguro, área administrativa, minhas irmãs foram ser professoras. Nessa época, a pressão era pra deixar de desenhar, e procurar um emprego, coisas que dão dinheiro. Mas eu vivia freqüentando uma banca de revista de um tio meu. Um dia, vi uma que tinha um tipo de concurso pra publicar na revista deles, da editora Edrel (Editora e Distribuidora de Livros e Revistas, de São Paulo). Na época nem chamava de cartum, era do tipo “anedotas e piadas”. Mandei o material dentro do estilo, aquela coisa mais do humor pelo humor, só pra fazer graça. E consegui entrar como colaborador, trabalhando daqui. Fiz um pezinho de meia.

Quando a Edrel fechou as portas, fiquei de novo num mato sem cachorro (risos). Tive que procurar outra alternativa além do cartum. Aí procurei meu amigo Ivan Maurício, que tinha uma publicação alternativa chamada Resumo, e comecei a publicar por lá. Depois, conheci um amigo dele, um psicólogo chamado Ronaldo, que me indicou pra uma agência de publicidade. Peguei também o trabalho publicado na Edrel, e consegui publicar na coluna de um jornalista chamado Paulo Fernando Craveiro, que trabalhou muito tempo na imprensa. Depois eu o encontrei já no Diário de Pernambuco, quando fui editor de arte.

A partir de quando foi isso?
Em 1995, quando entrei no Diario como ilustrador, não existia setor de arte. Era só o departamento comecial, que fazia os anúncios, e um infografista chamado Júnior. Em 1997, Ivan Maurício deu esse empurrão e criou o setor. Me chamou, chamou Júnior, e eu chamei João Lin. Lá de dentro, consegui tirar Paulo Brasil, que ainda hoje trabalha lá. Fiquei no Diario até 1998, quando Mascaro ainda era estagiário. Daí passei três meses na Folha de Pernambuco, e de lá fui pra Gazeta Mercantil. Não deixou de ser escola, já que não existia escola de desenhista.

E no Pasquim, como você entrou?
Graças ao sustento que ganhava fazendo jornais institucionais, pude colaborar com cartuns para o Pasquim. O Pasquim eu também conheci nessa banca do meu tio. Um dia eu tava lá, e chegou um jornal estranho, com uma entrevista com o Ibrahim Sued. O Pasquim foi a minha escola. O primeiro grau foi o curso de desenho; o segundo foram os jornais locais; o Pasquim foi o meu curso superior (risos). Foi quando comecei a fazer as coisas com uma noção maior de engajamento.


CAPA DO PASQUIM NÚMERO 1

Você colaborou com o Pasquim estando o tempo todo no Recife?
Sim. Eu visitei uma vez a redação do Pasquim no Rio de Janeiro. Fui pro Rio com meu material de quadrinhos pra ver se publicava um livro, intitulado Know-RAL. Não consegui, mas conheci Ziraldo, Jaguar, Millôr...(risos). Logo depois, quem chegou foi José Lewgoy. Presenciei a secretária chegando com um pacote de envelopes com o material censurado. Eles ficaram indignados.


RAL AO LADO DO BOI MISTERIOSO, SUA CRIAÇÃO MAIS FAMOSA, E QUE GANHOU UM BONECO GIRATÓRIO NO FIHQ

Qual é a história do Boi Misterioso?
Mais uma vez, Ivan Maurício (risos). Ele estava como editor do Diário da Noite, mantido pelo Jornal do Commercio – que era um Folha de Pernambuco da época. Ele chamou a mim, Paulo Santos e Bione, e disse: “vocês vivem reclamando que não tem espaço pra publicar tira. Então vamos publicar”. Nenhum deles fez, e então pensei: “é a minha chance”. Comecei a rabiscar, pensando no bumba-meu-boi que eu via no interior, e pensei: “é um bom personagem”. Mas eu não sabia a parte toda do folclore do boi. Um dia estava conversando com Ivan, e ele tinha um livro de Hermilo Borba Filho com uma parte só sobre isso. Eu peguei o livro – nunca mais devolvi (risos) – e comecei a ver os personagens: o Capitão, a Catirina, dá pra fazer uma brincadeira com isso. E já que estávamos na ditadura, coloquei o Capitão como a autoridade, e o Boi como o povão. Apesar do bumba-meu-boi original ser bem colorido, lá embaixo está alguém, uma pessoa pobre, oculta. Pensei: “vou colocar isso pra frente: o boi vagabundo, com a roupa remendada”.

Quais são seus novos projetos?
Eu acho legal o blog, porque não precisa de editor pra distribuir, não é? (risos) Comecei, mas não amarrei, porque se não alimentar, não tem graça. Quando tiver alguma coisa nova, publico (nota: a entrevista foi feita antes de RAL lançar o blog). Para o ano que vem, pretendo reunir meu trabalho em antologia. Uma vez fiz uma aposta com Clériston*, pra ver quem fazia um livro primeiro. Somos dois preguiçosos!

* Antonio Clériston, autor do projeto HQCD: e o som virou quadrinhos, e chargista diário da Folha de Pernambuco.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

9º FIHQ - imagens da abertura (domingo, 16/09)






GRANDE PAINEL COM PERSONAGENS CLÁSSICOS RECEBEM OS VISITANTES DO 9º FIHQ

Fiquei sem acesso à internet nos últimos sete dias.

Por isso, publico somente hoje algumas fotos do evento de abertura do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco. A nona edição do evento segue até dia 06 de outubro, na Torre Malakoff (exposições) e Oi KAbum! Escola de Arte e Tecnologia (palestras e oficinas).

A festa aconteceu no dia 16 de setembro, das 16h às 20h. Na ocasião foram abertas as exposições e revelados os trabalhos premiados pelo salão.


JOÃO LIN, MASCARO, HKE (LIVRINHO DE PAPEL FINÍSSIMO EDITORA), SAMUCA E JOTA A, REVELAM MAIS UM PREMIADO NA MOSTRA COMPETITIVA

Do começo ao fim, o evento foi animado por palhaços e malabaristas numa performance circence realizada pela ONG Arricirco. Algodão doce, pipoca e churros de graça fizeram a alegria não só da criançada.


JOÃO LIN FALA SOBRE A IMPORTÂNCIA DA FORMAÇÃO DE PÚBLICO E DA PROFISSIONALIZAÇÃO DOS ARTISTAS

Na abertura estiveram os membros da comissão julgadora, formada pelos artistas gráficos Baptistão (SP), Jota A (MA), Márcio Leite (MG), RAL (PE), os irmãos Fábio Moon e Gabriel Bá (SP), Alejandro Archondo (Bolívia) e Avril Filomeno (peruana radicada na Bolívia), ambos do coletivo de quadrinhos sediado em La Paz, Viñetas com Altura, mais os curadores João Lin, Mascaro e Samuca, da Associação dos Cartunistas Pernambucanos - Acape.


TURMA DA PESADA FAZ A FRENTE DO FIHQ


RAL, O HOMENAGEADO, POSA AO LADO DO BONECO DO BOI MISTERIOSO CONFECCIONADO ESPECIALMENTE PARA SUA EXPOSIÇÃO


VALE A PENA CONHECER A EXPOSIÇÃO DOS IRMÃOS MOON E BÁ


ESPAÇO EXCLUSIVO PARA O TRABALHO DO CARICATURISTA BAPTISTÃO (SP)

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Um desenho



Desenho de João Lin, publicado em "Arritimia" (R$ 5, Livrinho de Papel Finíssimo Editora). Contatos com o autor, é só escrever para joaolin@terra.com.br.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Festival Recifense de Literatura terá mesa redonda sobre quadrinhos e literatura



Domínio Público: um bom exemplo de literatura em quadrinhos

O 5º Festival Recifense de Literatura incluiu na programação desta edição a mesa redonda "Quadrinização do Texto Literário". Ela está marcada para o dia 17 de agosto, às 19h, no auditório da Livraria Cultura (Paço Alfândega - Recife Antigo).

Participam do evento os artistas Mascaro e João Lin , que ao lado do jornalista Mário Hélio, formam o núcleo editor do projeto de literatura em quadrinhos Domínio Público, e Ester Calland Rosa, Diretora Geral de Ensino e Formação Docente da Secretaria de Educação, Esporte e Lazer do Recife.

sábado, 30 de junho de 2007

Hoje tem novos lançamentos da Livrinho de Papel Finíssimo (Recife)



Corrigindo (e detalhando) o post abaixo:

"Hai-Kaidos Volume 2", de Samuca e Ricardo Mello, será lançado hoje, às 16h, no Bar do Lula (Rua Padre Roma, 722, Parnamirim). Vale a pena visitar o blog do projeto.

Na tarde de hoje, ele estará à venda por R$ 5. Camisetas confeccionadas com reproduções dos textos e desenhos serão vendidas por R$ 15,00. Um kit com livreto, camiseta e mini-pôster sai por R$ 20.

Já o livro de João Lin (sem título) e outro, de Fernando Duarte, ("Corte Digitao"), serão lançados hoje, às 20h, no Bar do Biu (Rua do Sossego, 144, Boa Vista). O preço de cada um é R$ 5.

Se trata de 34 desenhos aditivados por comentários de vários amigos. Entre as participações ilustres estão a dos artistas Clériston, Fábio Zimbres, Neilton (guitarrista do Devotos), Renato Valle, Públius (da banda Azabumba e Forró Rabecado), Rosinha Campos e Braz Marinho.

Os livros estão sendo lançados pela editora Livraria de Papel Finíssimo, o coletivo que produz revistas, livros e zines a baixo custo.

É exemplar ver artistas de porte como os acima publicando material nesse sistema faça-você-mesmo, quase artesanal. Uma luz para que outros, por falta de patrocínio, não deixem seu material parado na gaveta.

Abaixo, reproduzo matéria publicada no Diario de Pernambuco de hoje:

Pequenos prazeres ilustrados
Livretos de João Lin, Fernando Duarte e a dupla Samuca e Ricardo Mello devolvem a graça das velhas (e boas) impressões na máquina xerox
Júlio Cavani
DA EQUIPE DO DIARIO

"É importante que existam publicações de luxo com produção cara, mas para fazer um bom trabalho não é preciso patrocínio ou leis de incentivo". Esse pensamento do artista plástico Fernando Duarte expressa bem o espírito independente dos três livros de bolso que são lançados hoje no Bar do Biu, impressos com qualidade em uma máquina de xerox, no lema do faça você mesmo. Junto com ele, o desenhista João Lin e a dupla Samuca & Ricardo Mello também criaram seus livretos ilustrados.

Para fazer seu livro, que não tem título, Lin produziu um conjunto de 34 desenhos e pediu para amigos escreverem textos espontâneos que expressassem impressões e sentimentos provocados pelas imagens. Seus traços, que combinam técnicas artesanais e digitais, sem deixar aparente onde começa e onde termina cada uma, são econômicos e labirínticos e se concentram no potencial poético da linha preta sobre fundo branco (e vice e versa).

Entre os convidados que participaram do livro com palavras, que mesmo assim ficaram bastante visuais, estão Clériston, Fábio Zimbres, Neilton, Renato Valle, Públius, Rosinha Campos e Braz Marinho. Em cada página, Lin apresenta um personagem novo, com corpos e rostos cujas formas traduzem seus estados de espírito.

Corte digitao, de Fernando Duarte, é uma espécie de caderno de anotações do artista. Se seus quadros já costumavam ser divididos em retângulos preenchidos por pequenos desenhos, o formato limitado da publicação ficou perfeito para seus seres imersos em reflexões sobre a vida cotidiana e as questões essenciais do ser humano.

Oportunidade - A liberdade de expressão é o que mais chama atenção em Corte digitao, que se parece com um diário de esboços. Fernando diz que está com pouco tempo para produzir seus quadros, mas não pára de desenhar e tem centenas de imagens para mostrar, então o recurso do livrinho se mostrou oportuno para compartilhar essa produção com o público. Só de rostos, o artista tem um caderno com mais de 200. Ele diz que não conseguiria ser cartunista porque seu traço é solto demais e nãosegue regras de organização narrativa.

Hai-kados 2, de Samuca (desenhos) e Ricardo Mello (texto), é formado por ilustrações simples que acompanham poemas simples. A lógica da economia de informações que se abre para múltiplas interpretações se manifesta tanto nas imagens quanto nos versos. Seus pequenos poemas ilustrados são como lampejos de idéias mínimas que podem se maximizar nas interpretações do leitor. Juntos, eles dois já fizeram sete livros, incluindo o primeiro Hai-kados.

"A gente só tá fazendo isso porque rolou uma ação coletiva. Cada um no seu canto não faria esse negócio", admite Lin. Os três trabalhos foram impressos pela Livrinho de Papel Finíssimo Editora, que funciona na mesma Rua do Sossego onde se localiza o Bar do Biu. A noite de autógrafos começa às 20h, mas antes, às 16h, Samuca e Ricardo também lançam Hai-kados 2 no Bar do Lula, em Parnamirim. Além de assinarem os livros, todos eles prometem fazer desenhos nas contracapas para tornar único cada exemplar.

Serviço
Lançamento dos livros de João Lin, Fernando Duarte e Samuca & Ricardo Mello
Quando: Hoje, às 20h
Onde: Bar do Biu (Rua do Sossego, 144, Boa Vista)
Informações: 3222-6422

Lançamento de Hai-kados 2, de Ricardo Mello & Samuca
Quando: Hoje, às 16h
Onde: Bar do Lula (Rua Padre Roma, 722, Parnamirim)
Informações: www.hai-kados.blogspot.com

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Palestra sobre literatura adaptada em quadrinhos no Recife

Saiu no Diario de Pernambuco de hoje:

PALESTRA - Mascaro e Lin falam sobre Hq

Experimentação nas artes gráficas é o tema das palestras que acontecem hoje, às 19h30, na Escola Oi Kabum (Rua do Bom Jesus, 147, Bairro do Recife). Na ocasião, os quadrinistas Christiano Mascaro e João Lin, responsáveis pelos livros do projeto Domínio Público e pela revista Ragú, discutem quadrinização da literatura, e Renato Alarcão fala sobre Diários gráficos. A entrada é gratuita.

terça-feira, 15 de maio de 2007

Curso de Ilustração digital na Oi Kabum! (Recife)



O artista gráfico João Lin abriu um curso de ilustração digital na Oi Kabum! Escola de Arte e Tecnologia. Vagas limitadas a oito alunos. A carga horária é de 18h, distribuídas entre segundas e quartas, das 19h às 22h. Inscrições pelos fones 3224-5656 / 9667-0394 ou email joaolin@terra.com.br, ao valor de R$ 300. O curso começa dis 3 de junho. A Oi Kabum! fica à Rua do Bom Jesus, 147.

sábado, 5 de maio de 2007

Confirmado para setembro o 9º Festival Internacional de Humor e Quadrinhos de Pernambuco - veja as novidades



Boas notícias no mundo das artes gráficas. A organização do Festival Internacional de Humor e Quadrinhos confirmou sua nona edição, e antecipou algumas novidades sobre o evento que mais atrai visitantes ao Observatório Malakoff. A mudança mais visível é no calendário: o FIHQ foi transferido para setembro, cinco meses distante da época tradicionalmente reservada a ele.

"Nós já queríamos mudar a data há muito tempo. Em abril chove e venta muito, e isso prejudicava as atividades como exposições, feiras de quadrinhos, e palestras de convidados de outros estados e países. Por isso, a época ideal é durante o verão", explica João Lin, presidente da Associação dos Cartunistas Pernambucanos, a entidade que organiza o festival junto com a Fundarpe.

A confirmação marca o fim das incertezas sobre a continuidade do evento, surgidas com o fim do governo Jarbas Vasconcelos, gestão na qual o FIHQ foi criado. Apesar de ser considerado um dos melhores festivais do país, ele teria condições de se reinventar para se desvincular da imagem associada ao governo anterior?

O novo governo estadual agiu positivamente, e se mostrou favorável à continuidade do festival desde a primeira negociação com a Acape. De janeiro para cá, eles vêm discutindo melhorias no formato do evento, na perspectiva de investir na educação e na interiorização. Ou seja, o FIHQ fica, e a edição deste ano arrisca ser a melhor de todos os tempos.

"A proposta da nova gestão em vincular educação e cultura encaixou com a nossa", comemora João Lin. Ele adianta que haverá oficinas exclusivas e gratuitas para professores e alunos da rede pública, sobre teoria e prática das artes gráficas, um bom começo para a discussão da linguagem dos quadrinhos em sala de aula.

Outra surpresa em vias de se concretizar é a itinerância das exposições, o que permitirá ao público do interior do estado ter acesso a uma produção mundial até então restrita à capital. "Sempre desejamos isso. É um desperdício ter uma exposição montada e não percorrer outras cidades de Pernambuco", afirma Lin.

E atenção, artistas: agora, o primeiro lugar em cada categoria ganha R$ 6 mil, R$ 2 mil a mais do que no ano passado. Assim, em termos de $$, o "novo" FIHQ só fica atrás do Salão de Humor das Cataratas do Iguaçu (PR), cujo prêmio é de U$ 10 mil (aproximadamente R$ 20 mil), e se equipara ao Salão Carioca de Humor(RJ).

Na edição de 2006, indicada para o troféu HQ Mix como um dos melhores festivais de quadrinhos do ano, o FIHQ inovou ao abrir no ano passado uma quinta categoria competitiva inédita no Brasil (ilustração editorial), e ousou politicamente ao colocar na mesma comissão julgadora um artista árabe (Naif Al-Mutawa) e um norte-americano (Peter Kuper).

Este ano, as inscrições devem começar em julho, e seguirão abertas durante 45 dias, para as categorias cartum/desenho de humor, charge, história em quadrinhos, caricatura e ilustração editorial. A cada edição, o evento recebe uma média de 400 trabalhos de 20 diferentes países.