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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Cinema com viés social


Ovos de dinossauro na sala de estar (PR), de Rafael Urban, é um dos destaques da mostra

Com abertura às 19h no Cinema da Fundação (Derby), começa hoje o 3º Festival do Filme Etnográfico do Recife. É a oportunidade de conferir um panorama da produção recente – todos os filmes foram realizados de 2009 para cá. Ao todo, a mostra competitiva reúne 17 produções, de diferentes lugares do país, além de um média metragem paraguaio, Jopói, todos juntos, sobre a permanência do idioma guarani naquele país, que sera exibido ainda hoje à noite, junto com Quindim de Pessach, de Olindo Estevam, e Djero encontra Iketut em Bali, de Carmem Rial e Miriam Grossi. Na quinta, após a exibição dos filmes, haverá cerimônia de premiação.

A programação interessa tanto a quem gosta de sociologia pelo viés antropológico quanto de cinema. O curta paranaense Ovos de dinossauro na sala de estar (foto acima), de Rafael Urban, é ótimo exemplo. O filme apresenta a imigrante alemã Ragnhild Borgomanero, de 77 anos. Viúva de um diplomata italiano, com quem reuniu a maior coleção particular de fósseis da América Latina, ela se dedica a preservar sua memória, através da digitalização caseira de fotos, que apresenta à câmera de forma quase mecânica.

O filme passa amanhã, junto com outro paranaense, O corte do alfaiate, de João Castelo Branco, Aperreio (MA), de Humberto Capuci, Capa de índio (BA), de Aelson Pataxó, e Estranho amor (ES), de Lucia Caus.

O festival serviu de mote para que o Consulado Geral da França organizasse uma exposição Zo’é, do fotógrafo Serge Guiraud, sobre os últimos povos Tupi a entrar em contato com a sociedade. A abertura será amanhã, às 17h, na Aliança Francesa do Recife (Derby).

(Diario de Pernambuco, 26/09/2011)

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Recife é a capital do cineclube


A Mão e a Luva, de Roberto Orazi, na programação do Centro Cultural Correios

Até 11 de dezembro, Pernambuco é palco de três grandes encontros de cineclubes, dois deles de alcance internacional. A tradição de grupos que se reúnem para exibir e discutir filmes tem marcado a história cinéfila do estado e a realização de três grandes eventos simultâneos confirma essa força, desta vez com apoio das políticas públicas dos governos federal e estadual.

Cineclubes e ativismo social sempre andaram de mãos dadas e nos últimos anos o movimento se articulou e ganhou dimensão capaz de influenciar nas políticas públicas. É disso que trata a 28ª Jornada Nacional de Cineclubes, a 3ª Conferência Mundial de Cineclubismo e a 63ª Assembléia Geral da Federação Internacional de Cineclubes. Estão confirmados mais de 250 cineclubes dos 27 estados e representantes de 55 países, Malásia, Morrocos, Polônia e Irlanda incluídos.


Prisão de mulheres, de Shirdel

A programação geral se divide entre um hotel fazenda em Moreno (28km do Recife), fechada para os participantes, e o Centro Cultural Correios (Recife Antigo), que abrigará mostras de longas e curtas do mundo todo, abertas ao público. Há convidados especiais, como o documentarista iraniano Kamram Shirdel, que vem ao Brasil exclusivamente para o evento e terá retrospectiva inédita no país, e o italiano Roberto Orazi, que lança no Brasil o documentário A mão e a luva - storia di un trafficante di libri. O filme foi rodado no Recife, tendo como foco o pernambucano Ricardo Gomes Ferraz, o Kcal, que se tornou conhecido como organizador de uma biblioteca na comunidade do Bode. Recentemente, foi exibido no Festival de Roma.

Antonio Claudino de Jesus, presidente do Conselho Nacional de Cineclubes (organizador dos eventos ao lado da coordenação de cinema da Fundarpe e da Federação Pernambucana de Cineclubes), diz que o fato do encontro ocorrer no Brasil demonstra a importância que o país alcançou no cineclubismo internacional. E que não é por acaso que Pernambuco será o ponto de convergência. ´O movimento pernambucano ganhou destaque nacional. A Fepec é hoje umadas mais bem organizadas do Brasil e tem servido de exemplo para outros estados`.

Esta é a segunda vez que a Assembleia será realizada fora da Europa - a primeira foi nos anos 1970, em Cuba. Criada durante o primeiro Festival de Cannes, ela congrega mais de uma centena de países. Na pauta do movimento mundial estão assuntos como o direito de acesso ao audiovisual. De acordo com João Baptista Pimentel Neto, secretário geral do CNC, a ideia é multiplicar pontos de exibição e flexibilizar os direitos do autor para que mais pessoas tenham acesso a produtos audiovisuais viabilizados com dinheiro público.

Saiba mais

Existem 1.100 cineclubes em funcionamento no Brasil. 600 são filiados ao CNC

Em Pernambuco, dos mais de cem pontos de exibição (Cine + Cultura incluidos), 37 são filiados à Federação Pernambucana de Cineclubes

Mostra Centro Cultural Correios
(Av. Marquês de Olinda, 262 - Recife Antigo)

7/12 - terça-feira

19h - Mostra Kamran Shirdel
A noite em que choveu (An Shab ke barun amab, 1967/74)
Teerã é a capital do Irã (Teheran, payetakhat-e Iran ast, 1966/79)
Setor Feminino (Qaleh, 1966/80)
Prisão de mulheres (Nedamatgah, 1965)
Solidão - Opus I (Tanhae-ye-Awal, 2000/01)

8/12 - Quarta-feira
19h - A Mão e a Luva (2010), de Roberto Orazi

10/12 - Sexta-feira
19h - Mostra Cinesud - Curtas Iberoamericanos
Por primera vez (Cuba, 1967), de Octavio Cortázar
Floating Chloe (Colômbia, 2004), de Monica Naranjo
Conquistadores (Espanha, 2005), de Eloi Tomás
El reciclo del biciclo (México, 1999), Agustín Martínez
Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos (Brasil, 2009), de Camilo Cavalcante
Minami em Close-up (Brasil, 2009), de Thiago Mendonça
Qué viva el muerto (Equador, 2002), de Randi Krarup
La ruta natural (Espanha, 2005), de Alex Pastor
Comprometendo a atuação (Brasil, 2009), de Bruno Bini

(Diario de Pernambuco, 07/12/2010)

domingo, 3 de outubro de 2010

Centenário de Lula Cardoso Ayres passa em branco



Os 100 anos de Lula Cardoso Ayres, completados no último 26 de setembro, aguardam para serem devidamente comemorados. Até o momento, iniciativa alguma foi promovida pelo poder público ou privado para celebrar a vida e obra de um artista que conta com mais de 6 mil pinturas, desenhos, fotografias, murais e serigrafias espalhados pelo Brasil.

E também no exterior, em embaixadas do Brasil ou como o quadro que faz parte do acervo do Palácio de Buckingham, doado em 1968 pelo governador Nilo Coelho à rainha Elisabeth.

O único evento confirmado está marcado para o início de dezembro pelo Museu de Arte Moderna da Prefeitura do Recife, que promove uma exposição de fotografias feitas pelo artista. No mais, não faltam boas intenções, como as da Fundação Gilberto Freyre, que pretende organizar exposição no Espaço Cícero Dias da Secretaria da Fazenda. E a da secretaria municipal de Cultura, que desde o início da gestão está em diálogo com Lula Cardoso Ayres Filho para abrigar parte de seu acervo para uma das casas do Pátio de São Pedro.

"Queremos trabalhar também com o seu acervo de cinema, chegamos a cogitar sessões a céu aberto no Pátio, mas por enquanto não dá porque a reforma do Forte das Cinco Pontas deslocou o pessoal para uma das casas do Pátio", diz o secretário Renato L.

"Os cem anos começaram agora", diz Lula Cardoso Filho, que planeja as próprias ações. Há três anos, ele está impedido de levar à frente o instituto que levava o nome de seu pai por problemas administrativos, o que mantém não só a obra do artista como um rico acervo de filmes, livros e discos a portas fechadas.


O artista, fotografado por Alcir Lacerda
Acervo Fundação Joaquim Nabuco

Lula prevê que os impedimentos se resolvam até o fim do ano e o acervo do pai volte sob a tutela de uma nova instituição. "Com a volta do nosso trabalho, o primeiro projeto será de resgate e catalogação de sua obra".

Das obras mantidas por instituições públicas, a maior coleção está na diretoria de documentação da Fundaj. São 60 livros, 112 ilustrações, quatro pinturas, 109 fotografias, 11 capas de revista e quatro capas de LPs disponíveis para consulta. No Museu do Estado há três telas, que pertenciam ao extinto Bandepe. No Museu de Arte Moderna de Olinda, há uma grande tela a óleo, da série Assombrações do Recife.

O Mac também pretende lançar uma retrospectiva do artista, para o ano que vem. Já um série de desenhos do acervo do Mamam esteve exposta entre abril e junho, na reinauguração do espaço.

Fotógrafo dos tipos humanos


Ascenso Ferreira beija a mão de Dona Santa, rainha do Maracatu Elefante
Acervo Fundação Joaquim Nabuco

Um lado pouco conhecido, mas nem por isso menos importante de Lula Cardoso Ayres, o de fotógrafo, será apresentado ao público no mês de dezembro. Organizada pelo Mamam com curadoria de Geórgia Quintas, a exposição contará imagens já do acervo da Fundaj, acrescidas de fotos do arquivo pessoal do artista, que estão em fase de restauração, digitalização e ampliação.

"É um trabalho desconhecido, que envolve não só a exposição mas a recuperação, o registro e a reflexão desse material", diz Beth da Mata, diretora do Mamam. Prevista para este mês, o evento foi reagendado para dezembro devido ao calendário do museu.

Imersa no levantamento de centenas de cromos e negativos, Geórgia diz que a pesquisa está sendo uma grande descoberta. "Lula não era conhecido como fotógrafo, mas era muito cuidadoso, era quase um etnógrafo. Além de folguedos e o carnaval, ele gostava de registrar tipos humanos, o casario e fachadas, que ele documentava com fins pragmáticos de trabalhar em exercícios pictóricos".

Murais que sobrevivem ao tempo



Em determinado momento da carreira de Lula Cardoso Ayres, o muralismo se tornou sua principal atividade. Dos mais de 100 que foram espalhados pelo Brasil, poucos restaram para ilustrar a trajetória do artista. No Recife, alguns permanecem e estão disponíveis para apreciação. Mesmo os localizados em empresas ou instituições privadas, eles estão posicionados de forma a serem vistos por clientes ou visitantes. Já os instalados no Aeroporto dos Guararapes, apesar de situados em prédio público, devem permanecer fora de alcance por algum tempo.

O Diario de Pernambuco conferiu os dez principais murais do artista e fez um roteiro para quem pretende conhecer melhor essa obra. Além deles, a Universidade Federal Rural de Pernambuco mantém um grande painel de óleo sobre tela, que fica no seu auditório. Mesclada ao cotidiano, essas imagens por vezes podem se tornar invisíveis. Mas que talvez, justamente por isso, continuam vivas, testemunhando o dia a dia das pessoas que Lula tanto retratou.

Lula Cardoso Ayres Filho nos orientou nessa jornada. Ele lamenta que parte dos murais e painéis de seu pai tenha sido demolida, como o que ficava na antiga rodoviária no centro da cidade. "Até fim dos anos 1950, tudo era feito na parede. Depois ele começou a produzir em telas, ficou mais prático fazer o transporte, quando necessário". O próximo mural a cair pode ser o que fica no antigo Instituto Oceanográfico, em Piedade, onde será construído um edifício. "Se houvesse respeito à obra de arte, eles poderiam fazer uma adaptação arquitetônica", diz Lula.

Através desse roteiro, também é possível perceber a utilização de diferentes técnicas e a evolução do artista ao longo dos anos. Gilberto Freyre, que considerava Lula Cardoso um grande experimentador, escreveu em 1960 artigo em que coloca o artista como o inventor de um novo tipo de mural épico: "Não que esse épico signifique o convencionalmente heroico - que, aliás, já não corresponde ao moderno conceito de épico. Mas pelo que sugere de luta cotidiana do brasileiro sobre obstáculos ao seu desenvolvimento; pelo que evoca de confraternização de homens e mulheres de raças diversas e cores diferentes; pelo que valoriza das formas e das cores do Recife - cidade crescida à custa de tanta dor que nenhuma outra no Brasil, excede em martírio".

Um roteiro de murais



1. Fundação Chesf de Assistência e Seguridade Social - Fachesf
Rua Paissandu, 58 - Boa Vista
1947, óleo sobre parede

Com 5,5 x 2,4 m, ele fica no segundo andar da instituição, em sala de reunião restrita a funcionários. Este é o primeiro mural de Lula Cardoso Ayres, que havia acabado de chegar da Usina Cucau. Daí a intensidade do tema rural. O trabalho, feito por encomenda do médico Arthur Moura, amigo do artista, o levou a assumir outros, que com o tempo se tornou sua principal atividade. Em 1988, um ano após a morte do artista, ele foi restaurado. Em 2007, ele passou por um novo processo de recuperação.



2. Citibank

Rua Marquês de Olinda, 126 - Recife Antigo
Década de 1960, desenho sobre cerâmica

São duas obras feitas por encomenda da instituição bancária, cujo prédio foi construído na mesma época. O principal foi concebido para incorporar o desenho da escada. Ele representa os telhados da cidade mas, dos murais remanescentes, este deve ser o que mais se aproxima do abstrato. Como as linhas têm a mesma inclinação da escada e do corrimão, é como se eles fizessem parte do painel.

3. Loja Emmanuelle
Rua Nova, 379 - Santo Antônio
1967 - resina sintética e óleo sobre painel

Realizada para o antigo Banco do Povo, este mural era originalmente composto de dois painéis sobre a vida no campo. O espaço virou ponto comercial, que adaptou o mostruário para preservar a obra.

4. Cine São Luiz
Rua da Aurora, 175 - Boa Vista
1952 - óleo sobre parede

Com a reativação do espaço pelo Governo do Estado, desde o início do ano a obra voltou a ornamentar o hall de entrada deste tradicional cinema de rua. A convite do grupo Severiano Ribeiro, o arquiteto Maurício Coutinho reservou a parede do hall de entrada do Cine São Luiz especialmente para o mural. Pouco antes do governo assumir o local, a Universidade Barros Melo executou a restauração da obra. “Ela mostra a transição da cidade, casarões, as cores. E também representa a transição da vida de fora para o mundo do sonho, do cinema”, diz Lula Cardoso Filho.

5. Microcamp Guararapes
Av. Guararapes, 154 - Santo Antônio
Década de 1960, desenho sobre cerâmica

Construído por Ademar da Costa Carvalho, o Edifício Al Mare conta com um painel posicionado no térreo. Aplicado em resistente cerâmica Conrado Sorgenicht, de São Paulo, o desenho de tons de verde e vermelho representa um engenho. Até dois anos atrás, o local era uma casa de jogos e o painel ficava ao lado de máquinas caça níquel e um cofre. Atualmente, ele fica dentro de uma sala de aula.

6. Restaurante Varanda
Sport Clube do Recife, Ilha do Retiro
1967 - resina sintética e óleo sobre painel

Torcedor do Náutico, de onde chegou a ser presidente, o artista superou o amor ao time e presenteou o clube rival com o painel que mostra o casario na beira do Capibaribe. A doação na verdade foi uma homenagem ao arquiteto Augusto Reinaldo, que desenhou o projeto da sede do Sport. Aluno de Lula Cardoso, ele separou uma parede para o painel, mas antes de executar a obra, morreu em acidente de avião. As condições do painel não são as ideais: a tinta está rachada e as cores apagadas em alguns pontos.



7. Caixa Econômica Federal
Shopping Recife - Boa Viagem
1960 - Resina sintética e óleo sobre tela

Dos três murais produzidos para a matriz do banco na Avenida Guararapes, hoje desativada, dois continuam disponíveis na agência do shopping. O terceiro foi retirado para restauro. O conjunto irá compor a entrada da futura sede da Caixa Cultural, que funcionará no antigo prédio da Bolsa de Valores.

8. Estação Central do Metrô
Rua 6 de Março, s/n - São José
1985 - Resina sintética e óleo sobre tela

Posicionado na área de embarque, estes são os últimos painéis criados por Lula Cardoso e representam as quatro regiões do estado: litoral, zona da mata, agreste e sertão. Incialmente, eles foram colocados no Museu do Trem. Com o espaço desativado, eles foram retirados e em 2007 foram restaurados e trazidos para o metrô. “Acredito que com a chegada do Centro Cultural Capiba ele volte para o local original”, diz Lula Cardoso Filho.

9 . Aeroporto Internacional dos Guararapes (Inacessível)
Praça Salgado Filho s/n - Imbiribeira
1957-58 - óleo sobre parede


Detalhe do mural Ciclos Econômicos
Acervo Infraero

Do conjunto original de cinco murais, três foram demolidos em 1982. Os dois restantes, intitulados Folclore e Ciclos econômicos, estão isolados na parte antiga, pois não puderam ser transferidos para o novo aeroporto, em 2004. De acordo com a assessoria de imprensa da Infraero, elas devem voltar a público com a inauguração da Asa Sul, obra sem data definida para entrega.

10. Edifício JK (Inacessível)
Av. Dantas Barreto - Santo Antônio
Anos 60 - óleo sobre parede

Um grande mural foi feito para a Casa da Indústria e representa trabalhadores de várias profissões e em diferentes fases da vida. O edifício foi desocupado pelo INSS em 1999 e deve voltar à ativa em 2011. Nele funcionará um campus da Faculdade Boa Viagem e Imip. O mural será restaurado e continuará posicionado no hall de entrada.

Lula Cardoso Ayres nos museus do Recife

Museu do Estado de Pernambuco
Av. Rui Barbosa, 960
Graças
Informações: 3426-5943

Galeria Ranulpho
Rua do Bom Jesus, 125
Recife Antigo
Informações: 3225-0068

Fundação Joaquim Nabuco
Rua Dois Irmãos, 92
Apipucos
Informações: 3073-6529

(Diario de Pernambuco, 03/10/2010)

sábado, 24 de abril de 2010

Um novo caminho para Lætitia Sadier



Em nova fase solo, Lætitia Sadier estará no Brasil semana que vem, onde cumpre agenda em três cidades. No Recife, o show será nesta terça-feira, dia 27, no Teatro Barreto Júnior, Pina. Fundadora das bandas Stereolab e Monade, uma das vozes mais inspiradoras e cultuadas da música pop, a compositora francesa radicada na Inglaterra vem ao país em curta turnê, que inclui Porto Alegre e São Paulo. Valparaíso e Santiago, no Chile, também fazem parte do roteiro. No Recife, ingressos serão vendidos a módicos R$ 10 e R$ 5 (meia), graças ao patrocínio do Consulado Geral da França e apoio da Prefeitura do Recife.

Repleta de novidades, Lætitia sobe no palco sozinha, onde mostrará canções recentes que estarão em seu primeiro álbum solo, com lançamento marcado para setembro. De sua casa em Londres, ela diz que acaba de chegar de um tributo a Nico, organizado por John Cale. Não por acaso, Lætitia participou do evento em memória da musa que trouxe ao Velvet Underground dose de melancoliae sedução semelhante à que, por quase duas décadas, emprestou ao Stereolab, banda que ano passado decretou férias por tempo inderteminado. "Acho que precisávamos de um descanso, após 18 anos de trabalho constante. Não era o nosso desejo, mas não somos máquinas".

Enquanto continua envolto em névoa o destino da banda criada em 1990 ao lado do ex-marido, o músico britânico Tim Gane, Lætitia não pensa em revival nos palcos por onde toca. "Eu não sei tocar nenhuma dessas músicas, tenho que aprender", brinca, para depois falar sério. "Acho que ainda é cedo. Estou trabalhando para desenvolver minha própria voz. De forma que seria improdutivo cantar músicas do Stereolab nesse momento. Definitivamente, não estou pronta para isso".

Por outro lado, Lætitia está entusiasmada para mostrar o material novo, gravado durante o outono europeu. O repertório dos shows inclui músicas do Monade, projeto paralelo (ou "de autonomia", como classifica) criado após o rompimento com Tim Gane. "No Stereolab, toda a criação musical era dominada por ele e eu sentia um forte desejo de me expressar não apenas nas letras. Sinto que no Monade fomos capazes de corrigir muitas coisas. Não repetimos os mesmos erros cometidos com o Stereolab".

Esta será a segunda visita de Lætitia ao Brasil - ela esteve no país há cerca de dez anos, com o Stereolab. A viagem não ampliou as referências da música brasileira. Nos últimos tempos, ela ouviu falar sobre Cibelle, que vive em Londres. E só. "Sei que tenho todo um aprendizado pela frente. Todos gostamos da última vez em que estivemos no Brasil. Acho que vou me apaixonar novamente".

Lætitia diz que hoje a música pop de seu país vive um bom momento, mas nem sempre foi assim (leia entrevista). Dos novos talentos da França, ela recomenda o duo Holden. Das referências antigas, ela assume paixão por Ennio Morricone, emblemático compositor de trilhas para cinema. "Ele representa um ideal que busco ao compor minhas músicas, algo ao mesmo tempo sofisticado e simples, familiar e imprevisível".

(Diario de Pernambuco, 24/04/2010)

sábado, 10 de abril de 2010

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Cinema // Roteiro da semana no Recife



No Recife, o fim de semana começa com quatro estreias. A animação Tá chovendo hambúrguer, a ficção Gamer (censura 18 anos) e os nacionais Salve geral e Apenas o fim.

Recomendo Salve geral, Anticristo, O grupo de Baader Meinhof e Garapa, que estreia domingo, às 12h10, na Sessão de Arte do UCI Plaza e segunda, às 19h, no UCI Tacaruna. O ótimo francês Bem-vindo continua a carreira no Multiplex Boa Vista hoje, às 21h e amanhã, às 11h.

No Cineclube Dissenso (Cinema da Fundação), a raridade da vez é Z00 (A Zed & two noughts, Inglaterra, 1985), de Peter Greenaway. Será amanhã, às 14h, com entrada franca.

Tá chovendo hambúrguer é a aposta do cinemão comercial. Fenômeno de bilheteria nos EUA, onde estreou há duas semanas. Conta a história de um inventor que colocou uma máquina de fazer comida no céu. Mexe com a preferência gastronômica americana por pizza, sorvete e sanduíches. No Recife, o desenho estreia em cinco salas 2D e na Box 3D, até ontem ocupada por Up - altas aventuras, que continua de vento em popa em sete salas.

Anticristo continua firme, ocupando a maioria dos horários do Cinema da Fundação. No entanto, o longa de Lars Von Trier não durou mais do que duas semanas no Multiplex Recife.

Vida curta teve Pacto secreto que, apenas uma semana após a estreia, regrediu para duas salas em horários restritos.

Quatro filmes saem de cena no fds: A garota de Mônaco (que volta segunda no Cinema Apolo), A pedra mágica, High School Band e Juízo final.

Veja roteiro completo aqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Cultura na cesta básica

Enquanto o projeto de lei que cria o Vale-Cultura tramita na Câmara dos Deputados, audiências públicas são realizadas para apresentar, debater e tirar dúvidas sobre seu funcionamento. A primeira aconteceu no Recife, na tarde de segunda-feira, na sede do Sindicato dos Bancários (Boa Vista), com a presença dos secretários do Ministério da Cultura Roberto Nascimento, de Fomento e Incentivo à Cultura e Silvana Meireles, de Articulação Institucional. O encontro foi promovido pelo deputado federal Paulo Rubem Santiago (PDT), um dos relatores do projeto, que deve estar efetivado ainda neste ano.

Cerca de 80 pessoas participaram do encontro. As dúvidas giraram em torno de quem terá direito ao Vale-Cultura, quais produtos e serviços estarão disponíveis aos usuários e de que forma o sistema funcionará.

O Vale-Cultura é a primeira política pública federal voltada para o consumo de bens culturais. Ele funcionará nos mesmos moldes do vale-transporte e vale-alimentação, em que créditos mensais de até R$ 50 serão depositados pelas empresas em cartões eletrônicos dos trabalhadores formais. O beneficiado poderá gastar seu crédito da forma que quiser, em empresas credenciadas. Paulo Rubem defende o Vale-Cultura como um benefício que "visa sanar a disparidade histórica do acesso à cultura no Brasil", que hoje conta com cerca de 40 milhões de trabalhadores formais. Inicialmente, 12 milhões serão beneficiados com o acesso a eventos como teatro, shows e cinema e produtos como CDs e DVDs.

De acordo com Nascimento, o Vale-Cultura funcionará através da renúncia fiscal. "A empresa pode descontar até 1% do imposto de renda. Mais do que isso, será por conta dela. Isso gera um benefício para a própria empresa, pois capacita a mão de obra com senso crítico. O resultado é uma empresa mais competitiva". Para obter o crédito, o trabalhador também precisa pagar. Quem recebe menos de cinco salários, terá 10% do total descontado na folha de pagamento. Os que recebem mais, o valor pode oscilar entre20% e 90%. O Vale-Cultura custará R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos. "Não se trata de doação. Se houver adesão total, teremos R$ 7,2 bilhões injetados na economia da cultura. Isso aumenta a arrecadação, gera empregos. É um investimento que dinamiza o mercado cultural", diz Nascimento.

O que pode ser comprado com o Vale-Cultura foi outra questão do encontro. Enquanto o projeto estava aberto para emendas, foi proposto a inclusão de eventos esportivos na cesta de produtos disponíveis. Afinal, esporte, moda e gastronomia podem ser considerados cultura. Para Paulo Rubem, essa possibilidade pode ser perigosa. "Vivemos sob a influência de uma indústria onde produtos são ditados por programas dominicais na TV. Precisamos incentivar a circulação de produtos que não tem tanta entrada nesse esquema". Silvana Meirelles, por sua vez, defende o livre arbítrio. "Não dá para dirigir o consumo. Mas é possível criar ambientes para ampliar esse cardápio, multiplicando o número de bibliotecas, renovando acervos, transformandoequipamentos culturais em local de encontro e fruição cultural. Esse é um processo lento, que dá oportunidade a cada um construir seu repertório".

(Diario de Pernambuco, 16/09/09)

domingo, 13 de setembro de 2009

Milton Nascimento e Lô Borges como antigamente



Nada daquela banda obscura de um país distante. Nem adolescentes hypados pela mídia ou descobertos pela internet. A atração mais inusitada do Festival No Ar: Coquetel Molotov 2009 é velha conhecida dos brasileiros.

Milton Nascimento e Lô Borges encerram a programação do evento, no próximo sábado, no Teatro Guararapes. Eles vêm à cidade com um projeto que revisita as canções do Clube da Esquina, projeto dos anos 70 que rendeu dois álbuns antológicos e cujos desdobramentos mal poderiam os criadores imaginar.

É de supor que o Coquetel Molotov, até pouco tempo rotulado como evento indie, ao convidar ícones da MPB e migrando para o Centro de Convenções, queira diversificar seu público e com isso consolidar uma imagem mais madura. Outro viés é a admiração que o Clube da Esquina, projeto surgido na adversidade política da ditadura, desperta nos jovens ligados à nova música independente. Em qualquer caso, é para celebrar que Milton e Lô, que quase nunca se encontram, voltem a pisar no mesmo palco.

Lô Borges convida Milton Nascimento traz 20 canções novas e antigas e foi apresentado somente em São Paulo, no início do ano. O show funciona assim: na primeira metade, Lô canta, acompanhado por sua banda, músicas próprias, do início de carreira, e dos três últimos álbuns (inclusive Harmonia, que lança em outubro). Quando Milton entra em cena (com dois de seus músicos), é hora de canções como Trem azul, Girassol, Nada será como antes, Cais e Para Lennon e McCartney. Entre uma e outra, há intervalos de prosa entre compadres. Algumas terão arranjos diferentes dos originais.

"A divisão maior era entre eu e ele. E Lô é o que eu sempre gostei mais", diz Milton, em entrevista ao Diario. "Reviver isso agora é algo muito feliz. É algo forte porque nossa amizade musical nunca diminuiu, mas quando chegamos no palco foi forte. Tenho certeza que o show do Recife será especial".

"O normal seria Milton convida Lô Borges, pois sei bem distinguir o meu tamanho e o dele", diz Borges, por telefone. Ele explica que o conceito do show foi ideia do Museu Clube da Esquina, instituição virtual dedicada a recuperar a memória do projeto. "Fiquei muito satisfeito, pois Milton é meu padrinho musical, foi o primeiro a gravar minhas músicas. Ele já era um artista conhecido, quando me encontrou nas ruas de Santa Tereza, em Belo Horizonte e convenceu a gravadora a lançar um disco com um desconhecido. Ali começou minha carreira, eu tinha 17 anos".

Dependendo dos convites, os shows podem continuar. No entanto, a possibilidade de um terceiro volume do projeto está descartada. "O Clube da Esquina 3 já existe e se chama Angelus (álbum de Milton lançado em 1993). Ele começou em uma fazenda em Minas Gerais chamada Esmeraldas. Armamos um estúdio no curral, onde no fim da tarde precisava parar a gravação para tirar leite da vaca. E ele foi acabar em Nova York, com vários músicos brasileiros e americanos do jazz e pop, entre eles Peter Gabriel", diz Milton.

Ele diz que o Clube da Esquina repercute até hoje e isso tem rendido visibilidade não só para ele, mas para músicos como Toninho Horta, Flávio Venturini e Beto Guedes. "Foi algo muito feliz, abriu caminho, inclusive lá fora. Há 5 anos, graças à remasterização feita por João Marcelo Bôscoli, outros países descobriram o Clube da Esquina. Mas ele não era um clube, como as pessoas de fora pensam. Até hoje tem gente que vem para Minas e pergunta onde fica o Clube da Esquina".

Serviço
Show Lô Borges convida Milton Nascimento
Onde: Teatro Gurarapes (Centro de Convenções)
Quando: Sábado, dia 19, a partir das 20h (o show encerra a programação do sábado)
Quanto: R$ 40 ou R$ 20 (meia-entrada), à venda nas lojas Chili Beans (Shopping Tacaruna, Plaza Casa Forte e Shopping Recife) e na loja 3 Meninas (Paço Alfândega)

(Diario de Pernambuco, 13/09/09)

domingo, 30 de agosto de 2009

Inscrições abertas para o 2º Animage



O 2º Festival Internacional de Cinema de Animação de Pernambuco - Animage está em temporada de inscrições.

O evento, realizado pela Rec Beat Produções Artísticas, recebe filmes de animação realizados a partir de janeiro de 2008.

O prazo final é 19 de outubro. O resultado sai em 03 de novembro.

O festival está marcado para os dias 18 e 23, no Cinema da Fundação (Derby) e Cinema Apolo (Recife Antigo).

O regulamento e detalhes para a inscrição estão disponíveis no site do Animage.

Os filmes selecionados concorrem na mostra competitiva nacional e internacional, nas seguintes categorias: curta metragem de até 25 minutos; curta metragem infantil de até 25 minutos; longa metragem com duração superior a 60 minutos; videoclipe musical de animação; e filme de animação publicitário de até 30 segundos de duração.

O melhor de cada categoria recebe o troféu Animage e um prêmio em dinheiro no valor de R$ 2 mil. O melhor longa leva R$ 3 mil.

domingo, 23 de agosto de 2009

Música do Mato chega ao Recife próxima quinta



O projeto Música do Mato chega quinta-feira ao Recife.

A ideia é promover a circulação da novíssima música do Mato Grosso. Quem patrocina é o governo do estado.

A primeira etapa é formada por Ebinho Cardoso, Linha Dura, Macaco Bong, Paulo Monarco e Rodrigo Farinha.

Na quinta, o show será na Nox, em Boa Viagem.

Na sexta, de graça, na Rua da Moeda, Recife Antigo.


Macaco Bong em ação no Hey Ho, em Fortaleza
Foto: André Dib

Eles se apresentaram na madrugada de ontem pra hoje, em Fortaleza. Foi forte. Principalmente Macaco Bong.

Foi a primeira vez que assisti o show dos caras. O CD é bom, mas o negócio é ao vivo.

Ynaiã (bateria) e Ney (baixo) são bons, mas o negócio está com Kaypy na guitarra.

Acredite, este power trio instrumental derrete o cérebro e puxa pelas vísceras.

O que mais podemos esperar de uma banda de rock?

Imperdível.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Oficina de produção de vídeo com fotografias no Recife


Vinil verde, de Kleber Mendonça Filho, será estudo de caso

O cineasta Daniel Bandeira, da Símio Filmes, ministra oficina Produção de vídeo com fotografias nas Faculdades Integradas Barros Melo (AESO).

Será entre 24 a 28 de agosto, das 11h às 13h.

As inscrições estão abertas a partir de hoje, no site da instituição.

O investimento é de R$ 50.

Diretor, roteirista e montador de Amigo de Risco, Bandeira aborda o tema da oficina a partir da experiência que teve como montador do premiado curta Vinil verde, de Kleber Mendonça Filho.

O conteúdo programático prevê um estudo da narrativa cinematográfica através da fotografia e suas possibilidades estéticas e narrativas. A parte prática prevê a produção de vídeos, que serão exibidos no final das atividades.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Arnaldo Antunes na UFPE: espaço ideal



Finalmente Arnaldo Antunes encontrou local apropriado para mostrar seu Ao vivo no estúdio para o Recife. Desde que começou a turnê, há dois anos, suas passagens pela cidade foram notáveis, porém, incompletas. Mesmo que a presença do ex-titã seja um convite para dançar e cantar junto, este é um show para assistir sentado, com olhos e ouvidos abertos. No palco do Teatro da UFPE, onde esteve sábado à noite, Antunes teve a estrutura de luz e som que precisava para apresentar a versão completa, nos moldes do gravado em DVD. Por isso, não importa quantas vezes o show passou pelo Recife. E muito menos que, antes e depois, seja nessário assistir a um comercial de biscoito.

No repertório composto quase que totalmente por canções de Saiba e Qualquer, os dois últimos álbuns de estúdio, não houve novidades. Para quem assistiu aos shows anteriores, o grande barato foi curtir o conceito visual do projeto, que investe em jogos de luzes laterais e sombras, muitas sombras projetadas num telão, atrás da banda, e sobre a própria banda, formada por Marcelo Jeneci (teclado, acordeon eefeitos eletrônicos), Chico Salem e Betão Aguiar (violão e guitarras).

Poucos movimentos agressivos restaram do tempo em que Arnaldo usava cabelo arrepiado e batia a cabeça ao som de AA-UU e Bichos escrotos. Vinte e cinco anos depois, sua desconstrução da estética punk parece ter chegado ao máximo. Pois se reinventa em canções de ninar e bossas de ruídos estranhos e aura tranquila.

Do disco novo (Iê, Iê, Iê, em que divide composições com Ortinho e Edgard Scandurra), Arnaldo apresentou somente uma música, Longe. Do tempo dos Titãs, cantou O quê, Não vou me adaptar e O pulso, todas com novos arranjos. Da primeira fase solo, vieram à tona O silêncio em versão forró e Judiaria em arranjo soft.

A passagem pelo Recife é também um pit-stop para a participação especial que Antunes fará no show de Nação Zumbi na próxima quinta-feira, em Garanhuns. Ao lado de Edgard Scandurra e Bnegão, eles comemoram os 15 anos do álbum Da lama ao caos. Por isso, é provável que a música Inclassificáveis, gravada por Chico Science e Antunes em 1996, faça parte do tributo.

(Diario de Pernambuco, 20/07/09)
* com alterações e acréscimos

Arnaldo Antunes no Recife: mais fotos





sexta-feira, 19 de junho de 2009

Cineclube Dissenso exibe "As Harmonias de Werckmeister"



Amanhã (sábado), às 14h, o Cineclube Dissenso exibe o filme húngaro As Harmonias de Werckmeister (Werckmeister Harmóniák, 2000), do cineasta Bela Tarr.

De acordo com os exibidores, o filme é "um misterioso retrato de uma pequena cidade do interior da Hungria transformada com a chegada de uma baleia gigante empalhada".

Formado por alunos de diferentes cursos de graduação da UFPE, o Dissenso tem como objetivo apresentar obras raras e ausentes do circuito comercial. Ele surgiu como parte do projeto de conclusão de curso de um de seus integrantes. "A intenção era discutir a crítica cinematográfica e estimular um ambiente de debate cinéfilo, permeado pela coexistência de distintos discursos", diz o texto de divulgação.

A sessão no Cinema da Fundação (Derby), que estabeleceu parceira com o cineclube. Logo após, haverá debate. A entrada é franca.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Recife reverencia ilustre parceiro de Gonzagão



O compositor João Silva, homenageado do São João do Recife ao lado de Jackson do Pandeiro, recebe hoje o título de cidadão recifense. A cerimônia será às 16h, na Câmara dos Vereadores (Rua Princesa Isabel - Boa Vista). Nascido em Arcoverde e após muitas décadas de vida no Rio de Janeiro, o ex-parceiro de Luiz Gonzaga, hoje com 73 anos, mora na capital pernambucana há apenas oito meses. O título foi uma proposta do vereador Jurandir Liberal (PT). Para comemorar, o veterano músico lança amanhã, às 19h, o novo álbum, João Silva canta mais Gonzaga, realizado com patrocínio do Funcultura.

As 12 faixas não são inéditas, mas pelo menos a metade nunca chegou ao formato CD, permancendo restrita a material de colecionador. Além disso, elas ganharam um novo tratamento de estúdio: foram remixadas, reprocessadas digitalmente e acrescidas com novos instrumentos. O CD será lançado no Forró Jazz, projeto especial do São João do Recife, sediado na Rua Mamede Simões (a mesma do Bar Central). Os shows são de maestro Edson Rodrigues, Paulo Rabeca e Herbert Lucena. Na próxima terça-feira, haverá nova sessão de autógrafos às 15h30, durante o último encontro das Jornadas Gonzaguianas (Livraria Cultura).

"Estou falando com Gonzaga como se fosse hoje", diz o mais novo cidadão recifense, sobre o resultado do processo que atualizou cinco canções originalmente gravadas por ele, Gonzagão e Severino Januário, irmão do rei do baião, no ano de 1968. Em entrevista ao Diario, Silva conta que o projeto começou por iniciativa sua, pois os irmãos viviam uma desavença. A ideia era chamar Gonzagão para fazer a voz. E dar uma "força" no disco de Januário que, assim como o pai, tocava sanfona de oito baixos. Na gravação original, Gonzaga e Silva cantam na primeira parte das músicas. A segunda era instrumental, em que Januário toca sanfona, triângulo e zabumba.

João Silva conheceu Gonzaga quatro anos antes dessa gravação. Eles foram apresentados por Marinês, nos bastidores da rádio Mayrink Veiga, que ambosfrequentavam. "Não deu dois minutos e a gente brigou", lembra Silva. "Eu disse: 'tenho uma música que é a tua cara'. E ele respondeu que todo mundo dizia isso. Aí eu disse que então não tem música nenhuma". A música, gravada meses depois, era Crepúsculo sertanejo.

Em João Silva canta mais Gonzaga há letras acrescidas, sanfona de 120 baixos ("aquele instrumento metido a besta", diz Silva) tocada por Gennaro, cavaquinho, baixo, guitarra e percussão. Além disso, a música Forró atarrachado foi reescrita e agora se chama Baioneiro Gonzagão. Para completar, foi regravada uma sequência de composições registradas por Gonzaga já no fim de carreira, como Para não morrer de tristeza, Uma pra mim, uma pra tu e Arcoverde meu.

Com um cancioneiro de mais de 2 mil composições escritas, João Silva entra em estúdio ainda este mês para gravar o álbum de inéditas Sertão puro, em que será compositor, arranjador e produtor. Segundo ele, será um álbum mais "chão", mais "raiz", com um linguajar antigo utilizado no interior. "O problema do forró de hoje é que, a cada 15 músicas gravadas, 14 são xotes e uma é baião, todas falando de amor. No meu, não vai ter xote nem arrasta-pé. É só baião e forró puro", diz o músico.

Serviço
Lançamento do álbum João Silva canta mais Gonzaga

Quando: Amanhã, às 19h
Onde: Projeto Forró jazz (Rua Mamede Simões - Boa Vista)
Quanto: Entrada franca (O CD será vendido a R$ 15)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

O humano tratado com leveza e humor



Ao longo do tempo, o psiquiatra José Ângelo Gaiarsa desenvolveu um admirável talento: o de tratar de temas complicados, geralmente ligados ao comportamento humano, com leveza, humor e clareza. Enquanto fala, ele chama a atenção não somente pela força do discurso, como pela forma jovial e franca de expressá-lo.

Há quem o reconheça graças à TV - durante cerca de dez anos, ele apresentava todas as manhãs o quadro matinal Quebra-cabeça, transmitido pela Band. Sua carreira, no entanto, data de muito tempo antes, e já ultrapassa seis décadas de dedicação e mais de 30 livros publicados.

Aos 88 anos "e meio", faz questão de ressaltar, ele acaba de lançar A inconsciência coletiva (Ágora, R$ 51,90), em que analisa e atualiza o trabalho do psicanalista Wilhelm Reich, o criador da análise bioenergética.

Dr. Gaiarsa está no Recife e apresenta hoje a palestra Por que é tão difícil amar o próximo?. Será às 19h, no Libertas Socializante (Rua Rodrigues Sette, 80 - Casa Amarela). Inscrições custam R$ 20 e devem ser feitas pelo telefone 3441-7462.

Em entrevista ao Diario, ele trata das razões, sintomas e consequências dessa dificuldade em lidar com "o outro" e aborda temas pessoais sem muitas abstrações: sua capacidade de traduzir grandes verdades para o cotidiano continua impecável.

Entrevista // José Ângelo Gaiarsa: "Somos muito mais versáteis e precisamos desenvolver isso"

Por que "amar o próximo" é algo que fica mais no discurso que na prática?
O "próximo" é sempre algo coletivo, pois na prática ele é meu inimigo, meu competidor. Eu posso até amar o próximo, desde que ele seja sempre o mesmo. É fato que estamos todos "emoldurados", não usamos 10% de nossa aptidão de movimento. Todo mundo sabe qual o seu jeito. Se você sai dele, os conhecidos falam: "como assim?" E a paralisia que você aprendeu na infância está fadada a ser eterna.

As pessoas se sentem mais seguras quando "o outro" é sempre o mesmo...
Sim, pois é preferível ter o outro sob controle que amá-lo. A "educação" consiste em limitar movimentos. Você não faz ideia das possibilidades do nosso aparelho locomotor, a nossa capacidade de movimento é infinita. A soma de todas as danças, lutas, esportes e artes circenses é o que o corpo humano pode fazer. E a restrição de movimentos é mortífera. É ser morto em vida, virar um paspalho bem comportado, com meia dúzia de movimentos repetidos. Como duas estátuas podem se amar, ou dois bonecos articulados podem se amar, dançar, ter relações sexuais, a não ser de formas pré-estabelecidas? Somos muito mais versáteis e precisamos desenvolver isso.

Como?
Para bem amar é preciso repensar a posição machista da sociedade. Sexo para o homem começa quando ele entra na gangue, que é a pior forma de "machice". E para me aproximar de uma mulher com amor, preciso perder 80 % da minha "machice". Antes de mais nada, amar envolve um profundo respeito pela mulher. Coisa que o machão não tem nem de longe. Das inversões mais radicais da espécie humana, a maior é a opressão da fêmea. A mulher vive para manter a vida, é dona indiscutível da natureza. O melhor que o homem pode fazer é pôr-se a serviço dela. E experimentar prazeres como nunca sentiu na vida, em vez da vulgaríssima trepada. Talvez a maior revolução seja o avanço da mulher na representação social. Sempre falo de um partido das mães e de uma escola para a família. Sei que a mulher corre o sério risco de se contaminar e virar "macho". Eu espero que não, pois a mulher não é inerentemente agressiva. O macho é. Enquanto os machos dominarem o mundo, a humanidade será a catástrofe que já tem sido.

Do que trata seu último livro, A inconsciência coletiva?
Ele tem muito do Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Tem a ver com não querer olhar a si, não se deixar influir pelo outros.

Qual a importância do trabalho de Wilhelm Reich, tema que o senhor desenvolve não só na nova obra, mas ao longo de sua carreira?
Podemos entender a partir da diferença entre Freud e Reich. Freud disse: "deita aí e fala. Eu não quero te ver". Após certo número de encontros, ele se sentia um pouco embaraçado de ficar diante da pessoa, pois é difícil ficar sem interagir. O jeito é só escutar. É a antecipação da psicologia pelo celular. Por sua vez, Reich começou a reparar no paciente e viu que tudo o que havia de inconsciente nele está expresso pelo corpo. E assim começou a psicologia do corpo.

O senhor ganhou fama nacional com um programa de TV bastante assistido por mães que não sabem o que fazer com seus filhos. Hoje, o que diria para essa audiência?
É difícil, não gosto de dar conselhos, pois a criança é um produto que aparece no mundo sem instruções para uso. Mas posso dizer o seguinte: seu filho não é nada do que você pensa. Ele não é bobo, não é inocente, não é ingênuo. Ele é muito esperto, muito atento, aprende dez vezes mais depressa que você. Em vez de tratá-lo como criança, o melhor que você pode fazer por ele é respeitá-lo. Isso é até mais importante que amá-lo.

terça-feira, 24 de março de 2009

Série sobre 25 anos de Hip Hop no Recife, no Diario de Pernambuco



Há 25 anos, nasceu o Hip Hop made in Pernambuco.

Recomendo leitura da série escrita por Júlio Cavani, colega de redação do Diario.

Para ler, clique aqui, aqui e aqui.

terça-feira, 10 de março de 2009

Cinema na biblioteca



A Fuga das Galhinhas e Kung Fu Panda são as atrações das bibliotecas públicas municipais de Afogados e Casa Amarela, no Recife.

A entrada é franca.

Amanhã (11), A Fuga das Galinhas será exibida na Biblioteca Popular de Afogados (rua Jacira, S/n), em duas sessões – 9h e 14h.

Kung Fu Panda está em cartaz na Biblioteca de Casa Amarela (rua Major Afonso Leal, s/n), às 9h (sessão única).

A programação oferecida pela Secretaria de Cultura do Recife, com o objetivo de tornar os espaços de leitura mais atrativos.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Super-heróis também pulam carnaval


Na noite de sábado, uma das prévias mais disputadas do carnaval pernambucano rendeu uma festa de primeira linha. Uma olhada na fila do banheiro e lá estão Amy Winehouse, Mulher Gato, uma guerreira espartana e uma índia Xucuru, o que nos dá a certeza de que, se ainda não estamos bêbados, estamos na prévia do bloco Enquanto Isso na Sala da Justiça. A maior concentração de pessoas vestidas de super-herói do mundo começou pelas 21h, mas somente às 23h a Orquestra Contemporânea de Olinda fez as honras de abrir alas para uma festa que só terminaria às 6h, ao som da Escola de Samba Preto Velho.

Enquanto a Orquestra Contemporânea de Olinda providenciava o tempero local em show com três músicas inéditas, e algumas provocações envolvendo times de futebol, uma volta pelo pavilhão do Centro de Convenções deu a entender que a festa não é só para super-heróis e vilões. Entre óbvios (e muitas vezes capengas) Batmans e Homens-aranha, havia criativas fantasias de Tetris (o jogo de encaixar tijolos), Indiana Jones, Jesus Cristo Superstar, Tetrahidrocanabinol (o THC, princípio ativo da maconha), e um agrupamento de guerreiros medievais, provavelmente à espera dos "Cavaleiros que dizem Ni" (bem ao estilo do filme Em busca do cálice sagrado, de Monty Phyton).

Um inesperado blecaute assolou o Complexo de Salgadinho, parou a festa por poucos minutos - e os famigerados acessórios fluorescentes finalmente mostraram a que vieram, salvando cangaceiros, sushimen, vendedores de cachorro quente e Freddie Kruger da escuridão total.


Fabinho Trummer atacou de DJ após o show da Orquestra, e outra volta pelo salão revelou boas fantasias, pinçadas a dedo: alguns Coringas de Heath Ledger, um Darth Vader, policiais do Bope e uma versão decadente para Maradona. Os X-Men também marcaram presença, com Tempestade, Ciclope e Wolverine. Uma das melhores fantasias foi produzida pelo administrador Alexandre S. Ferrer, 23 anos. Ele encarnou Rorschach, o perturbado anti-herói de Watchmen, antecipando o filme que estreia em março. "Fiz a máscara com uma camiseta e tinta de pincel atômico. Ela e o sobretudo esquentam. Faz calor mas vale a pena porque é só uma vez por ano", disse Ferrer. Outra fantasia caprichada foi a do consultor de vendas Vinicius Leonardo, 25 anos, que atacou de Dr. Octopus com tentáculos feitos de lanternas, conduítes e garrafas pet.

Quando o coletivo paulistano Instituto subiu ao palco com o projeto Tim Maia Racional, muita gente já esperava o melhor show da noite. Na linha de frente, montada por B.Negão, Thalma de Freitas e Carlos Dafé, só faltou baixar o próprio Tim. "Minha barriga já é uma fantasia de Tim Maia", brincou o rapper B Negão antes de subir no palco. Com repertório de pérolas como Que beleza, O caminho do bem e Ela partiu, podemos definir o momento mais especial da noite com um termo usado por B.Negão: "classe".

Por volta das 3 da manhã, a aguardada presença de Jorge Benjor e Banda do Zé Pretinho não decepcionou, apesar do som demasiado estridente e do esquema pout-pourri adotado por Benjor nos últimos anos. Seria na base do piloto automático, não fosse a benção das canções setentistas A minha menina, Mas que nada, Chove chuva e Que maravilha.

Dos camarotes do primeiro andar a visão era bonita. O público, algo em torno de 10 mil pessoas (de acordo com a organização, mas há quem diga que atingiu os 15 mil pagantes), encontrou uma festa bem organizada, sem confusão, banheiros limpos e cerveja gelada. "Começamos no tamanho P, nos tornamos M, e se a prévia virar G a gente ocupa o outro lado", comemorou o DJ Bahiano, um dos organizadores do bloco.

Para ele, a opção por profissionalizar as atividades foi uma questão de acompanhar um novo momento para a Sala da Justiça, que começou em 1995 no quintal de amigos em Olinda, e passou pelo Clube Atlântico, Biblioteca de Olinda, Mercado Eufrásio e a Fábrica Tacaruna, considerado até hoje o melhor endereço. A saída do bloco durante o carnaval continua no mesmo bat-dia e bat-local: próximo domingo, às 10h, do Alto da Sé.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Hijos del Mar traz engajamento ensolarado


Uma banda nova estréia na noite de hoje. Fruto da miscigenação das culturas pernambucana e portenha, a Hijos del mar se apresenta no Quintal do Lima, em Santo Amaro. Antes, haverá show do grupo Embuás.

A Hijos del mar nasceu em Buenos Aires, cidade natal do cantor, compositor e instrumentista Santiago, que desde 2007 mora no Recife. A banda se renova a partir da junção do criador do projeto com músicos atuantes no eixo Recife/Olinda, a saber: Paes (baixo), Kuka (trompete e percussão) e Iezu Raeru (bateria).

Paes é mais conhecido por seu projeto autoral, baseado no samba. Por sua vez, Raeru acumula a função nos grupos Embuás, Backin' Ball Cats Barbies Volcals, Sabiá Sensível e Trio Pouca Chinfra. O repertório de hoje é composto de músicas da primeira fase da banda, e também de outras, inéditas, que em breve devem virar CD.

O nome da banda faz referência aos filhos de vítimas da ditadura argentina, cujos corpos muitas vezes eram jogadas ao mar. Para Santiago, está é uma história muito pessoal. "Meu pai foi sequestrado em 1978, e até hoje não sabemos o que aconteceu com ele", diz. Além do contexto daquele período, as letras abordam temas contemporâneos. "Sou da geração seguinte. É outro ponto de vista", explica Santiago, que também fará as vezes de DJ na festa de hoje.

Serviço
Quando: Hoje, às 22h
Onde: Quintal do Lima (Rua Capitão Lima, 100 - Santo Amaro)
Quanto: R$ 6
Informações: 3221-6552