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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Recife é a capital do cineclube


A Mão e a Luva, de Roberto Orazi, na programação do Centro Cultural Correios

Até 11 de dezembro, Pernambuco é palco de três grandes encontros de cineclubes, dois deles de alcance internacional. A tradição de grupos que se reúnem para exibir e discutir filmes tem marcado a história cinéfila do estado e a realização de três grandes eventos simultâneos confirma essa força, desta vez com apoio das políticas públicas dos governos federal e estadual.

Cineclubes e ativismo social sempre andaram de mãos dadas e nos últimos anos o movimento se articulou e ganhou dimensão capaz de influenciar nas políticas públicas. É disso que trata a 28ª Jornada Nacional de Cineclubes, a 3ª Conferência Mundial de Cineclubismo e a 63ª Assembléia Geral da Federação Internacional de Cineclubes. Estão confirmados mais de 250 cineclubes dos 27 estados e representantes de 55 países, Malásia, Morrocos, Polônia e Irlanda incluídos.


Prisão de mulheres, de Shirdel

A programação geral se divide entre um hotel fazenda em Moreno (28km do Recife), fechada para os participantes, e o Centro Cultural Correios (Recife Antigo), que abrigará mostras de longas e curtas do mundo todo, abertas ao público. Há convidados especiais, como o documentarista iraniano Kamram Shirdel, que vem ao Brasil exclusivamente para o evento e terá retrospectiva inédita no país, e o italiano Roberto Orazi, que lança no Brasil o documentário A mão e a luva - storia di un trafficante di libri. O filme foi rodado no Recife, tendo como foco o pernambucano Ricardo Gomes Ferraz, o Kcal, que se tornou conhecido como organizador de uma biblioteca na comunidade do Bode. Recentemente, foi exibido no Festival de Roma.

Antonio Claudino de Jesus, presidente do Conselho Nacional de Cineclubes (organizador dos eventos ao lado da coordenação de cinema da Fundarpe e da Federação Pernambucana de Cineclubes), diz que o fato do encontro ocorrer no Brasil demonstra a importância que o país alcançou no cineclubismo internacional. E que não é por acaso que Pernambuco será o ponto de convergência. ´O movimento pernambucano ganhou destaque nacional. A Fepec é hoje umadas mais bem organizadas do Brasil e tem servido de exemplo para outros estados`.

Esta é a segunda vez que a Assembleia será realizada fora da Europa - a primeira foi nos anos 1970, em Cuba. Criada durante o primeiro Festival de Cannes, ela congrega mais de uma centena de países. Na pauta do movimento mundial estão assuntos como o direito de acesso ao audiovisual. De acordo com João Baptista Pimentel Neto, secretário geral do CNC, a ideia é multiplicar pontos de exibição e flexibilizar os direitos do autor para que mais pessoas tenham acesso a produtos audiovisuais viabilizados com dinheiro público.

Saiba mais

Existem 1.100 cineclubes em funcionamento no Brasil. 600 são filiados ao CNC

Em Pernambuco, dos mais de cem pontos de exibição (Cine + Cultura incluidos), 37 são filiados à Federação Pernambucana de Cineclubes

Mostra Centro Cultural Correios
(Av. Marquês de Olinda, 262 - Recife Antigo)

7/12 - terça-feira

19h - Mostra Kamran Shirdel
A noite em que choveu (An Shab ke barun amab, 1967/74)
Teerã é a capital do Irã (Teheran, payetakhat-e Iran ast, 1966/79)
Setor Feminino (Qaleh, 1966/80)
Prisão de mulheres (Nedamatgah, 1965)
Solidão - Opus I (Tanhae-ye-Awal, 2000/01)

8/12 - Quarta-feira
19h - A Mão e a Luva (2010), de Roberto Orazi

10/12 - Sexta-feira
19h - Mostra Cinesud - Curtas Iberoamericanos
Por primera vez (Cuba, 1967), de Octavio Cortázar
Floating Chloe (Colômbia, 2004), de Monica Naranjo
Conquistadores (Espanha, 2005), de Eloi Tomás
El reciclo del biciclo (México, 1999), Agustín Martínez
Ave Maria ou Mãe dos Sertanejos (Brasil, 2009), de Camilo Cavalcante
Minami em Close-up (Brasil, 2009), de Thiago Mendonça
Qué viva el muerto (Equador, 2002), de Randi Krarup
La ruta natural (Espanha, 2005), de Alex Pastor
Comprometendo a atuação (Brasil, 2009), de Bruno Bini

(Diario de Pernambuco, 07/12/2010)

domingo, 9 de agosto de 2009

Encontro de exibidores gera Carta do Recife

Realizado no mês passado no Recife, o 1º Encontro Nacional de Programadores de Salas de Cinema Alternativas rendeu um documento que revela quais serão os próximos passos do setor, como a criação de um fórum virtual e de encontros periódicos.

Leia matéria sobre o encontro aqui.

Leia, a seguir, a carta do Recife na íntegra.

Carta do Recife

Nos dias 23 e 24 de julho de 2009, a Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, sediou o I Encontro Nacional de Programadores de Salas de Cinema Alternativas. Ao longo deste primeiro encontro, programadores de nove estados brasileiros (Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Sergipe e São Paulo) discutiram os principais problemas do setor, responsável pela manutenção da diversidade cinematográfica no País. Após o debate final, chegou-se à definição do presente documento, no qual estão relacionadas as principais diretrizes que, a partir de agora, irão nortear a atuação das salas formadoras deste circuito:

1- A criação do Fórum Nacional de Programadores do Circuito Alternativo de Cinema, que por meio de uma lista de discussão na Internet passará a trocar informações e a discutir propostas para o setor, além de realizar encontros periódicos.

2- A organização de um grupo de trabalho que irá identificar e cadastrar todas as salas de perfil alternativo – muitas delas ainda sem registro na Ancine – existentes no Brasil, atualizando permanentemente os dados relativos ao setor, com o objetivo de criar um circuito de exibidores.

3- Estudar, junto aos órgãos competentes, formas de auxiliar este circuito a realizar as adaptações tecnológicas necessárias em função da crescente migração para o suporte digital.

4- Reivindicar o estabelecimento de uma política específica para a área por parte do Ministério da Cultura e da Ancine.

5- Negociar junto às distribuidoras o estabelecimento de critérios mais claros para a cobrança do aluguel de cópias, a fim de evitar as atuais distorções, que estão inviabilizando cada vez mais a realização de mostras e a manutenção de uma programação qualificada.

6- Estabelecer um código de conduta que se comprometa a informar sempre à imprensa e aos espectadores sobre o suporte e a condição das cópias exibidas, bem como zelar pelo cuidado com as mesmas.

7- Sensibilizar as distribuidoras que abastecem o circuito alternativo sobre a necessidade de lançar mais cópias em 35mm, já que os atuais números (uma cópia, em média) são insuficientes para atender minimamente ao setor.

8- Pleitear junto às distribuidoras (majors e independentes) o depósito em cinematecas de um número ainda a ser definido de cópias 35mm após o período de exploração comercial. Isso irá permitir que a difusão para fins culturais de filmes de arquivo passe a ser uma realidade no Brasil, a exemplo do que ocorre em outros países, evitando a destruição por completo de todas as cópias existentes de um filme.

9- Reafirmar a sua condição de salas de exceção cultural, norteadas, antes de tudo, pelo compromisso em oferecer ao espectador uma programação diferenciada e com a formação de novos públicos.

10- No momento em que a maior parte do parque exibidor brasileiro está ocupada por apenas dois filmes, celebrar um compromisso de cooperação mútua e resistência, a fim de continuar trabalhando para a manutenção da diversidade de ofertas cinematográficas no País.

sábado, 25 de julho de 2009

Grito do cinema alternativo



O circuito alternativo de cinema vive dias de tormenta. Momento mais do que oportuno para entrar na pauta nacional. Enquanto quase dois terços das salas comerciais estão alegremente monopolizadas por apenas dois filmes, Harry Potter 6 e A Era do Gelo 3, as nanicas agonizam entre restrições econômicas e tecnológicas. Capitaneada por texto de Walter Salles, a edição de ontem da Folha de São Paulo dedicou amplo espaço para uma série de matérias a sugerir que o buraco é mais embaixo: diminuem não só os espaços de exibição, mas também novas produções e o público interessado em filmes "de arte", "alternativos" ou "independentes".

É nesse contexto que a Fundação Joaqum Nabuco promoveu o primeiro encontro nacional de programadores de salas alternativas. Após dois dias de atividades, o evento aponta para a formação de uma rede capaz de atrair mais pessoas e obter respaldo político e econômico para barganhar com as majors, grandes distribuidoras com poder suficiente para ditar as regras.

"A ideia principal é organizar o setor para garantir nossa sobrevivência e a diversidade dos filmes em cartaz", diz Marcus Mello, da sala gaúcha P.F. Gastal e idealizador do encontro. Ele percebeu que os problemas que enfrenta são os mesmos em todo o Brasil: a migração para o suporte digital e aluguéis exorbitantes dos rolos em 35mm.

Kleber Mendonça, que coordena o encontro, diz que tais dificuldades existem também para os "primos ricos", como define as salas mantidas por grandes instituições bancárias como o Unibanco e Santander. "Nós alugamos um filme por 50% da bilheteria. Para eles, é cobrada a quantia fixa de R$ 1.500 semanais".

Roberto Nunes, que mantém o projeto Cinecult em 15 cidades e 21 complexos da rede Cinemark, aponta para a necessidade de viabilizar cópias extras através de incentivos da Lei Rouanet. Por estar vinculado a um sistema blockbuster, Nunes foi meio que um "estranho no ninho", inclusive questionado por utilizar dessa retaguarda e poder de barganha para obter a preferência das distribuidoras, como no caso de Gomorra, que teria sido "desperdiçado" em sessões únicas às 14h. "A espera seria a mesma se eu abrisse mão do filme", diz Nunes.

Para Marcos Sampaio, que coordena o Cine Sesi Pajuçara, em Maceió, é preciso enfrentar a "miopia das distribuidoras", que oferecem uma ou duas cópias de filmes que supostamente farão pouca bilheteria. Assim, filmes relevantes como Valsa com Bashir demoram até dois anos para encontrar seu público, que a esta altura pode até ter assistido - legalmente - a obra em DVD. Parece incrível, mas o filme peruano La teta asustada, melhor filme no último Festival de Berlim, será lançado no Brasil com apenas uma cópia. "Por que não fazer mais duas?", diz o exibidor.

Sistema de baixo custo

Na busca de saídas políticas, tecnológicas e financeiras para os impasses dos pequenos exibidores, uma resposta incrivelmente simples para a tempestade de problemas enumerados nos últimos dois dias: a projeção de filmes a partir de um media player conectado a um projetor full HD HW10, da Sony. O sistema atinge resolução satisfatória em telas de até 10m, conta com audio digital 5.1 surround e custa pouco mais de US$ 3 mil.

A solução foi apresentada por Daniel Leite, que ainda este ano inaugura o Cine Rio Carioca, conjunto de três salas em Laranjeiras, tradicional bairro do Rio de Janeiro, que terá uma sala equipada com projetor 35mm e duas para filmes em suporte digital.

Responsável pela finalização e "transfer" (processo de conversão de filmes captados digitalmente para a película) de mais de 50 curtas e dos longas O engenho de Zé Lins, Amigo de risco e Tudo isto me parece um sonho, Leite levou dois anos de pesquisa até encontrar um sistema eficiente e de baixo custo. "Ele é mais econômico e tem a vantagem de não restringir filmes digitais em outros formatos de distribuição".

Questionado sobre como obter filmes desprovidos do sistema Rain (que protege a cópia contra a pirataria), Leite disse que pretende negociar diretamente e conseguir a confiança das distribuidoras para exibir filmes que ainda não foram lançados em DVD. E que acredita que, aos poucos, o jogo de poder com as distribuidoras vai acabar. "Me interesso na internet como canal para ter acesso a cinematografia de diferentes lugares do mundo".

(Diario de Pernambuco, 25/07/2009)

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Fanzines e Fanzineiros, Recife-Fortaleza : Debate em Casa Amarela (Recife)

Yuri Brusky convida:

Debate com fanzineiros em Casa Amarela

"Fanzines e Fanzineiros, Recife-Fortaleza. Discutir formas de organização e trocar experiências de comunicação alternativa é o objetivo do encontro que acontece a partir das 14h desta sexta-feira (8), na Biblioteca de Casa Amarela.

O bate-papo terá como ponto de partida o exemplo de Fortaleza, um dos principais pólos de fanzineiros no Brasil, não só pelo volume de produção como também pela realização mensal, há cinco anos, do encontro Zine-se. Para falar do assunto, estará presente a fanzineira e oficineira Fernanda Meireles, diretora da ONG cearense Zinco (Centro de Estudo, Pesquisa e Produção em Mídia Alternativa). Ao final do debate com Fernanda, será exibida a terceira edição do "Arquivo Geral Vídeo-Zine", dos paulistas José Nogueira e José Salles.

FANZINE - publicação independente feita por uma só pessoa ou pequenos grupos, o fanzine surgiu na década de 1930, nos Estados Unidos, como alternativa para a publicação de novos autores de ficção científica. Agregando recursos e temáticas, os zines atuais usam diferentes suportes e abordam os mais variados temas, como música, política, poesia e cotidiano."

Fanzines e Fanzineiros, Recife-Fortaleza
08 de junho (sexta-feira), 14h
Biblioteca Popular de Casa Amarela - R. Major Afonso Leal, s/n.