sexta-feira, 20 de março de 2009

Estreia // The Spirit, mais uma alma perdida



O impressionante universo visual de Frank Miller pode funcionar bem nos quadrinhos, mas ainda falta muito para fluir no cinema, forma de arte na qual tem se dedicado a transpor sua estética preto e branco com delírios de alto contraste. Em sua primeira tentativa, adaptou e co-dirigiu com Robert Rodriguez a adaptação da própria obra, Sin city, e o resultado não foi dos melhores. The Spirit, que estreia hoje nos cinemas, apresenta projeto visual semelhante, com resultado igualmente questionável, exceto pela grata visão das atrizes Scarlett Johanson e Eva Mendes, as mulheres fatais da trama.

The Spirit foi criado em 1940 por Will Eisner, mestre maior dos quadrinhos, com quem Miller estabeleceu laços de admiração e reverência (vide o livro de entrevistas Eisner/Miller, nos mesmos moldes do clássico Hitchcock/Truffaut). Ele é um vigilante mascarado que protege a fictícia Central City, cidade que vive a decadência típica dos anos pós-depressão. O filme se passa no século 21, mas preserva essa atmosfera antiga, mesmo quando celulares e laptops entram em cena.

O roteiro preservou praticamente tudo da obra original, como o comportamento ingênuo e galanteador do heroi, sua origem misteriosa e ligada ao vilão Octopus (Samuel L. Jackson em interpretação histriônica), as “gags” de desenho animado do tipo bigorna na cabeça, e até o passado pobre no gueto, a Avenida Dropsie, reconstituída em detalhes de tonalidade sépia. Mas a produção tropeça na irrealidade dos cenários feitos para chroma key (o famigerado fundo verde), o que faz de The Spirit um projeto com boas intenções e poucos momentos empolgantes.

publicado no Diario de Pernambuco (com alterações)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Calígula, hoje, no Festival de Curitiba



Hoje começo a cobrir o Festival de Teatro de Curitiba para o Diario de Pernambuco.

Primeira peça: Calígula, de Albert Camus, tradução de Dib Carneiro Neto, direção de Gabriel Villela.

No elenco, Thiago Lacerda e César Augusto Batista.

Mais notícias em breve.

Café da terrinha



Acabei de chegar no Paraná, minha terrinha. Só tive certeza disso quando dei de cara com um Café Damasco, dentro do aeroporto...

Agenda de Bruno Pedrosa no Rio de Janeiro

quarta-feira, 18 de março de 2009

Paulo do Amparo vai ao Iraq



Astro impávido das ladeiras de Olinda, salve salve.

É ele mesmo, Paulinho do Amparo, pronto para mostrar suas novas criações no próximo primeiro de abril.

Não estarei na cidade, mas recomendo.

A seguir, carta-convite escrita pelo próprio.
--
olá, gente querida!

eu, paulinho do amparo, pop star incansável,
estou lançando minhas novas composições demoníacas
canções que ficam ainda piores quando interpretadas por mim mesmo.
será dia 1 de abril de 2009, a partir das 18:00,
no iraq
(aquele bar de evandro, lá na rua do sossego, no recife... )
vai ter show meu: vóz, violão e violência.
evandro vai discotecar antes e depois.
a entrada custa 5 reais.
não é exatamente um lançamento de disco, mas a exposição dos
resultados uma nova safra criativa e maldosa minha:
temas românticos tratados com crueldade, psicose e sarcasmo imbecil.
paixão e sangue no chão.
frevos caveira.
100 anos de alceu.
satanismo explícito.
pequenas brincadeirinhas: paulinho trummer, o irmãozinho do mal de
fabinho "eddie" trummer, paulinho do mau caminho.
NOVAS CAMISETAS SERIGRAFADAS: "febre do rato, um filme de cláudio
assis", "bebadogroove do mundo livre s.a.", "iraq", "elvis osborne,
pra voces com amor" e outras clássicas.
TAMBÈM EM TELAS para voce emoldurar e botar na sala de sua casa ou dar
de presente para alguém.
leia agora as críticas de especialistas:
"... paulinho é pior que nonô e claudionor germano juntos."
(julio cavani, diário do commercio)
"... porra! paulinho é foda!"
(otto fuleragem, mtv brasil)
"... botei pra escutar em casa e perturbou a vizinhança..."
(roger de renor, fundarpe e sindicato dos palhaços de pernambuco)
"MUITO LINDO!!! MUITO FOFO!!!"
(aninha garcia, coquetel molotov)
"JAZZY! FLAINAUEI! DETONE, MONSTER!!!"
(grilowsky, oikabum)
"... paulinho, olha a tosse."
(mamãe)
depois eu mando umas musiquinhas e mais infamias, garotada.
amor é amor por tudo.

Biblioteca para quem precisa de livros



"Minha fia, eu não sabia que minha vida estava todinha nesse livro", disse a artesã Dona Antônia à jovem Lílian. Elas moram na pequena Mucambo, interior do Ceará. Dona Antônia não sabe ler ou escrever, mas saboreou palavra por palavra lida em voz alta por Lílian, que acabou de completar o ensino médio. Este momento especial só foi possível graças ao projeto Agentes de Leitura, que desde 2005 promove o gosto pelas letras nas casas, bibliotecas e escolas cearenses.

Quem conta a história é Fabiano dos Santos Piuba, que acaba de ser nomeado responsável pela diretoria do livro e leitura, cadeira inédita na secretaria de articulação institucional, braço do MinC responsável pelo Programa + Cultura. Seu know-how advém do Ceará, onde coordenou a política estadual de livros e acervos. De lá ele trouxe o projetos inspiradores como os Agentes de Leitura, que a partir de abril ganhará âmbito nacional.

Piuba esteve no Recife ontem, onde teve agenda cheia com gestorespúblicos, entre eles a representante regional do MinC Tarciana Portela, o secretário de cultura municipal Renato L e o coordenador de literatura da Fundarpe, Samarone Lima. Entre as novidades, está um novo modelo de gestão, que, assim como os Pontos de Cultura, será regionalizado através de unidades gestoras, responsáveis pela execução dos projetos. Pernambuco, conta o diretor, foi um dos primeiros estados a aderir.

Em conversa com o Diario, Piuba revelou novidades para os pernambucanos. A principal é que não haverá mais cidades sem biblioteca no estado. "Faltam apenas oito municípios para isso", afirma o diretor. Santino Cavalcanti, da representação regional do MinC, informou quais são eles: Águas Belas, Buenos Aires, Feira Nova, Manari, Mirandiba, Passira, Salgadinho e Terra Nova. Cada um ganhará mobiliário, acervo em torno de 3 mil títulos e equipamento multimídia. A ação integra uma das prioridades do governo Lula, que é equipar todos as cidades do Brasil com pelo menos uma biblioteca. Outra boa notícia é que a Biblioteca Pública do Estado acaba de ganhar um aporte de R$ 2,5 milhões, destinado à reforma, restauro de livros e aquisição de acervo.

Piuba considera a promoção do acesso ao livro como o pagamento de uma grande dívida social. A médio prazo, ele prevê o investimento em projetos de formação de leitores. "Não adianta implantar e modernizar os equipamentos, é preciso criar programas consistentes que levem ampliar a capacidade crítica e inventiva da população. Se não, as bibliotecas serão apenas depósitos de livros".

O orçamento total destinado a projetos de leitura em Pernambuco é de R$ 21 milhões, valor dividido entre governo federal (R$ 14 milhões) e estadual (R$ 7 milhões). Isso inclui o lançamento de três editais, que em Pernambuco contemplarão 130 Pontos de Leitura (além dos 33 já selecionados em dezembro), 500 agentes de leitura, modernização de 50 bibliotecas municipais e 20 bibliotecas comunitárias, que receberão móveis, mais acervo e equipamento para projeção audiovisual.

publicado no Diario de Pernambuco

terça-feira, 17 de março de 2009

Ronaldinho entra pra Turma da Mônica



Poderia ser, mas não chegou a tanto. Maurício de Souza presenteou o querido jogador com o desenho acima, durante o treino de hoje do Corínthians.

Impressão minha, ou o hype em torno do jogador está cada vez maior?

Assúcar indispensável de Freyre



Há 70 anos vinha a público a primeira edição de Assúcar, obra imprescindível para a compreensão social e cultural da culinária brasileira. À época, no entanto, as reações não foram as melhores. Seu autor, Gilberto Freyre (1900-1987), amargou severas críticas por ter colocado a ciência a serviço de um tema então considerado indigno a qualquer tratamento acadêmico. Hoje, o antológico livro é celebrado como marco da gastrononia cultural.

Para comemorar a data redonda, a Fundação Gilberto Freyre preparou uma série de atividades, entre cursos, seminários, concursos e rotas turísticas. A agenda completa será revelada hoje pelo antropólogo Raul Lody, que há 22 anos exerce a função de curador da Fundação Gilberto Freyre. O evento, aberto ao público, comemora também o aniversário do "mestre de Apipucos", que teria completado 109 anos no domingo, se estivesse vivo. "Assúcar foi pioneiro numa época em que o mundo começava a pensar novas formas de organização. O livro se insere num conjunto de obras semelhantes publicadas na mesma época, em outras partes do mundo", diz Lody.

A presidente da FGF, Sônia Freyre, abre a programação, que começa às 16h, no espaço cultural da instituição (Rua Dois Irmãos, 320 - Apipucos). A programação ainda conta com a presença de Jefferson Alves, diretor editorial da Global, empresa paulista que desde 2002 se dedica a republicar a obra de Freyre, numa média de um livro a cada trimestre. De acordo com a assessoria de imprensa da editora, o próximo título devem ser Modos de homem, modas de mulher (1987). Também na pauta está uma provável reedição fac-símile de Assúcar.

Em sua conferência, Lody tratará principalmente do contexto em que o livro foi lançado, o período entre-guerras mundiais, mas também trará à tona sua importância atual, perante ao que ele define como uma "glamourização da comida". Logo depois, o tema continua a ser aprofundado em palestra da pesquisadora Maria Letícia Cavalcanti. O evento ainda premiará o o professor universitário Juarez Caesar Malta Sobreira, vencedor do 3º Concurso Nacional de Ensaios, que este ano teve como tema o livro Nordeste (1937). Seu ensaio Nordeste semita será publicado pela Global, e receberá o prêmio de R$ 10 mil. Encerrando a programação, a antropóloga Fátima Quintas lançará seu novo livro, Assombrações e coisas do além: a convivência entre vivos e mortos na civilização do açúcar.

No afã comemorativo, é preciso lamentar a ausência da exposição Intérprete do Brasil, promovida pelo Instituto Brasil Leitor em São Paulo e Porto Alegre, e prometida para chegar este mês ao Recife. O motivo, argumenta Gilberto Freyre Neto, diretor de projetos da Fundação, é a retração do mercado em tempos de crise - o custo total da exposição gira em torno de R$ 500 mil. "Já temos o apoio do governo do estado. Se conseguirmos o patrocínio necessário, a exposição será montada até dezembro".

Marco zero do Mestre de Apipucos

Por conter praticamente todos os elementos que desenvolveria ao longo da vida, inclusive em sua metodologia científica, Vida social no Brasil nos meados do século XIX é uma boa introdução à obra de Gilberto Freyre. Ele é o mais recente volume do projeto que reedita a obra freyreana, a cargo da Global Editora. É também seu marco zero, já que escrita aos 22 anos, em língua inglesa, como dissertação de mestrado apresentado na Universidade de Columbia, em Nova York.

Três anos depois, este mesmo texto seria aprofundado em Vida social no Nordeste Brasileiro (1825-1925), publicado neste Diario de Pernambuco (em virtude de seu centenário), e nos célebres volumes de Casa grande e senzala, Sobrados e mucambos, e Ordem e Progresso.

Introdutor do viés cultural-antropológico nos estudos da história brasileira, Freyre reconhece romantismo em seu amor pelo passado, e afirma este ser quebrado pelo realismo que descreve, por exemplo, os discutíveis hábitos de higiene nas cidades brasileiras por volta de 1860. Ele via sua pesquisa como uma tentativa de reconstituir costumes da vida privada, como "(#) o quase secreto viver das alcovas, das cozinhas, das relações entre iaiás e mucamas, entre mucamas e ioiozinhos (#)".

A reedição vem com apresentação do historiador Gustavo Tuna, bibliografia de Edson Nery da Fonseca e um rico caderno iconográfico. Em seu 109º aniversário, é difícil prever como o autor olharia para este texto embrionário. No entanto, no livro é possível acompanhar essa auto-análise em três momentos (1969, 1977 e 1985), em prefácios escritos a cada nova edição revisada. De acordo com Tuna, em texto que introduz à obra, Freyre foi além da mera revisão. "Ele procurou relativizar as teses da benignidade da escravidão e da proeminência do patriarcalismo em todas as regiões do Brasil defendidas no texto original".

publicado no Diario de Pernambuco

sábado, 14 de março de 2009

Cineclube Revezes apresenta "Cry-Baby", de John Waters



Semana que vem, o Cineclube Revezes, da Universidade Católica de Pernambuco, exibe Cry-baby (EUA, 1990), de John Waters.

Será quarta-feira, dia 18, às 19h, na sala 510, bloco A da Unicap.

Logo após a sessão, o produtor Bernardo Queiroz, editor do "Programa de cinema" instigará debate sobre o filme.

Profundamente interessado pela cultura norte-americana dos anos 1950, Waters fez um filme claramente inspirado nos clássicos O selvagem (The wild one, 1953) e Juventude transviada (Rebel without a cause, 1955), estrelados, respectivamente por Marlon Brando e James Dean.

Cry baby retoma o mesmo tempo-espaço, e traz no elenco outros ícones do cinema: Johnny Deep, Willem DaFoe, a atriz pornô Traci Lords e o cantor Iggy Pop.

Ainda no elenco, há uma curiosa ponta de Patty Hearst, neta de um magnata das comunicação dos EUA, notabilizada em 1974 por ter sido raptada e aderido ao grupo.

É estranho, mas no Brasil, Cry baby teve seu título mantido em inglês. Coisa rara numa época em que White man can't jump se tornou Homens brancos não sabem enterrar, Peggy Sue virou Seu passado à espera, e My own private Idaho foi "traduzido" para Garotos de Programa (!).

Em Portugal, no entanto, o filme de Waters não escapou do constrangimento. Foi tristemente batizado de Quem não chora não... ama).

Aline Fontelli, que cuida do Revezes junto de outros seis estudantes de comunicação, informa que o cineclube está completando uma década de atividade, e por isso terá uma programação especial ao longo de 2009.

Mundo Livre na Torre Malakoff + festa no Iraq



O amigo Evandro avisa que hoje haverá dobradinha de eventos na Torre Malakoff + IRAQ.

Às 16 horas, na Torre Malakoff, haverá lançamento do Observa e Toca Malakoff, projetos da Coordenadoria de Música da Fundarpe, da qual Evandro participa nos últimos meses.

"Vai ter oficinas, palestras, bate-papos musicais e concurso de novos artistas", informa o agitador cultural.

Na tarde de hoje se apresentam a banda Euterpina Juvenil Nazarena (Capa Bobe),
DJ Charles (Êxito D' Rua) e Mundo Livre. Notícia completa aqui.

Entrada franca.

"E às 19 horas assim que acabar o lance lá na Torre, vá curtir o Encruação IRAQ Live Afrobeat: Flotation Tanks With Mushrooms (EUA, POR, SUECIA, BRA) e DJ Evandro Q?", completa Evandro.

O Iraq fica na Rua do Sossego, 179 - Boa Vista.

Lançamento // Objeto quase oculto

Quando um filme ganha a tela, o público pode se envolver a tal ponto a esquecer que, por trás de uma boa produção, existe um roteiro pensado à exaustão. Nas adaptações literárias, aumenta ainda mais a importância deste fio condutor entre palavra escrita e a peculiar gramática audiovisual. De forma que escrever roteiros é um ofício que exige esforço e talento de seus autores.

O jornalista Valdir Oliveira é um deles. Com a experiência de quem conhece intimamente estes dois mundos, ele apresenta hoje, no auditório da Livraria Cultura, o curta de ficção Por uma tecla. Na equipe estão Diogo Balbino (produção), Maria Pessoa (fotografia), Séphora Silva (arte), Marcelo Lordello (montagem), Manoel Constantino (preparação de elenco) e Lucas Brandão (música original).

A produção, realizada com recursos captados pelo Sistema de Incentivo à Cultura municipal, tem como base um conto do mesmo autor, em que um escritor de meia-idade é assombrado por personagens que elemesmo criou. Este é apenas um dos contos reunidos no livro Depois do desejo (Edições Bagaço, R$ 25), que também será lançado hoje, com sessão de autógrafos.

No total, são seis histórias, que tratam na paixão em diferentes níveis (inclusive a sua ausência) e situações urbanas levadas ao limite. Quatro delas também estão publicadas em versão "roteiro", valorizando assim esse objeto quase sempre oculto. Um deles, Andar da Boa Vista, traz na boca de um dos personagens uma interessante afirmação: "não quero ter certeza, minha senhora. Preciso de liberdade".

Profissional veterano na televisão pernambucana, Valdir Oliveira se aperfeiçoou na arte de produzir roteiros, ao ponto de fazê-lo com naturalidade. "Como trabalho em TV desde 1981, me habituei ao processo de narrar uma história a partir da edição de imagens. Estar nesse meio é o que me permite brincar com várias linguagens".

Valdir é também um escritor precoce (começou aos 17), e hoje acumula mais de 30 textos, entre contos, roteiros e peças para teatro. "Chegou o momento de colocar para fora", diz.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Luiz Joaquim fala sobre Eiffel, que concorre ao Calunga de melhor curta no Cine PE 2009



O curta-metragem Eiffel, de Luiz Joaquim, é úm dos selecionados para mostra competitiva do 13º Cine-PE: Festival do Audiovisual.

Realizado em 2008, ele é a primeira produção de Joaquim, que exerce a função de crítico de cinema da Folha de Pernambuco e editor do site Cinema Escrito.

Eiffel concorre com mais 15 curtas da categoria curtas digitais, a serem exibidos entre 27 de abril e 3 de maio de 2009, no Centro de Convenções.

"A partir da combinação de uma trilha sonora clássica sobre imagens contemporâneas do centro do Recife, o curta sugere uma crônica político-cinematográfica sobre a capital pernambucana, tendo como foco um de seus novos 'monumentos'", diz o autor, sobre a obra, em nota pública.

Allan Sieber, Reinaldo Figueiredo e... Lou Brooks na revista Piauí deste mês

A revista Piauí de março está especialmente interessante do ponto de vista das artes gráficas.

Dois convidados especiais mostram sua arte nas páginas do periódico.

Na HQ Memórias de um adventista, o gaúcho Allan Sieber estende um pouco mais os motivos que levam um adolescente do fanatismo religioso ao cabelo moicano e ao som do Misfits.

Veja uma prévia:


Já o comediante Reinaldo Figueiredo, do grupo Casseta & Planeta, apresenta uma série de cartuns espirituosos como o que apresentamos a seguir:



De quebra, a arte da capa, autoria de Lou Brooks, é um irônica brincadeira com aquilo que consideramos "normal" nowadays.

Espaço mínimo amplia conceito de livro



Cinquenta microcontos com até cinquenta letras cada. Este foi o limite auto-imposto por Wilson Freire para compor sua nova obra, feita para comemorar a emblemática marca dos cinquenta "cumpleaños".

Hoje, às 17h50, ele autografa a coletânea Cinquentinha no bar Casa da Moeda. A programação ainda conta com recital poético e projeção de filmes assinada pela VJ Mary Gatis. Durante o evento, Cinquentinha estará à venda por R$ 10. A entrada é franca.

Nos últimos anos, esse sertanejo de São José do Egito divide seu tempo entre a medicina e a arte multimídia, onde tem atuado com distinção no front literário, musical e cinematográfico, com destaque para sua parceria com Antonio Nóbrega, o cineasta Heitor Dhalia e na direção do curta Miró: preto, pobre, poeta e periférico (2008).

Desta vez, Freire traz à tona uma publicação um provocativa, pois força os limites do conceito "livro" ao fazer uso do formato de uma cédula rasurada de R$ 5 como suporte para literatura.Diz que, apesar de Cinquentinha não cumprir os critérios da ABNT para definir um livro, ele o considera como tal.

"O formato faz parte da mensagem. Precisamos rever essas regras ultrapassadas, que não dão conta da liberdade de criação dos dias atuais", diz o escritor, que não está só nessa empreitada. Como ilustração, ele cita Dois palitos, interessante livro-caixinha de fósforo com microcontos escritos pelo paranaense Samir Mesquita, e revela qual será o próximo passo: publicar seus textos em um minicalendário descartável.

Uma ousadia estética que desemboca no próprio texto. Os "microcontos" de Freire tão curtos que levantam dúvida se pertencem ao reino da prosa ou da poesia zen - o haicai. O autor discorda: "um microconto é narrativa passageira, e que diz logo a que veio. É de uma rapidez que faz parte da vida moderna". Daí temas "urbanos" como violência, miséria e hábitos noturnos serem tratados com humor ácido e por vezes nonsense, algo próximo de outra narrativa baseada na brevidade: as tiras em quadrinhos.

Freire diz que começou a desenvolver o projeto há alguns anos, quando foi convidado por Marcelino Freire para participar do livro Os 100 menores contos do século (Ateliê Editorial), do qual participaram Dalton Trevisan, Manoel de Barros, Millôr Fernandes, entre outros. A proximidade com o cinquentenário de vida foi o incentivo que faltava para realizar este trabalho solo, que encontra no prefácio, assinado pelo mesmo Marcelino, o momento mais abundante - afinal, são cerca de dez linhas.

Serviço
Lançamento de Cinquentinha, de Wilson Freire
Quando: Hoje, às 17h50
Onde: Casa da Moeda (Rua da Moeda, 150, Bairro do Recife)
Informações: 8722-6027
Quanto: Entrada franca

Quatro microcontos de Cinquentinha

Lei seca
Vampiro nos tempos do HIV mudou de hábitos deixou de beber

Overdose
Tu és pó e ao pó voltarás

Lei da selva
O tamanduá amanheceu com a boca cheia de formigas

Assalto à barbearia
Amarraram o barbeiro com o fio da navalha

publicado no Diario de Pernambuco

quarta-feira, 11 de março de 2009

Cine PE 2009 divulga resultado dos curtas em competição


CENA DE MURO, CURTA 35MM DIRIGIDO POR TIÃO, UM DOS SELECIONADOS PARA O CINE-PE 2009

A organização do Cine PE acaba de anunciar a lista de 38 filmes em curta-metragem selecionados para a competição que começa em 28 de abril, durante a 13a. edição do evento, sediado no Centro de Convenções de Pernambuco.

Na categoria curta-metragem 35mm, foram escolhidos 19 entre 101 candidatos, em curadoria formada por João Vieira Junior, Oscar Malta e Tetê Matos. Já as 15 produções digitais de curta duração foram selecionadas por Bernardo Queiroz, Pedro Pinheiro e Rodrigo Homem, entre 399 inscritos.

Este ano, a "prata da casa" está representada nas produções pernambucanas Muro, com direção de Tião, vencedora do prêmio Novo Olhar da seção paralela Quinzena dos Produtores do Festival de Cannes 2008; N° 27, de Marcelo Lordello; e Superbarroco, de Renata Pinheiro, premiado como melhor curta do Festival de Brasília no ano passado.

Apesar de classificada como produção paulista, Menino-aranha, da jornalista recifense Mariana Lacerda, é um documentário inteiramente rodado em Pernambuco, sobre o menino Tiago, que no fim dos anos 90 subia edifícios para furtar tesouros da burguesia recifense.

Na categoria digital, disputam o Calunga os pernambucanos Abril pro Rock-Fora do Eixo, de Everson Teixeira, Ricardo Almoêdo e Júlio Neto; Eiffel, de Luiz Joaquim; e Um artilheiro no meu coração, de Diego Trajano, Lucas Fitipaldi e Mellyna Reis.

De acordo com a assessoria de imprensa da Bertini Produções e Eventos, empresa organizadora do festival, a lista dos longa-metragens em competição deve sair até meados de abril. Eles serão escolhidos entre 66 obras inscritas.

No entanto, conforme noticiado aqui no Quadro Mágico, a grande atração do Cine PE 2009 será a presença do cineasta grego naturalizado francês Constantin Costa-Gavras, que vem ao Recife apresentar seu novo longa-metragem, Eden à l'ouest.

A seguir, lista completa dos curtas.

CURTAS-METRAGENS EM 35MM
FICÇÃO/35mm

A mulher biônica (CE), ficção
Direção: Armando Praça

Ana Beatriz (DF), ficção
Direção: Clarissa Cardoso

Blackout (RJ), ficção
Direção: Daniel Rezende

Dez elefantes (RJ), ficção
Direção: Eva Randolph

Distração de Ivan (RJ), ficção
Direção: Cavi Borges e Gustavo Melo

Eu e crocodilos (SP), ficção
Direção: Marcela Arantes

Hóspedes (RS), ficção
Direção: Cristiane Oliveira

Muro (PE), ficção
Direção: Tião

Nº 27 (PE), ficção
Direção: Marcelo Lordello

Os sapatos de Aristeu (SP), ficção
Direção: Sergio Luiz René Guerra

Selos (CE), ficção
Direção: Gracielly Dias

Superbarroco (PE), ficção
Direção: Renata Pinheiro

Teresa (SP), ficção
Direção: Renata Terra e Paula Szutan

DOCUMENTÁRIO

Cocais-A cidade reinventada (SP), documentário
Direção: Inês Cardoso

Menino aranha (SP), documentário
Direção: Mariana Lacerda

Nós somos um poema (RJ), documentário
Direção: Sergio Sbragia e Beth Formaggini

Phedra (SP), documentário
Direção: Claudia Priscilla

ANIMAÇÃO
Juro que vi: o saci (RJ), animação
Direção: Humberto Avelar

Silêncio e sombras (PR), animação
Direção: Murilo Hauser

CURTAS-METRAGENS EM DIGITAL

Abril pro Rock–Fora do Eixo (PE), documentário
Direção: Everson Teixeira, Ricardo Almoêdo e Júlio Neto

A Ilha (DF), animação
Direção: Ale Camargo

Cattum (GO), animação
Direção: Paulo Miranda

Eiffel (PE), documentário
Direção: Luiz Joaquim

Hagakure (SP), ficção
Direção: Marcos Rocha

Manual para se defender de alienígenas, zumbis e ninjas (SP), ficção
Direção: André Moraes

Nello’s (SP), documentário
Direção: André Ristum

O anão que virou gigante (RJ), animação
Direção: Marão

O troco (SP), ficção
Direção: André Rolim

Pelo ouvido (MA), ficção
Direção: Joaquim Haickel

Quem será Katlyn? (SP), documentário
Direção: Caue Nunes

Quintas intenções (RJ), ficção
Direção: Maurício Rizzo

Teteco (RJ), ficção
Direção: Glauco Kuhnert

Um artilheiro no meu coração (PE), documentário
Direção: Diego Trajano, Lucas Fitipaldi e Mellyna Reis

6.5 Megapixels (CE), ficção
Direção: Michelline Helena, Gláucia Soares e Janaína de Paula

Rio de Janeiro comemora 70 anos de Glauber Rocha



Se estivesse vivo, Glauber Rocha completaria 70 anos no próximo sábado (14).

Leia matéria especial sobre o cineasta + extensa entrevista com Ismail Xavier publicada no Diario de Pernambuco e reproduzida aqui, no Quadro Mágico.

Para comemorar a data, a Associação Tempo Glauber apresenta uma semana de programação especial e variada.

A partir da próxima segunda, 16 de março, haverá exibição de filmes e documentários sobre o processo de criação deste diretor vital para o Cinema.

Haverá também a exposição de cartas e textos pertencentes ao acervo Tempo Glauber, além de apresentações musicais e de grupos de teatro, entre outras. A programação, que vai até 20 de março, acontece na sede do Tempo Glauber, com endereço na Rua Sorocaba, 190 - Botafogo, RJ.

Coincidência ou não, dia 27 de março estreia a versão cinematográfica do documentário Anabazys, de Paloma Rocha e Joel Pizzini, que chega às telas dos cinemas de São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

De acordo com os autores, o documentário é um "inventário poético sobre a gênese, a erupção e a ressonância" de A Idade da Terra, derradeira obra de Glauber, lançada em 1980. O título alude ao nome dado pelo autor a uma das versões de seu roteiro.

Programação da Semana Glauber Rocha

2ª feira, dia 16
15h - Leitura do texto Senhor dos Navegantes, de Glauber Rocha, com o grupo Tropa de Palhaços de Quinta

17h - Exibição do filme Barravento Visto Por..., de Paloma Rocha e Joel Pizzini

19h - Exibição do filme Barravento, de Glauber Rocha

21h- Apresentação musical de AVA

3ª feira, dia 17
15h - Exibição do filme Rocha que Voa, de Eryk Rocha

17h- Exibição do filme Diário de Sintra, de Paula Gaitán

4ª feira, dia 18
15h - Leitura do texto A Conquista de Eldorado, de Glauber Rocha, com o grupo Nós do Morro

17h - Exibição do filme Depois do Transe, de Paloma Rocha e Joel Pizzini

19h - Exibição do filme Terra em Transe, de Glauber Rocha

21h - Apresentação musical de Negro Leo Trio (com os músicos Leonardo Campelo, Gabriel Balleste e Daniel Fernandes)

5ª feira, dia 19
15h - Exibição do filme Milagrez, de Paloma Rocha e Joel Pizzini

17h - Exibição do filme O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, de Glauber Rocha

19h- Debate sobre preservação, restauração, difusão e memória da obra de Glauber Rocha com Hernani Heffner, Fábio Fraccarolli, Mônica Paixão, Mauro Domingues e Paloma Rocha

6ª feira, dia 20
14h - Leitura do texto O Destino da Humanidade, de Glauber Rocha, com grupo Teatro de Extremos

16h - Exibição do filme A Idade da Terra, de Glauber Rocha

19h - Cineclube Espaço Utopya, Curadoria Dario Gularte, com exibição dos filmes: Depois das 9, de Allan Ribeiro; e Joanna Francesa, de Cacá Diegues, seguido de debate com os diretores e homenagem a Glauber Rocha

Psicanálise & Cinema apresenta "O sol é para todos"



O sol é para todos (To kill a mockingbird, EUA, 1962), clássica produção do cinema dirigida por Robert Mulligan é o filme escolhido para abrir a programação 2009 do Psicanálise & Cinema.

A sessão, promovida pela Sociedade Psicanalítica do Recife, está marcada para este sábado, a partir das 16h, na sede da Associação Médica de Pernambuco (Praça Osvaldo Cruz, 393, Boa Vista).

Após a exibição, haverá debate com a crítica de cinema Ana Catarina Galvão e com o psicanalista Austregésilo Castro.

Baseado na obra de Harper Lee, o drama conta a história do advogado Atticus Finch (Gregory Peck, premiado com o Oscar de melhor ator), que concorda em defender um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca no Alabama, em plena década de 30.

A entrada custa R$ 8. Informações: 3226-0462.

19º Cine Ceará abre inscrições para Mostra Competitiva

A partir de 30 de março estarão abertas as inscrições para a mostra competitiva do 19º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema. Os candidatos podem se inscrever em duas categorias: longa-metragem, de abrangência íbero-americana, e curta-metragem, em que podem concorrer produções nacionais. O evento, que acontece anualmente em Fortaleza, sempre se realizou em abril, mas este ano foi adiado para o período entre 28 de julho e 4 de agosto. O período de inscrições segue até o dia 29 de abril. O regulamento e ficha de inscrição estarão disponíveis no site www.cineceara.com.br.

Cine Bio apresenta: Mostra de Cinema no CBB



O Centro de Ciências Biológicas da UFPE promove na semana que vem sua primeira mostra de cinema. A mostra do CCB traz 17 filmes dispostos a provocar discussões nos eixos político, comportamental, econômico e ambiental.

As sessões são gratuitas. Programação a seguir:

16/03 – SEGUNDA-FEIRA
10h – Wal-Mart: O Custo Alto do Preço Baixo [Wal-Mart: The High Cost of Low Price], de Robert Greenwald

13h – Milk - a voz da igualdade , de Gus Van Sant

16h – Wall-E [Wall-E], de Andrew Stanton

18h30 – Edukators [Die Fetten Jahre Sind Vorbei], de Hans Weingartner

17/03 – TERÇA-FEIRA
10h – Surplus [Surplus: Terrorized Into Being Consumers], de Erik Gandini

13h – O mundo segundo a Monsanto, de Marie-Monique Robin

16h – Um amigo meu [Ein Freund Von Mir], de Sebastian Schipper

18h30 – Hair [Hair], de Milos Forman

18/03 – QUARTA-FEIRA
10h – Nós que aqui estamos por vós esperamos , de Marcelo Masagão

16h – Nação Fast Food [Fast Food Nation], de Richard Linklater

18h30 – Sicko, de Michael Moore

19/03 – QUINTA-FEIRA
10h – Koyaanisqatsi - Uma Vida Fora de Equilíbrio, de Godfrey Reggio

16h30 – Breaking the Spell , de Tim Lewis

18h – BATALHA EM SEATTLE [ Battle in Seattle ], de Stuart Townsend

20/03 – SEXTA-FEIRA
10h – La Belle Vert [Turista espacial], de Coline Serreau

13h – Na Natureza selvagem , de Sean Penn

16h – A revolução não será televisionada [The Revolution Will Not Be Televised], de Kim Bartleyl

CineCalifórnia exibe filmes da Página 21



O CineCalifórnia retoma as atividades a partir de hoje, às 20h, com a exibição da animação Até o sol raiá, de Fernando Jorge, e do curta docucumental Tejucupapo, de Marcílio Brandão.

Os filmes fazem parte de uma programação que, todas as quintas-feiras do mês de março, homenageará os 10 anos da produtora Página 21.

Nas próximas semanas serão exibidos os documentários Fole, de Rafael Coelho, Vale dos poetas, de Amaro Braga, e Ligações, de Marcílio Brandão. Em todas as sessões haverá debate com os realizadores. A entrada é franca.

O CineCalifórnia fica na Rua Arthur Muniz, 82 - Boa Viagem. Informações: 3363-0479.

O Dia dos namorados vem aí.... em 3D !!!


My Bloody valentine 3D, sexta-feira, nos cinemas.

Estética do cangaço em livro de luxo



Por um quarto de século, o historiador Frederico Pernambucano de Mello tem investigado o fenômeno do cangaço. O exaustivo trabalho pode ser encontrado em vários artigos acadêmicos e nos livros Guerreiros do sol: violência e banditismo no Nordeste do Brasil (1985) e Quem foi Lampião (1993).

Desde 1997, no entanto, o pesquisador deixou de lado o aspecto estritamente jurídico-sociológico para se dedicar com esmero às implicações estéticas geradas por esse universo. Este pioneiro estudo em breve estará acessível ao público leitor através do livro de arte Estrelas de couro: a estética do cangaço, que será lançado sob o selo da editora Escrituras.

A parceria entre autor e editora será sacramentada com assinatura de contrato nesta quinta-feira, 19h, em evento aberto ao público no auditório do Museu do Estado de Pernambuco (Av. Rui Barbosa, 960 - Graças). Por telefone, o editor Raimundo Gadelha explica ao Diario de Pernambuco que a formalidade é consequência daimportância do projeto. "Esta será a mais importante obra sobre o tema", diz Gadelha, que adianta alguns detalhes técnicos: 5 mil cópias; sobrecapa e miolo com 240 páginas em papel couché; e capa dura com aplicações de verniz que imitam a textura do couro. Gadelha diz que o preço final depende das oscilações da economia. "A idéia é não ultrapassar os R$ 100, mas para isso precisamos de apoio de instituições que façam aquisição prévia de exemplares".

Na mesma ocasião, Frederico Pernambucano concederá a palestra Uma estética brasileira relevante: cangaço. Nela, o historiador defende a ideia de que os cangaceiros tinham preocupação estética ainda maior do que o homem urbano contemporâneo. "Certa vez, Lampião passou duas semanas costurando um bornal em uma máquina Singer. Ele mesmo desenhava no papel o modelo para as flores e estrelas", conta.

Uma vez pronto, o livro materializará uma pesquisa que procurou nos detalhes as pistas para decifrar o comportamento do que Frederico Pernambucano avalia como a última expressão do irredentismo brasileiro. "Trata-se do mito primordial de que aqui é possível viver sem lei nem rei, traduzido pragmaticamente pelos índios, depois pelos negros dos quilombos, e depois pelo cangaço, sendo este último não restrito a grupos étnicos".

O pesquisador, que se considera um "sociólogo atropelado pelo esteta", afirma que o portentoso volume poderá ser objeto de cabeceira para dramaturgos, estilistas, designers e demais profissionais da imagem. "A meia-lua e a estrela que formam o chapéu de couro até hoje é a marca que representa o Nordeste. E isso, gostemos ou não, quem nos deu foram os cangaceiros", afirma Mello.

As inúmeras e detalhadas referências, informações e reflexões de Mello certamente são um forte atrativo para qualquer interessado nesta rica e fascinante iconografia. No entanto, o carro-chefe da publicação serão as ilustrações, retiradas de múltiplas fontes, entre elas, de seu acervo particular, que acumula cerca de 160 itens entre roupas, armas, bornais (bolsas) e diferentes objetos que compunham a indumentária típica do cangaceiro. "O traje do cangaceiro não se confunde com o de qualquer grupo social da história brasileira. No meio internacional, é algo que só se compara com os cavaleiros medievais e os samurais japoneses", garante o autor.

Desde 1984, quando começou a se debruçar sobre o cangaço, o componente estético havia lhe chamado a atenção. "Me deparei com objetos com apelo estético requintado demais para pertencer a um grupo de bandidos. Então verifiquei que esse lado criminal, que era o único conhecido, precisava ser combinado com o lado estético, então oculto. Entendi então que o cangaço é muito mais profundo do que uma mera expressão da criminalidade", conta Mello, que agora sonha com seu próximo projeto: a criação do Museu do Cangaço do Nordeste.

Produção nordestina com espaço garantido

Estrelas de couro: a estética do cangaço será lançado ainda este ano, provavelmente em agosto, pela Escrituras, editora paulista que conta com alguns títulos pernambucanos e nordestinos em seu catálogo, como Sem lei nem rei, de Maximinano Campos.

Aliás, foi através da família hoje representada na seara literária por Antônio Campos, advogado e curador da Fliporto, que o editor Raimundo Gadelha tomou conhecimento do projeto de Frederico Pernambucano. "Fiquei maravilhado, pois estava diante de um material extremamente rico".

Paraibano com passagem pela Europa, Estados Unidos e Japão, Gadelha estabeleceu raízes em São Paulo, mas nunca fechou os olhos para a produção literária do Nordeste. Tanto que dois de seus mais recentes lançamentos são Daguerreótipos, livro com 160 poesias feitas por Marcus Accioly, dedicadas a personalidades que vão de Homero a John Lennon, e Noturno - Tankas na madrugada, de Cloves Marques.

O mais novo título, previsto para mês que vem, é Cangaço na poesia brasileira: uma antologia, organizado por Carlos Newton Júnior, com poemas de 35 autores, entre eles, Ariano Suassuna, Ascenso Ferreira, Bráulio Tavares, Carlos Pena Filho, César Leal e João Cabral de Mello Neto. A idéia do projeto é abordar o tema a partir da produção de escritores eruditos brasileiros.

"A nosso ver, um grande poeta popular brasileiro, como por exemplo, Leandro Gomes de Barros, é tão importante para a nossa literatura quanto um grande poeta erudito, a exemplo de Manuel Bandeira ou João Cabral de Melo Neto", escreve o organizador, no prefácio da obra.

publicado no Diario de Pernambuco

terça-feira, 10 de março de 2009

Inscrições para Cine PE batem recorde

A Bertini Produções e Eventos, organizadora do Cine PE, informa que 566 obras audiovisuais se inscreveram nas categorias competitivas. Sçao produções originárias do Nordeste, Sul e Sudeste.

São 99 a mais que na edição anterior do festival. O resultado da categoria curta-metragem deve sair ainda hoje, no fim do dia de hoje. A lista dos longas selecionados será anunciado duas semanas antes do evento começar.

O Cine PE será realizado de 27 de abril a 3 de maio, no Teatro Guararapes, Centro de Convenções de Pernambuco.

De acordo com a produtora, foram 99 inscrições a mais do que na edição passada. Este ano, foram inscritos 399 curtas metragens digitais, 101 curtas em 35mm e 66 longas metragens.

As inscrições de documentários prevaleceram entre os longa-metragens, com 43 títulos contra 23 filmes de ficção. Na mostra de curta-metragens, houve 74 títulos de ficção, 18 documentários e nove animações inscritas.

Cinema na biblioteca



A Fuga das Galhinhas e Kung Fu Panda são as atrações das bibliotecas públicas municipais de Afogados e Casa Amarela, no Recife.

A entrada é franca.

Amanhã (11), A Fuga das Galinhas será exibida na Biblioteca Popular de Afogados (rua Jacira, S/n), em duas sessões – 9h e 14h.

Kung Fu Panda está em cartaz na Biblioteca de Casa Amarela (rua Major Afonso Leal, s/n), às 9h (sessão única).

A programação oferecida pela Secretaria de Cultura do Recife, com o objetivo de tornar os espaços de leitura mais atrativos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Produire au Sud – Recife recebe inscrições até 13 de março

Idealizado com o objetivo de selecionar até oito projetos brasileiros de longa-metragem, o ateliê de produção cinematográfica Produire au Sud (Les 3 Continents, Nantes, França) ocorre pela segunda vez no Recife entre os dias 21 e 24 de abril de 2009. As inscrições foram prorrogadas e agora permanecem abertas até a próxima sexta-feira, 13 de março.

Uma parceria entre a Associação Les 3 Continents, Fundação Joaquim Nabuco, Fundação de Cultura da Cidade do Recife e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), a iniciativa é parte da programação do Ano da França no Brasil (França.Br 2009) e tem o apoio da Culturesfrance, da Embaixada da França, da Aliança Francesa e da Prefeitura de Nantes.

A proposta do Produire au Sud é analisar os elementos necessários para co-produções internacionais (ferramentas jurídicas e financeiras, detalhes dos mercados e dos convênios de co-produção, estratégias de marketing) e oferecer consultorias individuais para cada projeto selecionado. Para tanto, especialistas internacionais, entre produtores e script doctors, participam do ateliê na Fundação Joaquim Nabuco. Ao término, os projetos serão apresentados publicamente num pitching.

Os responsáveis pela seleção serão os membros da equipe do Produire au Sud em Nantes. Cada projeto selecionado participará com dois representantes (o diretor e o produtor).

Para se inscrever, basta ler e preencher o regulamento de acordo com as modalidades de inscrição. Os documentos estão disponíveis para download nos sites das instituições.

Em abril de 2006, houve a primeira edição do projeto do Recife. Entre os oito projetos selecionados, estavam os premiados KFZ-1348, documentário de Gabriel Mascaro e Marcelo Pedroso (PE), e Estômago, ficção de Marcos Jorge (PR).

Acompanhando o Produire ao Sud, vem ao Recife uma pequena amostra do último Festival des 3 Continents. As exibições serão no Cinema da Fundação (Derby), Cinema do Parque (Boa Vista) e Cineteatro Apolo (Bairro do Recife), também entre os dias 21 e 24/04. Na programação, cerca de 15 títulos da edição passada da mostra francesa, realizada entre 25/11 e 02/12/2008 em Nantes. A programação, com curtas e longas, será divulgada em breve.

Informações sobre inscrições:
pasrecife2009@gmail.com / (81) 3073-6689

Teste de elenco para novo filme de Eryk Rocha



A produção do filme Transeunte está selecionando atores entre 60 e 70 anos para compor o elenco do primeiro longa de ficção do diretor Eryk Rocha (Rocha que voa, Pachamama). O prazo para envio de material segue até 4 de abril. Os escolhidos vão interpretar pessoas comuns que circulam pelo centro da cidade, como um funcionário público aposentado, a moradora de rua que vive fazendo profecias, ou o português dono de bar que nunca perdeu o sotaque. Por isso, devem ser rostos desconhecidos do grande público. Informações completas no blog da produção: www.transeunte09.blogspot.com.

sábado, 7 de março de 2009

Tesouro musical

O violeiro, compositor e pesquisador mineiro Roberto Corrêa está de volta ao Recife para apresentação única amanhã, às 19h, no Teatro de Santa Isabel. Será uma noite de emoções, não somente pela erudição com que Corrêa maneja sua viola caipira, mas também pela participação mais do que especial de Jaques Morelenbaum. A união dos músicos deve render ótimos momentos, e encerra a quinta etapa do projeto CircularBR.

Roberto Corrêa nasceu em Minas, mas mora em Brasília há mais de 30 anos. Profundo pesquisador e exímio intérprete da viola caipira (e também da exótica viola de cocho). A última vez em que esteve na cidade foi durante a Mimo 2008, quando o violeiro fez um show de tirar o chapéu com o rabequeiro Siba Veloso. Essa feliz parceria, aliás, rendeu o CD Violas de bronze, que será lançado com show no sábado que vem, no mesmo Teatro de Santa Isabel.

Morelembaum, um dos maiores maestros do país, hoje se divide entre projetos próprios e de parceiros constantes da MPB (assina diversos álbuns de Tom Jobim, Gal, Caetano, Gil, Bethânia e Chico Buarque), e a criação de música para cinema. Seu mais novo trabalho é a composição da trilha sonora do filme Lula - O filho do Brasil, de Fábio Barreto.

"Jaques está achando muito interessante, porque ele nunca tocou dentro desse universo, e Roberto Corrêa é um dos grandes mestres da viola", relata Marcelo Guima, coordenador, diretor artístico e idealizador do projeto patrocinado pela Petrobras. Antes de chegar ao Recife, o grupo formado por Corrêa, Morelembaum, João Egashira (violão) e do Gabriel Levy (acordeon) se apresentaram no Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Aracaju.

Morelenbaum tocará violoncelo em sete músicas do programa, entre composições de Corrêa e clássicos do cancioneiro popular: Odeon, Brejeiro (ambas de Ernesto Nazareth) e Retrato em branco e preto (Tom Jobim e Chico Buarque). Este último, em interpretação solo, será a única exceção em um espetáculo que privilegia a cultura da região Centro-Oeste. Guima explica a essência do projeto: "o Circular é focado em instrumentistas e artistas contemporâneos que mantém forte ligação com a música de sua região".

Desde quando surgiu, em 2006, Circulação e novas parcerias da música instrumental brasileira das cinco regiões do país tem sido a caracterísica do CircularBR. Além do Roberto Corrêa Trio, esta quinta edição, iniciada em novembro, contou com Trio Bonsai (SP), Gabriel Grossi Trio (DF), Zé da Velha e Silvério Pontes (RJ), e os convidados especiais Ulisses Rocha, Raul de Souza e Trio Madeira Brasil. Desta vez não há representantes do Nordeste, mas edições anteriores contaram com shows do Quinteto Violado, do baterista potiguar Di Stefano, e do grupo baiano Jacarandá.

Serviço
Roberto Corrêa Trio e Jaques Morelembaum
Quando: Amanhã, às 19h
Onde: Teatro de Santa Isabel (Praça da República)
Quanto: R$ 5 (R$ 2,50)
Informações: 3232-2939

publicado no Diario de Pernambuco