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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

"O homem que engarrafava nuvens", de Lírio Ferreira, é o preferido da crítica no 19º Cine Ceará


O diretor Lírio Ferreira e a produtora Denise Dummont celebram o prêmio

O prêmio da crítica elegeu O homem que engarrafava nuvens, de Lírio Ferreira, como o melhor longa em competição no 19º Cine Ceará.

Superbarroco, de Daniela Pinheiro, foi eleito o melhor curta na opinião dos críticos.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

"Se nada mais der certo", de José Eduardo Belmonte, é o grande vencedor do 19º Cine Ceará


João Miguel, Caroline Abras e Cauã Reymond, em filme de Belmonte

Acabou agora há pouco a festa de premiação do 19º Cine Ceará.

O resultado consagrou o longa Se nada mais der certo. O filme de José Eduardo Belmonte foi o escolhido em quatro categorias principais: melhor filme, diretor, montagem e ator.

O homem que engarrafava nuvens, de Lírio Ferreira, ficou com os prêmios de melhor roteiro, som, Prêmio Oscarito da Câmara Municipal de Fortaleza e Prêmio BNB.

Em cartaz nos cinemas comerciais, À deriva, de Heitor Dhalia, recebeu o troféu de melhor trilha sonora original.

Entre os curtas, o grande vencedor é Os sapatos de Aristeu, de René Guerra: foi eleito melhor filme, montagem e roteiro.

Superbarroco, de Renata Pinheiro, ganhou dois troféus: melhor direção de arte e melhor ator para Everaldo Pontes.

A seguir, a lista completa.

Mostra Competitiva de Longa-Metragem

Melhor longa-metragem para Se nada mais der certo, de José Eduardo Belmonte; por desenvolver uma linguagem que retrata criativamente a contemporaneidade de uma metrópole onde emergem as contradições e aspirações de jovens em busca de seu destino.

Melhor Direção para José Eduardo Belmonte por Se nada mais der certo; considerando a harmonia com que equilibra os diversos elementos da rica tessitura do filme, a força interpretativa e profundamente humana que imprime a atuação de seu eleito.

Melhor Fotografia para Jorge Crespo por Haroldo Conti – Homo Viator (Argentina)

Melhor Montagem para Frederico Ribeincher por Se nada mais der certo

Melhor Roteiro para Lírio Ferreira por O Homem que Engarrafava Nuvens

Melhor Trilha Sonora para Antônio Pinto por À Deriva

Melhor Som para Zezé Dalice e Waldir Xavier por O Homem que Engarrafava Nuvens

Melhor Direção de Arte para Erick Grass por Os Deuses Quebrados (Cuba)

Melhor Ator para Cauã Raymond por Se Nada Mais der Certo

Melhor Atriz para Annia Bú por Os Deuses Quebrados (Cuba)

Mostra Competitiva de Curta-Metragem

Melhor Curta: Os Sapatos de Aristeu, de René Guerra

Melhor Direção: Gilberto Scarpa por Os filmes que não fiz

Melhor Fotografia: Ivo Lopes por A Montanha Mágica

Melhor Montagem: Vinicius Calderoni por Os Sapatos de Aristeu

Melhor Roteiro: René Guerra por Os Sapatos de Aristeu

Melhor Som: Alessandro Laroca por Silêncio e Sombra

Melhor Direção de Arte: Dani Vilela e Karen Araujo por Superbarroco

Melhor Ator: Everaldo Pontes por Superbarroco

Melhor Atriz: Ceronha Pontes por A Mulher Biônica

Menção Honrosa: Sweet Karolynne, de Ana Barbara Ramos, pela construção de uma narrativa que preserva a pureza e a inocência da personagem, ao mesmo tempo que apresenta a complexidade de seu universo particular.

Melhor Produção Cearense: A Mulher Bionica, de Armando Praça

Melhor Curta da Mostra Fortaleza Verde Imagem: As Crianças e a Mata, de Gerardo Damasceno

Prêmio especial do júri: Coração do Tempo, de Alberto Cortés (México), por unanimidade
Por trazer uma cultura distante do nosso universo e por resgatar memórias e sensações que parecem perdidas.

Prêmio Oscarito da Câmara Municipal de Fortaleza
Pela tenacidade com que mergulhou em seu projeto e conseguiu levá-lo a tela, resgatando a importância de Humberto Teixeira para a Cultura Brasileira, o júri decide outorgar o Prêmio Oscarito da Câmara Municipal De Fortaleza vai para Denise Dumont, do filme O Homem que Engarrafava Nuvens.

Prêmio BNB
O júri de longa-metragem, em concordância com o júri de curta-metragem, decide outorgar o Prêmio Banco do Nordeste do Brasil a Melhor Produção com Temática Nordestina ao filme O Homem que Engarrafava Nuvens, do diretor Lírio Ferreira.

Pitching Globo Filmes – Cine Ceará
Menino no Espelho, de Guilherme Fiuza (MG)

Prêmio Aquisição Canal Brasil
Os Sapatos de Aristeu, de René Guerra

O Júri da Mostra Competitiva de curta-metragem foi presidido por Esdras Rubim e composto por José Acevedo, Lis Kogan, Nirton Venancio e Silvio Toledo.

O Júri da Mostra Competitiva de longa-metragem foi presidido por Wilson Cunha e composto por Steve Solot, Settimio Presutto, Beatriz Bermudez e Gianfranco Annichini.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

20 anos sem Gonzagão // De Exu a Nova York


Byrne: de Psycho Killer ao baião de Gonzaga e Teixeira

A conexão Exu-Nova York pode ser longa, mas foi percorrida com rapidez por Luiz Gonzaga. Ainda nos anos 1940, suas músicas, escritas em parceria com Humberto Teixeira, deram o tom não só da música brasileira. De Peggy Lee a Carmen Miranda, de Dizzy Gillespie a Amália Rodrigues, não foram poucos os artistas a cantar o baião. O apelo era tanto que, nos anos 50 a música Paraíba foi parar no Japão, na voz de Keiko Ikuta.

Os "anos de ouro" do baião há muito se foram, mas não a força da obra gonzagueana. No fim dos anos 60, Frank Zappa promoveu um improvável encontro entre o rock experimental e Gonzagão, que foi sampleado no disco We're only in it for the money.

Atualmente pelo menos duas bandas de forró sediadas em Nova York comprovam o alcance do legado do mais famoso filho de Exu. Uma delas é a Forró For All, mantida desde 1998 pelo sanfoneiro norte-americano Rob Curto, que se apresentou no Recife, durante o São João, e semana passada no Festival de Garanhuns. A outra é Forró In The Dark, que em 2006 lançou o álbum Bonfires of São João com participação especial de Bebel Gilberto e David Byrne.

Byrne escolheu tocar e cantar White wing, ou melhor Asa branca, performance devidamente registrada no último filme de Lírio Ferreira, O homem que engarrafava nuvens. Mais do que músico de longa data (parte dela na liderança do grupo Talking Heads), ele é fundador do selo Luaka Bop, que tem no catálogo artistas brasileiros (entre eles Tom Zé e Os Mutantes) e coletâneas de ritmos tradicionais e contemporâneos, como Brazil Classics, que abre com a faixa O fole roncou, de Gonzaga, e o recente What's happening in Pernambuco?.

Em turnê pela Europa com Brian Eno (hoje se apresentam no Barbican Theatre, em Londres), Byrne respondeu a entrevista a seguir, por e-mail, com mediação da atriz Denise Dummont, produtora do longa de Ferreira e filha de Humberto Teixeira.



Entrevista // David Byrne: "É como brincar de texano com chapéu de cowboy"

Você surpreendeu o público brasileiro tocando baião com o chapéu de cangaceiro. Qual foi a sensação?
É como brincar de texano com chapéu de cowboy. Todo mundo sabe que eu não sou, mas o chapéu, em ambos os casos, é sinal de carinho pelos músicos e compositores regionais. Acredito que no caso de Luiz Gonzaga e Hank Williams é também sinal de empatia com a classe operária do Nordeste brasileiro ou com o Oeste norte-americano.

O que te levou a gravar com o grupo Forró In The dark?
Mauro Refosco e eu tocamos juntos por cerca de 10 anos e me perguntou se poderia colaborar com ele. Foi fácil, porque tínhamos feito um show com Gilberto Gil há alguns anos, onde juntamos minha versão para o inglês de Asa branca com a versão dele. Então Mauro sabia que eu poderia tocar a música. No estúdio, Mauro sugeriu que nós mudássemos juntos alguns acordes. Depois eu coloquei letras nessa parte do arranjo.

Quando surgiu seu interesse por Luiz Gonzaga? Pois além da Tropicália, Mutantes e Bossa Nova, outras músicas daquinão são tão conhecidas na parte de cima do mundo...
Estive na Bahia em meados dos anos 80, na rota para o Festival do Rio, onde apresentei meu filme True stories. Quando estava lá ouvi axé e forró no rádio e gravei alguns programas. Depois, toquei alguns trechos e perguntei às pessoas que tipo de música era aquela e quem estava cantando. Naquela época quase não havia informação em inglês sobre essas músicas (e certamente não tinha internet!). Então o único jeito de descobrir músicas era perguntar. Eu lembro que, alguns anos antes, fui apresentado a Bruno Barreto em uma festa em NY e perguntei a ele sobre os discos de Gil, Caetano e Milton, que tinha adquirido recentemente. Eu também queria saber que espaço esses artistas ocupavam na cultura brasileira. Me apaixonei por suas músicas, mas elas me pareciam boas demais para ser populares, se você me entende...

Há ligação entre sua música e a de Luiz Gonzaga?
Culturalmente estamos bem distantes, embora músicos consigam com frequência encontrar meios de se conectar, superando barreiras sociais.

Você vê conexão entre a cultura do forró e o folclore norte-americano?
Claro. Eu expliquei a Denise que quando eu comecei a entender o que significa Asa branca, imediatamente vi uma ligação entre o Dust bowl ballads que Woody Guthrie cantava nos Estados Unidos. São músicas sobre fazendeiros que precisam sair de suas casas após anos de seca - poderia haver algo mais similar? Aquelas músicas de Guthrie, claro, foram super influentes para Bob Dylan e muitos outros, na medida em que eram planas, melódicas e políticas ao mesmo tempo - da mesma forma, músicas de forró são folclóricas, catchy (ficam na cabeça) e políticas também - ao contar histórias sobre os desvalidos. Veja a letra de uma canção chamada Do re mi - Dó é a primeira nota musical, é claro, mas na gíria americana dough (que tem a mesma pronúncia) também significa pão/dinheiro. Guthrie dá um aviso para os refugiados de Oklahoma ou Arkansas, que deixaram suas terras e foram para a Califórnia começar uma nova vida.

O que você vê de especial, diferente ou peculiar na estrutura musical do forró?
A instrumentação africana, indígena, alemã e portuguesa, tudo isso misturado. Não deveria funcionar, mas funciona!

quarta-feira, 11 de março de 2009

19º Cine Ceará abre inscrições para Mostra Competitiva

A partir de 30 de março estarão abertas as inscrições para a mostra competitiva do 19º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema. Os candidatos podem se inscrever em duas categorias: longa-metragem, de abrangência íbero-americana, e curta-metragem, em que podem concorrer produções nacionais. O evento, que acontece anualmente em Fortaleza, sempre se realizou em abril, mas este ano foi adiado para o período entre 28 de julho e 4 de agosto. O período de inscrições segue até o dia 29 de abril. O regulamento e ficha de inscrição estarão disponíveis no site www.cineceara.com.br.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

20 Curtas da Caravana Farkas no 17º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema



VIRAMUNDO, de Geraldo Sarno, é um dos documentários da mostra especial

A assessoria de imprensa do Cine Ceará divulgou ontem uma programação especial de 20 curtas produzidos por Thomas Farkas entre os anos de 1968 a 1972. Farkas, grande homenageado da edição 2007 do festival, estará presente para falar deste projeto intitulado Caravana Farkas, que percorreu o interior do país na busca de um novo olhar documental para o cinema brasileiro. Geraldo Sarno, diretor do seminal Viramundo, foi um dos jovens diretores que encamparam na missão. Junto de Farkas e Paulo Rufino, percorreram um itinerário de sertões, da Bahia ao Ceará. Abaixo, texto de divulgação da mostra:

Em quatro anos de trabalho em imersão pelo “Brasil Verdade”, de 1968 a 1972, o produtor de filmes e fotógrafo Thomaz Farkas empreendeu uma das mais ousadas façanhas do audiovisual brasileiro, que ficou conhecida como Caravana Farkas. Ao todo, quase 40 filmes compõem o acervo da Caravana, que se caracterizou pela forma inovadora e independente de registrar nuances da vida do povo brasileiro não captadas pelo cinema clássico. No intuito de revelar a essência das pessoas, Farkas enviava jovens cineastas, em pequenas equipes, a todas as regiões brasileiras em busca dessas imagens. Marco na produção documental, a Caravana Farkas consagrou documentaristas como Geraldo Sarno (Viramundo), Maurice Capovilla (Subterrâneos do Futebol), Paulo Gil Soares (Memória do Cangaço), Sérgio Muniz (Rastejador), Guido Araújo (Feira da Banana) e Eduardo Escorel (Visão de Juazeiro).

Mantendo a sua essência itinerante, a Caravana Farkas viaja novamente e chega a Fortaleza (CE), a convite do 17º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema, que acontece de 1 a 8 de junho. O próprio Thomaz Farkas estará à frente da Caravana, uma vez que será o grande homenageado do Festival, quando receberá o Troféu Eusélio Oliveira. Além do reconhecimento pela produção pioneira desse gênero de documentários no Brasil, o Festival chama atenção para a nova linguagem que Farkas trouxe para a produção audiovisual. Thomas Farkas nasceu na Hungria em outubro de 1924 e veio para o Brasil ainda criança, aos cinco anos. Naturalizado brasileiro, iniciou seu trabalho com fotografia em meados da década de 40, e é um dos pioneiros da fotografia moderna brasileira. A partir de 1968 produziu e co-produziu mais de 30 filmes documentários de curta e média-metragem e 8 longas-metragens. Foi professor de fotojornalismo na Universidade de São Paulo (USP) por quase 20 anos, área na qual fez seu doutorado, sobre a produção de documentários no Brasil. Em 2003, foi alvo de um curta-metragem de Walter Lima Júnior, chamado “Thomaz Farkas, brasileiro”.

Confira os filmes que a Caravana Farkas exibirá durante o 17º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema:

1. Hermeto, Campeão, de Thomaz Farkas
2. Vitalino Lampião, de Geraldo Sarno
3. A Cuíca, de Sérgio Muniz
4. O Berimbau, de Sérgio Muniz
5. Todo Mundo, de Thomaz Farkas
6. Viramundo, de Geraldo Sarno
7. De Raízes e Rezas, entre outros; de Sérgio Muniz
8. A Cantoria, de Geraldo Sarno
9. Jaramataia, de Paulo Gil Soares
10. Erva Bruxa, de Paulo Gil Soares
11. Frei Damião – Trombeta dos Aflitos,Martelo dos Hereges, de Paulo Gil Soares
12. Nossa Escola de Samba, de Manoel Horacio Gimenez
13. Os Imaginários, de Geraldo Sarno
14. Visão de Juazeiro, de Eduardo Escorel
15. A Vaquejada, de Paulo Gil Soares
16. Paraíso Juarez, de Thomaz Farkas
17. Jornal do Sertão, de Geraldo Sarno
18. Rastejador, de Sérgio Muniz
19. Memória do Cangaço, de Paulo Gil Soares
20. Viva Cariri, de Geraldo Sarno


• 17º Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema

Local: Fortaleza (CE)

Data: De 1 a 8 de Junho de 2007

Site oficial: www.cineceara.cm.br