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terça-feira, 26 de julho de 2011

Para conhecer o cinema argentino contemporâneo



A recente produção do cinema argentino está em pauta no Cineteatro Apolo. Com entrada franca, a Mostra de Filmes Argentinos começou ontem e segue até a próxima sexta, com sessões de curtas e longas, seguidas de debates. Todos os dias, o roteirista argentino Gualberto Ferrari conversa com diferentes convidados: o crítico e cineasta Celso Marconi (hoje), o professor e documentarista Cláudio Bezerra (amanhã), o crítico e cineasta Luiz Joaquim (quinta) e o crítico e professor Alexandre Figueirôa (sexta). A mediação será do gerente do audiovisual da Prefeitura do Recife, Sérgio Dantas.

Filmes de diretores essenciais do país vizinho estão na programação. “Eles apontam para diferentes tendências”, diz Gualberto Ferrari. “Entre os longas há representantes do cinema comercial de qualidade e também do cinema autoral independente. E os curtas representam o que há de mais novo, feito por diretores premiados nos últimos cinco anos”.

Hoje mesmo, será exibido o oscarizado O segredo dos seus olhos, de Juan José Campanella. Filme noir com elementos de humor, conta a história de Benjamin Esposito (Ricardo Darín), investigador que no fim da carreira retoma caso não solucionado e um amor mal-resolvido com sua comandante (Soledad Villamilde). “Campanella consolidou o cinema industrial na Argentina. Há vários como ele no país, mas ele representa a melhor face dessa produção, baseada no cinema norte-americano”.

De Daniel Burman, As leis de família narra as neuroses de um jovem judeu de Buenos Aires, que procura o equilíbrio entre os papeis, de pai, marido e filho. Mais recentemente, Burman dirigiu Dois irmãos, outro belo tratado sobre relações familiares.

Autora mais importante do atual cinema argentino, Lucrécia Martel se revelou no começo da década passada, com o longa O pântano. Logo depois dirigiu A menina santa, produção co-assinada por Pedro Almodóvar, exibida na mostra oficial do Festival de Cannes e que apresenta uma adolescente de família conservadora, cuja vocação é ajudar homens atormentados como o médico que se hospeda no hotel de sua família. De Marcelo Piñeyro (também diretor de Kamchatka), Prata queimada narra a empreitada de um casal de matadores gays, que se metem em ambicioso assalto na Buenos Aires dos anos 1960.

Para Gualberto, a boa fase do cinema argentino está diretamente ligada à liberdade criativa de seus realizadores. “Tudo é feito sem grandes patrocínios. A produção cresceu muito, principalmente os filmes de ficção, que tem evoluído em roteiros e atores específicos para cinema, que antes, migravam para outros países”.

A Mostra de Filmes Argentinos também inaugura uma nova fase para o Cinema Apolo, que pela primeira vez após a mudança de gestão promove uma mostra especial. De acordo com Sérgio Dantas, até o final do ano, além de outras mostras temáticas, o Panorama Recife de Documentários retorna ao calendário da cidade.

Programação

Terça, 19h
Curta: Murana (2010), de Sebastian Palacio
Longa: O segredo dos seus olhos (2009), de Juan José Campanella
Debatedores: Gualberto Ferrari e Celso Marconi

Quarta, 19h
Curta: Entreluces (2006), de Maximiliano Schonfeld
Longa: As leis de família (2006), de Daniel Burman
Debatedores: Gualberto Ferrari e Cláudio Bezerra

Quinta, 19h
Curta: Medianeras, (2005), de Gustavo Taretto
Longa: A menina santa (2004), de Lucrecia Martel
Debatedores: Gualberto Ferrari e Luiz Joaquim

Sexta, 19h
Curta: Rosa (2010), de Monica Laraina
Longa: Prata queimada (2000), de Marcelo Piñeyro
Debatedores: Gualberto Ferrari e Alexandre Figueirôa

(Diario de Pernambuco, 26/07/2011)

domingo, 17 de julho de 2011

Uma arte de projeção


Joselito Gomes, há 13 anos projecionista do Cinema da Fundação

Praticamente invisíveis, eles estão ali, cuidando da sua sessão de cinema. Apesar de serem lembrados somente quando o filme falha, um atestado recente da importância dos projecionistas está em carta enviada pelo diretor Terrence Malick, que recomendou aos projecionistas normas de afinação do equipamento para exibir seu novo filme, A árvore da vida.

Há 15 dias, Michael Bay fez o mesmo para garantir que seu Transformers 3 não perdesse em virtude da luz filtrada pelos óculos 3D. Neste fim de semana, a produtora de Harry Potter também indicou parâmetros para sua correta exibição. A preocupação procede, já que nos últimos anos o que temos visto é a multiplicação de salas de shopping, que se preocupam mais com qualidade da pipoca do que com as condições em que os filmes são exibidos.

No Recife, poucos projecionistas “à moda antiga” estão em atividade. Com o fim dos cinemas de rua, nos quais se alternavam operadores com décadas de experiência, acabou-se também o romantismo da profissão. A gradual digitalização das salas é outro fator que aponta para o acanhamento da função. Assim como diminui a interação com o público e com o próprio filme a ser exibido, há menos intimidade com a maquinaria.

Thiago Augusto, projecionista do UCI Ribeiro Casa Forte, vê nesse distanciamento um processo de alienação. “A gente tem alcance limitado para mexer no equipamento, quando precisa tem que acionar a manutenção especializada. Além de ter um custo para o cinema, o projecionista fica de mãos atadas”.

Para Joselito Gomes, que trabalha no Cinema da Fundação, no futuro próximo bastará alguém que saiba apertar botões, já que a projeção digital se resume a acionar aparelhos pré-ajustados. “Uma sala de shopping com 12 salas desempregou 11 projecionistas. Para quem está começando talvez isso seja um sofrimento, porque esta é uma profissão que apaixona”. O segredo para uma boa projeção? “Tem que ter sensibilidade e estar atento, senão o público deixa de prestar atenção no filme para reparar nos problemas”.

Joselito começou no extinto complexo Trianon - Art Palácio. Em 1998 foi para o Cinema da Fundação, por indicação do falecido Seu Alexandre (Moura), que não pôde assumir pois já trabalhava no Cinema Arraial. “Aprendi olhando. Fui contratado como mecânico do ar-condicionado, mas era rato de cabine. Chegava mais cedo e treinava, fui pegando o jeito até que chegou um tempo em que o projecionista ia dormir e eu ficava fazendo o serviço dele”.

Depois de contratado, Joselito testemunhou várias situações inusitadas – outras apimentadas – mais nada como o dia em que, durante sessão superlotada de Rambo 3, o público quebrou tudo, até as poltronas. “O gerente quis exibir uma cópia para duas salas. Como o rolo não chegou a tempo no outro cinema, o público protestou. Teve gente que até arrancou a camisa”.

Antes de trabalhar no Apolo, Luciene Arruda começou a carreira no UCI Ribeiro Recife. “Queria trabalhar na bomboniere, mas como tenho curso de eletrotécnica, me escalaram para a cabine. Quando entrei, fiquei horrorizada e quis desistir, eram dez máquinas!”. As condições de trabalho também não eram as melhores. “Lá você não respira, não para pra comer, até ir ao banheiro é complicado”.

Luciene é uma das poucas - se não a única - representante feminina numa profissão tradicionalmente masculina. "Sou uma enxerida", se classifica. "Eles dizem que eu sou pequena demais pra subir e descer escada com os rolos, mas pra trabalhar direito, precisa é disso aqui", diz, apontando para a cabeça.

Thiago Augusto, que já trabalhou no Box Guararapes, compartilha a opinião. “É bem cansativo. Acontecia muito de ficar sozinho nas 12 salas. Não sei como o Box está hoje, mas na época foi bem difícil”. Chamado para o UCI Casa Forte, Thiago chegou a trabalhar na montagem das salas. “Como eu comecei com a carga pesada no outro complexo, tiro as cinco salas de letra. E em termos técnicos, o Casa Forte é o paraíso dos projecionistas”.

Vidas dedicadas ao cinema - Os projecionistas entrevistados pelo Diario concordam que esta é uma profissão apaixonante. O que mais justificaria vidas inteiras dedicadas, inclusive fins de semana madrugadas adentro? Paulo Bezerra Bento, o mais antigo em atividade no Recife, começou como zelador no Cine Nossa Senhora de Fátima, em Paratibe e passou por vários outros desde então. “É uma profissão muito esquecida, as condições não são ideais”. Lá de cima, na cabine, ele disse que já viu de tudo. “Casal que namora, gente que dança, bate palma. Já vi até soltar bomba de São João”.

Já André Viana, assumiu o cargo do projecionista do antigo Cine Ribeira, pois o titular havia tomado uma cachaça na noite anterior. Anos depois, quando começou a trabalhar no Cine Floriano (onde hoje funciona uma igreja), nem poderia imaginar que ali, entre uma sessão e outra, iria conhecer a mulher com quem está casado há 25 anos. “A irmã era funcionária e a família dela estava sempre por lá”. Sem esconder a tristeza, ele lamenta não ter tido condições para ficar mais tempo perto da família. “Sustentei meus filhos com essa profissão. Mas não pude estar mais presente”.

Categoria quer mais reconhecimento - No circuito comercial, o salário de um projecionista está longe de corresponder à responsabilidade de sua profissão. Não há um sindicato próprio, o que diminui sua força com os patrões. “Só sei das reclamações, nunca dos elogios”, afirma Thiago Augusto que, da solidão de sua cabine, diz se sentir sozinho. “Muitas vezes nossa voz não é ouvida. As preocupações são outras, pois bilheteria é o menor dos lucros, o grosso vêm dos produtos vendidos na bomboniere. É com isso que eles se preocupam”.

Estudante de história, Thiago participa de um movimento para organizar um sindicato. “A insatisfação é grande. O salário não é ajustado há anos, a gente ganha no contracheque R$ 670. Tem gente lá embaixo vendendo pipoca que ganha mais do que a gente. Esse sentimento de estagnação leva a gente a pensar em procurar coisa melhor”. E não só Thiago tem outros planos para a carreira. Seus colegas também. “Todos adoramos aquele trabalho, é um emprego tranquilo. Mas estamos procurando outras coisas. É uma pena, pois é uma profissão bonita, é prazeroso promover uma sessão perfeita pra quem está assistindo”.

Para preparar novos profissionais, a Fundação Joaquim Nabuco tem o projeto de oferecer, em parceria com a Fundarpe, um curso de capacitação em que Joselito e Luciene fossem os professores. No entanto, o projeto ainda não saiu do papel.

O ranking dos projecionistas

Joselito Gomes
Dançando no escuro
Buena Vista Social Club
Irreversível
Gandhi
O último imperador

Paulo Bezerra Bento
Os dez mandamentos
Ben Hur
A noiva
O Corcunda de Notre Dame
... E o vento levou

André Tadeu Viana
Dio como te amo
Dirty dancing
A força do destino
O cobra

Luciene Arruda
O rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas
Amistad
Julie & Julia
O discurso do Rei
Piaf

Thiago Augusto
Bastardos inglórios
Cisne negro
A conquista da honra
Bravura indômita
Meia-noite em Paris

Orientações de Terrence Malick para os projecionistas

1. O filme deve ser projetado no formato 1.85:1;
2. Por não conter créditos de abertura, “as luzes devem ser apagadas antes do frame inicial do primeiro rolo de filme”;
3. Coloque o Fader dos sistemas Dolby e DTS em 7.5 ou 7.7 (maior que o padrão 7);
4. As lâmpadas de projeção devem estar em "funcionamento padrão" (5400 Kelvin) e que o nível Foot-Lambert [medida de luminosidade comum nos EUA] esteja no “padrão 14”

(Diario de Pernambuco, 17/07/2011)

domingo, 27 de março de 2011

Em busca do cinema perfeito



O Recife conta com 47 salas de cinema. Um parque de exibição e tanto, se comparado com o de 15 anos atrás, quando poucos cinemas de rua restavam na cidade. Hoje podemos assistir a filmes projetados com a última palavra em tecnologia digital, a definição 4K, duas vezes maior do que o Full HD. Ou ao filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Entre tantas opções, escolher a sala certa pode ser um tiro no escuro. Cada uma tem qualidades e problemas e cabe ao espectador adequar necessidades e realidades.

Ir ao cinema é coisa cara - ingressos chegam até a R$ 23 e nada mais justo que exigir um serviço à altura. Em busca da sala perfeita, a reportagem do Diario visitou todos os cinemas do Recife - e não a encontrou. Há sempre o que melhorar, até mesmo entre os que estão próximos da excelência. Nosso test drive confirmou o que já era consenso: o complexo UCI Kinoplex Casa Forte tem a melhor infraestrutura e é tecnicamente impecável. Ficou ainda melhor desde janeiro, quando chegou o projetor Sony 4K, capaz de exibir em 2D ou 3D com ótimo resultado.

´Gosto daqui porque tem mais conforto e é mais moderno que os outros. Só não gosto tanto das poltronas, as do Box são melhores`, diz o estudante de pós-graduação Marcone Madruga. ´O Plaza é ótimo. Antes eu pegava uma fila para pagar e outra para sentar. Alguns cinemas da cidade têm cheiro de mofo e pouco espaço para sentar`, diz a economista Maíra Cavalcanti.

Há pouco tempo, os complexos Recife (Boa Viagem) e Tacaruna (Santo Amaro) passaram por melhorias e já ostentam a marca Kinoplex. Mas, com exceção das salas digitalizadas (duas em cada), o make up que reformou cadeiras, piso e modernizou terminais de atendimento não chegou à imagem e som.

O esmero da exibição faz falta na maioria das salas, comerciais ou independentes. Mês passado, a sala 2 do UCI Tacaruna exibiu O discurso do rei com som tão ruim que parecia radinho de pilha. Ontem, a mesma sala exibiu Bruna Surfistinha com som adequado, o que comprova erro operacional no passado. É comum filmes chegarem à tela com bordas borradas, chiados, som restrito às caixas frontais, imagem turva ou desfocada e outras imperfeições. Ou seja falta manutenção e outros cuidados.

Com exceção das salas acima citadas, todas precisam de algum tipo de reforma. A mais urgente é a do Cine Rosa e Silva, que apesar da ótima iniciativa de unir filmes comerciais e ´de arte`, faz tempo que deve a seu público um upgrade. De acordo com a direção do cinema, há planos de reforma das três salas, mas ainda sem cronograma definido.

O mesmo ocorre com o Box Guararapes, um ótimo cinema que carece de mais atenção dos administradores. Apesar da reforma recente, não há guias luminosos em corredores e escadas. Na sala 3D, há uma sombra permanente na parte esquerda da tela. Durante nossa visita, a sala THX (7) exibia Bruna Surfistinha com um som de dar dó. A assessoria do grupo informa que ainda neste ano serão instalados totens de autoatendimento e mudanças no foyer, incluindo iluminação moderna.

2012 é a data para o Multiplex BoaVista se tornar Kinoplex. Antes disso, em junho, um novo estacionamento abre no shopping, com mil vagas a mais. Enquanto isso, problemas são comuns. ´É um bom cinema, mas não se pode comparar com os outros`, diz Fernando Teixeira, engenheiro.

Cinema da Fundação - a melhor sala alternativa

À margem do circuito comercial, salas independentes agonizam. Grandes distribuidoras preferem grandes exibidores. De forma que pequenas salas precisam esperar a vez para reprisar o que já foi exibido pelos complexos de shopping. É o último estágio da cadeia de exibição - veja o caso do Cinema Apolo (em cartaz, Bravura indômita) e do Cinema São Luiz (De pernas pro ar e Enrolados), antes dos filmes serem lançados em DVD.

Caso à parte é o Cinema da Fundação, uma das poucas do Brasil a manter padrões de qualidade técnica, de conforto e no trato com o público. ´É um cinema público que tem uma imagem melhor que a dos cinemas comerciais, que cobram o dobro para exibir filmes lançados em escala mundial, sem oferecer em retorno um serviço à altura`, diz Kleber Mendonça Filho, programador da sala ao lado de Luiz Joaquim. Ele informa que, ainda neste ano, o sistema de som atual, analógico, será substituido por um sistema digital. ´A projeção está boa, mas queremos ela perfeita`.

O Cine São Luiz é mantido pelo estado e é um dos poucos cinemas de rua a funcionar no país. É de longe o cinema mais bonito da cidade e ainda aguarda direcionamento programático que o leve a uma identidade própria. Aos poucos, o público volta a frequentá-lo. ´É o meu cinema preferido. Ele tem história, enquanto cinemas de shopping não têm alma, são só uma tela e uma cadeira`, diz a agente ambiental Schirleide dos Santos Silva.

Tecnologia melhorou projeção

Enquanto isso, no reino do 3D, as opções têm melhorado. Até o ano passado, eram duas salas na cidade. Hoje são seis. As mais recentes são também as mais interessantes: as salas 1 e 10 do UCI Recife, 1 e 8 do Tacaruna e 5 do Casa Forte. São as mesmas que oferecem projeção 4K, da Sony.

O 3D destas salas também é melhor, não somente porque a tecnologia superior evita o efeito ´estrobo`, que cansa e causa enjoo em algumas pessoas. Mas porque os óculos são mais leves e higiênicos - todos passam por esterilização em água quente, sabão especial e são entregues ao público em embalagem de plástico. Não é o caso dos óculos do Box Guararapes (sistema Xpand), entregues à reportagem com manchas nas lentes e sem bateria. Em segunda tentativa, o aparelho falhou algumas vezes durante a sessão.

Especialista em cinema digital, o carioca Daniel Leite diz que a projeção das salas locais são superiores do que as do Rio de Janeiro. ´Se calibrados corretamente, esses aparelhos garantem que o filme seja visto da forma original. Ao contrário da película, que desbota a cor e arranha após certo número de projeções`. Ele atribui a qualidade da imagem projetada por esse equipamento mais ao fato dele ser novo do que pela alta definição obtida. ´Estudos afirmam que o olho humano não é capaz de perceber a diferença entre o Full HD (1920 x 1080 pixels) e o 4K (4096 x 2.160). Mas o grande trunfo da indústria do cinema é oferecer algo que ainda não temos em casa`.

Com a palavra, os cinéfilos - Além da investigação in loco, convidamos profissionais de cinema e cinéfilos de plantão para eleger o melhor cinema da cidade. O resultado, unânime, foi o Cinema da Fundação. Sinal de que, apesar de todas as inovações técnicas e confortos possíveis, a qualidade da programação e o cuidado com a exibição dos filmes são requisitos essenciais para fazer um bom cinema. Para justificar suas decisões, também pedimos para nossos especialistas explicarem seus critérios, sendo a categoria ´melhor cinema`, uma média das demais.

Leo Sette cineasta

Melhor cinema: Cinema da Fundação
Melhor sala de shopping: UCI Casa Forte
Melhor sala alternativa: Cinema da Fundação
Melhor projeção: Cinema da Fundação
Melhor som: UCI Casa Forte
Melhor programação: Cinema da Fundação
Sala mais confortável: Cinema da Fundação
Melhor atendimento: Cinema da Fundação

Acho muito desconfortável ter que pagar estacionamento, sentir cheiro e ouvir barulho de pipoca. Ter que andar pelos corredores do shopping para poder ver um filme, fora o preço alto dos ingressos. É importante apontar o problema sério que é a projeção das salas da prefeitura, o Cinema do Parque e Apolo. O projecionista de lá não tem o menor espírito de cinema, faz de qualquer jeito e não aceita críticas, é super mal-educado. Ele erra janela, foco, conversa e ri alto durante a projeção ao ponto de se poder ouvir da sala às vezes. Todo mundo já faz piada, apesar do carinho que temos pelas salas.

Tomaz Alves compositor de trilhas sonoras

Melhor cinema: Difícil responder essa. Seria mais fácil dizer os piores
Melhor sala de shopping: UCI Casa Forte
Melhor sala alternativa: Cinema da Fundação
Melhor projeção: UCI Casa Forte
Melhor som: UCI Casa Forte
Sala mais confortável: UCI Casa Forte e Cinema da Fundação
Melhor atendimento: UCI Casa Forte

É uma pena que o hábito de ir ao cinema, para muita gente, não passa de mais uma coisa que se pode fazer no shopping. Isso porque quase todas as salas são de shopping. E aí fica o meu maior incômodo: a sujeira. As salas estão muito sujas, com exceção do Cinema da Fundação, onde se proíbe entrar com comida, e do Plaza, porque ainda é novo. Fora outros problemas como má projeção, defeitos de som. A única sala que eu continuava frequentando era o Box Guararapes, mas um dia cheguei até a ver foto de ratos na sala do cinema - um cara postou no Twitter. Foi o fim da picada!

Rodrigo Carreiro professor e crítico de cinema

Melhor cinema: Cinema da Fundação
Melhor sala de shopping: UCI Casa Forte 5
Melhor sala alternativa: Cinema da Fundação
Melhor projeção: UCI Casa Forte 5
Melhor som: Box Guararapes 5
Melhor programação: Cinema da Fundação
Sala mais confortável: Box Guararapes

No geral a qualidade das projeções é apenas razoável: o som digital se desgasta muito rápido, a maior parte das salas do UCI Recife e Tacaruna tem apenas quatro canais de áudio e a manutenção dos projetores anda vacilando. Projeções muito escuras são quase uma rotina. Nesse sentido o Plaza (por ter instalações mais recentes, talvez) e o Box Guararapes me parecem os complexos mais preparados para projeções de boa qualidade. A menção ao Cinema da Fundação é obrigatória e eu destacaria o conforto alcançado após a reforma, e não apenas dentro da sala, mas no programa como um todo.

Fernando Vasconcelos designer e crítico de cinema

Melhor cinema: Cinema da Fundação
Melhor sala de shopping: UCI Plaza Casa Forte
Melhor sala alternativa: Cinema da Fundação
Melhor projeção: UCI Recife 1 (Digital 4K)
Melhor som: UCI Recife 1 (Digital 4K)
Melhor programação: Cinema da Fundação
Sala mais confortável: UCI Plaza Casa Forte
Melhor atendimento: Cine Rosa e Silva

Melhor projeção e som, me refiro à sessão cabine de Invasão do mundo, visto no UCI Recife. Melhor atendimento, me refiro à gerência e funcionários do Cine Rosa e Silva, por serem muito atenciosos, informados e educados. Faz muita diferença, apesar do cinema ser deficiente tecnicamente em relação aos demais. Cabe um comentário sobre a péssima programação atual do São Luiz, que voltou depois do recesso de fim de ano com a pior programação da cidade, reprisando os piores filmes vindos dos multiplexes.

Clara Moreira arquiteta e ilustradora

Melhor cinema: Cinema da Fundação
Melhor sala de shopping: UCI Casa Forte.
Melhor sala alternativa: Cinema da Fundação
Melhor projeção: UCI Casa Forte
Melhor som: UCI Casa Forte
Melhor programação: Cinema da Fundação
Sala mais confortável: UCI Casa Forte
Melhor atendimento: Cinema da Fundação

Predomina nos shoppings um grande descaso com as sessões de cinema. O problema mais recorrente e mais aparente é a projeção - geralmente escurecida ou levemente desfocada. Na última vez que fui ao Cine Rosa e Silva, além da projeção escurecida e do foco desajustado, tinha uma região da tela que estava ainda mais desfocada que o resto, durante todo o filme. Sente-se claramente a preocupação dos que fazem o Cinema da Fundação para fazer o melhor em termos de programação, imagem e som, com um projecionista realmente preocupado em fazer o melhor.



Conheça o parque exibidor do Recife:

Box Cinemas Guaararapes. 12 salas; inaugurado em 2004. Projeção 35mm e digital Rain com lâmpada de 3 mil e 6 mil watts (salas 5, 6 e 7); som Dolby digital e analógico; funciona diariamente; café, bomboniére (dinheiro e débito) e estacionamento; acesso para cadeirantes; banheiro infantil; bilheteria: dinheiro e débito.
Endereço: Av. General Barreto de Menezes, 800 - Shopping Guararapes (Piedade).
Telefone: 3207-1212.

Cine Rosa e Silva. 3 salas; inaugurado em 1997; lotação: 371; média mensal de público: 11.992 espectadores; projeção 35mm com lâmpadas de 2 mil watts; áudio: Dolby CP45; bomboniére (só dinheiro) e estacionamento; acesso para cadeirantes. bilheteria: dinheiro e débito.
Endereço: Av. Rosa e Silva, 1406 (Aflitos).
Telefone: 3207-0100.

Cinema Apolo. 1 sala; inaugurado em 1842 (como teatro); lotação 282; projeção 35mm; áudio: Dolby analógico; bilheteria: dinheiro.
Endereço: Rua do Apolo, 121 (Recife Antigo).
Telefone: 3355-3118.

Cinema da Fundação. 1 sala; inaugurado em 1998; lotação: 200 pessoas; média mensal de público: 2,5 mil pessoas; projeção 35mm e digital Rain com lâmpada de 2 mil watts; som Dolby 4.1; aberto de terça a domingo; café e bomboniére (dinheiro, débito e crédito); bilheteria: somente dinheiro.
Endereço: Rua Henrique Dias, 609 (Derby).
Telefone: 3073-6688.

Cinema São Luiz: 1 sala com balcão; inaugurado em 1952 (reinaugurado em 2010); Lotação: 992; média mensal de público: 4 mil espectadores; projeção 35mm com lâmpada de 3 mil watts; som Dolby Stereo; aberto de terça a domingo; Acesso para cadeirantes; Bilheteria: somente dinheiro.Endereço: Rua da Aurora, 175, Boa Vista.Telefone: 3184-3000.

Multiplex Boa Vista. 6 salas; inaugurado em 2003; lotação: 887; média mensal de público: 44 mil espectadores. Projetores 35mm; som Dolby stereo analógico; aberto diariamente; bomboniére (dinheiro e débito) e estacionamento; acesso para cadeirantes; sanitário infantil; bilheteria: dinheiro e débito.
Endereço: Shopping Boa Vista (Rua do Giriquiti, 48 - Boa Vista).
Telefone: 3184-3000.

UCI Kinoplex Casa Forte (Shopping Plaza). 5 salas; inaugurado em 2007. Lotação: 957 pessoas. Média mensal de público: 54.930 espectadores. UCI Kinoplex Shopping Recife (Boa Viagem). 10 salas; inaugurado em 2000.
Lotação: 2.187 espectadores. Média mensal de público: 92.528 pessoas. UCI Kinoplex Shopping Tacaruna (Santo
Amaro). 8 salas; inaugurado em 2000. Lotação: 1.378 espectadores. Média mensal de público: 62.803 pessoas. Projetores 35mm, 3D e 4K. Som Dolby digital e analógico. Aberto diariamente. Bomboniére (dinheiro, crédito e débito) e estacionamento. Acesso para cadeirantes; Bilheteria: dinheiro, crédito e débito.
Telefone: 3207-0000.

(Diario de Pernambuco, 27/03/2011)

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O bom momento do circuito local

No Recife há salas públicas e projetos mantidos por cinemas privados que formam um circuito paralelo de exibição. Algumas exibem filmes inventivos, estranhos, surpreendentes ou experimentais. Outras exibem filmes do circuito comercial, cujo acesso normalmente custaria até R$ 20, por módicos R$ 4.

Há pouco mais de dez anos, a realidade não era tão animadora. Na época, uma matéria escrita pelo crítico Luiz Joaquim (www.cinemaescrito.com), mapeou na cidade apenas três espaços do tipo. Desde 2001 programando os filmes do Cinema da Fundação ao lado de Kléber Mendonça Filho, Joaquim diz que o começo não foi fácil. Em 1998, quando a sala se tornou exclusiva para projeção de filmes, o público anual foi de 8 mil pessoas.

“Naquele tempo a gente precisava se apresentar e ganhar a confiança dos distribuidores. Já chegamos a exibir filme para apenas uma pessoa e nem por isso desistimos ou resolvemos passar Batman. Hoje temos a liberdade de escolher os filmes dentro do nosso critério de interesse”.

E foi através desse critério que a sala conquistou público fiel. Em 2010, 60 mil bilhetes foram vendidos. "Atualmente não podemos exibir todos os filmes que desejamos e acho que há uma demanda para eles. Como espectador, penso que deveria haver mais espaços de exibição para estes filmes"

Kleber Mendonça rejeita o rótulo de “cinema de arte” ou “cabeça” para classificar a programação do Cinema da Fundação, que já exibiu produções de Hollywood sem causar espanto. "Consideramos importantes alguns exibidos em cinemas comerciais, mas nem por isso vamos ajoelhar e rezar de acordo com a cartilha do mercado”.

O Recife também conta com dois cinemas municipais, sendo que um deles, o quase centenário Cinema do Parque, está fechado para reforma. Sérgio Dantas, atual gerente de audiovisual da Fundação de Cultura da Cidade do Recife (FCCR), diz que o Cinema Apolo vai combinar filmes autorais e mostras temáticas que começam com Godard, Herzog, Fellini, Polanski e David Lynch. “Também queremos apresentar a produção do Recife”, diz Dantas.

O Panorama Recife de Documentários também voltará à pauta do dia. Enquanto o Parque está em reforma, a prefeitura estuda a possibilidade de transferir o equipamento de projeção para o Teatro Barreto Junior, no Pina. “É uma reivindicação do bairro. Queremos que tenha o perfil popular do Parque. Talvez no futuro poderemos contar com três equipamentos”.

Nos cinemas privados também há espaço para filmes pequenos e notáveis. Das três salas do Cine Rosa e Silva, uma é exclusiva para eles. “Quis trazer um público diferente, com tom autoral e conciliar com o cinema comercial. Esta semana (começo de fevereiro) programamos Cisne negro, que acho que está dentro dessas duas vertentes”, diz a programadora Carol Ferreira.

Outro projeto especial é a Sessão de Arte do grupo UCI/Ribeiro, promovida há 15 anos por Pedro Pinheiro. “É uma forma de dar mais opção ao espectador que vai ao multiplex. Às vezes o público é pequeno, mas isso contribui para aumentar a qualidade da programação”.

Destino incerto para o Cinema São Luiz



Ano passado, o Recife teve o privilégio de ter de volta o Cinema São Luiz. A histórica sala, inaugurada em 1952 no centro da cidade, tinha tudo para se tornar igreja ou supermercado. Em vez disso, foi restaurado pelo governo estadual e hoje é um dos poucos cinemas de rua do país. No entanto, em termos de programação, o São Luiz viveu um 2010 conturbado pois se tornou um “pomo da discórdia” entre a Fundarpe, que gerencia o equipamento, e o então programador Lula Cardoso Ayres, destituído do cargo desde janeiro.

Durante seu mandato, Lula foi abertamente contra a exibição de filmes que já passaram pelo circuito comercial, assim como a sequência de eventos e festivais abrigados pelo local. Procurou lançar filmes inéditos na cidade e promoveu a Sessão Cinemateca, o que atraiu um público pequeno, mas fiel e ávido para assistir clássicos em 35 mm.

Enquanto o presidente da Fundarpe, Fernando Duarte, decide quem será o novo programador, os filmes são escolhidos pela coordenadora de cinema Carla Francine e o gerente do São Luiz, Cristiano Régis. “O público é o nosso termômetro. Começamos bem 2011, com Tropa de Elite 2, e vamos manter Megamente na matinê infantil”, diz Régis.

Desde que foi reinaugurada, a sala contabiliza mais de 50 mil pessoas em sessões normais, o que não inclui os projetos educativos CineCabeça, festivais e eventos - só o Festival Internacional de Cinema Infantil (Fici) realizado em outubro passado, atraiu quase 14 mil pessoas. “Isso está sendo bem positivo e atende a uma demanda real que observamos no cinema”, diz Carla Francine.

Geraldo Pinho, que já foi programador dos cinemas do Parque e Apolo, diz não enxerga problema algum em conciliar os dois perfis. “Não tenho preconceito com isso. No Parque eu cheguei a exibir 14, 15 filmes inéditos por ano, além de uma mostra de cinema iraniano. Mas boa parte era de filmes já exibidos na cidade. Costumava dizer que eles eram inéditos, pois se não passou no Parque, nosso público não tinha assistido”.

Serviço

Cinema da Fundação (200 lugares). Rua Henrique Dias, 609 - Derby. Ingressos: R$ 8 e R$ 4 (meia). 3073-6688.

Cinema Apolo (282 lugares) - Rua do Apolo, 121 - Recife Antigo. Ingressos: R$ 4 e R$ 2. 3355-3118.

Cinema do Parque (900 lugares - fechado para reforma) Rua do Hospício, 81 - Boa Vista. R$ 1. 3355- 3113.

Cines Rosa e Silva (127 lugares). Av. Rosa e Silva, 1406, Aflitos). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). 3207-0100.

Cinema São Luiz (900 lugares) Rua da Aurora, 175 - Boa Vista. R$ 4 e R$ 2.

(Diario de Pernambuco, 06/02/2011)

segunda-feira, 22 de março de 2010

Cinema contra a intolerância


Paulette (Brigitte Fossey), a garota órfã de Brinquedo Proibido

O Cinema Apolo recebe a partir de hoje uma mostra de filmes especialmente escolhidos para promover o debate sobre a cultura da paz e tolerância às diferenças. A programação faz parte do Projeto Paralelos - Somos todos humanos, criado pelo ator Germano Haiut.

As sessões são gratuitas e incluem obras-primas do cinema como Brinquedo proibido (Jeux interdits, França, 1952), de René Clément e Noite e neblina (Nuit et Brouillard, França, 1955), em que Alain Resnais revisita os campos de concentração abandonados e inclui imagens de arquivo gravadas durante a atividade nazista.

A maior parte desta seleção remete aos horrores do nazi-fascismo e suas consequências, mas o foco maior é discutir o fenômeno da intolerância na sociedade contemporânea, tema que o projeto continuará investigando nas próximas edições. "Os filmes são atemporais, pois dizem respeito às minorias. Queremos lembrar a intolerância como uma constante na nossa história, pois hoje há o holocausto no Sudão, na Palestina, no Santo Amaro", diz Haiut.

Nesse sentido, contribui muito o filme Escritores da liberdade (Freedom Writers, EUA, 2007), de Richard LaGravenese. Nele, a atriz Hillary Swank faz o papel de uma professora idealista que ensina cidadania a alunos que enfrentam problemas raciais e a violência na periferia de Los Angeles, nos anos 1990. "Esse filme devia passar em todas as escolas para adolescentes", diz o idealizador do projeto.

A seleção foi feita por Haiut, em parceria com as produtoras Tatiana Braga e Sarah Hazin, "uma representando os judeus e outra os árabes", brinca Haiut, ele mesmo de família judaica - seu pai, Josef Haiut, vivia na Romania (atual Moldávia) e foi naturalizado brasileiro em 1935. "Os familiares que ficaram na Europa foram extintos na Segunda Guerra", conta Haiut. Além dos filmes acima citados, ele destaca Arquitetura da destruição, com narração do ator Bruno Ganz, que já interpretou Adolf Hitler no filme A queda, de 2003

A mostra de cinema inaugura a terceira fase do Projeto Paralelos,que começou em janeiro com a exposição Anne Frank - uma história para hoje, disponível na Galeria BNB/MinC Regional Nordeste (Rua do Bom Jesus, 237 - Recife Antigo) e antes circulou em diversos países. Outra exposição - esta, montada na Casa da Fundação Safra (Rua do Bom Jesus, 191) - é Desenhos das crianças de Terezín, com obras de crianças que viveram num campo de concentração da antiga Tchecoslováquia. As duas exposições foram vistas por cerca de 5 mil pessoas e contaram com a presença do presidente Lula, que visitou as exposições no Dia Internacional em Memória Às Vítimas do Holocausto.

"O holocausto não foi só na câmara de gás. Vivemos num país com um dos maiores índices de desigualdade do mundo. As políticas sociais existem, mas quando vamos para qualquer bairro menos privilegiado, dá pra sentir que ainda falta muito", afirma Haiut, que para provocar debates, convocou palestrantes que coordenarão as conversas com o público, além de representantes das polícias Civil e Militar, escolas públicas, universidades, Corpo de Bombeiros, ONGs e representantes ligados à defesa das minorias estão sendo especialmente convidados pela organização. Na semana que vem, o programa se repete, com novos debatedores.

As atividades do Projeto Paralelos seguem até o próximo dia 31, quando será lançado o livro Dossiê Ditadura - Mortos e desaparecidos políticos no Brasil - 1964 a 1985 (Imprensa Oficial, R$ 60), organizado por Criméia de Almeida, Janaina de Almeida Teles, Suzana K. Lisboa e Maria Amélia Teles.

Mostra de Cinema do Projeto Paralelos

Hoje
14h30 - O Diário de Anne Frank, de George Stevens (debate com Sandro Coza Sayão)
18h - Arquitetura da destruição, de Peter Cohen (debate com Jorge Zaverucha)

Amanhã
14h30 - Escritores da liberdade, de Richard La Gravenese (debate com Genilson Marinho)
18h - Noite e neblina, de Alain Resnais (debate com Jorge Benvenuto)

Quarta-feira
14h30 - O menino do pijama listrado, de Mark Herman (debate com José Mário Austregésilo)
18h - Brinquedo proibido, de René Clément (debate com Dr. José Paulo Cavalcanti Filho)

Segunda-feira (29 de março)
14h30 - O Diário de Anne Frank, de George Stevens (debate com Chico de Assis, Alberto Vinícius, Amparo Araújo e Marcelo Santa Cruz)
18h - Arquitetura da destruição, de Peter Cohen (debate com Geneton Moraes Neto - a confirmar)

Terça-feira (30 de março)
14h30 - Escritores da liberdade (debate com Ronidalva Melo)
18h - Noite e neblina, de Alain Resnais (debate com Frei Tito)

Quarta-feira (31 de março)
14h30 - O menino do pijama listrado, de Mark Herman (debate com WilfredGadelha)
18h - Brinquedo proibido, de René Clément (debate com Rodrigo Pelegrino)

(Diario de Pernambuco, 22/03/2010)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Os mistérios do desejo



Realizador solitário, em A erva do rato (Brasil, 2009) Júlio Bressane oferece uma obra de arte rara no cinema nacional. É um deleite se deparar com um novo manifesto desse autor que filosofa com imagens. O longa entra em cartaz hoje, no Cinema Apolo (Recife Antigo).

Protagonizado por Selton Mello e Alessandra Negrini, o filme adapta livremente dois contos de Machado de Assis: A causa secreta e Um esqueleto. Não é o primeiro Machado de Bressane. Em 1985, ele rodou Brás Cubas, outro manifesto a explorar o que o próprio chama de "motivo fóssil" como importante chave de leitura.

A presença de atores famosos não significa que o filme será algo facilmente compreensível. Erudito na construção das imagens - cada plano é uma obra em si), o extremo rigor estético de Bressane nos faz sentir dentro de uma pintura de luz e formas barrocas, estendidas em planos longos com pouco ou nenhum movimento.

Já a sua narrativa se desenvolve de forma experimental e se movimenta em signos. Os principais são "o rato" e "a vagina", cuja síntese é "o esqueleto". Há vários outros, no filme que se sustenta com apenas dois atores, dentro de uma casa. E isso não é trabalho que se faz só. A fotografia de Walter Carvalho e a câmera de seu filho, Lula, são poderosos aliados.

A trilha sonora minimalista de Guilherme Vaz com trechos de Mozart, idem. O som, aliás, é elemento importante para o entendimento de que, apesar de confinados numa casa colonial de móveis antigos, lá fora a natureza segue seu curso em ondas no mar, vento nas árvores e ruídos de animais noturnos.

Bressane pouco revela sobre a história pregressa dos jovens. A ele interessa mais o que há ancestral em suas atitudes. O casal se (re)conhece no cemitério e logo se une. A mulher está frágil pois acaba de sair da prisão e de se tornar órfã. Ele propõe um casamento instantâneo e incondicional, o que nos leva ao local onde toda a ação se desenrola.

O longa é proibido para menores de 18 anos, pois coloca a atriz em posições sexuais e expõe suas partes mais íntimas. Mas ao contrário do que hoje se considera pornográfico, nada é banal na nudez de Negrinni, que permite ao novo marido exercitar a tara estética com câmera fotográfica e a determinação em reproduzir cenas eróticas dos anos 1920.

O que começa de forma um tanto inocente, com ele ditando trechos da história social e natural (a erva do rato é um tipo de veneno vegetal) do Brasil. Não demora a evoluir para a loucura quando um rato passa a roer fotos e andar pelo corpo da mulher durante a noite, numa repulsiva e linda sequência orgástica.

Muito da beleza de A erva do rato está no mistério. Assim como os melhores clássicos, longe de se esgotar numa única sessão, o filme pode gerar tantas interpretações quantas vezes for assistido.

(Diario de Pernambuco, 22/02/2010)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Janela do Cinema junta 150 filmes de 23 países


Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, abre a Janela deste ano; os novos de Almodovar e Resnais também estão na programação

A Janela Internacional de Cinema do Recife anunciou ontem a programação completa de sua segunda edição. A partir da próxima sexta-feira e nos oito dias seguintes, 150 filmes de 23 países serão exibidos no Cinema da Fundação (Derby) e no Cinema Apolo (Recife Antigo). A entrada para os longas custam R$ 8 e R$ 4 (meia). As sessões de curtas custam R$ 1.

Confira a programação completa aqui.

Os abraços partidos, de Pedro Almodóvar, será exibido no domingo e é apenas o mais chamativo dos nove longa-metragens selecionados, todos inéditos no Recife. A abertura conta com a exibição de Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Marcelo Gomes e Karim Aïnouz. O filme de encerramento será Les herbes folles, nova obra do francês Alain Resnais.

Politist adjectiv, de Corneliu Porumboiu, prêmio do júri da mostra Un Certain Regard em Cannes 2009, representa a força do cinema romeno; exibido em Berlim, Double take, de Johan Grimonprez, é uma produção belga que narra os anos da Guerra Fria como fosse um filme de Hitchcock; a ficção carioca No meu lugar fez parte da seleção oficial de Cannes e marca a estreia do crítico de cinema Eduardo Valente no formato; encerram a seleção os documentários Um lugar ao sol, de Gabriel Mascaro, Corumbiara, de Vincent Carelli (melhor filme em Gramado) e Pacific, de Marcelo Pedroso, cuja primeira exibição será no Janela. "Há uma queda clara pela produção de Pernambuco, mas isso nem passa perto de dar uma força para o cinema daqui. Eles são pernambucanos quase que por acaso, porque antes de tudo são filmes de valor", diz o curador, Kleber Mendonça Filho.

Carelli também está na mostra Janela Pernambucana, com De volta à terra boa (em parceria com Mari Corrêa), que ainda traz Confessionário, de Leo Sette, São, de Pedro Severien e os inéditos Cinema império, de Hugo Coutinho e Tchau e bênção, de Daniel Bandeira. Os curtas da mostra estão divididos em nacionais e internacionais e somam 72 filmes de 20 países. Um deles é Olhos de ressaca, de Petra Costa, melhor do Festival do Rio.

Entre as mostras em parceria com instituições e produtores independentes, a mais emblemática, no sentido de traduzir o espírito do Janela, é a do Festival de Curtas de Oberhausen. O alemão Herbert Schwarze, curador do evento, apresentará cada sessão. Ano que vem, antecipa Mendonça, o próximo festival amigo será o de Clermont Ferrand. Cachaça Cinema Clube, Aliança Francesa, Cineclube Dissenso e Trincheira Filmes são outros parceiros que ganharam programa especial.

A verba ampliada para R$ 90 mil pelo governo do estado (ano passado orçamento foi de R$ 60 mil) permitiu ao evento investir na vinda de mais convidados de outros estados e países - este ano são 35. Além das sessões seguidas de debate com diretores, na sexta, segunda e quarta-feira, o público poderá confraternizar com os realizadores no espaço do Castiglianni Cafés, em frente ao Cinema da Fundação. Para os produtores, essa movimentação é prioridade.

Em seu segundo voo, o Janela cresceu e parece que não vai parar por aqui. No entanto, Mendonça não vê sentido em comparações. "O Cine PE tem um perfil bem definido, não faz sentido repeti-lo. O Janela oferece outra perspectiva de como filmes podem ser apresentados e escolhidos. Um acrescenta ao outro".

(Diario de Pernambuco, 14/10/09)

sábado, 30 de maio de 2009

A Terra pede socorro


CENA DE "O PLANETA", FILME ESCANDINAVO A SER EXIBIDO HOJE, NO PLANET.MOVE

O meio ambiente está na pauta mundial e a linguagem do cinema talvez seja a mais indicada para aprofundar o tema. Entre produções comerciais e independentes, a recente produção audiovisual por vezes escapa da tendência oportunista que tem movimentado rios de dinheiro com produtos supostamente ecológicos. Mais do que alertar para as consequências, são obras que convidam a investigar as causas da degradação do planeta.

Há boas chances da programação do planet.move, mostra de filmes ambientais que chega hoje ao Recife, trazer obras com esse perfil. Por isso, não há motivo para espanto se, para chegar ao ponto, eles tratarem de política, economia e outros temas bastante humanos.

Até a próxima quarta, entre 17h e 19h, a mostra exibirá dez documentários no Cinema Apolo (Bairro do Recife), com entrada franca. Como estratégia de aproximação, quatro das produções são brasileiras: Herança, de Carolina Berguer, apresenta uma comunidade de agricultores gaúchos que resiste aos grandes latifúndios ao redor; Urubus têm asas, de Marcos Negrão e André Rangel, sobre catadores de caranguejo no Rio de Janeiro que convivem com a poluição no manguezal; Encontro com Milton Santos, de Sílvio Tendler, uma grande entrevista com o geógrafo que preferia chamar a globalização de "globaritarismo"; e Nas terras do bem-virá, de Alexandre Rampazzo, conta histórias de nordestinos que migram para a Amazônia.

Entre os estrangeiros estão O planeta, radiografia das mudanças climáticas de vinte e cinco países; A grande liquidação, sobre efeitos da privatização de serviços públicos básicos; Entre a meia-noite e o canto do galo, investigação das ações da EnCana, empresa petrolífera do Canadá que parece, mas não tem nenhuma responsabilidade social ou ambiental; Vida sem controle, sobre experiências genéticas em plantas, animais e seres humanos; Nós alimentamos o mundo aborda a má distribuição da comida; encerrando a mostra, Os homens do lago apresenta a vida no menor vilarejo da Bolívia, que está prestes a desaparecer.

No Brasil, o planet.move já visitou cinco cidades e ainda passará por mais três. Quem organiza e patrocina o evento é a Ecomove, organização alemã de alcance internacional voltada ao apoio e divulgação de filmes de temática ambientalista. No Brasil, há parceria com o Instituto Goethe, a ECOBahia - Festival Internacional do Audiovisual Ambiental, e o Ministério do Meio-Ambiente da Alemanha. No Recife, a realização da mostra é de responsabilidade do Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA).

Programação

Hoje, às 17h
Herança (Brasil, 2007)
O planeta (Suécia/Noruega/Dinamarca, 2006)

Amanhã, às 17h
Urubus têm asas (Brasil, 2007)
A grande liquidação (Alemanha, 2006)

Segunda, às 18h30h
Entre a meia-noite e o canto do galo (Canadá, 2005)
Encontro com Milton Santos (Brasil, 2006)

Terça, às 18h30
Vida sem controle (Alemanha, 2004)
Nós alimentamos o mundo (Áustria, 2005)

Quarta, às 18h30
Os homens do lago (Bolívia/Estados Unidos, 2007)
Nas terras do bem-virá (Brasil, 2007)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Nem só de arte vive o Apolo



A partir de hoje, Velozes e furiosos 4, de Justin Lin, entra em cartaz no Cinema Apolo, no Recife Antigo. Escolha atípica para os padrões estipulados pela sala municipal nos últimos anos, o longa de ação estrelado por Vin Diesel (também em exibição no Cine Royal, em São Lourenço da Mata) acaba de encerrar temporada de sucesso nos multiplex de todo o planeta, onde disputou a liderança com Monstros vs alienígenas. Estaria o tradicional espaço de exibição assumindo uma fase mais popular?

"Vamos tentar outra audiência", diz Ernesto Barros, da gerência de audiovisual da prefeitura do Recife. "O principal objetivo é que o público saiba que existe um cinema chamado Apolo", diz o programador, que adiantou à reportagem do Diario a próxima atração, prevista para entrar em cartaz no dia 8 de junho: a comédia global Se eu fosse você 2, outro fenômeno de bilheteria.

A mudança na programação é justificada pela baixa frequência de espectadores. Nos últimos tempos, informa Ernesto, a sala chegou a amargar sessões com apenas duas ou três pessoas. "O público dos filmes alternativos tornou-se muito pequeno, principalmente porque não nos dão os inéditos para exibir, e acabamos pegando as reprises, principalmente dos filmes exibidos no Rosa e Silva".

Ele ainda explica que a necessidade de público é questão de sobrevivência. Apesar de tanto o Cinema Apolo quanto o do Parque serem mantidos pela prefeitura, os custos com o transporte e direitos de exibição do filme, no entanto, precisam ser bancados pela bilheteria. "Espaços alternativos funcionavam bem em outra época. A ideia não é abandonar o antigo perfil, mas diversificar o espaço para garantir algum lucro", diz Ernesto, que pretende propor o aumento do ingresso do Parque de R$ 1 para R$ 2.

Apesar das novidades, eventos como o Festival des 3 Continents e o Panorama Recife de Documentários continuam garantidos no calendário cinéfilo da cidade. Para o próximo semestre, estão previstas pelo menos duas mostras de filmes japoneses e russos, que dificilmente seriam vistos em salas comerciais.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

I FESTIVAL NACIONAL DE MAKING OF (RECIFE) - PROGRAMAÇÃO



WATER CARVALHO NO SET DE "BAIXIO DAS BESTAS" (2006)

O I Festival Nacional de Making Of será de 27 a 29 de agosto, no Cine-Teatro Apolo-Hermilo. O evento promete: terá a presença de Jorge Furtado, João Falcão, Cláudio Assis, Kiko Goifman, Hermila Guedes, entre outros nomes da cadeia produtiva do audiovisual brasileiro.

Há um website no ar, divulgando a programação de palestras, oficinas e exibições de 16 making of's de curtas e longas nacionais, distribuídos em três dias.

Nos últimos anos, este produto essencialmente metalinguístico vem ganhando mais importância. Em alguns festivais de cinema há eventos dedicados exclusivamente a eles.

"Making of", anglicismo para "como foi feito", é como se chama o filme que revela os bastidores de produções cinematográficas ou televisivas.

O I Festival Nacional de Making Of será gratuito e aberto ao público. O Cinema Apolo fica na Rua do Apolo, 121 (Bairro do Recife – Recife–PE).

PROGAMAÇÃO

Segunda-feira dia 27/08/07
15h - Making Of dos filmes: 81 min (2h e 21 min)
Durval Discos (25min)
Caramuru: A invenção do Brasil (26 min)
Rapsódia Para Um Homem Comum (15 min)
Entre Paredes (15 min)
Lavoura Arcaica (60 min)

19h - Making Of dos filmes: 61 min (1h e 1min)
O Auto da Compadecida (18 min)
Fica Comigo Esta Noite – (11 min)
A Máquina – (32 min)
Debate com João Falcão, Flávia Lacerda e Lia Renha

Terça- feira dia 28/08/07
15h - Making Of dos filmes: 154min ( 2h e 34 min)
Eu Fiz Querô (52 min)
O Invasor (24min)
Zuzu Angel (28 min)
Cão Sem Dono ( 18min)
O Primo Basílio (32min)

19h - Making Of dos filmes: 75min (1h e 15min)
Amarelo Manga (19 min)
Cinema, Aspirinas e Urubus (26min)
O Céu de Suely (30 min)
Debate com Cláudio Assis, João Júnior, Hermila Guedes e Kiko Goifman

Quarta-feira dia 29/08/07
15h - Making Of dos filmes: 118min (1h e 58min)
500 anos ( 25 min)
O Santo Por Acaso (25min)
Mothern (25 min)
Hoje é dia de Maria (43 min)
Debate com Luca Paiva, Léo Falcão e Luiz Felipe Botelho

19h - Making Of dos filmes: 65 min (1h e 5min)
O Ano em que meus pais saíram de férias (27 min)
O Homem que Copiava (18min)
Saneamento Básico (20min)
Debate com Jorge Furtado e Nora Goulart.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Cinemas do Parque e Apolo - programação da semana

Marcos Enrique Lopes, da Divisão Multi-Meios da Prefeitura do Recife, informa a programação dos Cinemas do Parque e Apolo para a próxima semana:

04 a 08 de agosto
CINEMA APOLO
Mostra Novo Olhar Sobre o Cinema AfricanoSábado a quarta, às 17h30, 18h30 e 19h45
Entrada franca

05, 07 e 08 de agosto
CINEMA APOLO
Incuráveis, de Gustavo Acioli
Domingo, terça e quarta, sessão única às 16 horas
ÚLTIMA SEMANA

06, 07 e 08 de agosto
CINEMA DO PARQUE
Brichos, de Paulo Munhoz
Segunda, terça e quarta, sessão única às 16 horas

06, 07 e 08 de agosto
CINEMA DO PARQUE
O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia
Segunda a quarta, às 18 horas e 19h50

domingo, 29 de julho de 2007

O filme por trás do filme

Entre tantos eventos voltados para o cinema agendados até o fim do ano, um deles merece atenção redobrada: o 1º Festival do Making Of, marcado para os dias 27 a 29 de agosto, no Cinema Apolo (Recife Antigo).

Nos últimos anos, este metalinguístico produto vem ganhando mais importância, havendo eventos dedicados exclusivamente a eles em alguns lugares do mundo.

"Making of", anglicismo para "como foi feito", é como se chama o filme que revela os bastidores de produções cinematográficas ou televisivas.

Quem trabalha no audiovisual já deve ter sentido que existe um filme por trás do filme. Durante essa busca, algumas vezes o making of extrapola do caráter meramente técnico para ganhar valor como obra artística/didática sobre o "fazer cinema".

Para tratar do assunto, haverá palestras e oficinas com João Falcão, Flávia Lacerda, Kiko Goifman, Jorge Furtado, Nora Furtado, Lia Renha, João Viera Jr. e Cláudio Assis.

O festival é uma idéia e realização da empresa Mônadas Multimídia Produções.

Em breve, mais informações sobre a programação.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

IV PANORAMA RECIFE DE DOCUMENTÁRIOS - programação completa

IV PANORAMA RECIFE DE DOCUMENTÁRIOS 2007
Mostra não competitiva
de 02 a 06 de junho

SÁBADO, 02 DE JUNHO

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232-1556
Ingresso R$ 1,00

18 horas - Longa-metragem Nacional
VAIDADE (RJ, 2002, 12 minutos), de Fabiano Maciel. Mulheres arriscam as suas vidas em canoas precárias da região amazônica e áreas de garimpo para vender produtos de beleza e cosméticos. Primeiro curta-metragem do diretor gaúcho.

OSCAR NIEMEYER - A VIDA É UM SOPRO (RJ, 2007, 88 minutos), de Fabiano Maciel. Aos 99 anos, o arquiteto fala sobre o Partido Comunista, Le Corbusier, o exílio, a construção de Brasília. Conta com depoimentos de Niemeyer, Chico Buarque, Ferreira Gullar e José Saramago. Após a sessão haverá um debate com a presença do diretor do filme.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

19h30 - Lançamento do livro Democracia Audiovisual
Palestra de André Martinez, autor do livro homônimo que estará sendo lançado. Diretor Executivo da Brant Associados e do Instituto Diversidade Cultural é professor titular da Universidade Anhembi Morumbi. No livro faz uma proposta de articulação regional e sustentabilidade para a atividade audiovisual.

20h30 - Longa-metragem Internacional
DO LADO DE MATHILDE (FRA, 2004, 83 minutos), De Claire Denis. Conceituada cineasta (ex-assistente de Wim Wenders e Jim Jarmusch), retrata as idéias, as peculiaridades e exercícios laboratoriais da obra coreográfica de Mathilde Monnier. Lançada na Mostra Audiovisual de Dança, no Cinema Apolo.


DOMINGO, 03 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Homenagem à TV Viva
Homenagem à produtora de vídeos sediada em Olinda (PE), seguida da exibição do documentário Desde Cuba Hasta Pernambuco, realizado em 2005 em parceria com a Casa Del Caribe. Com direção e roteiro de Nilton Pereira, faz um parâmetro das singularidades culturais entre os afrodescendentes da ilha caribenha e o do estado nordestino.

16 horas - Média-metragem
GRASSROOTS (BRA/CAM, 2006, 55 minutos), de André Ferezini. Um retrato íntimo dos jovens que vivem em Phnom Penh, capital do Camboja. A história recente do país é remontada através de opiniões sobre a atuação do Khmer Vermelho e a guerra civil que destruiu o país nos anos 70. Lançamento mundial no IV Panorama Recife de Documentários 2007.

17 horas - Longa-metragem internacional
POR QUE LUTAMOS (Why We Fight, EUA, 2005, 98 minutos), de Eugene Jarecki. Analisa de forma jornalística como os Estados Unidos construíram o maior império bélico do mundo. O filme refaz toda a história da Guerra Fria e suas conseqüências para o mundo. Vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Sundance 2005.


SEGUNDA-FEIRA, 04 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Foco: Brasília
DAS RUAS PARA A UNB (DF, 2006, 08 minutos), de Diana Paixão. Produzido pelo Núcleo de Documentários da Radiobrás fala sobre Sérgio Reis, um ex-morador de rua que conseguiu passar no vestibular de psicologia na Universidade de Brasília (UnB). A sessão será apresentada por Elsa Chabrol.

FELIZ NATAL (DF, 2006, 16 minutos), de Guilherme Bacalhao. O esforço de uma família para conseguir mantimentos durante o período do Natal. Nesta época, as avenidas da Capital Federal ficam cheias de famílias que acampam, vindas das cidades satélites.

A BOLANDEIRA (PB, 1968, 10 minutos), de Vladimir Carvalho. A decadência dos engenhos de açúcar do interior da Paraíba, dotados de construções de madeira com tração animal. Clássico do documentário nacional inspirou Walter Salles em seu longa-metragem
Abril Despedaçado.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
1964 ENCONTRO COM A MEMÓRIA (PE, 2004, 19 minutos), de Marcelo Santos, Michel Bamps e Raphaella Vieira. Trinta anos depois do início da ditadura militar no Brasil, vítima e torturador se reencontram. Terceiro lugar no VIII Festival de Vídeo de Pernambuco 2006.

VAI INDO QUE EU JÁ VOU (SP, 2006, 15 minutos), de Marcelo Perez e Rubem Barros. Trata do imaginário da morte de forma divertida, entrevistando um padre irlandês, um cineasta, em escritor, uma florista, um dono de cemitério, um mexicano e um mecânico pernambucano.

OS TAMBORES DO PASSADO (Tourou et Biti, FRA/NIG, 1971, 12 minutos), de Jean Rouch. Filmado em um único plano, registra um ritual de possessão pela proteção da colheita de uma vila no Níger, país onde o etnógrafo francês acabou falecendo de acidente de carro, em 2004.

17 horas - Médias-metragens
DEPOIS DA FESTA (SP, 2006, 52 minutos), de Karina Fogaça. A região de Ilha Bela no litoral paulista é a Meca das mansões de veraneio de pessoas ricas. Na região, eles convivem com os caiçaras, nativos que vivem da pesca e do comércio informal.

18 horas - Curtas-metragens
HIBAKUSHA: OS HERDEIROS ATÔMICOS NO BRASIL (SP, 2006, 16 minutos), de Maurício Kinoshita. Série de depoimentos sobre habitantes da cidade de São Paulo que chegaram ao Brasil após a explosão nuclear em Hiroshima e Nagasaki, no Japão, em 1945.

ALMERY, A ESTRELA (PE, 2007, 08 minutos), de Fernando Spencer. Biografia da atriz Almery Esteves, estrela do Ciclo de Cinema do Recife, que durou de 1923 a 1931 e foi o período mais profícuo para a cinematografia de longas-metragens em Pernambuco. Após a sessão, uma conversa com o realizador e ex-crítico de cinema do Diário de Pernambuco.

19 horas - Longa-metragem Nacional
NAS TERRAS DO BEM-VIRÁ (SP, 2007, 110 minutos), de Alexandre Rampazzo. O conflito agrário no Brasil abordado com imagens inéditas da chacina de Eldorado dos Carajás e do assassinato da missionária americana Dorothy Stang. Filmado em 05 estados e 29 cidades da região norte-nordeste.

20h50 - Longa-metragem Internacional
O SEGREDO (The Secret, EUA, 2006, 89 minutos), de Drew Heriot. Um grupo de especialistas analisam um segredo existente há séculos na humanidade e a possibilidade da realização pessoal em caso de entendimento e boa aplicação dos princípios nele contido.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30, 18h15 e 20 horas - Longa-metragem Nacional
O CÔCO, A RODA, O PNEU E O FAROL (PE, 2007, 80 minutos), de Mariana Fortes. Mostra a música como elemento de miscigenação e de resistência, particularmente nas atividades dos mestres de cultura popular do Coco do Amaro Branco, em Olinda. Filme de estréia da diretora. Ao final da última sessão haverá uma apresentação musical, com a presença de elenco e diretora.


TERÇA-FEIRA, 05 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Sessão Especial Festival de Vídeo de Pernambuco
QUANDO A MARÉ ENCHER (PE, 2006, 30 minutos), de Oscar Malta. Registro do cotidiano dos pescadores urbanos da Ilha de Deus no Recife e o modo de vida criativo de cada um. Primeiro lugar do VIII Festival de Vídeo de Pernambuco 2006.

15 CENTAVOS (PE, 2006, 12 minutos), de Marcelo Pedroso. Protesto de estudantes no centro do Recife contra o aumento de passagens de ônibus abordado de maneira pouco usual por uma câmera quase imperceptível. Segundo lugar no Festival de Vídeo de Pernambuco.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
ÁRVORE SAGRADA (PE, 2006, 25 minutos), de Cléa Lúcia. A ocupação inadequada da caatinga sem se considerar sua rica biodiversidade. Integrante desta riqueza, o Umbuzeiro assume na região a imagem de árvore mítica e sagrada, por estar ligada à sobrevivência das comunidades.

EM TRÂNSITO (MT, 2007, 25 minutos), de Elton Rivas. Mostra a luta pela terra do povo indígena Irantxe/Manoki, habitantes do noroeste do Estado de Mato Grosso. O diretor é professor da Universidade Federal de Mato Grosso.

TEMO QUE SIM (Afraid So, EUA, 2006, 03 minutos), de Jay Rosenblatt. Baseado em um poema em que cada verso propõe a resposta implícita “temo que sim”, a destruição iminente permeia o filme. Obra-prima do excelente documentarista e professor norte-americano.

17 horas - Médias-metragens
UMA CRUZ, UMA HISTÓRIA E UMA ESTRADA (PE, 2007, 52 minutos), de Wilson Freire. Vencedor da terceira edição do Programa DOC TV, em Pernambuco, parte das cruzes de beira de estradas para fazer uma busca de histórias e resgate de memórias do imaginário coletivo. A sessão será apresentada pelo realizador e sua equipe de produção.

18 horas - Curtas-metragens
OFICINA PERDIZ (DF, 2006, 20 minutos), de Marcelo Díaz. José Perdiz, dono de oficina mecânica em Brasília resolve abrir as portas para o teatro alternativo no Distrito Federal e enfrenta a perseguição de autoridades. Melhor curta no Festival de Brasília do ano passado.

SCHENBERGUIANAS (PE, 2006, 20 minutos), de Sérgio Oliveira e William Cubits. Cinema, música e outros temas inspirados na obra do físico nuclear e crítico de arte pernambucano Mário Schenberg (1914-1990). Vencedor do Concurso de Roteiros Firmo Neto 2002.

19 horas - Longa-metragem Nacional
NENHUM MOTIVO EXPLICA A GUERRA (RJ, 2006, 84 minutos), de Cacá Diegues e Rafael Dragaud. O grupo cultural AfroReggae mostra em sua trajetória que é possível reverter o estigma da violência das favelas. Após 15 longas, este é o primeiro documentário da carreira de Cacá Diegues.

20h50 - Longa Internacional
POR APENAS UM DOS MEUS DOIS OLHOS (Pour Um Seul des Mes Deux Yeux, ISR/FRA, 2005, 100 minutos), de Avi Mograbi. Construção de faraônico muro em volta de Israel permite ao diretor abordar o assunto como integrante do filme. Este isolamento recria o mito de Sansão e Massada. O filme entra em cartaz após a mostra no Cinema Apolo.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

17 horas - Fomento, distribuição e exibição de documentários
Palestra de Elsa Chabrol, diretora do Núcleo de Documentários da Radiobrás, em Brasília (DF). Na ocasião, ela vai falar sobre o projeto da estatal brasileira em promover discussões acerca do papel do documentário e sua importância para o setor audiovisual. Debatedora: Tarciana Portella, Delegada Regional do Ministério da Cultura, que fará uma apresentação sobre os editais e projetos do Governo Federal para a área.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30, 18h15 e 20 horas - Longa-metragem Nacional
UM CRAQUE CHAMADO DIVINO (SC, 2006, 81 minutos), de Penna Filho. A trajetória do jogador de futebol Ademir da Guia, membro da famosa Academia, time do Palmeiras que fez historia na década de 70. Conta com depoimentos de Juca Kfouri, Gérson, Sócrates, Leivinha, Fiori Gigliotti, entre outros.


QUARTA-FEIRA, 06 DE JUNHO

CINEMA APOLO
Rua do Apolo, 121, Bairro do Recife, telefone 3232 2028
Entrada franca

15 horas - Sessão Especial DOC TV
CALABAR (AL, 2006, 52 minutos), de Hermano Figueiredo. Considerado ao mesmo tempo herói e traidor, Domingos Fernandes Calabar tem incerto até o ano de seu nascimento, 1600. Senhor de engenho de Pernambuco, morou em Porto Calvo (AL) e teve papel decisivo na Invasão Holandesa de 1930-1954. A sessão será apresentada pelo diretor. Venceu o DOC TV AL/2006.

16 horas - Vídeos Locais, Nacionais e Internacionais
NEURONHA (PE, 2006, 14 minutos), de Daniel Barros. Neuronha é a neurose que se manifesta
em moradores do arquipélago de Fernando de Noronha. Prêmio do público no VIII Festival
de Vídeo de Pernambuco 2006. Segundo curta em vídeo do diretor.

HQ: A 9ª ARTE (SP, 2006, 28 minutos), de Daniela Santana e Priscila Sodré. A história em quadrinhos como expressão artística. Por meio de entrevistas de profissionais do setor são abordados o enredo, a lógica do trabalho, a construção dos personagens, a vida do quadrinista.

CIDADE ADORMECIDA (Ciudad Dormida, ESP, 2006, 09 minutos), de Enrique Rodriguez e Moncho Fernández. Sem diálogos, o filme nos dá uma visão diferenciada, geométrica, de uma cidade vazia, onde só as máquinas funcionam, causando uma sensação de desconforto e dúvidas.

17 horas - Médias-metragens
LUTZENBERGER: FOR EVER GAIA (RS, 2006, 52 minutos), de Otto Guerra e Frank Coe. Perfil do cientista e ambientalista José Lutzenberger (1926-2002), cujo trabalho está todo voltado para o desenvolvimento sustentável, a partir da agricultura ecológica. Vencedor do DOC TV/RS.

18 horas - Curtas-metragens
VIVA VOLTA (PR, 2005, 15 minutos), de Heloísa Passos. O trombonista Raul de Souza é retratado em sua volta a Bangu, subúrbio do Rio e no seu encontro com Maria Bethânia e Jaime Além. A realizadora paranaense é uma diretora de fotografia experiente, formada em sociologia.

IGBADU, CABAÇA DA CRIAÇÃO (PE, 2007, 15 minutos), de Carla Lyra. Mantendo a tradição, o Panorama Doc lança o mais novo documentário em película de Pernambuco sobre a figura da cabaça nos rituais afro. Venceu o Concurso de Roteiros Firmo Neto 2004. Lançamento nacional, com sessão será apresentada pela realizadora e a equipe.

19 horas - Longa-metragem Nacional
SANTIAGO (RJ, 2007, 79 minutos), de João Moreira Salles. Através da história do mordomo da casa onde morou o diretor retoma a montagem de um documentário iniciado em 1992. A memória do entrevistado e sua vasta cultura se sobressaem neste processo de construção cinematográfica. Após a sessão haverá um debate com o diretor.

20h50 - Longa-metragem Internacional
ROLLING LIKE A STONE (SUE, 2005, 65 minutos), de Stefan Berg e Magnus Gertten. Filme amador registra o encontro do grupo Rolling Stones (ainda com Brian Jones) em 1965 com músicos suecos, em Malmö. Quarenta anos depois, os diretores localizaram alguns dos músicos suecos que aparecem no filme.

LIVRARIA CULTURA
Rua Madre Deus, s/nº, Paço Alfândega, Bairro do Recife, telefone 2102 4033
Entrada franca

18 horas - Mesa de Debates: A Realização de Documentários em Pernambuco
Depoimentos de realizadores locais com filmes exibidos no IV Panorama Recife de Documentários. São eles o jornalista, documentarista e crítico de cinema durante 40 anos no Diário de Pernambuco, Fernando Spencer; Nilton Pereira e Eduardo Homem, da TV Viva e Mariana Fortes, diretora do longa-metragem O Côco, a Roda, o Pneu e o Farol. Mediação do roteirista e poeta Wilson Freire, diretor do média-metragem Uma Cruz, Uma História e Uma Estrada, vencedor do DOC TV PE 2006.

CINEMA DO PARQUE
Rua do Hospício, 81, Boa Vista, telefone 3232 1556
Ingresso R$ 1,00

16h30 e 19 horas - Longa-metragem Nacional
ESTAMIRA (RJ, 2006, 115 minutos), de Marcos Prado. Mulher de 63 anos sofre de distúrbios mentais analisa aspectos da vida. Ela trabalha há 20 anos no Aterro Sanitário do Jardim Gramacho. O longa-metragem já venceu 22 prêmios internacionais e é o filme de estréia do diretor.

Após o evento, os filmes Estamira e Um Craque Chamado Divino entram em cartaz, em curta temporada, no Cinema do Parque.