Em breve, uma nova série de TV vai ao ar. O tema é dos mais necessários: a memória do cinema feito em Pernambuco. Dirigido por Camilo Cavalcante, o programa OLHAR trará entrevistas com cineastas de diferentes gerações, em dez programas de 26 minutos. O lançamento será em maio, em evento no Cinema São Luiz (a série é patrocinada pelo edital do Funcultura). Na sequência ele deve ser exibido em uma emissora local e, só então, será transmitido em rede nacional, via TV a cabo.
As gravações começaram ontem, tendo como convidados o cineasta Fernando Spencer e Jomard Muniz de Brito. Eles foram entrevistados por jornalistas, críticos e colegas de geração, como é o caso de Celso Marconi. Hoje é a vez dos diretores Kátia Mesel e Lírio Ferreira. Até sexta-feira, serão Kleber Mendonça Filho, Marcelo Lordello, Marcelo Pedroso, Daniel Bandeira e Simião Martiniano, o camelô-cineasta.
"Nosso estado tem um cinema muito forte, em evidência, muito visto e premiado, mas os realizadores não são", diz Cavalcante. "O objetivo é promover uma grande retrospectiva da vida desses autores, aproximá-los do público, para que se tenha contato com seus processos criativos. Isso é algo urgente, que precisa ser transmitido pela TV. E ainda mais importante como registro para a posteridade".
Na gravação de ontem, Fernando Spencer narrou episódios remotos de sua vida, como o projetor que ganhou do pai quando criança e as primeiras sessões de cinema no bairro de Casa Forte. O período de quatro décadas em que trabalhou como repórter e editor no Diario foi lembrado com especial emoção. E revelou estar com um livro pronto, pronto para ser publicado: O viajante da fantasia.
O formato de OLHAR remete ao programa Ensaio, produzido pela TV Cultura, em que o espectador não escuta as perguntas mas somente as respostas dos entrevistados. Tudo está montado no Estúdio Marista (Apipucos), onde quatro câmeras - uma em travelling e três fixas estão instaladas.
Cineasta premiado e autor de quase 20 curtas, esta é a primeira incursão de Cavalcante na linguagem televisiva. Antes disso, já havia sido contratado para dirigir o programa Assombrações do Recife Velho. De acordo com ele, há fôlego para novas temporadas da série que estreia em maio. Marcelo Gomes, Paulo Caldas e Adelina Pontual já confirmaram participação.
(Diario de Pernambuco, 01/02/2011)
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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Lembranças do Super 8 recifense
Fernando Spencer foi o epicentro de um encontro cada vez mais raro de fundadores do Ciclo do Cinema Super 8 recifense. Aos 82 anos, o cineasta é um dos Patrimônios Vivos de Pernambuco a figurar numa série de 15 minidocumentários realizados pelo projeto Olaria Cultural, com recursos do Edital do Audiovisual da Fundarpe. Eles serão veiculados em cinco programas de televisão com duração de 26 minutos cada.
Onze patrimônios já foram filmados, entre eles Lia de Itamaracá, Zé do Carmo, Índia Morena, o Homem da Meia Noite e a Confraria do Rosário dos Homens Pretos. O objetivo é não só apresentar, mas registrar como cada um deles vive e sentem o reconhecimento da condecoração social. "A ideia é que cada documentário tenha uma identidade própria", diz Hanna Godoy, coordenadora do projeto ao lado de Márcia Mansur.
O grupo de veteranos do cinema pernambucano se encontrou no Cinema da Fundação, na tarde da última segunda-feira. Estavam lá Flávio Rodrigues, Geraldo Pinho, Celso Marconi,Lula Gonzaga, Osman Godoy e Kátia Mesel. Enéas Alvares, Amin Stepple, Jomard Muniz de Brito, Paulo Menelau e Paulo Cunha estiveram ausentes por diferentes motivos, mas foram lembrados pelo grupo. Falecidos, Firmo Neto, Walderes Soares e Lima, técnico de banda sonora foram devidamente evocados. Nos anos 70, eles realizaram dezenas de filmes pessoais, experimentais ou com a marca "de autor". Até então o "fazer cinema" estava restrito aos grandes centros detentores de materiais, equipamentos e mão de obra de alto custo. Nesse sentido, o Super 8 foi precursor da geração video/digital, dado o nível de liberdade na produção e exibição.
Ponta de lança do movimento, Spencer foi recebido pelos amigos, com quem assistiu alguns filmes realizados na bitola Super 8, como Adão foi feito de barro (1978). Entre um rolo e outro, histórias e memórias voltam à tona. Após a sessão, surge o lamento com o descaso com a conservação e circulação de um acervo restrito a fitas pouco acessíveis ao mundo digital. Triste constatação: filmes do Ciclo do Recife dos anos 1920 estão mais preservados do que os do Super 8.
Hanna Godoy diz que a produção do documentário é apenas o pontapé inicial para a realização de um projeto maior sobre os ciclos regionais. "Pretendemos promover uma bateria de palestras e encontros e ampliar o foco para outros estados do país".
(Diario de Pernambuco, 16/11/09)
Onze patrimônios já foram filmados, entre eles Lia de Itamaracá, Zé do Carmo, Índia Morena, o Homem da Meia Noite e a Confraria do Rosário dos Homens Pretos. O objetivo é não só apresentar, mas registrar como cada um deles vive e sentem o reconhecimento da condecoração social. "A ideia é que cada documentário tenha uma identidade própria", diz Hanna Godoy, coordenadora do projeto ao lado de Márcia Mansur.
O grupo de veteranos do cinema pernambucano se encontrou no Cinema da Fundação, na tarde da última segunda-feira. Estavam lá Flávio Rodrigues, Geraldo Pinho, Celso Marconi,Lula Gonzaga, Osman Godoy e Kátia Mesel. Enéas Alvares, Amin Stepple, Jomard Muniz de Brito, Paulo Menelau e Paulo Cunha estiveram ausentes por diferentes motivos, mas foram lembrados pelo grupo. Falecidos, Firmo Neto, Walderes Soares e Lima, técnico de banda sonora foram devidamente evocados. Nos anos 70, eles realizaram dezenas de filmes pessoais, experimentais ou com a marca "de autor". Até então o "fazer cinema" estava restrito aos grandes centros detentores de materiais, equipamentos e mão de obra de alto custo. Nesse sentido, o Super 8 foi precursor da geração video/digital, dado o nível de liberdade na produção e exibição.
Ponta de lança do movimento, Spencer foi recebido pelos amigos, com quem assistiu alguns filmes realizados na bitola Super 8, como Adão foi feito de barro (1978). Entre um rolo e outro, histórias e memórias voltam à tona. Após a sessão, surge o lamento com o descaso com a conservação e circulação de um acervo restrito a fitas pouco acessíveis ao mundo digital. Triste constatação: filmes do Ciclo do Recife dos anos 1920 estão mais preservados do que os do Super 8.
Hanna Godoy diz que a produção do documentário é apenas o pontapé inicial para a realização de um projeto maior sobre os ciclos regionais. "Pretendemos promover uma bateria de palestras e encontros e ampliar o foco para outros estados do país".
(Diario de Pernambuco, 16/11/09)
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