Começa hoje o Curta Teatro, projeto que experimenta afinidades entre a linguagem do cinema e a das artes cênicas. A dinâmica investe em textos criados ou adaptados por diretores de cinema, que dirigem atores do teatro em esquetes de no máximo 15 minutos. Idealizado e coordenado pelos atores Kleber Lourenço e Sandra Possani, o projeto é uma iniciativa do Visível Núcleo de Criação.
O primeiro convidado é Pedro Severien. Diretor de São e Carnaval inesquecível, ele escreveu O homem na mesa a partir de uma imagem. Há duas semanas ensaia com os atores Henrique Ponzi, Gilberto Brito, Paulina Albuquerque e Juan Guimarães, todos com experiência em curta-metragens.
"Acho que o público gosta de ver atores e diretores em apuros", brinca Possani. Gaúcha de Porto Alegre, ela está no Recife para atuar com Lourenço na montagem O acidente (direção de Fausto Filho; estreia em agosto) e teve a ideia de realizar o Curta Teatro após conversa com Severien, que agora trabalha "sem a muleta da câmera". "O desafio é criar foco e tensão tendo o espectador como olho-câmera. Para mim, está sendo divertido e desesperador", diz o diretor.
O processo de criação, diz Severien, é construído com os atores. Referências no cinema não faltam, de John Cassavetes a Glauber Rocha. "O que mais me atrai no teatro, que nunca tive no cinema, é a fantasia de isolamento, de ficar trancado com pessoas que eu escolhi". Após o lançamento de hoje, as próximas edições do Curta Teatro serão sempre na primeira quinta de cada mês. Estão confirmados os diretores Léo Falcão, Eric Laurence e Jura Capela, que adaptará o texto A serpente, de Nelson Rodrigues.
Serviço
Curta Teatro
Quando: Hoje, às 22h
Onde: Espaço Muda (Rua do Lima, 280 - Santo Amaro)
Informações: 3032-1347
Entrada franca
(Diario de Pernambuco, 20/05/2010)
Mostrando postagens com marcador teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador teatro. Mostrar todas as postagens
quinta-feira, 20 de maio de 2010
segunda-feira, 30 de março de 2009
Festival de Curituba // Teatro "engolido" pelo cinema

Única atração internacional da mostra oficial do Festival de Curitiba, o espetáculo chileno Sin sangre impressionou pelo competente uso da linguagem do cinema, aplicada num espaço em que os atores são literalmente engolidos pelo cenário, projetado na frente e ao fundo do palco.
O efeito tridimensional regado a sonoplastia Dolby 5.1, apesar de usado de forma excessiva, é de ficar de queixo caído. Pena que o desempenho dos atores e a abordagem lacrimosa e pseudo-noir do texto original (do italiano Alessandro Baricco) deixou a desejar. Isso reduziu a peça a um grande experimento de linguagem, em que o teatro é apenas um elemento a mais desse laboratório audiovisual que já levou o espetáculo até a China, e mantém a agenda da companhia Teatrocinema lotada para os próximos quatro anos.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
"O Beijo no Asfalto" em quadrinhos: entrevista com Arnaldo Branco

"Tá lá o corpo estendido no chão", assim como diz João Bosco, na música "De frente pro crime". Atropelado no cruzamento da Praça da Bandeira, Rio de Janeiro. Arandir, um dos curiosos, se aproxima do moribundo. Este lhe pede um beijo derradeiro. Arandir atende o último desejo do homem.
Escrita por Nelson Rodrigues em 1961, após insistência de Fernanda Montenegro (que queria uma peça para seu grupo teatral), "O Beijo no Asfalto" acaba de ganhar uma ótima versão em quadrinhos. Os artistas Arnaldo Branco e Gabriel Góes assinam a recriação, a convite da editora Nova Fronteira.
Esta narrativa tipicamente Rodrigueana parte do fatídico beijo, percebido por um repórter do jornal "A Última Hora". Na busca de audiência, ele tratou de resenhar o ocorrido em tom de novela: havia um caso entre eles há mais de um ano, as esposas traídas nunca perceberam, a sociedade indignada com tudo – e lendo jornal. E a viúva, o que tem a dizer? Fofocas e olhares maldosos correm soltos, neste retrato trágico dos costumes e vícios sociais.

A adaptação é de primeira. Capta o clima do texto original com equilíbrio texto-imagem; a arte de Gabriel Góes (que já havia adaptado literatura em quadrinhos no volume 2 de “Domínio Público”) instiga de tal forma que os olhos só desgrudam do papel quando o livro chega ao fim.
O Quadro Mágico conversou por email com Arnaldo Branco, que adaptou o texto original de "O Beijo no Asfalto" para a linguagem dos quadrinhos.
Entre outros trabalhos, Arnaldo Branco assina a tira "Joe Pimp" e a seção de humor "O Sexysta" para a revista Sexy; a tira "Mundinho Animal", no portal da Globo, o G1; é colunista da revista Zé Pereira (RJ); e tem três propostas de livro em andamento: um de cartuns do Joe Pimp, outro da tira "Entrevistas em quadrinhos", que saía na revista “F.” e, o segundo episódio de seu maior sucesso, "As Aventuras do Capitão Presença”.
ENTREVISTA ARNALDO BRANCO // Beijo no Asfalto: "Respeitamos até quase a obsessão o texto original"
Como foi o processo de transformação do texto de Rodrigues para os quadrinhos?
Como adaptamos um texto de teatro - que é mesmo uma obra em aberto, esperando uma interpretação, achamos totalmente natural o processo. "O Beijo no Asfalto" já teve adaptações para outros meios que não o teatro - para o cinema, para a TV - e quadrinhos é só uma forma de transcrição para outro meio audiovisual - um meio menos cotado, é verdade, mas nem por isso necessariamente de menor valor artístico. Soube de uma montagem teatral de "O Beijo" com a Fernanda Rodrigues interpretando a Dália - aposto contigo que o bonequinho desenhado pelo Gabriel para o personagem é mais expressivo.
É o teu primeiro trabalho nesse sentido?
Nesse sentido (texto de outro autor, peça de teatro, cânone da literatura brasileira) é o primeiro.
Foi um trabalho de iniciativa própria ou você foi convidado para fazê-lo?
Fui convidado pela Nova Fronteira - não sei como chegaram ao meu nome, mas acertaram em cheio: li tudo o que publicaram em livro do Nelson, peças, romances - assinados ou sob pseudônimos - , crônicas... minha monografia foi sobre ele.
O filme te influenciou de alguma forma?
"O Beijo no Asfalto" teve duas adaptações para o cinema: uma do Tambellini de 66, "O Beijo" e outra de 81, creio, com o Tarcísio Meira e Nei Latorraca. Bem, as duas são um tanto irregulares, mas o Gabriel curtiu fazer o Dália tão mignon que parece uma criança, provavelmente inspirado pela Lídia Brondi no filme de 81. A fotografia do filme de 66 é impressionante, mas não consegui uma cópia para mostrar para o Gabriel.
Qual tem sido a reação dos leitores?
Muito boa. Acho sensacional quando me dizem que adoraram a história - pessoas que não conheciam o texto se sentem como se tivessem assistido a uma montagem (uma boa, espero); todos se sentem conduzidos pela trama até o final surpreendente bolado pelo Nelson. Isso é gratificante, porque respeitamos até quase a obsessão o texto original, só aparando mínimas arestas de diálogo que não levavam a história para frente, que funcionam bem no palco, mas não em HQ. Segui o conselho que dava para os diretores de suas peças: "seja burro!". Inventei o mínimo possível.
Marcadores:
arnaldo-branco,
capitão-presença,
editora-nova-fronteira,
entrevista,
f.,
gabriel-góes,
HQ,
nelson-rodrigues,
o-beijo-no -asfalto,
quadrinhos,
teatro
Assinar:
Postagens (Atom)
