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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Coluna de lançamentos, bastidores e "eu indico" da semana

Lançamentos em DVD



O começo - O roteiro esquemático não atrapalha a eficiência deste blockbuster que atualiza a origem de uma das franquias mais bacanas de Hollywood. James Franco é o cientista idealista (e um tanto ingênuo) que testa em símios a cura para o mal de Alzheimer. Cancelada, a pesquisa continua em sua casa, com seu pai (John Lithgow) e o macaco César, que adquire inteligência humana. Impressionam as sequências do confronto e o processo de consciência dos animais, que transparece no olhar.



O meio - Thriller político com bons momentos de ação, em que jovem escritor (Bradley Cooper) experimenta misteriosa droga sintética, que anula conflitos emocionais e expande sua atividade cerebral até tornar-se um gênio, cobiçado pelo chefão das finanças Robert DeNiro. Os sintomas são parecidos com o da cocaína, como euforia, sensação de poder, ausência de medo, ansiedade, agressividade e excitação. Enquanto encara a rede criminosa por trás da droga, o heroi descobre que abstinência pode levar à morte.



O fim - Em dois atos, o filme nos apresenta as irmãs Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg). Elas se vêem ligadas pelo fim do mundo - um planeta está em rota de colisão com a Terra. Enquanto Justine se desencanta em plena festa de casamento, a certeza científica do marido (Kiefer Sutherland) diz que não haverá catástrofe e o instinto materno de Claire entra em crise. Repleto de referências artísticas e filosóficas, Trier nos guia neste tour-de-force sobre a beleza da destruição.

Eu indico

Nascidos em bordeis (Born Into Brothels: Calcutta's Red Light Kids , EUA, 2004), de Ross Kauffman e Zana Briski. Gosto de documentários e tem um que é muito bom e me incentivou ainda mais nos projetos sociais com fotografia, por me mostrar como a imagem pode modificar o cotidiano de jovens. E por me fazer perceber de forma mais clara que estamos aqui para cumprir alguma missão, e ajudar pessoas da forma que seja vale realmente a pena. No meu caso a fotografia é uma ferramenta para isso.



Bastidores

Novos curtas - O cinema pernambucano não pára. Em pleno fim de ano, dois curtas estão em produção: As pedras do convento, de Josias Teófilo, sobre a relação feita pelo filósofo Evaldo Coutinho entre a arquitetura e a consciência individual; e Malunguinho, de Felipe Peres Calheiros.

Berlim - Além do brasileiro Xingu, de Cao Hamburguer, que compete em mostra paralela, o 62º Festival de Berlim traz na mostra oficial Extremely Loud And Incredibly Close, de Stephen Daldry, com Tom Hanks e Sandra Bullock; The flowers of war, estrelado por Christian Bale e dirigido por Zhang Yimou; Captive, de Brillante Mendoza (Lola); La chispa de la vida, de Álex de la Iglesia (Balada do amor e do ódio); e Death row, novo documentário de Werner Herzog. A 19ª Berlinale será entre 9 e 19 de fevereiro, com homenagem à atriz Maryl Streep. O presidente do júri será o cineasta inglês Mike Leigh.

Batsucesso - O novo trailer de Batman - Dark Knight rises se tornou um hit, com 12 milhões de downloads em menos de 24 horas no iTunes. Estreia em 27 de julho.

Em Minas - De 20 a 28 de janeiro, a Mostra de Cinema de Tiradentes celebra 15 anos com oportuna homenagem a Selton Mello. Oitenta filmes estão na seleção, entre eles os curtas pernambucanos Wilma, de Eva Jofilsan e Zenaide, de Mariana Porto, adaptações do livro As filhas de Lillith, de Cida Pedrosa.

O primeiro do ano - Conhecida por abrir o calendário de eventos de cinema do país, a Mostra de Tiradentes perdeu o posto para o Vale Curtas, em Petrolina. De 10 a 14 de janeiro, 41 produções serão exibidas, entre elas, o inédito Emboladas, de Felipe Peres Calheiros.

(Diario de Pernambuco, 05/01/2012)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Do laboratório à angústia existencial



Uma das franquias mais cultuadas do cinema se rende à onda dos prequels, os filmes do tipo “como tudo começou”. Planeta dos macacos - a origem (The rise of planet of apes, EUA, 2011) faz jus ao melhor da série, os dois primeiros filmes, estrelados por Charlton Heston em 1968 e 1970. Se aqueles trazem a estranheza de reconhecer no futuro o fim da civilização humana, este leva a refletir sobre os erros que motivaram tal ruína. Longe da cosmética de Tim Burton em seu remake de 2001, o filme de Rupert Wyatt (O escapista) funciona como entretenimento, é visualmente instigante e faz pensar. O que mais podemos querer de um blockbuster?

Antes dos chimpanzés “humanistas” Cornelius e Zira, havia César. Quem acompanhou a série deve se lembrar dele por ter liderado a revolução dos símios em A conquista do planeta dos macacos (1972). Ele volta à vida, agora, via Andy Serkis (Sméagol, de O senhor dos anéis, e o rei gorila em King Kong). Ao lado dele, James Franco - cientista que testa a cura para o mal de Alzheimer (seu pai, John Lithgow, é uma vítima) em cobaias, como a mãe de César, que se rebela e morre. Sobra para Franco criar o filhote, com o qual desenvolve relação de afeto, incompreendida pelo mundo.

Revolução se faz com inteligência, estratégia e força bruta. Frente à arrogância e estupidez humana, não resta outra escolha a César. O filme desenvolve essas etapas até a monumental sequência de enfrentamento na ponte que liga a cidade de San Francisco à área verde que os macacos almejam dominar.

Impressiona a semelhança do filme com 2001 - uma odisseia no espaço. Não só na concepção dos símios, tão ou mais humanos que os próprios, como na abordagem filosófica. Assim como no clássico de Kubrick, os olhos são o princípio do irreversível processo de tomada de consciência, a mesma que leva à angústia existencial.

(Diario de Pernambuco, 26/08/2011)