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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Star Wars 3D



Star wars está de volta em 3D. Geek de primeira hora, George Lucas não poderia deixar de atualizar seu trabalho mais representativo para a nova tecnologia. Lançada em blu-ray no fim do ano passado, a saga completa está de volta aos cinemas. Mesmo que eliminado o suspense sobre os personagens principais, Darth Vader e Luke Skywalker, assistir os seis episódios na ordem “correta” (os tomos 4, 5 e 6 foram produzidos primeiro, entre 1977 e 1986) ainda é uma oportunidade e tanto. Efeitos visuais inovadores e o talento de Lucas em fundar mitologia própria fazem de Star Wars um marco do cinema mundial. O melhor ainda está por vir, com A vingança dos Sith (episódio 3) e O império contra-ataca (Episódio 5).

Episódio 1 – a ameaça fantasma, que estreia nesta sexta-feira, pode ser visto como um prelúdio de luxo, onde são apresentados o jovem Obi-Wan Kenobi (Ewan Mcgregor) e seu tutor, Qui-Gon Jinn (Liam Neeson), o mestre Yoda e os androides R2D2 e C3PO, com participação de Jabba Hut.

A história, que transforma a criança Anakin Skywalker em herói da Rainha Amidala (Natalie Portman, pós-adolescente) só não é mais infantil do que o Episódio 6 – o retorno de Jedi. Na melhor das hipóteses, serve para elucidar que o conflito entre a República (defendida pelo conselho Jedi) e a maligna Federação do Comércio começou por um problema fiscal.

Produzido em 1999, doze anos depois pouco resta de atraente no longa, calcado em referências visuais díspares: RPG, videogame, pré-história, a cidade retrô-futurista de Metropolis e a sintaxe de filmes bíblicos. Destes, além disso, herdou uma dramaturgia tacanha, incapaz de investir em condutores emocionais como serão Luke, Han Solo e Chewbacca, em um futuro não muito distante. Obi-Wan e Qui-Gon são praticamente os Reis Magos, que protegem Anakin, “o escolhido” para trazer o equilíbrio entre as nações, sem saber que nele reside o “Anticristo” Darth Vader.

Como a série não foi concebida para esta técnica, o 3D quase sempre fica aquém das expectativas. Em alguns momentos, é aplicado só nas legendas. Em outros, como na luta de sabres entre Jedis e o Lorde Sith Darth Maul e a corrida de Pod-racers, faz valer o preço do ingresso.

(Diario de Pernambuco, 11/02/2012)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Recife entra na era do 3D



A expectativa em torno da estreia de Alice no país das maravilhas no Recife acaba de ganhar contorno especial. Após meses de especulações, o filme de Tim Burton é o pivô da inauguração da primeira sala de cinema 3D da capital. Até então, a única opção de cinema 3D era o complexo Box Cinemas, em Jaboatão dos Guararapes. O Recife entra na era do cinema tridimensional via UCI Severiano Ribeiro, que há duas semanas vem equipando a sala 3 do complexo Recife (Boa Viagem) com aparato tecnológico próprio para esse tipo de projeção.

O novo equipamento será utilizado na próxima segunda-feira, durante sessão de pré-estreia de Alice, promovida pela Disney, para convidados. Antes disso, há fortes chances de entrar em funcionamento ainda neste fim de semana, com a animação Como treinar seu dragão, da Dreamworks. Prevendo a grande procura, ingressos para Alice estão sendo vendidos antecipadamente. Os ingressos (aluguel do óculos incluído) variam entre R$ R$ 23 e R$ 11,50 (meia) nos fins desemana e R$ 19 e R$ 9,50 (meia) nas quartas-feiras.

Por várias semanas, sessões lotadas de Avatar no Box Guararapes deram a entender que a demanda pelo 3D é bem maior que a oferta. Por isso, até o fim do ano, a UCI confirma mais duas salas na cidade: uma no Tacaruna e outra no Plaza Casa Forte. A esperada reforma nos complexos Recife e Tacaruna também estão na pauta de prioridades.

Com 376 lugares, a sala Recife 3 funcionará com projetor Christie, que permite exibir imagens com resolução de 2.048 x 1.080 pixels, padrão DCI. A estrutura da sala teve poucas mudanças. A principal é a mudança da tela, com maior poder de reflexão, pois um dos ônus do uso de óculos especiais é a perda de luminosidade da projeção. Uma janela a mais foi construída na cabine de projeção, para comportar tanto a exibição digital quanto em película. "Não seria necessário trocar a tela, mas fizemos isso para garantir maior qualidade", diz Mônica Portella, gerente de marketing da UCI Ribeiro.

Investimento - Com a inauguração, a UCI passa a contar com salas 3D em doze de seus 16 complexos no Brasil. A sala do Recife é a quarta unidade no Nordeste - há duas em Salvador e uma em Fortaleza, inaugurada semana passada. Somente o projetor, sem contar os custos com a reforma, custou R$ 600 mil. O investimento é garantido. "Pesquisas indicam que a taxa de ocupação em salas 3D é 30% maior que a das demais", diz Mônica.

Outro fator que pesa na equação é o número crescente de produções realizadas para o formato. Até o fim de 2010, o calendário aponta para mais 17 filmes, entre eles, Fúria de Titãs, Toy Story e Shrek. Em novembro, Harry Potter promete dominar o circuito. Em 2011, vêm aí mais de 25 produções. "Os complexos têm apenas uma sala 3D e o acordo entre exibidores e distribuidores é que se tenha no mínimo quatro semanas para cada filme. Dependendo do sucesso, ele pode continuar por mais tempo", diz Mônica. A partir dessa regra, é possivel entender o motivo da mudança de data para a estreia de Alice, do feriado de 21 de abril para a sexta, 23.Além do acordo das quatro semanas, o Brasil é uma das maiores bilheterias estrangeiras de Como treinar seu dragão.

E as novidades não param por aí. Caso a UCI feche parceria com a Rede Globo, em junho poderemos assistir aos jogos da Copa do Mundo em 3D. Caso ocorra, mais que nunca, cinema será a maior diversão.

(Diario de Pernambuco, 15/04/2010)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

No limite entre sonho e realidade*


Alguma compulsão por botões parece ter baixado em Hollywood. Primeiro, no longa protagonizado por um certo Benjamin Button, que fez fortuna fabricando estes pequenos objetos. Agora, eles ressurgem na animação Coraline e o mundo secreto (EUA, 2009), em que uma garota entediada é conduzida a uma dimensão paralela habitada por seres com botões costurados no lugar dos olhos.

Dirigido por Henry Selick, o longa feito com bonecos e técnica stop-motion é uma adaptação do livro homônimo do inglês Neil Gaiman, cuja obra tem sido reprocessada aos poucos para as telas do cinema - vide os recentes MirrorMask e Stardust. Coraline, que estreia hoje nas salas de cinema dos shoppings, em cópias dubladas - uma delas em estimulante projeção 3D - é uma típica história de Gaiman, especialista em ambientes soturnos e situados no limiar entre sonho e realidade.

Tudo começa quando a menina Coraline e família se mudam para um casarão antigo. Ela não sabe, mas o local é habitado por uma bruxa que devora e aprisiona a alma das crianças. Rodeada de pais quase sempre dispersos, e vizinhos com hábitos estranhos, Coraline foi facilmente seduzida por um mundo fantástico, em que todos os seus desejos são atendidos.

Ao lado de O estranho mundo de Jack, também dirigido por Selick, e A noiva cadáver (com a qual compartilha a produtora Laika Entertainment), Coraline é uma fábula de horror para adultos, não por acaso, recomendada para maiores de dez anos. Um belo programa, em que a imagem clássica da bruxa má é o que menos assusta, neste mundo de agulhas, botões, e fantasmas de crianças presas do outro lado do espelho.
* publicado no Diario de Pernambuco