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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Articulações para negócios e festa da música



A Feira Música Brasil 2009 começou ontem e segue até domingo com uma programação que interessa tanto a profissionais quanto ao público que aprecia a boa música. Para aqueles, haverá dezenas de conferências, painéis, oficinas, palestras, exposições e rodadas de negócio com representantes de empresas nacionais e estrangeiras que atuam no mercado digital, gravadoras, exportadoras e festivais. No total, são 400 convidados de diferentes países. Para o grande público, o evento traz 35 shows em dois palcos do Recife Antigo, sem falar no Circuito Vivo, festival paralelo com mais de 40 artistas em oito palcos da cidade.

"É uma festa, não só uma feira", disse o diretor do Centro de Música da Funarte, Cacá Machado, na coletiva de imprensa, ontem à tarde. A seu lado, estavam na mesa o presidente da Funarte, Sérgio Mamberti e os diretores-executivos da FMB, Cacá Mamoni e Carlos Tabakof. Mamberti falou sobre necessidade de impulsionar uma economia baseada não somente nas imposições do mercado, uma economia criativa. "Vivemos um momento de abertura e de construção de um novo processo. Nós sabemos da importância da música brasileira não só na formação da indentidade do país, mas como movimentador de divisas. É perverso que isso esteja subjugado somente a interesses particulares. Queremos construir uma economia com todos os seus atores".

Para participar desse processo, basta frequentar as reuniões do Fórum da Rede Música Brasil, hoje e amanhã das 13h às 16h (MinC-NE - Rua do Bom Jesus, 237). A plenária final será sábado, mesmo horário, no Porto Digital (Rua do Apolo, 181). Esta será a quarta reunião do fórum, que nasceu na Feira da Música de Fortaleza, e já passou pelo Porão do Rock (Brasília) e Goiânia Noise.

"Às vezes escutamos notícias de que o mercado da música está mal. Para mim, isso não é verdade e (a FMB) é um espaço para essa positividade", disse Tabakoff, que pretende solidificar o evento como um marco no calendário nacional. Como diferencial dos eventos de negócio da música existentes em outras capitais (no Recife, temos o Porto Musical), Tabakof destaca a abrangência e o monitoramento. "Faremos um trabalho de quantificação para criar uma base de negócios". A FMB também não deixa a desejar se comparada a grandes festivais. "Para o ano que vem, queremos ampliar a grade. O coração do evento é a música, queremos que ela seja mostrada em toda a sua diversidade", disse Mamoni.

Shows e filmes - Somente na noite de hoje, nove shows gratuitos podem ser assistidos no Marco Zero: A Trombonada (19h), Nina Becker (19h40), Banda Naurêa (20h20), Milocovik (21h), Júpiter Maçã (21h40), André Abujamra (22h20), Macaco Bong (23h), Mundo Livre (23h40) e Sepultura (00h40).

De hoje a sábado, no Cinema Apolo, a FMB promove uma mostra de filmes em parceria com a Cinemateca Brasileira. Hoje será exibido Cartola - música para os olhos (Brasil, 2007), de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda; amanhã, o documentário O rock brasileiro - histórias em imagens (Brasil, 2009), de Bernardo Palmeiro; e sábado, Beyond Ipanema(EUA, 2009), de Guto Barra. Os diretores das três produções estarão presentes nas sessões, que começam às 18h30.

(Diario de Pernambuco, 10/12/2009)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Funarte propõe diálogo com gestores e produtores


O presidente da Fundação Nacional de Arte, Sérgio Mamberti, está no Recife desde ontem, onde cumpre agenda de encontros e eventos. Esta é a primeira visita oficial da Funarte à região Nordeste desde que Mamberti assumiu a frente da instituição, em novembro passado. O objetivo é estreitar laços com gestores públicos e atores do campo cultural discutindo as ações da Funarte para os próximos dois anos. Hoje, às 9h30, haverá reunião aberta ao público na sede da Representação Nordeste do Ministério da Cultura (Rua do Bom Jesus, 227 - Bairro do Recife).

Ontem, a agenda da comitiva formada por Mamberti e equipe foi cheia: pela manhã houve reunião a portas fechadas com funcionários do MinC Nordeste. À tarde, eles se reuniram com os secretários de cultura de oito estados e sete capitais do Nordeste. À noite, ele esteve no Teatro de Santa Isabel, no encerramento do Janeiro de Grandes Espetáculos (que este ano recebeu R$ 50 mil em recursos da Funarte), para a entrega do prêmio Apacepe de Teatro e Dança.

"Nesse momento o que nos interessa é ouvir, para que possamos construir nossas políticas com a participação da sociadade ", diz Mamberti. Em conversa com o Diario, ele disse que a principal meta de sua gestão é repensar a Funarte no contexto do século 21. Para tanto, ele renovou completamente a equipe de diretores. O único nome mantido é o de Myriam Lewin, que desde 2003 ocupa o cargo de secretária executiva da instituição. "Queremos trazer de volta a tradição da Funarte na prestação de serviços à cultura brasileira", afirma Mamberti.

Mais do que uma missão de reconhecimento, a presença da Funarte no Nordeste tem a ver com a busca de novas parcerias, articulações e interlocuções, inclusive internas. Tanto que, em breve, o atual representante regional da instituição, Jorge Clésio contará com equipe e escritório próprio, que atenderá no mesmo prédio onde funciona o MinC. "A representação da Funarte é um salto de qualidade que nasceu de uma necessidade de ampliação. Será um novo nívelde inserção, um espaço integrado", descreve Taciana Portela, chefe da representação do MinC-NE. No mesmo local, haverá uma galeria de arte, mantida em parceria com o Centro Cultural Banco do Nordeste.

Por enquanto, este será o único espaço da Funarte no Nordeste, região cuja ausência de equipamentos tem gerado críticas recorrentes. "Somos feios e moramos longe", conclui o produtor cultural Paulo de Castro, em tom de brincadeira. "Sabemos que no Sudeste tem se concentrado a maior parte das atividades da Funarte. Enquanto isso, precisamos de cursos e capacitação, além aparelhagem de som e luz para os teatros, que estão em certa decadência", afirma Castro.

A retomada das câmaras setoriais será outro ponto de pauta. "Mais do que críticas, queremos saber quais são os planos da nova direção da Funarte", diz Marília Rameh, uma das coordenadoras do Movimento Dança Recife, que ainda lembra o longo intervalo em que as câmaras setoriais estiveram suspensas, até serem retomadas no fim do ano passado.

Mamberti, que reservou boa parte de seu dia para dar conta das demandas do setor, adianta que as prioridades para 2009 estão ligadas a formação, circulação e a contribuição da Funarte na efetivação do Plano Nacional de Cultura. "Não temos a pretensão de resolver todos os problemas, mas ao menos queremos que as discussões se institucionalizem", garante.