Mostrando postagens com marcador oi-blues-by-night. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oi-blues-by-night. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Divertida viagem no tempo


Guitarrista Kid Andersen e Rick Estrin, no palco de Garanhuns

Rick Estrin & The Nightcats estão de volta. Acabaram de chegar de Buenos Aires para apenas duas apresentações no Brasil. Em março passado, eles foram a principal atração do Garanhuns Jazz Festival, onde fizeram um dos shows mais divertidos do ano. Agora é a vez do Recife, onde tocam hoje, às 22h, no encerramento do Oi Blues by Night 2011, no Spirit Music Hall (Rua do Futuro, 821. Fone: 3241-9446).

O que se verá hoje é coisa rara por aqui. Geralmente, os “bluseiros” norte-americanos tocam no país acompanhados por músicos brasileiros, nunca a banda completa. No grupo desde sua formação, em 1976, Rick Estrin lidera os Nightcats desde 2008, quando o guitarrista Little Charlie se aposentou. Em seu lugar está o prodígio Kid Andersen. Completam a banda Lorenzo Farrel (baixo e teclado) e J. Hansen (bateria).

Nascido em 1950, em San Francisco, ao contrário de seus colegas, o então adolescente Estrin não se envolvia com a música de Jimi Hendrix, Janis Joplin e Jefferson Airplane. “Os primeiros shows que me emocionaram foram de Muddy Waters, Buddy Guy e Howlin’ Wolf. Decidi me mudar para Chicago, onde fui chamado para tocar por Lowell Fulson (um dos principais nomes do blues dos anos 1940-50)”, diz. Ainda nos anos 1970, Estrin tocou com Muddy Waters, até que com Little Charlie fundou o Nightcats. Após 30 anos de carreira, o que o mantém na estrada? “Estou muito velho para o crime”, brinca.

Ao ouvir o álbum Twisted, lançado pela conceituada Alligator Records, fica evidente o talento de Estrin como compositor, cantor e músico (ele toca gaita diatônica e cromática). Ao vivo, a experiência se completa com a força da performance. Seu show é um bem-humorado passeio pelos diferentes estilos de blues e rock dos anos 1950. Apesar do blues ter nascido do lamento negro nos campos de algodão, Estrin acredita que também é alegria: “blues é vida, e como tal, alcança todas as experiências humanas. Alegre ou triste, ele faz as pessoas se sentirem melhor”.

Com seu topete aerodinâmico, óculos e bigodinho, Estrin é antes de tudo um entertainer, e como tal, criou um personagem para si (chega a tocar com a gaita dentro da boca) e é respeitado por gaitistas de todo o mundo, como Flávio Guimarães, produtor da turnê latino-americana do grupo. Antes do show, Guimarães se apresenta com a Uptown Band e a Handmade Blues Band faz show acústico. Ingresso: R$ 30 (homem) e R$ 20 (mulher).

(Diario de Pernambuco, 23/11/2011)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Deacon Jones, de volta ao Recife



O tecladista norte-americano Deacon Jones abre, com estilo, a nona temporada do festival Oi Blues By Night. Será hoje, às 21h, no Spirit Music Hall, com show de abertura da Handmade Blues. Na estrada desde 1963, Jones é um dos tecladistas mais importantes do blues elétrico. Sua autoridade no órgão Hammond B3 recebeu o aval de grandes nomes como John Lee Hooker, com quem gravou e liderou sua banda entre 1981 e 1999. Antes disso, se graduou no grupo Baby Huey & the Babysitters, de Chicago, e com os gigantes Freddie King e Curtis Mayfield.

Deacon Jones fez apresentação memorável quando esteve no Recife em 2005, a convite do Oi Blues By Night. Sua performance concilia habilidade com o instrumento, técnica vocal e um jogo de cintura que inclui descer do palco para dançar com o público. Seis anos depois, ele volta à cidade com os paulistas Flávio Naves (teclado), Lancaster (guitarra) e a pernambucana Uptown Band, com quem deve fazer outra inspirada apresentação. “Quando soube que voltaria ao Brasil, ele fez questão de tocar novamente no Recife, onde se sentiu bem-vindo”, conta Giovanni Papaleo, organizador do Oi Blues e baterista da Uptown.

Jones aproveita o show de hoje para lançar seu novo álbum, The legacy of the Hammond B3, gravado com Flávio Naves, que encontrou em Jones um mestre. Já foi dito que ele não toca, mas sim “pilota” o instrumento como fosse uma motocicleta. Que seu som, suave e aveludado, se equipara ao motor de uma Harley-Davidson.

“Essa é a primeira vez que dois grandes nomes do Hammond B3 tocarão ao mesmo tempo no país”, diz Papaleo. Para conhecer mais sobre a trajetória de Jones, o livro (em inglês) Makin blues history pode ser bem esclarecedor. Nele há histórias do tecladistas em turnês e gravações com Greg Almann (do Almann Brothers), Eric Clapton, Carlos Santana e os Rolling Stones.

Com uma programação de 14 shows em sete capitais nordestinas, o Oi Blues By Night seguirá até novembro. Entre os principais convidados estão o guitarrista Lil´ Ray Neal (Louisiana), Jimmy Burns (representante do Delta Blues de Chicago) e Rick Estrin and the Nightcats (California), que com sua mistura de surf music, jump blues, rockabilly e muito bom humor fez o melhor show do último Garanhuns Jazz Festival. Além do Recife, estão na rota do Oi Blues: João Pessoa, Natal, Fortaleza, Teresina, Salvador e Maceió.

Serviço
9º Oi Blues By Night
Onde: Spirit Music Hall (Rua do Futuro, 821, Graças)
Quando: Hoje, às 21h
Quanto: R$ 30 (homem) e R$ 20 (mulher)
Informações: 3268-4080

(Diario de Pernambuco, 27/07/2011)

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Embriagado de Blues



O guitarrista John Primer, de Chicago, se apresenta hoje, às 22h, no festival Oi Blues by Night. Ele é a principal atração do evento, que ainda conta com a abertura do grupo de jazz norte-americano Rodney Block & The Real Music Lovers, originária do Arkansas. Não é a primeira vez que um representante da cena de Chicago se apresenta no Recife. Especialmente nesta edição do Oi Blues, que em agosto trouxe Willie Big Eyes Smith e em novembro encerra as atividades com a dupla Billy Branch (gaita) e Carlos Johnson (guitarra).

Primer chega ao Recife após uma série de shows na Argentina, São Paulo e Minas Gerais. Daqui, ele segue para Natal e Fortaleza, dentro da itinerância do Oi Blues. Ele se apresenta com banda formada pelo argentino Adrian Flores (que produz a turnê sul-americana), do gaitista mineiro Luciano Boca e de músicos Uptown Band, que comemora 12 anos de existência. Aos 64 anos, este negro de sotaque carregado esculpido na região do Mississippi pode ser considerado um “filho” de Muddy Waters (1915 - 1983), com o qual tocou em sua banda, no fim da carreira.

Assim como outros bluseiros de Chicago, Primer não necessariamente canta as dores do abandono feminino e outras tragédias. Dentro em pouco, quando ele plugar sua Gibson Epiphone no amplificador, ele estará pronto para tocar o que ele define como “the real blues”. “Dizem que o blues vem do delta, dos escravos, mas não é verdade. O blues vem de todos os lugares. Não somente os negros, mas todos podem tocar o blues”, diz Primer, ao Diario.

John Primer nasceu em Camden, Mississipi. Começou a tocar guitarra aos oito anos de idade, observando parentes e pessoas que visitavam a casa de seu avô. O estilo era algo aproximado a John Lee Hooker. “Old stuff”, define o músico, que é filho único (sua irmã mais morreu ainda criança e seu pai morreu quando tinha seis anos) e aos 18 anos seguiu com a mãe para Chicago, onde vive desde 1963. Primer foi à meca do blues elétrico não para tocar e seguir carreira artística, mas sim para arrumar um emprego e pagar as contas. Trabalhou em hospital, lavador de carros, operário. “Havia muitos bluesman em Chicago, como Junior Wells e Howling Wolf, mas eu não os conhecia”.

O trabalho duro não o impediu de, em 1964, fundar a própria banda, o The Maintainers. Deixou o grupo logo após receber convite para liderar o grupo de rithm’n’blues The Brotherhood. Nos anos 70, teve oportunidade de tocar com Sammy Lawhorn, Junior Wells, Buddy Guy, Smokey Smothers e Lonnie Brooks, até que, em 1979, o baixista Willie Dixon o convocou para participar do The Chicago All Stars. Um ano depois, ele trocou o posto por um convite irrecusável: integrar a banda de Muddy Waters, que retomava sua carreira sob produção dos Rolling Stones.

“Quando tinha 14 anos, no Mississipi, sonhei que um dia tocaria com Muddy. Em 1980, o sonho se realizou”, conta Primer, que se manteve fiel ao mestre até sua morte, três anos depois.
Durante ensaio, realizado no Estúdio Toca na última segunda-feira à noite, Primer tocou diferentes estilos de Chicago, aquele em que a guitarra solo conversa com a gaita, a guitarra base cria o ambiente e o contrabaixo e bateria fazem uma “cozinha” pesada e visceral. “Quando eu toco, pessoas pensam que estou bêbado. Mas quando pego a guitarra, é o jeito que eu me sinto. Se eu tomo um copo de uísque, é um desastre”.

Sua voz tem timbre aveludado, algo próximo ao estilo Muddy Waters. “Minha mãe disse que quando nasci, eu não chorava, mas sim, fazia o ‘humming’ (tipo de canto com os lábios fechados e sem articular as palavras)”. Enquanto canta, ele brinca com ruídos, dá risadas e faz caretas que lembram Screamin’ Jay Hawkins. “Gosto do tipo de música que as pessoas podem rir. Quero manter as pessoas felizes a noite toda. Eu conto histórias, boas ou ruins, para deixar as pessoas alegres”. Era o recado que faltava para sair voando ao som do “real blues”.

Serviço
Oi Blues by Night
Quando: Hoje, às 22h
Onde: Spirit Music Hall, Rua Futuro, 821 - Graças, zona norte do Recife
Quanto: R$25 e R$20 (mulher)
Informações: 3241-9446

(Diario de Pernambuco, 16/09/09)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O bom do blues na edição de 2009



Olhando para trás, nem parece, mas lá se vão sete anos desde que surgiu o festival Oi Blues By Night. De lá para cá, quase toda a cena do blues nacional passou pelo evento, além de Magic Slim, Deacon Jones, Stanley Jordan, Kenny Brown e várias outras atrações internacionais e shows memoráveis. E este ano não será diferente.

A programação 2009 do festival itinerante contempla seis estados do Nordeste e está repleta de convidados especiais, não tão conhecidos do grande público, é verdade, mas que, se observados mais de perto, podem agradar - e muito.

"Este será o ano com mais artistas internacionais no evento", diz o produtor Giovanni Papaléo. Para abrir o festival com o pé direito, escalou Willie "Big Eyes" Smith, emblemático representante do blues elétrico de Chicago, nos EUA, estilo fundado por gente como Willie Dixon, Muddy Waters, Bo Didley, Buddy Guy e Howlin' Wolf. Como baterista e gaitista, Smith tocou com todos eles. Principalmente com Waters, com quem conviveu de 1961 até o fim da carreira.

Em entrevista ao Diario, ele fala sobre sua formação e curiosidades como sua participação nos filmes The Last Waltz, de Martin Scorsese, e The Blues Brothers, onde toca ao lado de John Lee Hooker.

Na noite de hoje, Smith sobe ao palco para cantar e tocar gaita. Ele terá como banda de apoio a Uptown, de Papaléo, e deve ser convidado para tocar bateria, num momento de importância histórica, que pode se tornar o auge da apresentação, que ainda conta com a participação especial dos gaitistas Jefferson Gonçalves (RJ) e Val Tomato (SP). A programação ainda traz as bandas Street Jazz Band, de Garanhuns, e a recifense Jambalaya Blues Band.

Pelo evento, Smith faz apresentação única, no Recife. Mas daqui para o fim do ano, outros filhos de Chicago circularão pelo Nordeste. Em setembro, o guitarrista John Primer fará shows na capital pernambucana, Natal e Fortaleza. E em novembro, encerrando o festival, o gaitista Billy Branch e seu parceiro Carlos Johnson estarão no Recife e Fortaleza.

Completam a programação do Oi Blues 2009 o cantor André Matos (ex-Shaman e Viper) e Vasco Faé, que em agosto tocam no Recife, Teresina, Fortaleza e João Pessoa, e a dupla Lancaster e Marcelo Naves, que fazem o circuito Recife, Teresina, Fortaleza e Maceió. Para tocar com as atrações principais, Papaléo diz que procura novos talentos em cada capital. "Esse é o grande mote, promover a interação das bandas locais com artistas internacionais". Para se candidatar, as bandas devem escrever para uptownband@gmail.com.

Serviço
Oi Blues By Night
Quando: hoje, às 22h.
Onde: Audrey Dining Club (R. Tenente João Cícero, 202 - Boa Viagem)
Quanto: R$ 30 (R$ 15 meia)
Informações e reservas: 3207-0006

Entrevista // Willie "Big Eyes" Smith: "Muddy Waters foi a minha escola"



De onde surgiu seu apelido?
Quem colocou foi Muddy Waters, pois todos da banda tinham um apelido, menos eu. Um dia, no meio de um show, durante a apresentação dos membros da banda ele olhou para mim e disse, de repente, sem explicação: na bateria, Willie Big Eyes Smith!!!

O que você pode falar sobre sua infância em Helena, Arkansas?
Vim de uma famíla muito pobre, num lugar que a vida era difícil. Minha infância foi como a de qualquer criança. Eu queria tocar, mas não tinha condições financeiras de comprar instrumentos musicais.

E como você aprendeu a tocar o blues?
Desde que nasci convivo com o blues. Na minha infância, minha avó tinha deixado para minha mãe muitos discos de Tampa Red, Robert Johnson etc. Quando cheguei em Chicago, após um mês na cidade, arrumei um trabalho e pude comprar meu primeiro instrumento. Cheguei com 17 anos e Muddy Waters foi a minha escola: toquei com ele por mais de 18 anos.

Como você pode descrever os melhores momentos com Muddy Waters?
Muddy foi como um pai para mim. O melhor cara do mundo para trabalhar. Se não fosse assim, não teria passado tantos anos com ele.

Como aconteceu sua participação no filme The Blues Brothers, ao lado de John Lee Hooker?
Estava de férias quando me convidaram e eu voltei para esse filme. Muddy Waters estava doente nessa época e não pôde participar. Eu também toquei outras vezes com John Lee.

Qual será o repertório para hoje à noite?
Vou decidir na hora. Tudo pode acontecer. Nunca planejo um um show. O blues é assim!